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:: ‘Notícias’

“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Final)

FUGA EM MASSA, NOS PAÍSES DO SOCIALISMO SOVIÉTICO, A LÍNGUA E SEUS DIALETOS, PEREGRINOS EVANGÉLICOS E CONGRESSOS E COMISSÕES CIGANAS NA EUROPA EM BUSCA POR INDENIZAÇÕES COMO VÍTIMAS DO NAZISMO E DAS PERSEGUIÇÕES DOS GADJÉS.

Depois da guerra ocorreu uma fuga em massa dos ciganos de uma país para o outro. A maioria não foi aceita na Alemanha. Milhares abandonaram seus colonatos para serem operários fabris e da construção civil. O cenário era só de miséria entre nômades e sedentários, morando em tendas e pequenos casebres, embora o preconceito foi mais minimizado, principalmente nos países do Leste Europeu, que foram absorvidos pelo socialismo soviético.

Com a economia centralizada pelo Estado, conforme relata o pesquisador Angus Fraser em seu livro “História do Povo Cigano”, os ciganos tiveram dificuldades de se adaptar ao regime assalariado dos governos. Como o seu tino sempre foi o empreendedorismo, com trabalho autônomo e até liberal em seus negócios, eles foram reprimidos e forçados ao sedentarismo. Mesmo assim, sempre procuravam dar um jeito de se deslocar, para contrariedade dos ditadores comunistas. Muitos parlamentos tentaram regularizar a situação deles, como aconteceu na Holanda.

NO REGIME COMUNISTA

A maior parte ficou no regime comunista, e isso gerou um certo melhoramento. Era dever do Estado ajudar os grupos subdesenvolvidos. O marxismo previa a existência de diferentes nacionalidades e de minorias dentro do Estado. Só na Rússia existia mais de 134 mil, em 1959, e mais de 200 mil, em 1979, mas uma lei declarou o nomadismo como ilegal, em 1956.

A Polônia tentou integrar os ciganos nômades, com abertura de escolas e oficinas cooperativas. No entanto, eles sempre persistiam em suas migrações. Os governos misturavam condescendência com despotismo, benevolências com medidas radicais, como ocorreu na Checoslováquia.

A LÍNGUA E SEUS DIALETOS

A língua dos Sinti tem forte influência do alemão. Já os Roma são mais do Leste Europeu. Outras categorias são os Calés e os quinquis da Espanha e de Portugal, e os manouches, xoraxané, rom (kalderash) da França. Na Itália viviam os Sinti, Abruzzi e Calábria. Muitos deles vieram da Grécia. No Balcãs, existia uma grande complexidade étnica. Na Iugoslávia perambulavam 20 tribos principais entre cristãos e mulçumanos. Na Suécia, eles ficaram conhecidos como tatare e zigenare.

Nos anos 80, de acordo com estimativas do autor da obra, a população cigana era medida entre 2 a 5 milhões em toda a Europa. Suas línguas são carregadas de dialetos entre os vários grupos. Segundo Fraser em “História do Povo Cigano”, “muitas vezes se tem previsto a morte da sociedade cigana. O fato de a língua, os costumes, as tradições e todo um estilo de vida estarem em constante mutação e adotarem elementos de outra sociedade, é tido como indicador de declínio”.

Ainda conforme o acadêmico, “os valores familiares são o cimento importante de muito da vida cigana, o que se torna evidente na abordagem a um meio de ganhar a vida. Em geral, os filhos começam a contribuir assim que têm idade. Muitas vezes, com pouca instrução no sentido convencional, as crianças saem com adultos, vendendo e ajudando no trabalho dos pais”.

PEREGRINOS EVANGÉLICOS E ASSOCIAÇÕES

A maioria vive atualmente o sedentarismo. Trocaram o cavalo pelos carros para puxar suas carroças, mas o animal continua muito importante em suas vidas. Muitos passaram novamente a ser peregrinos e evangelistas, se adaptando à religião do país onde vivem. Existem ciganos católicos, protestantes e ortodoxos. No batismo e no matrimônio seguem seus costumes. Santa Sara é adotada como padroeira, e a peregrinação mais conhecida é a Les Santes Maries de la Mer, nos dias 24 e 25 de março. Outros autores falam do início de maio.

A Igreja Evangelista Cigana constitui o primeiro exemplo autêntico de uma organização de massa pan-cigana na Europa Ocidental que transcende as subdivisões tribais. Nos anos 30, a nível político, houve alguma agitação para promover um grupo de pressão internacional na Polônia e na Romênia.

Depois da Segunda Guerra, os graves problemas que os ciganos defrontaram nas sociedades industriais foram, de início, ponderados em grande parte por organizações gadjés, preocupadas com a situação das comunidades. No entanto, os ciganos começaram também a formar suas próprias associações e grupos de pressão religiosas, políticas e culturais, tanto em termos locais, como nacionais.

CONGRESSOS E COMISSÕES CIGANAS NA BUSCA POR INDENIZAÇÕES

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UMA FALTA DE RESPEITO

Não sei e não conheço membros da Comissão Julgadora do Edital Aldir Blanc (uma verba federal), sob a coordenação da Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista. Sou avesso a concursos e editais por virem acompanhados de uma burocracia de doer. Coisa de filme de terror e torturante! Por esse motivo, tenho traumas com editais e, raramente, participo. Nunca escrevi pensando em concursos.

No entanto, por insistência de amigos, resolvi fazer minha inscrição na Formação “Cajaíba”, apresentando algumas das minhas obras poéticas que foram musicadas por artistas locais e até do Nordeste, como “Na Espera da Graça”, “Nas Ciladas da Lua Cheia”, “Lembro Ainda Menino”, “A dor da Finitude”, dentre outras (estão postadas no blog www.aestrada.com.br).

Para minha surpresa, fui desclassificado, sem receber nenhuma pontuação, o que considero inédito em qualquer obra, sem desmerecer os outros companheiros participantes. Não recebi nenhum ponto sequer e nenhuma colocação, o que me faz crer que essa comissão achou o meu trabalho um lixo imprestável, um calhau e um bagulho, sem a mínima importância artística. Estou até pensando em colocar meus livros numa fogueira, mas isso seria um crime.

A única coisa que eu queria era uma satisfação por parte da comissão da Secretaria de Cultura, explicando os motivos de ter sido desclassificado dessa maneira tão inédita e desrespeitosa, sem receber nenhuma pontuação. Não aceito esse tido de coisa, como muitos outros que se sentiram menosprezados.

Se o edital pede os contatos dos proponentes, deveria, pelo menos, enviar um comunicado dando uma satisfação e dizendo o que estava errado na inscrição. Não consigo entender e não aceito, sob nenhuma hipótese, que minha obra tenha sido desclassificada dessa forma. Não quero imaginar que tenha ocorrido motivação política ou ideológica no julgamento. Isso seria um absurdo, sujeito a penalidades e repúdio.

 

O QUE É MESMO A LIBERDADE?

A vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2015, a escritora russa Svetlana Aleksiévitch, em seu livro “O Fim do Homem Soviético”, ao lembrar dos duros tempos de mais de 70 anos do regime comunista, questiona o entendimento que se fazia sobre liberdade após a Perestroika (abertura política), instituída por Mikhail Gorbatchóv, entre 1985 a 1991.

Para emitir sua opinião sobre o assunto, ela antes cita a abertura dos arquivos desde os tempos de Stalin a partir da década de 20. “Devemos arrastar conosco 90 milhões dos cem que povoam a Rússia Soviética. Com os demais é impossível falar: É preciso destruí-los. (Zinóviev, 1918).

“Moscou está literalmente morrendo de fome” – professor Kuznetsov a Tróstski. “Isso não é fome. Quando Tito tomou Jerusalém, as mães judias comeram seus próprios filhos. Quando eu fizer suas mães comerem os próprios filhos, aí você pode vir e dizer: Estamos morrendo de fome” (Tróstski, 1919).

FICAVAM CALADAS

Bem, quanto a Perestroika, a escritora diz que as pessoas liam os jornais e as revistas e ficavam caladas. “Muitos encararam a verdade e a liberdade como inimigas. Não conhecemos nosso país…” isso foi em 1991. “Fui um participante da grande batalha perdida pela renovação real da vida”. Isso foi escrito por um homem que passou dezessete anos nos campos stalinistas.

Quando veio a liberdade, Svetlana assinala que havia mais pessoas que se irritavam com a liberdade. “Cada uma se sentia vítima, mas não cúmplice”. “Onde é que estava a liberdade? Só na cozinha onde continuavam xingando o governo, como de costume”.

“A Rússia mudou, e odiou a si mesmo por ter mudado”. O mongol imóvel, como assim escreveu Marx sobre a Rússia. “Pouco tempo se passou, e nós mesmos nos curvamos sob o seu fardo, porque ninguém nos ensinou o que era a liberdade. Só nos ensinou a morrer pela liberdade”.

Quando chegou o capitalismo, ela destaca que a liberdade acabou sendo a reabilitação da pequena burguesia. “A liberdade de Sua Majestade, o Consumo”. “Ninguém fala mais de ideal; falam de crédito, de porcentagem, de câmbio; não ganham mais dinheiro, agora “faziam”, lucravam”.

“Eu perguntava para todos com quem me encontrava: O que é a liberdade? Para os pais, a liberdade é a ausência do medo. Para os filhos, “é o amor; a liberdade interna é o valor absoluto; quando você não tem medo de seus desejos: é ter muito dinheiro, porque, então, você terá tudo; quando você consegue viver de maneira a não pensar na liberdade. Liberdade é o normal”.

“Você está perguntando de liberdade? ” É só passar no nosso mercado; tem a vodca que você quiser aos montes, queijo e peixe. Tem banana. Quem precisa de mais liberdade? Isso aqui é o bastante”. Na “A Lenda do Grande Inquisidor”, de Dostoiévski, há um debate sobre liberdade. Sobre o fato de que o caminho da liberdade é difícil, penoso e trágico.

O tempo todo o ser humano deve escolher: “a liberdade ou o bem-estar e a ordem na vida: a liberdade com sofrimento ou a felicidade sem liberdade. A maioria das pessoas escolhe o segundo caminho”, responde a escritora. “Os alunos de hoje já descobriram, já sentiram na pele o que é o capitalismo: Desigualdade, pobreza e riqueza descarada”…

Eles sonham com sua própria revolução. Usam camisetas vermelhas com retratos de Lênin e Che Guevara. Há um novo culto a Stalin que aniquilou mais pessoas que Hitler. Por que um novo culto a Stalin? – Indaga a escritora. Ideais antiquadas estão de volta: do Grande Império da mão de ferro, do caminho peculiar da Rússia. O presidente tem o mesmo poder do secretário-geral. Absoluto. Em vez do marxismo-leninismo, a Igreja Ortodoxa. Existe o partido do poder, que copia o partido comunista.

Sobre as barricadas e as manifestações nas ruas contra o poder constituído, ela finaliza a fala sobre liberdade, afirmando que encontrou na rua jovens usando camisetas com a foice e o martelo e o retrato de Lênin. Será que eles sabem o que comunismo”?

No Brasil de hoje encontramos imbecis com as camisetas pedindo “Intervenção Militar”, numa alusão à ditadura. Será que eles hoje sabem o que foi a ditadura, que prendeu, torturou, desapareceu e matou centenas de pessoas que lutaram pela liberdade? O que é mesmo a liberdade?

UMA LOUCURA COLETIVA!

Mesmo com quase 200 mil mortes pela Covid-19 ainda tem muita gente dizendo que tudo não passa de exagero e mentira da mídia (estão escutando mais as redes sociais). Quando a pessoa que tem doença crônica (morbidades) é contaminado e vem a óbito, aí, no raciocínio burro dessa gente, não foi o vírus o causador da morte.

O diabetes, a pressão alta, um problema de coração ou a asma são tratáveis, e a pessoa portadora pode viver por muitos anos, desde que siga os cuidados recomendados pela medicina. Estamos vivendo um momento crítico de loucura coletiva no Brasil, ou, porque não dizer, de suicídio, conduzido por um psicopata

CONTRA A VACINAÇÃO

O fundamentalismo fanático, do tipo islâmico radical, tomou conta do nosso país e, cada vez mais, tem seguidores apoiando as loucuras do capitão-presidente, que vive a viajar com o nosso dinheiro para formaturas de soldados militares, encontros de igrejas evangélicas e até inaugurações de pinturas de equipamentos, pregando a desobediência à ciência e contra a vacinação do povo.

De um lado temos a contaminação mortal do coronavírus, e do outro, a contaminação das mentes doentias, que se alastra como se fosse um suicídio coletivo. As notícias falsas se espalham como pólvora em rastilho. As últimas são sobre a vacina de que ela modifica geneticamente o DNA das pessoas. Uma boa porcentagem da nação segue o maluco que já declarou que não vai se vacinar.

Nessa loucura coletiva e diante de milhares de vidas perdidas, hospitais superlotados, muitas lágrimas derramadas pela perda de entes queridos, temos um presidente que nem está aí para a saúde, tanto que colocou um general na pasta, que se transformou numa total balbúrdia, sem planejamento e sem estrutura.

Muitos países já iniciaram seus programas de vacinação, enquanto o Brasil virou uma Torre de Babel, e nem se sabe se vai haver. De certo mesmo, temos as aglomerações em massa numa nação inconsciente, inconsequente, perdida, atordoada, estressada e, visivelmente, embarcando na onda fanática do negacionismo, do racismo e da homofobia.

Em meio a toda essa turbulência, depois de dois anos, essa gente parece que ainda está vivendo uma campanha eleitoral contra o PT, que ficou no passado e desapareceu no último pleito municipal. Nem temos mais oposição. Todos estão calados.

Sem enxergar com o que está acontecendo no presente, a única coisa que essa gente sabe é xingar os petistas de satanás, enquanto o Brasil falece. Nada de raciocínio sobre a atual situação de caos na saúde, na educação, na economia e na política.

Sem exageros, estamos vivendo em meio a um genocídio por culpa de um governo que nem está aí, que se juntou aos generais, coronéis, evangélicos fanáticos e muita gente que se deixaram levar pela cegueira do irracional. Tudo isso é resultado de anos de ignorância e falta de conhecimento.

Esse isolamento, não o da prevenção contra a Covid-19, mas do resto do mundo, ainda tende a piorar. Engana-se quem acha que já vencemos o pior que foi 2020, e que o próximo que está chegando será bem melhor. O quadro ainda é aterrador e não atravessamos a tempestade.

A história vai nos julgar como um povo omisso. Somos uma Venezuela ao contrário. A única esperança ainda está em algumas instituições e numa tomada de posição da comunidade internacional para que esse genocídio não seja ainda mais cruel e dol

“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte 7)

O HOLOCAUSTO NOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO NAZISTA, AS FUGAS EM MASSA DEPOIS DA GUERRA, OS CIGANOS NOS PAÍSES COMUNISTAS, SUAS PEREGRINAÇÕES EVANGÉLICAS, CONGRESSOS EM BUSCA DOS SEUS DIREITOS INDENIZATÓRIOIS E RECONHECIMENTO COMO POVO QUE POR SÉCULOS FOI PERSEGUIDO E VÍTIMA DE PRECONCEITOS E TIRANIAS. UMA NAÇÃO EM CORRERIAS QUE NUNCA TEVE UMA PÁTRIA.

O nazismo, em 1933, herdou um aparelho jurídico pronto para controlar grupos indesejáveis. Um dos carrascos foi Georg Nawrocki, que escreveu, em 1937, num jornal: “Foi ao pactuar com a fraqueza e a indigência internas que a República de Weimar mostrou não ter instinto para resolver a questão cigana”. Para ele, os Sinti eram apenas um problema judicial. “Nós, pelo contrário, vemos a questão cigana como um problema racial que tem que ser resolvido e está a ser resolvido”. Judeus e ciganos eram de fato os dois grupos destinados à aniquilação pela ideologia nacional-socialista.

As leis de Nuremberga, de 1935, instituíam um quadro definidor quanto as qualidades da cidadania plena. Os comentários começaram a tratar os ciganos e judeus como perigosos frendrasse (raça alienígena), cujo sangue era uma ameaça mortal à pureza racial germânica. A punição era o banimento para quem se misturasse pelo casamento ou relações extraconjungais. O nazismo exterminou mais de meio milhão de ciganos nos campos de concentração e nas câmaras de gás.

AS LISTAGENS DE SANGUE E OS EXTERMÍNIOS

Em 1937 surgiu o dr. Robert Ritter, o cara que, com seus métodos, muito contribuiu para o extermínio dos ciganos pelo nazismo. Era um psicólogo e psiquiatra que, anos antes, realizou pesquisas sobre os ciganos. Assumiu a direção do Centro de Pesquisas de Higiene Racial e Biologia das Populações, em Berlim, um departamento do Ministério da Saúde do Reich. A instituição se tornou no maior centro de identificação de ciganos e de investigações sobre ligações entre hereditariedade e criminalidade.

Por meio das genealogias, das impressões digitais e da antropometria, a equipe de Ritter estabeleceu uma listagem de todos os portadores de sangue cigano, determinando seu grau de mistura racial. O seu pessoal foi para os acampamentos, para os campos de concentração e consultou os arquivos de polícia do Registro Central, transferido de Munique para Berlim, bem como aproveitou dados similares de Viena, feitos no ano de 1936.

Um decreto de Heirich Himmler, de 1938, com o título “Combate à Praga Cigana”, declarou a etnia de sangue misto a mais perigosa ao crime e recomendou a necessidade de a polícia enviar informações sobre todos os ciganos para o Registro Central do Reich.

Num relatório de janeiro de 1940, Ritter chegou a dizer que “podemos concluir que mais de 90% dos ciganos nativos são de sangue misto”. Ele caracterizou-os como um povo de origens etnológicas primitivas com atraso mental que impede de se adaptar à sociedade. Segundo ele, a questão só pode ser resolvida quando o grosso dos indivíduos inúteis de sangue misto for acumulado nos campos de trabalho. “Recomendo ainda que a reprodução dessa população seja interrompida”.

APARELHO UNIFICADO E A ESTERILIZAÇÃO

O professor E. Fischer, diretor do Instituto de Antropologia Kaiser, escreveu para um jornal que é uma sorte rara e especial para a ciência teórica florescer numa altura em que na ideologia dominante a acolhe favoravelmente, e as suas descobertas podem servir à política do Estado.

A esta altura, o Reich já possuía um aparelho bem unificado de polícia e organizações SS, em 1936, sob a direção de Himmler e do seu lugar-tenente, Reinhard Heydrich. As autoridades seguiam as instruções adotadas nos primeiros anos do Terceiro Reich sobre eugenia, fundamentada com a prevenção do crime, permitindo a esterilização de vagabundos e a deportação de estrangeiros indesejáveis.

Os criminosos menores eram enviados para os campos de concentração, o primeiro dos quais tinha sido instalado em Dachau, perto de Munique, em março de 1933. A partir de 1937, a pressão sobre os ciganos (associais) foi-se acumulando de forma impiedosa, sem reação pública interna e externa. Nesse mesmo ano, o ministro do Interior emitiu uma ordem sobre o controle preventivo do crime pela polícia. Os campos de concentração seriam o principal remédio.

Na Áustria, incorporada ao Reich, em 1938, Thobias Portschy propôs a esterilização e o trabalho forçado para proteger o sangue nórdico daquela ameaça. Contudo, foi uma ordem de Berlim que desencadeou a prisão de oito mil ciganos de Burgenland (Áustria). Alguns foram para campos de concentração, como Dachau, Buchenwald, Revensbruck (para mulheres) e Mauthausen (Áustria). Um campo especial para ciganos foi aberto em novembro de 1940, em Lackenbach, na Áustria.

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ELES INCITAM AS AGLOMERAÇÕES

As empresas e o comércio em geral nos entopem de anúncios publicitários neste final de ano, principalmente fazendo chamadas para as compras de Natal. A mídia também não fica atrás e tome notícias sobre as festas, dando coberturas aos seus clientes. O contraditório nisso tudo é que, do outro lado, com a maior hipocrisia, pedem para que a população não se aglomere nesses tempos cruéis de pandemia.

É isso aí, eles incitam, mordem com suas garras gananciosas e depois dão uma assoprada. O pior é que o povo, como manada, corre para as lojas, compra presentes, se endivida e chama amigos e parentes para a noite de Natal e a passagem de Ano Novo. Como no São João, vai acontecer o mesmo com o Natal, e a onda de correrias nas ruas, supermercados, feiras, lojas e outros estabelecimentos comerciais está aí. Só não vê quem não quer!

O MAU EXEMPLO DO PODER PÚBLICO

No entanto, não é somente a mídia e o comércio que contribuem para as aglomerações, com o consequente aumento do número de contaminados pela Covid-19. O poder público, que deveria dar exemplo, também colabora para que isso aconteça. No nosso caso particular, a Prefeitura de Vitória da Conquista dá mau exemplo.

Como se tudo estivesse normal, está fazendo a iluminação da cidade, principalmente da Praça Tancredo Neves, um chamariz para as aglomerações nas noites natalinas. Em respeito aos mais de 200 mortos locais, vítimas do coronavírus, e aos quase 200 mil no Brasil, o executivo não deveria fazer essa iluminação. Eles não estão nem aí para quem se foi nessa terrível leva do vírus.

É muita hipocrisia e pouco senso humanista. Nessa época do ano, não faltam os apelos de doações, com os chamamentos já conhecidos de “Natal sem Fome”. Não se trata aqui de condenar essas campanhas, só que se dá um prato de comida ao pobre no Natal, que depois é esquecido no resto do outro ano. Certamente, o miserável come no Natal e só vai sentir fome no próximo.

MAIS PREOCUPADA COM A “CARIDADE”

É uma sociedade que está mais preocupada em fazer sua “caridade”, como forma de se redimir de suas indiferenças e maldades contra os seres humanos, do que lutar, questionar e combater as profundas desigualdades sociais que assolam o nosso país. Os dados estatísticos dos organismos internacionais, que colocam o Brasil nas últimas posições do mundo nos índices de desenvolvimento humano, nos envergonham.

É muito confortável você fazer sua doação, sua esmola e depois continuar o resto do ano no seu conformismo, como se nada estivesse acontecendo no cenário político, econômico e social, onde o Estado, cada vez mais protege os mais fortes e deixa desamparados os mais fracos (o rico fica mais rico, e o pobre mais pobre).

Os atos de doações aumentam na ordem aritmética, enquanto a miséria na ordem geométrica. Até quando vamos continuar assim, sem cobrar dos governantes ações concretas, voltadas para reduzir essas desigualdades?  E os altos impostos que pagamos? Boa parte é roubada pelos salteadores da nação? Todos finais de ano fazemos as festas das doações, e todos ficam “contentes”, menos os pobres miseráveis que só têm alegria e rir um dia por  ano.

POR QUE OS GENERAIS ESTÃO NO PODER?

Generais, coronéis e outros oficiais estão nos principais cargos do governo do capitão-presidente, que chegou a ser expulso do exército. Será que alguém aí pode explicar o porquê dessa submissão que chega a manchar a imagem das forças armadas? Com certeza não é abnegação e altruísmo de servir a pátria amada.

Por status, poder e ganância vale tudo, até bater continência para um capitão despreparado, descompensado e truculento que chama os brasileiros de “maricas”; trata jornalista de homossexual; diz frases absurdas; isola o país de outras nações; atenta contra o meio ambiente; e tudo faz para que a população não se vacine contra a Covid-19.

NÃO DÁ PARA DESCOLAR

As forças armadas (exército, marinha e aeronáutica) podem até dizer que não têm nada a ver com isso, pois os generais e coronéis não são da ativa, mas não dá para descolar uma coisa da outra. Será que não bastou o tempo da ditadura civil-militar de mais 20 anos?

Aliás, no período da ditadura tinha menos militares nos postos chaves do governo federal do que agora. No momento atual, todos aceitaram assumir seus cargos, mesmo completamente fora da sua área, como é o caso do ministro da Saúde, que recebe ordens do capitão, apesar de esdrúxulas e contra o que recomenda a ciência. Isso é muito vergonhoso! Diz-se que o general e um grande logístico e estrategista.

O Brasil, por acaso, está em alguma guerra contra algum país? Aliás, estamos, mas no combate a um terrível vírus que já ceifou a vida de quase 200 mil brasileiros, e poderia não ter chegado a esse número se o ministro Mandetta tivesse continuado em sua pasta como médico, com sua equipe de infectologistas e epidemiologistas, recomendando o isolamento e estabelecendo os devidos protocolos.

Isso que estamos vendo dos generais fora de seus lugares é só por vocação de servir a pátria? Por que há anos o Maduro, da Venezuela, continua no poder, mesmo diante de tanto sofrimento de seus compatriotas? Em muitos aspectos, o Brasil é uma repetidora da Venezuela.

Falam de Deus, Pátria e Família, mas fazem tudo ao contrário, quando se aliam a países ditadores; armam para fechar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal; dizem que o homossexualismo é decorrência de uma família desajustada; chamam os negros de escória; incentivam o garimpo em terras indígenas; e acabam com órgãos fiscalizadores que atuam voltados para a preservação do meio ambiente.

Não tenho dúvidas que a história vai fazer o seu julgamento pelo o que o Brasil está passando e, mais uma vez, os generais vão ter sua grande parcela de culpa por terem aceitado cargos de um governo que não veio para construir, mas para destruir.

Na verdade, ele está cumprindo tudo de ruim que prometeu durante a campanha eleitoral. Só não fez mais porque teve intervenção do Congresso e do Supremo em algumas medidas malucas e psicopatas, como a mais recente de isentar a alíquota do imposto de importação para armas.

Agora quer que o brasileiro assine um termo de compromisso quando for se vacinar (não se sabe quando e se haverá). Essa prática não existe em país nenhum do mundo. Estamos vivendo os maiores absurdos que nos fazem deixar de ter orgulho de ser brasileiro. A nossa imagem lá fora é a pior possível.

Enquanto os generais se refastelam no poder, o Brasil está calado e engessado. Não existem manifestações e protestos de estudantes, operários, professores, artistas, intelectuais e outras categorias e classes. A oposição, que deixou de existir, ficou muda, surda e cega. É um silêncio ensurdecedor e uma cegueira total. Só se ouve os “blábláblás” de sempre, e os urros do capitão-presidente, gritando com os generais.

“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte 6)

AS TEORIAS INTELECTUAIS DAS DOUTRINAS BIOLÓGICAS, “COMBATER O MAL CIGANO”, AS ESTERILIZAÇÕES, O HOLOCAUSTO CONTRA OS CIGANOS QUE DIZIMOU MAIS DE MEIO MILHÃO, AS SEDENTARIZAÇÕES NOS PAÍSES COMUNISTAS E OS PEDIDOS DE INDENIZAÇÕES.

Com a subida de Hitler ao poder, na Alemanha, em 1933, o nazismo já encontrou um terreno propício pelos cientistas e intelectuais para impor sua política de esterilização e extermínio dos ciganos e outros viajantes considerados inúteis e inválidos pelo regime de pureza das raças. O primeiro campo de concentração foi instalado para excluir os ciganos da sociedade e, durante a Grande Guerra, a etnia foi vítima do mesmo holocausto dos judeus. Em trabalhos forçados, em campos de concentração e câmaras de gás foram mortos mais de meio milhão de ciganos.

De acordo com relato do acadêmico e pesquisador britânico, Angus Fraser, as migrações na Europa Ocidental, principalmente, apertaram as atitudes dos governos contra os ciganos. Com a chegada do século XX, as coisas pioraram com o nazismo. “As portas dos campos da morte assumiram o papel do averno dos antigos para o inferno”. Foram invocadas as teorias intelectuais das doutrinas biológicas sobre a pureza das raças, das estirpes e da eugenia do final do século XIX, colocando em prática as políticas de repressão.

A CRIMINALIZAÇÃO DAS “RAÇAS INFERIORES”

O ensaio do conde francês Gobineau (1853/5) teve enorme influência sobre o pensamento filosófico e político, especialmente na Alemanha. Para ele, a raça era o fator decisivo do desenvolvimento histórico (existem raças superiores e inferiores e o topo é conferido à ariana). Gobineau achava a miscigenação desastrosa. As suas ideias foram ainda mais distorcidas pelo inglês Houston Stewart Chamberlain, cuja obra “Fundamentos do Século XIX” (1899) exaltava o papel históricos dos teutões.

A partir de suas teorias, as doutrinas biológicas vieram revolucionar a criminologia com “O Homem Delinquente”, de 1876, de Cesare Lombroso (Origem Atávica do Crime). Lombroso nada tem de bom sobre os ciganos e ainda serve de base para os agentes do crime apertarem o cerco. Os ciganos foram classificados como frívolos, desavergonhados, imprevidentes, ineptos, barulhentos, violentos e licenciosos, gostavam de carne podre e eram suspeitos de canibalismo.

Com o Darwinismo Social, concluiu-se que o fator biológico é o determinante em todas as esferas da vida. Na concepção dessas doutrinas, o Estado moderno tinha que voltar sua atenção para a promoção dos biologicamente válidos e nada de proteger os fracos. A partir dessas ideias e outras do tipo, começou-se a “combater o mal cigano”.  As repressões tiveram início na Holanda, na fronteira com a Alemanha, mesmo para os ciganos que eram ricos. No rastro, os vizinhos tomaram medidas restritivas.

Os germânicos sempre desconfiaram dos ciganos. Mesmo depois da formação do Novo Império e da anexação da Alsácia e da Lorena, em 1871, os Lander que constituíam o Reich não abandonaram seus controles de fronteiras internas. Cada um continuava a ser responsável pelo seu próprio policiamento e pela administração das medidas contra os ciganos.

A política de Bismarck tinha duas vertentes. Uma delas era excluir ou livra-se dos ciganos estrangeiros e levar os nacionais, que ainda fossem itinerantes, a adotar uma vida sedentária. Todavia, os documentos oficiais não procuravam confinar-se aos ciganos num sentido puramente racial, para evitar problemas de definição como “ciganos e pessoas que viagem à maneira dos ciganos”.

“COMBATER O MAL CIGANO”

A Alemanha não teve dificuldades em garantir a cooperação dos Estados vizinhos para manter os ciganos à distância. A diretriz sobre o” combate ao mal cigano”, emitida pelo ministro do Interior da Prússia, em 1906, enumerava nove acordos bilaterais com a Áustria- Hungria, Bélgica, Dinamarca, França, Itália, Luxemburgo, Holanda, Rússia e Suíça.

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DEU A LOUCA NO BRASIL DA PSICOPATIA

A princípio, o psicopata é até uma pessoa gentil e aparenta ser normal. No entanto, ele não tem empatia com o semelhante e nem está aí para o sofrimento do próximo. Não acredita na ciência, mas se mostra fervoroso, só que ele é agressivo, truculento e considera anormal quem não comunga com suas ideias retrógradas, homofóbicas, xenófobas e racistas. Diz-se patriota nacionalista, mas isola a nação com atitudes reacionárias. Não está nem aí para o meio ambiente, e coloca o Estado a serviço dos mais fortes em detrimento dos mais fracos.  O psicopata tem muitos seguidores fanáticos.

Não sou nenhum psicólogo, mas me arisco a dar meu palpite a estes tipos de comportamentos, com os quais estamos hoje convivendo no Brasil, especialmente nesta época de pandemia da Covid-19 onde temos um governo negacionista que está mais preocupado em salvar a economia do que vidas humanas. Foi assim desde o início da chegada do vírus, e vai fechar o ano com quase 200 mil mortes. Mesmo assim, o capitão-presidente diz que estamos no finalzinho da pandemia. É muito desdém e deboche!

O BATE-BOCA DA VACINAÇÃO

Como se não bastasse tudo isso, deu a louca no Brasil com a esperança da chegada da vacinação para combater o vírus. Primeiro o presidente declara em público que a vacina não é obrigatória, insinuando dúvidas nas pessoas, quando ele deveria afirmar o contrário, e estimular a imunização em massa para que todos fiquem protegidos. Fala em liberdade e democracia e prega o desrespeito para com o outro.

Outra loucura e sinal de psicopatia é a falta de estratégia do governo federal no comando central da vacinação via Ministério da Saúde, como sempre ocorreu nos programas nacionais dessa natureza. O general, que recebe ordens do capitão-presidente, preferiu politizar a vacinação no país considerado como um dos mais contaminados do mundo em termos de casos e mortes. O índice por contaminação é altíssimo!

Sem comando central, os estados e as prefeituras, com atitudes isoladas, montam seus planos, inclusive na aquisição dos fabricantes do produto, de acordo com suas preferências. O povo fica entre a ansiedade e as incertezas, enquanto o governo federal bate-boca com os governadores, como numa briga entre bêbados de botequim.

Infelizmente, estamos sem direção, e não se sabe quando, e nem como será o processo de vacinação. Pelo andar da carruagem, vai ser uma verdadeira “guerra”, com filas quilométricas e muito sofrimento. Ficamos esse tempo todo ouvindo esse blábláblá na televisão, com informações desencontradas, que nos deixa mais depressivos. De um lado o vírus. Do outro, a inflação dos alimentos a nos acossar, e os ricos ficando mais ricos e os pobres mais pobres, encurralados como bois sendo levados para os matadouros.

Isso é muito triste e vergonhoso. Enquanto assistimos outras nações avançarem em seus programas, inclusive a Inglaterra, com seriedade e aprovações urgentes das agências de vigilância sanitária, no Brasil só se ouve o bate-boca, agora com o general do Ministério da Saúde dizendo que vai confiscar as vacinas dos estados. Não se sabe o que é pior, se esse governo louco, ou se o vírus que ceifa vidas. Aliás, se tivéssemos uma gestão competente, o Brasil não estaria nesse nível de genocídio.

Sempre tenho dito que esse governo já deveria ter sido afastado por insanidade mental por nos chamar de “maricas” e nos deixar desamparados, sem rumo nas portas dos hospitais superlotados, com choros e ranger de dentes. Eles ficam a bater boca, enquanto a população cada vez mais se aglomera nas ruas, nas praias, shoppings, parques e baladas.

TODOS MENTEM

Por outro lado, os governadores e prefeitos, em geral, inclusive de Vitória da Conquista, preferem ampliar o número de leitos do que restringir a flexibilização do comércio, especialmente agora no período de festas de final de ano. Os lojistas e empresários em geral, que só pensam no lucro, fazem de conta que seguem os protocolos, simplesmente colocando um frasco de álcool gel nas portas dos estabelecimentos. No fim, todos mentem.

Estive esta semana na rua e observei muitas lojas pequenas com o número de pessoas circulando no interior além do limite estabelecido. Como praticamente não existe fiscalização (o poder público também mente), os comerciantes não controlam a entrada dos clientes como deveria. Na verdade, para eles, quanto mais gente visitando sua loja, melhor, porque pode entrar mais grana.

Há três ou dois meses, antes das eleições, vinha dizendo que entre final de novembro e início de dezembro nós teríamos um novo pico da Covid-19, (não precisa ser infectologista) com mais mortes, numa repetição, talvez ainda maior, do que aconteceu no meado do ano. Para os políticos, a eleição não seria fator de contaminação porque só estavam pensando no poder. Está aí agora o resultado! Muitos deles estão com o vírus, e devem ter passado para outros.

 

“HISTÓRIA DO POVO CIGANO” (Parte V)

A HUMILHANTE E PENOSA ESCRAVIDÃO NA ROMÊNIA, AS MIGRAÇÕES, OS EMBARQUES PARA OS ESTADOS UNIDOS COMO IMIGRANTES, OS COSTUMES E HÁBITOS, CASAMENTOS ENTRE AS DIVERSAS TRIBOS E A IMPUREZA DAS MULHERES CIGANAS.

As leis que regiam os escravos ciganos na Valáquia e na Moldávia (Romênia) nas primeiras décadas do século XIX, segundo Angus Fraser, em seu livro “História do Povo Cigano”, pouco diferem das medidas aplicadas há quatro séculos antes. Como escravos, haviam os da Coroa (Tsigani domneshti) e os pertencentes aos mosteiros (Tsigani manastireshti) ou os boiardos.

Aqueles que pagavam tributos à Coroa dividiam-se em várias classes Lingurari (fazedores de colheres), Ursari (domadores de ursos, ferradores e latoeiros), os Rudari (mineiros) ou Aurari (ourives, garimpeiros) e os Laieshi (membros de uma horda), isto é, sem ocupação fixa. Estes últimos tinham uma boa mão para muitas coisas, especialmente para o trabalho com metais, e as mulheres se ocupavam de ler a sina e pedir esmolas.

FLAGELOS CRUÉIS E CASTIGOS

Os verdadeiros escravos, no sentido vulgar do termo, eram os Vatrasi (propriedade de um dono) que serviam de lacaios, cocheiros, cozinheiros e criados de seus donos. Alguns podiam viver nas aldeias como barbeiros, alfaiates, sapateiros ou ferradores. O interessante é que os melhores músicos eram os Vatrasi. Pelo trabalho que exerciam, pagavam impostos aos seus donos.

Como acontecia com a escravidão negra, os senhores podiam, impunemente, mandar matar os seus ciganos. As falhas eram punidas com castigos ferozes. Mihail Kogalniceanu, um romeno que lutou pela emancipação dos ciganos, descreve que viu na capital Moldávia seres humanos com correntes nos braços e nas pernas, outros com tenazes de ferro em volta da cabeça, bem como colares de metal no pescoço. Ele testemunhou flagelos cruéis e castigos, como fome, pendurados sobre fumeiros e encarceramento em solitárias. Muitos eram atirados nus na neve.

Kogalniceanu calcula que os ciganos eram cerca de 200 mil na Valáquia e Moldávia, sendo que a maioria pertencia a donos particulares. Os movimentos de emancipação começaram por volta de 1828/34, com a ocupação russa, mas foram logo abafados.  Os senhores não aceitavam. O primeiro passo foi dado por Alexander Ghica, o vaivoda da Valáquia, em 1837, quando libertou quatro mil famílias de ciganos da Coroa, e os instalou em aldeias.

Logo depois, a Moldávia seguiu o exemplo com os ciganos da Coroa, em 1842, e os mosteiros, em 1844. Gheorghe Bibesca, educado em Paris, cuidou, em 1847, que os escravos da Igreja da Valáquia também fossem libertados, mas a transição não foi rápida. Na Transilvânia, a abolição da servidão só chegou em 1848. A nova geração de romenos procurou inspiração na França e completou a tarefa.

A prática estava tão enraizada na Moldávia que o falecido ministro das Finanças, Aleku Sturza, possuía, entre seus haveres, 349 ciganos escravos, quando parte de suas propriedades foi posta à venda, em 1851. Só em 1855 Grigore Ghica, príncipe da Moldávia, promoveu a revogação do que chamou de humilhante vestígio de uma sociedade bárbara, propondo que os proprietários fossem recompensados pela perda de seus investimentos.

A compra e a venda de seres humanos foram banidas de vez, mas a Valáquia só veio a fazer o mesmo, em 1856. No entanto, a liberdade jurídica completa só ocorreu mesmo em 1864, quando foi elaborada uma nova Constituição para os principados que tinham sido transformados na Romênia.

A LÍNGUA ROMANI DOS ROM E SEUS DIALETOS

Na segunda metade do século XIX, muitas tribos ciganas se afastaram dos Balcãs e da Hungria, tornando-se mais conhecidos. Sua língua Romani estava impregnada de dialetos romenos, apelidados de Valacos. Diziam-se Rom.

Entre estes, muitos grupos Rom se destacavam os Kalderasha (caldeireiros), Lovara (negociantes de cavalos) e os Tchurara (artesãos de gamelas). Outros que vieram dos Balcãs se denominavam de Boyash (garimpeiros), Rudari (mineiros) e Ursari (amestradores de ursos). Os Kalderasha começaram a se deslocar para a Rússia, Sérvia, Bulgária e Grécia, e Escandinava, originando subdivisões, de acordo com a ocupação geográfica de cada um.

Na Polônia, os Kalderasha e Tchurara foram para a Rússia. Alguns Rom, com passaportes austríacos, fizeram caminho, em 1870, para Berlim, Bélgica e França, mas logo foram empurrados para a fronteira franco-belga. Nos Países Baixos, na Holanda, o governo achou um fenômeno novo, e a população encarrou como gente tão exótica que pagava para entrar em seus acampamentos. No princípio da década de 1870, novos bandos de Rom chegaram a França, vindos da Alemanha e atraindo multidões de visitantes curiosos.

Em 1886, um grupo de cerca de 100 gregos, vindos da Grécia, Turquia, Sérvia, Bulgária e Romênia chegaram de comboio a Liverpool. Entre os anos de 1895 e 1907 existem relatos de Ursari no sul da Escócia e norte da Inglaterra falando uma mistura de língua, mas foi no início do século XX que os Lovara, da Alemanha, que viraram atrações na Grã-Bretanha.

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