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:: ‘Notícias’

QUEM ARCA COM AS DÍVIDAS DOS INADIMPLENTES SÃO OS BONS PAGADORES

Todo final de ano a Serasa e as entidades representativas dos lojistas em geral limpam as dívidas dos consumidores compulsivos inadimplentes para que eles voltem a comprar mais, e no próximo ano, tudo começa novamente. Para a conta fechar e o capital não ter prejuízos, são os bons pagadores que, com as altas taxas de juros, cobrem as diferenças.

A mídia oferece total cobertura ao chamamento das instituições financeiras para que seus “clientes” compareçam aos estabelecimentos para negociar os abatimentos fabulosos. No entanto, nunca questiona quem paga. Tem devedores de 10 mil reais, oito mil, cinco mil e outros valores até maiores que saem dos acordos satisfeitos e contentes com os descontos e as facilidades obtidas. “Coisa de pai para filho”.

Ora, não estou aqui condenando essas facilidades que ocorrem todos os anos para os inadimplentes, mas não é justo que isso seja feito às custas do bom pagador que controla seu consumo e suas contas. Alguém aí acha que os lojistas, as financeiras e outras empresas perdem com esses perdões de dívidas, muitas das quais chegam a baixar até 80% ou mais do valor?

A matemática só fecha porque os preços e os juros cobrados são escorchantes, e o que os vendedores recebem dos bons pagadores compensa o perdão concedido aos inadimplentes. Como no Brasil está arraigada a cultura da malandragem e da trapaçaria, muitos se excedem nas compras de final de ano sabendo que lá na frente vão ter a negociação “benevolente”

Como bem diz o ditado, não existe almoço de graça. No preço e nos juros das mercadorias já está embutida a margem de risco, e isso é pago pelo adimplente que honra seus compromissos. Essa prática vicia o sujeito que já está acostumado a não pagar suas dívidas. No fim, “o justo paga pelos pecadores”

Nesse Brasil, tem muita gente que deixa de pagar a mensalidade da escola de seus filhos para viajar e curtir nos feriadões, e vai cada vez mais se endividando. Muitos deixam de pagar prestações da geladeira, da TV, do som ou do celular de última geração para comemorar o aniversário com os amigos, ou farrear num bar, comendo e bebendo do melhor.

É só dar uma checada para concluir que os inadimplentes das negociações sempre são quase os mesmos de todos os anos. Esse negócio que falaram de beneficiar quem tem ficha positiva como bom pagador é só teoria, conversa fiada do sistema empresarial. Tudo não passa de um esquema planejado do comércio para aumentar o consumismo ao custo daqueles que controlam suas prioridades e pagam suas contas.

“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte IV)

UM POVO FORÇADO A SER SEDENTÁRIO, MAS QUE SEMPRE VIVIA EM CORRERIAS, FUGINDO DOS PRECONCEITOS E DAS LEIS RIGOROSAS PARA SALVAR SUAS IDENTIDADES CULTURAIS. A LIGAÇÃO ENTRE O ROMANI E O HINDI, A VISÃO DOS MOVIMENTOS ROMÂNTICOS (O FLAMENCO), OS PROTESTANTES E A QUEDA PELA MÚSICA E OS IMPACTOS DA INDUSTRIALIZAÇÃO EM SUA VIDAS.

Um acadêmico húngaro, de nome Samuel Augustini ah Hortis, fez uma série de 40 artigos num jornal de seu país, publicados entre 1775/6, falando sobre a vida cigana. Seu relato concentra-se na Hungria e a na Transilvânia, e concluiu que, embora os ciganos tenham muita coisa em comum, já não havia uma nação homogênea e nem uma cultura coletiva. Muitos receberam influência de países por onde passaram. Em sua região, eles viviam em tendas, mas passavam o inverno em cavernas. As cabanas eram mais equipadas.

De acordo com o acadêmico britânico, Angus Fraser, em seu livro “História do Povo Cigano”, essa etnia sem nação usava poucos utensílios de cozinha, como um pote de barro ou uma frigideira de ferro. Comia carne (até putrefata) ou farináceos simples. Mendigava pão e era entusiasta do álcool e do tabaco. Tinha apenas uma muda de roupa. Os negociantes de cavalos eram hábeis e sabiam muito bem impingir um rocim doente por saudável. Adotava a religião do sítio onde estivesse, mesmo sem tanta fé.

A LIGAÇÃO ENTRE O ROMANI E O HINDI DA ÍNDIA

Na verdade, o autor dos artigos, Augustini, como frisou Fraser, não levava muito em conta a moral e a cultura dos ciganos. Dizia que o mal deles estava na criação dos filhos. “Os pais os amavam, mas não os educava”. A série reconhecia a ligação entre o Romani e a Índia. Afirma o escritor do livro que, argumentos mais fortes sobre o Romani foram escritos pelo inglês Jacob Bryant, em 1785. Jacob chamou a atenção para analogias entre o Romani e as línguas indo-iranianas, com palavras importadas do grego e do eslavônico. O alemão Johann Rudiger também estabeleceu a ligação com a Índia, nomeadamente o Hindi.

No entanto, o escritor Angus Fraser dá maior credibilidade para um outro alemão, Henrich Grellmann, em seu livro “Die Zigeuner”, publicado em 1783, com uma análise mais coerente. Ele estimou a população cigana em cerca de 800 mil, e de ser profusa na Hungria, Transilvânia e por toda península Balcânica. No resto da Europa, eles eram numerosos na Espanha, na Itália e menos na França (Alsácia e Lorena). Eram escassos na Suíça, Países Baixos e na maior parte da Alemanha. Embora muitos tenham se se sedentarizados, e se tornaram escravos na Moldávia e Valáquia, a maior parte continuava a vaguear. Existiam divisões internas.

Grellmann não poupou os escândalos em sua publicação, ao citar a depravação das mulheres ciganas, e até acusações de canibalismo. Porém, se baseou mais em jornais húngaros e alemães contra 150 ciganos, 41 dos quais após confissão sob tortura. Estes foram executados por decapitação, enforcamento, roda e esquartejamento. Fraser destaca que o alemão tinha uma crença errada de que o êxodo dos ciganos da Índia tinha sido uma reação à invasão por Tamerlão, no final do século XIV. No plano social, Grellmann manifestou-se contra o banimento, como maneira de lidar com os ciganos.

A VISÃO DOS MOVIMENTOS ROMÂNTICOS

No campo literário, os ciganos atraíram os movimentos românticos e o estilo melodramático. Em 1773, a tragédia de Goethe Gotz von Berlichingen, colocava um chefe cigano no papel de um nobre selvagem. Os autores começaram a colocar os ciganos em contraste com a hipocrisia da vida comum. No século XIX se propagou que eles eram réprobos selvagens, com laivos de sobrenatural, de mistério e de crime.

Nessa linha, Cervantes, em La Gitanilla, criou personagens imaginários onde os ciganos eram responsáveis por crianças perdidas. O estereotipo estava em evidência, mas o autor Geoge Borrow procurou transmitir, em sua escrita, algo de verdadeiro. De acordo com Fraser, o Movimento Romântico se interessou pela cultura popular primitiva, com predileção pelo exótico, pelo folclore (1846), pelas danças e pelas as músicas.

Os ciganos foram arrastados por essa corrente da curiosidade humana. Descobriu-se, como assinala Fraser, que eles eram uma mina de contos, canções, costumes e superstições. No campo da historiografia, o francês Paul Bataillard, abriu uma era da história antiga dos ciganos na Europa, com uma série de artigos publicados a partir de 1843.

Na filologia, a língua Romani era vista como uma beleza antiga em decadência, sucumbindo a diferentes forças. O alemão August Friedrich Pott foi o primeiro a criar um trabalho científico sobre o Romani, intitulado “Die Zigeuner in Europa und Asien” (Os Ciganos na Europa e na Ásia), em 1844/5. Como resultado, os anos de 1860 e 1870 foram os mais dedicados aos estudos do Romani na Alemanha.

OS PROTESTANTES E A QUEDA PELA MÚSICA

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O POVO E UM GOVERNO GENOCIDA

Vão para as baladas, para as festas funks, bares e restaurantes cheios, com muita curtição, praias lotadas; participam de campanhas e vitórias nas eleições; não usam máscaras; não seguem protocolos de higienização; e depois aparecem chorando com seus parentes contaminados nas portas dos hospitais quando não encontram uma vaga nos leitos. Como ter compaixão com essas pessoas que confundem liberdade com desrespeito ao seu próximo?

Infelizmente, temos um país, único no mundo, onde o povo segue um governo genocida que não acredita na ciência e trata a Covid-19, que já matou 175 mil brasileiros, como uma “gripezinha”. Temos um general ministro da Saúde (não é médico e nada entende do assunto) que diz que as aglomerações não impactam no número de infectados, quando cita como exemplo, as eleições municipais.

Mesmo com todas as evidencias dos números de casos que só aumentam nos hospitais, o general declara em público que os ajuntamentos durante as eleições não influenciaram no quadro de contaminação no país. Os índices demonstram o contrário. Do outro lado, somos obrigados a conviver com um monte de imbecis ignorantes que nunca vão entender o que é mesmo liberdade, porque seus neurônios são como “titicas de galinha”.

Por insanidade mental, e por causar dor e sofrimento a milhões de brasileiros, desde o início da pandemia em março, esse capitão-presidente já deveria ter sido afastado do governo e julgado por um tribunal internacional por crimes de lesa-humanidade. O mais triste e angustiante é que ele tem milhares de seguidores da morte, com os símbolos das caveiras do nazifascismo exibidos no peito.

Na próxima semana, a Inglaterra já começa a vacinar sua gente, enquanto aqui só Deus saberá, porque vivemos num país sem estrutura, sem planejamento e com um governo genocida que insiste que a vacinação não seja obrigatória, dando a entender, ou incentivando a população para que não vacine. Numa situação de pandemia em que estamos, mais uma vez seremos vítimas de uma insensata liberdade.

É senhores brasileiros, não sabemos qual será nossos destinos nesse cenário de mortes e derramamento de lágrimas! Nem sabemos quando, e se seremos mesmo vacinados! Fala-se em março, mas não existe certeza diante de um governo que faz pouco do vírus, e sempre se posicionou contrário ao isolamento, e até ao uso da máscara. Como se diz no popular, estamos mesmo ferrados, num barco à deriva em alto mar!

“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte III)

A IGREJA CATÓLICA E O COMBATE À “PRAGA CIGANA” NA EUROPA, COM PENAS DE MORTE, ENVENENAMENTOS, SEPARAÇÕES E TODOS OS TIPOS DE ATROCIDADES. O CIGANO ERA ACUSADO ATÉ DE CANIBALISMO.

Dentro do nosso roteiro do livro “História do Povo Cigano”, do autor Angus Fraser, a Espanha também apertou o cerco desde 1550. A corte se referia aos ciganos como uma praga de vagabundos. Felipe II agudizou a situação. Em 1588 aplicou severas restrições aos direitos de os ciganos venderem suas mercadorias. Criou a proposta de separar os homens das mulheres para se casarem com camponeses e colocar os filhos em orfanatos. O projeto ficou na gaveta por um tempo, mas apareceu no século XVIII.

A Igreja Católica não ficou atrás com seus preconceitos odiosos, inclusive por parte de padres e teólogos, como o Sancho Moncado que afastou a possibilidade de ser mostrada a consideração pelas mulheres e crianças. Padres inventavam boatos de roubos, heresias e rapto de crianças contra os ciganos.

“QUEM ME ENCONTRAR, PODE ME MATAR”

Em defesa de Felipe III, Moncada preferia algo mais irreversível e cita as Escrituras, para justificar a condenação dos ciganos (Gitanos) à morte, usando a passagem em que Caim diz que “serei errante e vagabundo pela terra e quem me encontrar, pode matar-me”. Ele ainda dizia que “não há lei que nos obrigue a criar filhotes de lobos para garantido detrimento futuro do rebanho”. Em 1631, o juiz Juan de Quinones enforcou cinco ciganos. Para condená-los, baseou-se em histórias de imoralidades e canibalismo.

Os ciganos eram obrigados a viver “como bons cristãos”, e quem apanhasse um itinerante poderia fazer dele um escravo. O governo precisava manter tripulações para as galés, para fortalecer as esquadras do Mediterrâneo. Eles eram apanhados para os trabalhos forçados nos navios.

Em 1695, Carlos II, o último monarca da dinastia dos Habsburgos, apertou mais ainda o regime através de um decreto que estipulava uma lista completa de todos os ciganos e suas ocupações, armas e animais. Só podiam viver em lugares com mais de 200 habitantes, e eram proibidos de desempenhar qualquer ofício não ligado à lavoura. Não podiam usar cavalos, armas ou irem a feiras e mercados.

Com os Burbons, a política ficou mais dura, principalmente nos principados de Aragão, Catalunha e Valência. Com Felipe V, o fundador da dinastia, a sanção de 1717 restringiu ainda mais os locais para morada em 41 cidades, com penas que iam de seis a oito anos nos galés para os homens, mais banimento para as mulheres, para quem descumprisse as ordens.

Seu filho Fernando VI, em 1746, alargou o número de cidades para 34. Em seu reinado, o reverendo Gaspar Vázquez, bispo de Oviédo e governador do Conselho de Castela, decidiu que os ciganos deviam ser todos passeados pela Espanha durante uma jornada de uma noite, para serem postos em locais de trabalhos forçados, sendo seus bens vendidos.

Fernando VI aceitou o conselho do bispo, e cerca de 12 mil ciganos fizeram a maldita marcha para o inferno. As galés só foram abolidas em 1748, isto por causa do surgimento de novas tecnologias de navegação naval. No entanto, os ciganos foram levados para os estaleiros navais, arsenais e para as minas de mercúrio onde centenas e milhares foram mortos por envenenamento. Nos barracões, exércitos de homens dormiam sem cobertores em estrados de madeira, com os tornozelos acorrentados às paredes.

Diante de provas de boas condutas de ciganos casados, Fernando VI voltou atrás em suas ordens e autorizou que estes podiam regressar às suas casas. O seu meio-irmão e sucessor, Carlos III, decidiu, em 1763, que todos ciganos ainda mantidos na prisão por causa da jornada noturna deviam ser postos em liberdade. No entanto, os conselheiros do rei se opuseram e o decreto só entrou em vigor em 1765.

Mesmo assim, algumas de suas propostas, como na área da educação, tiveram teor autoritários. Comparadas com três séculos de regulamentos sanguinários de José II relativos à Hungria e à Transilvânia, suas medidas representaram certo progresso. Uma das normas era eliminar o nome de ciganos para castelhanos novos. Aqueles que estivessem dispostos a obedecer aos atos, seriam autorizados a trabalhar em qualquer ofício.

A SEDENTARIZAÇÃO FORÇADA E AS DEPORTAÇÕES PARA O BRASIL.

Os restantes dos países situados fora do Império Otomano, como Portugal, Itália, Suíça, sul da Flandres, Dinamarca, Suécia e a Rússia seguiram caminhos semelhantes de banimento e sedentarização forçada em diversos graus. Portugal foi o primeiro país a recorrer à deportação para as colônias ultramarinas (Brasil) como novo método de expulsão. As colônias precisavam de gente, e os colonos necessitavam de mulheres.

As primeiras deportações para as colônias da África ocorreram no tempo de D. João III, através do decreto de 1538. Em 1574 tivemos o primeiro registro de um cigano português (Johão Torres) mandado, com sua mulher e filhos, para a o Brasil, como comutação de uma sentença às galés, pois não tinha obedecido a ordem geral de expulsão.  D. João V se destacou como um dos mais carrascos e perseguidores da nação cigana, lá pelos meados do século XVIII.

As deportações para o Brasil começaram a ser organizadas em 1686, numa altura em que se dizia que as expulsões da Espanha estavam a provocar um enorme afluxo de ciganos para Portugal. Na realidade, em 1570, Felipe II proibiu os “Gitanos” de entrarem nas colônias da América, devido a informações de que eles estavam indo secretamente, e andavam a vigarizar os índios. A ordem era de que regressassem à Espanha.

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AS ESQUERDAS PRECISAM MUDAR SEU DISCURSO

SE O POVO QUER IR NUMA DIREÇÃO. NÃO ADIANTA TENTAR LEVAR PARA OUTRA

Comentei aqui ao final do primeiro turno que pelos meus cálculos e em decorrência à rejeição do PT, que pouco mudou o seu discurso e não aceitou, humildemente, reconhecer seus erros do passado, iria perder as eleições em Vitória da Conquista. Aliás, isso aconteceu em Feira de Santana e em todo país. Falei com algumas pessoas da esquerda, mas não concordaram com minha leitura.

O povo deu um não aos extremismos do capitão-presidente da República, vilão do meio ambiente, com seus rompantes ofensivos ultraconservadores, e também às esquerdas, principalmente o PT, que não quis fazer uma revisão dentro do seu próprio partido. O discurso de combate ao coronavírus, com flexibilizações em tempo certo, também foi importante na votação.

DEU O DISCURSO DO CENTRO

O eleitor optou por ficar no centro. Disse que quem colasse no PT, como aconteceu com o PSB, em Conquista, não iria se dar bem. Alguns se salvaram, talvez por motivos de representação pessoal e porque já tinham suas bases construídas, mas foram poucos e esses devem adotar o diálogo.

Se o PT quer renascer seu partido das cinzas, tem que fazer um trabalho de renovação em sua linguagem, abrir um canal de diálogo com outros partidos, não mais como grande e arrogante, e voltar às suas origens de ligação com as periferias, com o campo, com as bases e com os trabalhadores, em portas de fábricas. O DEM foi rejeitado e depois renasceu porque mudou.

Não importa se Lula é inocente ou não de suas acusações, ele foi fulminado pelas próprias direitas sujas da elite burguesa que ele mesmo se aliou, para se manter no poder. Na história do Brasil, a esquerda que se coligou à burguesia, se deu mal.

O grande erro começou na eleição a presidente de 2018 quando o partido não aceitou Ciro Gomes na cabeça de chapa, e insistiu em Haddad para disputar com a extrema-direita homofóbica e racista de Bolsonaro. Aí entraram em cena o ódio e a intolerância, mas estes males vão desaparecer.

Em 2018 era o momento do PT sair de seu pedestal de arrogância e prepotência, e fazer uma aliança mais palatável, com a linguagem do povo. A extrema brotou de suas trevas e passou a propagar o PT como o satanás,

O diabo, que passou a mão nos cofres da Petrobrás e de outras estatais. Empregou o termo de comunistas a todos aqueles que estivessem ao seu lado.

Interessante que os partidos que estavam conluiados com o PT na roubalheira, como o PP e o MDB, principalmente, se deram bem nessas eleições porque pularam fora do barco e não foram alvos da extrema conservadora. O PT ficou como alvo no tiroteio cruzado, e o povo, de pouca memória, esqueceu que os outros também foram corruptos, tanto quanto.

Como não poderia deixar de ser, aqui em Conquista essa linha prevaleceu, ainda mais com o reforço dos evangélicos conservadores, dos comerciantes lojistas, empresários em geral e dos antipetistas raivosos que votaram no MDB, de Hérzem Gusmão, só para eliminar de vez o PT do cenário político da cidade.

Fosse puramente pela pessoa do professor José Raimundo, sem a colagem do PT, o resultado talvez tivesse sido diferente. Quem mais perdeu nesse pleito foi o governador Ruy Costa que “levou pau” em Salvador, Vitória da Conquista, Juazeiro (lá foi o PC do B seu coligado), Feira de Santana, Itabuna e Ilhéus, os maiores colégios eleitorais.

Aqui em Vitória da Conquista é chegada a hora do PSB, ou outro partido de esquerda moderada, fazer uma revisão de seus erros e começar a trabalhar firme com o povo para ganhar a prefeitura, em 2024, com candidatura própria, sem coligação. É hora de “arregaçar as mangas” e já trabalhar com um possível nome que tenha a aceitação popular, sem essa linguagem de bordões ultrapassados e carrancudos.

COLABORAÇÃO DO JORNALISTA CARLOS GONZALEZ

Por curiosidade fiz algumas projeções sobre as eleições em Conquista.

1º turno

Zé – 81.721 votos – 47,63%

Herzem – 78.732 votos – 45,89%

Demais candidatos – 11.132 votos – 6,49%

Votos válidos – 171.575 – 91,48%

Brancos – 4.095 – 2,18%

Nulos – 11.880 – 6,33%

Abstenções – 43.626 – 18,82%

2º turno

Herzem – 97.364 – 54%

Zé – 82.942 – 46%

Votos válidos – 180.306 – 95,31%

Brancos – 2.367 – 1,25%

Nulos – 6.509 – 3,44%

Abstenções – 41.994 – 18,17%

Como explicar que a diferença de 1,74% (cerca de 3 mil votos) em favor de Zé se transformou em 15 dias em 8% (quase 15 mil votos) em favor de Herzem?

Por que 8.371 eleitores que votaram em branco, anularam o voto e se abstiveram no 1º turno, compareceram maciçamente às urnas no domingo, com uma expressiva maioria contribuindo para a reeleição de Herzem.

Temos que admitir que a campanha de Zé na TV foi pífia. Já seu adversário foi mais incisivo, utilizando-se de fake news (associou o petista aos rituais do candomblé, provocando a repulsa dos evangélicos, bastante numerosos em Conquista). Como em todo o Brasil, o PT, vinculado pelos inimigos à corrupção, continua despertando um sentimento de ódio.

Os cientistas políticos não teriam uma resposta. É uma equação que poderia ser colocada diante de Einstein.

 

LÁ SE VÃO AS FLORES DOS NOSSOS IPÊS!

ROUBAM A NOSSA DIGNIDADE, NOS CHAMAM DE “MARICAS” E AGORA QUEREM LEVAR ATÉ AS NOSSAS FLORES

O cerrado, a caatinga, as nossas florestas Amazônica e Atlântica estão sendo desmatados e queimados para dar lugar a lavouras de grãos e a pastagens de criação de gado. Agora os madeireiros ilegais, com a anuência de um bárbaro governo, estão querendo roubar as flores dos nossos Ipês, raros em brotar suas cores roxa, branca, rosa e amarelas.

Há mais de 500 anos, os portugueses que aqui aportaram suas naus, levaram o nosso precioso Pau Brasil, muito ouro das nossas minas e outros minerais. Os índios, habitantes nativos da terra, praticamente foram extintos, restando algumas reservas que estão sendo ameaçadas de expulsão. Uma grande variedade de plantas e animais, simplesmente, sumiram de nossos biomas.

Como se não bastasse a destruição que o nosso meio ambiente vem sofrendo com os devastadores incêndios provocados por grileiros, fazendeiros rurais gananciosos e garimpeiros do mercúrio, com a cobertura de um governo irresponsável e criminoso, agora querem também exportar nossos ipês que enchem os nossos olhos de encantamento quando estão floridos nas campinas e nas matas.

Isso me faz lembrar o poema de Maiakovski sobre o ladrão que entra em nosso quintal e leva as flores do nosso jardim, e nada fazemos para impedir. Os raros ipês que ainda existem em nossos campos e em algumas avenidas de nossas cidades são as flores do nosso jardim. Nosso quintal está virando um deserto inóspito.

Vamos deixar que esses usurpadores das nossas matas levem nossos ipês para o exterior, como fizeram há 500 anos com o Pau Brasil? A notícia que corre é que esta espécie, como tantas outras da sua importância e beleza, vai ser derrubada pela motosserra e liberada para o comércio. Até quando vamos suportar tanta agressão contra a nossa natureza, sem protestar e lutar?

O mais grave e irônico é que tudo isso está sendo facilitado e permitido por um órgão do governo chamado Ibama, o qual foi criado com o suor do nosso dinheiro, justamente para proteger o nosso meio ambiente, a nossa fauna, a nossa flora e as riquezas nele existentes. Esse mesmo órgão, nos dois últimos anos, foi desmontado, desmantelado e esvaziado para deixar passar a boiada dos vilões da nossa vegetação.

Será que não vamos mais ver e apreciar a beleza e a poesia das flores dos nossos majestosos ipês? Vão levar também nossas araras azuis, nossos micos-leões, nossas onças pintas e outras raridades da nossa natureza? É assim que eles, os ultraconservadores e fascistas, pregam Deus, Pátria e Família, depredando o meio ambiente e entregando nossas riquezas para outros países? Até as flores tiram de nós, e ficamos calados?

Não bastam as reações contrárias de ambientalistas e entidades por meio de palavras. A Justiça, o Ministério Público, o Congresso Nacional e toda população brasileira precisam tomar posições firmes para impedir tais barbaridades, como a liberação dos nossos ipês para o estrangeiro. Caso contrário, as novas gerações só irão conhecer a beleza das flores dos nossos ipês através de fotografias.

“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte II)

“A PRESSÃO DAS GRILHETAS”, A ESCRAVIDÃO E AS LEIS RIGOROSAS DE PENAS DE MORTE E TRABALHOS FORÇADOS

O cerco começou mesmo a se fechar contra eles entre o meado do século XVI até o final do século XVIII e início do XIX, um dos períodos mais tenebroso para os ciganos na França (Tsiganes), na Alemanha (Zigeuner), na Espanha (Gitanos), na Inglaterra (Gipsies), na Hungria (Czingaros), na Holanda e outros países, conforme narra o escritor Angus Fraser, no capítulo “A Pressão das Grilhetas”, no livro “História do Povo Cigano”.

Esse povo continuou a ser visto como criminoso por causa da sua posição na sociedade. Os preconceitos raciais (pele escura) e as hostilidades religiosas ficaram mais arraigadas, com condenações como vagabundos, mendigos e por práticas pagãs de feitiçarias. Sem domicílio fixo, eram considerados como inúteis. Para as autoridades, os ciganos tinham que ser corrigidos através da coerção e pela pressão das grilhetas (galés).

Quando os ciganos ofereciam serviços legítimos à população, como assinala o autor do livro, corriam o risco de atrair a má vontade de mercadores e artesões ambulantes que violavam os monopólios locais. Temiam ainda pela repugnância que suas ocupações de funileiros, bufarinheiros e saltimbancos suscitavam nos detentores do poder.

LEIS E PENAS MAIS RIGOROSAS

Contra eles, as leis foram se multiplicando, e as penas tornando-se mais rigorosas. Na Inglaterra, os anos 1550 a 1640 corresponderam ao auge da atividade contra os “homens sem dono”. Em 1554, no reinado de Filipe e Maria foi promulgada uma lei que os tratavam de malignos e abomináveis.

As leis de 1530, de Henrique VIII, da Inglaterra, foram agravadas. Quem trouxesse ciganos para o país seria multado, e o transportado que ficasse por um mês, era considerado criminoso. Só escapava do castigo quem abandonasse “essa ociosa e ímpia vida”. Todas as licenças e passaportes adquiridos (usados pelos egípcios) foram anulados.

Ainda como parte das leis, quem andasse na companhia “desses vagabundos ou falsificadores de documentos” seria morto e suas terras confiscadas. Muitos foram considerados culpados e enforcados. Em 1596, mais de 100 ciganos foram sentenciados à morte. A última vez que na Inglaterra enforcaram pessoas, simplesmente por serem ciganas, “parece ter sido em 1650”.

O decreto de 1572 foi o mais duro de todo o reinado de Isabel (lei para o castigo de vagabundos). Nele, pessoas com idade de 14 anos, ou mais, seriam chicoteadas e queimadas as cartilagens das orelhas com ferro em brasa. Os filhos, entre 5 e 14 anos, podiam ser entregues ao serviço de outro, se tornando escravos por cerca de 19 anos.

A lei da vagabundagem, de 1822, estabelecia que todas as pessoas que se digam ciganas, leitoras das mãos, habitantes de tendas e carroças são consideradas bandidas, com pernas de seis meses de prisão, Só em 1824, a referência que se especificava diretamente a ciganos, foi abandonada.

Na Escócia, de Maria Stuart, de 1574, as penas eram parecidas e rigorosas. Nelas continham espancamentos, queima de orelhas e execuções. É bom lembrar, como cita o autor do livro, que sempre existiam conflitos entre clãs de ciganos, mas as autoridades pouco se importavam, com intenções de que eles mesmo fossem exterminados entre si.

“LEI DOS EGÍPCIOS” E AS GALÉS

No reinado de Jaime VI (1579), e mesmo em 1597, surgiram novas leis ainda mais duras. Em 1609, foi criada a “Lei dos Egípcios” que tratava da pena de morte e bania os ciganos. No entanto, aquele que desempenhasse alguma função deixaria de ser criminoso. As mulheres apanhadas sem filhos seriam enforcadas, e as com filhos, chicoteadas e queimadas nas faces. A última vez que a pena de morte foi aplicada na Escócia a uma pessoa apenas por ser cigana foi em 1714

Na França, a repressão levou mais tempo. Eram barradas as entradas de ciganos. Mesmo assim, Henrique IV convidou, em 1607, um bando de ciganos artistas para dançarem com ele em sua corte. Foi um dos países que mais endureceu as penas e castigos, jogando os ciganos nas galés dos navios até a morte, para soerguer sua marinha.

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MANIFESTO DE SOLIDARIEDADE

Manifesto minha solidariedade aos companheiros do site “Sudoeste Digital”. É o apoio de um veterano jornalista que conviveu com a censura durante a ditadura militar (1964-1985), e hoje, após quatro décadas, sente a mesma indignação ao constatar que os órgãos de imprensa continuam a ser alvo dos atos de repressão. Os métodos são diferentes, mas a finalidade é a mesma: impedir que a verdade prevaleça.

O que causa espécie, aqui, em Vitória da Conquista, é ver que a mordaça está sendo colocada por um profissional da Comunicação, que, por muitos anos, se utilizou do rádio – e ainda é assíduo visitante das emissoras da cidade – para abrir o caminho da política, edificada com elogios e críticas aos seus correligionários  e adversários.

Recordo-me que, nos primeiros meses à frente da prefeitura conquistense, Herzem Gusmão trouxe um  advogado de Salvador, o mesmo que defendeu a ditadura (1988 a 2013) no Esporte Clube Bahia. O prefeito pretendia, através da Justiça, silenciar os “jornalistas comunistas” da cidade, que, na sua opinião,  zombavam dos seus projetos, como colocar fralda nos animais que puxam as carroças.

Antes de comentar – outros colegas já o fizeram – os atos que Herzem considerou como censuráveis, vale levar ao conhecimento do gestor o artigo 220 da Constituição de 1988: “A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição”.

Herzem se valeu da Justiça Eleitoral para impedir que a publicação de reportagem, cuidadosamente apurada, relatando que, por um erro de planilha, o município vai colocar R$ 1,3 milhão nas obras do Terminal de Ônibus da Lauro de Freitas, orçadas inicialmente em R$ 5,6 milhões. Multado quatro vezes por infração ao Código Eleitoral, o candidato do MDB sofreu nova derrota.   Agora ele coíbe a divulgação de pesquisas eleitorais, colocando sob suspeita o trabalho de um conceituado órgão de imprensa, o centenário jornal “A Tarde”.

Os exemplares dos últimos quatro anos do Diário Oficial do município, com os atos de exoneração de sete secretários de Comunicação, são a prova inquestionável  do intolerável relacionamento de Herzem Gusmão com as pessoas que trabalham diretamente sob suas ordens. A última jornalista demitida do cargo revelou que seu chefe, chamado de rabugento pelos próprios correligionários, era de difícil convivência. O Partido Social Cristão (PSC), em nota divulgada esta semana, anunciou que não apoiaria o “irmão evangélico” no segundo turno das eleições. E justificou: ele é truculento e avesso ao diálogo.

A imprensa no Brasil, salvo os veículos que permaneceram apoiando a ditadura, viveu sete anos de angústia. Oficializada em 13 de dezembro de 1968, com a assinatura do AI-5, a censura se tornou violenta. Nos primeiros anos, os agentes da PF apreendiam jornais e revistas nas bancas, ou enviavam bilhetes, determinando, por exemplo, que não se divulgasse uma epidemia de meningite no país. Posteriormente, ocuparam as redações. Munidos de tesoura, tiravam das páginas o que eles achavam que o povo não podia ter conhecimento. Repórter do “Estadão” na época, li muitos versos de “Os Lusíadas”, do lendário autor português Luís de Camões (1524 a 1580), inseridos nos espaços de textos censurados pelos agentes da Polícia Federal.

Companheiros, continuem com a missão de divulgar Vitória da Conquista, sem se deixar intimidar por um censor provinciano.

Carlos A. González – jornalista

 

 

 

 

NO PAÍS DAS “MARICAS” E A BRUTALIDADE HUMANA NO CARREFOUR

As aglomerações, as baladas dos inconsequentes, as praias, as viagens nos feriadões, um governo carniceiro que chama os brasileiros de “maricas” e as eleições municipais fizeram voltar uma nova onda de pandemia da Covid-19, com muitas UTIs de hospitais lotadas. Logo vão aparecer o derramamento de lágrimas e os apelos desesperadores, clamando por uma vaga nas unidades de saúde.

Dá para entender o comportamento desse povo quando o Brasil acaba de registrar mais de 170 mil mortos? Milhares de vidas poderiam ter sido preservadas se houvesse mais respeito pelo ser humano, mas o que existe é falta de isolamento e distanciamento. Diante das imagens diárias de irresponsabilidades, já era previsto este novo pico. Os infectologistas e epidemiologistas já vinham alertando para a questão, mas a insensatez fala mais alto.

Para completar o caos na saúde pública, temos um governo que nega a ciência; não está em sintonia com os governadores e prefeitos; desestimula a aprovação de vacinas; e tem um Ministério da Saúde que segue na contramão do combate ao vírus para salvar vidas, dizendo, e daí! Mais de seis milhões já foram infectados, e os números só tendem a crescer porque a maioria acha que tudo acabou.

A mídia faz a festa das vacinas que estariam logo chegando para atender a população, mas tudo é obscuro e confuso porque não existe planejamento, e as informações são desencontradas. O povo se ilude e abre a guarda, achando que a vacina é só questão de dias, quando não é verdade. Ainda vai demorar, e quando ela chegar, a distribuição vai ser uma “guerra”. Estamos num país desgovernado, esperando a contar bater 200 mil almas vítimas da doença.

O vírus da barbárie e da brutalidade

Não temos somente o vírus da Covid-19, mas outros que assolam o nosso pobre país, quais sejam da ignorância, da corrupção que nunca se acaba, da ganância capitalista que oprime e escraviza o trabalhador, da violência policial, do racismo, da homofobia e o da brutalidade entre brasileiros, como o visto no final de semana contra um negro no supermercado Carrefour, em Porto Alegre.

Diante de todos esses acontecimentos bárbaros, que faz rasgar de piedade o coração do mais ímpio e empedernido, ainda tem muita gente que enche a boca para dizer que vivemos num mundo civilizado, só porque exibe a “merda” de um celular na mão, pronto para fazer um PIX, um DOC, um E-Título, um E-Comércio, um bate-papo de boatos falsos e destilar ódio e intolerância contra os outros que não concordam com sua posição.

A questão é que o ser humano perdeu a razão para essa tecnologia que reduziu a capacidade do pensar e do refletir. O homem está cada vez mais ficando isolado, como o homo office que se tranca num apartamento diante de um computador para fazer as tarefas que o patrão ordena.

Tudo isso é muito bom para o capital que reduz seus custos, não se preocupando com o grau de desumanização que provoca. O trabalhador perde o contato pessoal (calor humano) com seus colegas de serviços; deixa de trocar ideias; de se relaxar; e vai entrando em estresse até estourar os nervos. Ele vai ficando tenso com as cobranças diárias, e num dia qualquer sofre um enfarto fulminante. Quem importa p

“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte I)

PELOS SOFRIMENTOS A QUE FORAM SUBMETIDOS DURANTE SÉCULOS, PRATICAMENTE DIZIMADOS PELOS NAZISTAS DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (1938 A 1945), TODA NAÇÃO CIGANA MERECE UMA AÇÃO REPARADORA POR PARTE DA HUMANIDADE, QUE COMETEU BÁRBAROS CRIMES CONTRA UM POVO QUE NUNCA TEVE UMA PÁTRIA.

Entre os séculos XVI a XIX, e ainda no início do XX, por mais de 400 anos, os ciganos (vários nomes por onde passaram) foram vítimas de horríveis crueldades, principalmente nos países europeus do ocidente e do oriente (Império Austro-Húngaro e Império Otomano), como torturas, marcados com ferro em brasa, esquartejamento, enforcamento, separação de suas famílias, trabalhos forçados nas galés, orelhas cortadas, escravidão e outros tipos de barbaridades.

O holocausto dos judeus é bastante conhecido no mundo, mas pouca coisa se sabe sobre os crimes desumanos cometidos durante séculos por reis, rainhas, títeres, príncipes, tiranos sanguinários, condes, duques, policiais, pela Igreja Católica e pela nobreza em geral. França, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Hungria, Romênia, Escócia e Holanda foram os países que criaram leis e decretos mais severos de caça aos ciganos.

SEM ORGANIZAÇÃO POLÍTICA

Quase tudo foi apagado da memória desses povos, porque os ciganos, pela própria natureza de suas origens nômades, sempre foram desprovidos de uma organização social e política, para denunciar as atrocidades sofridas e cobrar sua dívida, como fez a comunidade judaica que puniu em tribunais os culpados assassinos. Como os negros africanos, viveram mais de 300 anos de escravidão (Valáquia e Moldávia – Romênia), sendo acorrentados, açoitados, mortos e vendidos em leilão pela nobreza, pela Igreja Católica (mosteiros) e donos de propriedades.

Os tempos mais macabros foram entre os séculos XVII ao XIX, e tudo isso é contado pelo inglês Angus Fraser, acadêmico e uma autoridade no assunto em seu livro “História do Povo Cigano”, com base em profundas pesquisas de escritores, achados arqueológicos, arquivos documentais de vários países, narrações de viajantes, testemunhos e matérias em jornais da época.

Trata-se de uma obra investigativa sobre as origens dos ciganos na Índia (outras teorias falam de egípcios e gregos), para depois traçar um quadro das migrações, desde o começo da Idade Média até hoje. De província em província, circularam pelo Oriente Médio, Armênia, países balcãs (Sérvia, Croácia), pela Europa e pelo resto do mundo. Pela sua semelhança linguística (fonética, morfologia e sintaxe) e antropologia física, tudo indica que a língua Romani veio do Hindi (Hindu) depois do sânscrito.

Chamados de egípcios, sarracenos e tártaros, os ciganos sempre foram conhecidos pelas suas músicas e danças, pelo talento para trabalhar metais, adestrar ursos, ler a sina e negociar objetos e animais, sobretudo cavalos. Diante de todas as adversidades dos preconceitos das populações, vistos como trapaceiros, vagabundos, vadios, ladrões, preguiçosos e até raptadores de crianças, os ciganos sempre foram criativos para manter sua sobrevivência, atuando no mercado como exímios empreendedores.

Ao longo dos séculos, conseguiram preservar sua herança cultural, ultrapassando fronteiras. Desde seu aparecimento na Europa, há mais de nove séculos, sempre recusaram adotar uma vida sedentária e convencional, mesmo diante de todas as pressões vividas. Continuam sendo incompreendidos e ultrajados, mas mantendo suas identidades, conforme concluiu o autor do livro.

PÉRSIA, IMPÉRIO BIZANTINO E OS BALCÃS

Na lenda, o historiador árabe Hanza de Ispahan (950), relata que o monarca persa (Irã) Bahram Gur, cujo reinado terminou em 438, depois de decidir que seus súditos deveriam trabalhar metade do dia e passar o resto do tempo a comer, beber e farrear em companhia de um som musical, um dia encontrou um grupo que trazia vinho, mas não tinha músicos.

Ao censurar por não estar com uma banda, um dos membros explicou que havia tentado contratar os serviços de um músico, mas não conseguiu encontrar ninguém. Então, o monarca conversou com o rei da Índia e solicitou para lhe mandar 12 mil músicos, que foram distribuídos por várias partes da Pérsia. Os seus descendentes, conhecidos como Zott, ainda por lá viveram.

Meio século mais tarde, essa versão é encontrada no poema épico nacional que narra a história do país em 60 mil versos (Livro dos Reis), de Firdawsi, que se refere a um pedido feito por Bahram Gur ao rei Xangul, da Índia, de músicos e artistas, “porque aqui os indigentes bebem vinho sem música, e a classe abastada não pode aprovar esse estilo”. O rei, então, enviou dez mil homens e mulheres que tocavam o alaúde.

No poema, este povo é conhecido também como os Luri, e o persa deu a eles trigo, gado e burros, e despachou-os para as províncias para que pudessem trabalhar como lavradores e também fazer música para os pobres. Acontece que os Luri, em um ano, consumiram tudo no esbanjamento, na farra.

O monarca ficou irado e ordenou que eles passassem a viver de suas canções e de suas chiadeiras de seda por conta própria. No entanto, todo ano deviam viajar pelo país e cantar para o povo da alta e da baixa condição. “Os Luri, a quem este mandado agradou, andam agora pelo mundo procurando serviços, na companhia de cães e lobos, e roubando pelos caminhos, de dia e de noite”.

Pela lenda, tudo indica que se tratava de um povo cigano que começou seu êxodo no tempo de Bahram Gur, mas o grupo deve ter se estabelecido na Pérsia muito antes do século X. O interessante é que os nomes Zott e Luri ainda são persas para ciganos na Síria, na Palestina e no Egito, para onde eles adentraram com seus bandos e tendas.

NÔMADES PEREGRINOS E SALVO-CONDUTOS

Esse evento da primeira entrada dos ciganos em territórios cristãos foi registrado pelo cronista árabe Tabari, que conta que um grande número foi feito prisioneiro, em 855, quando os bizantinos atacaram a Síria e depois expulsaram esse pessoal, que passou a viver em outras nações como nômades.

Muitos deles passaram a vagar, de acordo com o autor do livro, pela Armênia, Grécia (sua língua Romani sofreu muita influência do grego) e pelos países Balcãs. Desses lugares partiram para a Europa oriental e depois ocidental, por volta do século XV (início dos anos 1400).

Para serem aceitos se diziam peregrinos cristãos vindos do Egito onde foram “condenados” a viver de lugar em lugar porque um bando de sua gente se recusou a receber a Família Sagrada (Maria, José e o Menino Jesus) em suas tendas, quando, perseguida por Herodes, fugia pelo deserto.

Em outras passagens das escrituras, contam que foi um padre (Miguel) que espalhou essa lenda, e que os ciganos foram amaldiçoados pela Igreja a viverem assim como errantes, para se redimirem da recusa de não terem acolhido o Infante.

Certo, ou não, como peregrinos (muitos diziam seguir para Roma se encontrar com o Papa) eram melhor aceitos onde chegavam e até recebiam auxílio em dinheiro e alimentos. Se autodenominavam de Egípcios, e assim passaram a ser chamados nos lugares por onde andavam.

Nos séculos XV, XVI e XVII, os ciganos conseguiram salvo-condutos de reis, rainhas, imperadores, condes, duques, fidalgos e até do Papa (muitos eram falsificados), para atravessar a Europa, e muitos chegaram a ser condes e duques como chefes de seus bandos. Sentaram nas mesmas mesas dos nobres e fizeram apresentações nas cortes reais, recebendo em troca apoios financeiros e somas em mantimentos.

Com o passar do tempo, esses salvo-condutos foram sendo desacreditados de principado em principado, dando lugar às perseguições e expulsões em territórios por onde transitavam. Para se livrarem das prisões, muitas delas com torturas e mortes, os ciganos se escondiam em lugares mais inóspitos, como florestas fechadas, cavernas e entre fronteiras onde pudessem se deslocar de um país para outro.





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