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AS CURIOSIDADES DO MUNDO GREGO – FILOSOFIAS E SABEDORIAS (III)

PÍSISTRATO – A democracia ateniense era dividida em três partidos: o da Planície, conservador, aristocrático e latifundiário; o da Costa, dos ricos comerciantes; e o da Montanha, do proletariado urbano e rural.

Um dia um senhor deste último partido se apresentou ao Areópago (Conselho) e disse ter sido vítima de um ataque dos inimigos do povo. Mostrou seus ferimentos e pediu 50 homens para lhe proteger.

Apesar de velho, chamaram Sólon para dar sua posição. Vendo naquilo uma grande malícia de segundas intenções, e percebendo que não lhe davam ouvidos, desabafou indignado: Sóis sempre os mesmos. Individualmente, cada um de vós age como raposa, mas coletivamente, sóis um bando de patos.

O cara astuto era Pisístrato, também de família aristocrática e primo de Sólon que o conhecia muito bem. Ele sabia que a democracia sempre pende para a esquerda, por isso inventara suas ambições no proletariado. Ao invés de 50, Pisístrato reuniu 400 homens. Apoderou-se da Acrópole e proclamou a ditadura, naturalmente para o bem do povo.

O partido “A Costa” coligou-se com a “Planície”, derrubaram o tirano e obrigaram a fugir, mas logo voltou. Conta Heródoto que um dia se apresentou, às portas da cidade, um carro imponente e nele vinha uma linda mulher, com armas e o escudo de Palas Atena. Quando os batedores anunciaram que a deusa viera restaurar o ditador, o povo se inclinou. Foi ai que Pisístrato apareceu com seus homens. Uma aliança tornou a exilar o ditador.

Três anos depois, em 546, voltou pela terceira vez e restaurou o regime até sua morte. Pouco modificou da Constituição de Sólon e optou por eleições livres, sem culto à personalidade. Submeteu-se ao controle do Senado. Tinha do povo simpatia. Chamavam-no de tirano, mas no sentido de fortaleza. Possuía charme e falava com bons modos e calma. Sua política foi a de produção. Construiu modernas e poderosas embarcações.

O homem de ferro instituiu uma comissão para recolher e ordenar a Ilíada e a Odisseia que Homero deixara esparsas em episódios fragmentários. Evitou a guerra e deu a Atenas a posição de capital moral da Grécia. Criou os jogos pan-helênicos como ponto de encontro. Fugiu das tentações do poder absoluto, mas cedeu seu lugar para os filhos Hípias e Hiparco.

MILCÍADES E ARISTIDES – Pelos anos 490 a.C., seiscentos navios e duzentos mil soldados persas se apresentaram às portas da Grécia para invadi-la. Ao lado da pequena Plateia, apenas Atenas mandou seus poucos soldados se juntarem aos vinte mil homens do exército de Milcíades, que tinha pouca tradição militar.

No dia da batalha, na planície de Maratona, quem estava no turno era Aristides, que renunciou da missão a favor do colega, por considerar que tinha menos capacidade de atuar. Os soldados persas eram valentes, individualmente, mas não tinham ideias de manobra coletiva. No confronto, Dario perdeu sete mil homens contra pouco menos de duzentos de Milcíades, conforme narram os historiadores. Mandado anunciar a vitória em Atenas, o soldado Fedípoda fez vinte milhas correndo. Depois de dada a notícia, caiu morto, com o pulmão estourado.

Cheio de medalhas, o general transformou-se em almirante e pediu setenta navios que os levou a Paros. Lá exigiu cem talentos. O governo chamou de volta e obrigou a restituir só a metade. Milcíades não teve tempo porque morreu antes.

Restou Aristides, homem justo e honesto, tanto que depois da batalha teve a incumbência de guardar as tendas dos vencidos. Dentro delas havia notável riqueza e ele a entregou ao governo. Passou sua juventude combatendo a corrupção política e o peculato dos funcionários.

Em seu caminho dopou com Temístocles, orador brilhante que lhe fizera intrigas, propondo ostracismo para seu colega Aristides. Conta que na votação, um camponês analfabeto pediu a Aristides que escrevesse na lousa sua aprovação à proposta de Temístocles. “Por que queres mandar Aristides para o exílio? Fez-te algum mal? – perguntou o próprio Aristides. Não me fez nada – respondeu – mas estou farto de ouvi-lo chamar de justo. Aristides sorriu de rancor e marcou contra ele mesmo o voto daquele homem.

No ato da condenação, disse: Espero atenienses, que não tenham mais ocasião de se recordarem de mim, Atenas estava com os persas novamente às portas, conduzidos por Xerxes, em 485 a.C., com mais de dois milhões de homens e mil e duzentos navios.

Dessa vez Esparta, com seu rei Leônidas, e seu exército de 300 homens, se juntou a Atenas, Os trezentos sozinhos teriam vencido os dois milhões, se traidores não tivessem guiado os inimigos por uma senda desconhecida, às costas de Leônidas, que caiu com 298 dos seus, depois de ter causado 20 mil mortes. Dos dois, um se suicidou de vergonha, e o outro resgatou a honra caindo em Plateia. Foi escrito em sua lápide: Vai estrangeiro, dize a Esparta que nós caímos em obediência às suas leis.

Com relação ao ataque a Atenas, conta que um deputado propôs a rendição e foi morto na Assembleia. Sua mulher e seus filhos foram lapidados pelas mulheres. Os persas saquearam uma cidade vazia. Não podendo opor-se aos colegas que queriam a fuga, Temístocles mandou um escravo informar do plano da retirada a ser executado na noite imediata. Se a mensagem fosse descoberta, ele passaria por traidor.

Então, Xerxes rodeou o inimigo para não o deixar fugir. Com sua astúcia, Temístocles consegui obrigar os gregos a lutar, Xerxes em terra assistiu a catástrofe da sua frota com a morte de seus marinheiros por afogamento. Assim, Atenas e a Europa foram salvas, em Salamina, em 480 a.C.

TEMÍSTOCLES E EFIALTES – Após a batalha naval, o almirante mandou outro escravo informar Xerxes de que conseguira dissuadir os colegas da perseguição da frota vencida. O persa deixou na Grécia 300 mil homens aos cuidados de Mardônio. Houve um ano de trégua. Depois começou a luta sob o comando de Pausânias, rei de Esparta, com 100 mil homens. Mardônio perdeu 260 mil e Pausânias 59 mil.

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NO PAÍS DA DEPRESSÃO E DA ANSIEDADE

A notícia mais recente do reajuste salarial acima de 16% dado pelos próprios ministros do Supremo Tribunal Federal, com cascata em outros poderes do judiciário, do legislativo e do executivo, com impacto de bilhões no orçamento fiscal, nos deixa mais depressivos e ansiosos? E o aumento da violência, com mais de 60 mil homicídios por ano? E a mediocridade na política com 13 candidatos a presidente da Velha República?

Quem roubou a alegria e a felicidade de viver do brasileiro, mesmo dessa gente pobre e simples que sempre soube rir e driblar as adversidades com maestria e criação? Deixo aqui que cada um aponte o seu dedo para seus algozes. É uma questão de visão interpretativa e até mesmo ideológica de cada indivíduo ou grupo. A matéria merece reflexão e desprendimento, sem partidarismos, rancor ou critérios pessoais. É mito dizer que o Brasil é um país alegre e feliz?

Confesso que tenho os meus carrascos que transformaram o país descontraído e cordial num dos mais depressivos e ansiosos do mundo, conforme estudo recente de um organismo internacional. Sei que existem controvérsias de ordem política e até religiosa. O certo é que este estado de espírito tem muito a ver com a degradação social, mas também com a nova ordem evolutiva industrial tecnológica. Com o sentido oco do viver.

Neste aspecto entram as redes sociais onde as pessoas, na ansiedade do aparecer exibicionista de qualquer jeito, como se dissessem, estamos aqui, olhem para nós, quase não se falam pessoalmente. A máquina aniquilou o prazer do convívio e ainda deixou seu agente mais estressado. Com base no atual cenário confuso de depressão na economia e na política, nosso país foi naturalmente inoculando em seus habitantes um quadro depressivo.

Quem ou o quê nos levou a esta situação tão precária de exclusão? A informalidade é uma delas. O próprio sistema capitalista predador e consumista que criou uma sociedade de profundas desigualdades onde poucos são donos da maior parte e muitos quase nada têm? Será que nós mesmos não somos os maiores culpados devido à nossa covardia, conformismo e pela falta de indignação por não termos agido contra quem ou a coisa que nos levou à depressão e à ansiedade?

Sem perceber e até aceitando, sem contestar, iludidos ou não, fomos sendo levados aos poucos para esta vala comum da agonia e da aflição. Não creio nessa coisa de falta de religião, de contrição com algum santo, orixá ou deus qualquer, nem mesmo formação familiar. Fomos nos acomodando com o pouco que tínhamos, sem questionar o regime ou as pessoas que o implantaram.

Nosso mal não foi sempre colocar o individual acima do coletivo? Será que não foi este pecado social horrível que nos levou a este estado? As coisas foram se avolumando e sempre acreditamos no mito de que éramos um povo feliz e alegre. Assim nos dizem os gringos que nos enchem de orgulho e vaidade. Sentimo-nos de peito estufado e agora descobrimos que somos os mais depressivos, ansiosos e infelizes. Entendo que hoje a depressão não é somente aquele estado de “fossa braba” como se falava antigamente. A baixa estima em si já é um sintoma avançado, mesmo que se deixe a tristeza escondida num saco do quarto.

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MANIFESTO DOS PROFESSORES NA CÂMARA

Muito clamor e pronunciamentos sobre as penosas condições de trabalho dos profissionais que no dia a dia precisam cumprir com suas missões de levar o aprendizado às crianças e aos jovens. Aplausos e vaias fizeram parte das manifestações dos professores municipais em greve, que superlotaram o auditório da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, em sessão especial do dia de ontem (08/08).

Seus apelos de reajustes salariais e valorização da categoria, infelizmente, ainda não foram atendidos pelo poder público municipal que alega aperto fiscal no orçamento e pede à categoria maior compreensão diante da atual situação financeira. Aos professores se juntaram os trabalhadores da viação urbana Vitória, que também estão em greve por não receber seus vencimentos há mais de um mês.

Foi, na verdade, uma exposição de penúria de ambos os lados com histórias tristes de aperto financeiro para pagar suas contas particulares, inclusive com a falta de alimentação em seus lares. Diante do impasse que já dura mais de quinze dias, a Câmara constituiu uma comissão formada entre oposição e situação para dialogar com a Prefeitura Municipal, a fim de se encontrar uma saída, e que os alunos possam retornar às suas escolas.

A professora do Sindicato, Rute Prado, contou sua luta diária para ensinar e ainda ser dona de casa. Como tantas outras que batalham em vários turnos para sobreviver, disse que sua rotina começa pela madrugada e só termina por volta das 18 horas. Ressaltou ainda conhecer colegas que dão aulas à noite para complementar o salário. Outras se tornaram vendedoras para ganhar uns trocados a mais.

Teve momentos de tensão quando o vereador Álvaro Pithon foi vaiado ao colocar a culpa na administração passada pelo atual quadro, tanto em relação aos professores como da Viação Vitória que está fechada sem pagar seus funcionários. A vereadora Viviane, do PT, criticou a falta de representação do prefeito na sessão e até da própria professora Geane que hoje é uma servidora de confiança do executivo.

O motorista Walter, da empresa Vitória, relatou que 517 famílias estão atualmente passando por necessidades, e que não estão ainda pior porque centenas de pessoas da comunidade se dispuseram a doar alimentos. Agradeceu o apoio de todos e, em tom de desabafo e protesto, criticou duramente a prefeitura que interditou os ônibus da companhia urbana de transportes.

Entre outros projetos, requerimentos e moções aprovados na pauta de discussões, a casa legislativa marcou para 26 de setembro uma audiência pública para tratar do plano diretor da cidade, incluindo a facilitação para a regularização de imóveis sem documentação do habite-se.

Há muito tempo que Vitória da Conquista precisa atualizar e renovar seu plano diretor, principalmente no que tange ao ordenamento do solo, delimitação de bairros, numeração e denominação de ruas. Sem contar as irregularidades habitacionais por conta da burocratização e do alto custo, existe hoje uma bagunça generalizada na cidade em termos de nominação de bairros e ruas.

 

AS CURIOSIDADES DO MUNDO GREGO COM SUAS FILOSOFIAS E SABEDORIAS(Parte II)

Como diz o próprio título, registramos as principais curiosidades do mundo grego, extraídas do livro do autor Indro Montanelli, em prosseguimento ao comentário passado. Aproveite a leitura.

TALES – Os fundadores de Mileto eram guerreiros da guerra de Tróia que se perderam no naufrágio, inclusive o Ulisses. Como fugitivos usaram o método de matar todos os homens e casar com as viúvas de sangue orientais, bastantes bonitas.

Lá pelos idos de mil a.C., Mileto já era a cidade mais rica e evoluída do Mar Egeu. Seu governo começou com reis, passou para a aristocracia e depois a democracia. Ali foi fundada a primeira escola filosófica grega por Tales, nascido em 640, de uma família fenícia. Vivia distraído imerso em seus pensamentos.

Tido como um nada, mas conhecedor de astronomia, o rapaz pediu dinheiro ao pai e comprou todos os lugares de azeite de oliveira da ilha. Era inverno e os preços estavam baixos, mas previra um bom ano para a colheita. Seus cálculos deram certo e, no ano seguinte, como monopolista, pôde impor os preços e ganhar muito dinheiro.

Em sua viagem para o Egito colocou em prática seus conhecimentos de matemática, calculando, pela primeira vez, a altura das pirâmides. Fez a proporção, medindo a sombra sobre a areia no momento em que ele mesmo projetava uma sombra do tamanho do corpo.

Com seus teoremas, bem antes de Euclides, julgou que a terra fosse um disco flutuante sobre interminável extensão de água, personificada no Oceano. Imaginou a vida como alma imortal, cujas partículas se encarnavam numa planta, num animal ou num mineral. As que morriam seriam apenas momentâneas encarnações.

Ele procurava ensinar a maneira correta de raciocinar, mas não se incomodava quando não o compreendiam ou riam dele. Foi incluído na lista dos Sete Sábios, ao lado do legislador Sólon.

Quando lhe perguntaram qual a coisa mais difícil para um homem, respondeu “conhecer-se a si mesmo”. Sobre Deus: Aquilo que não começa e que não acaba. Sobre o que consiste a justiça para um homem virtuoso, afirmou que não fazer aos outros o que não queremos que nos seja feito.

Deixou como discípulo Anaximandro. Em 546, Ciro anexou a ilha ao império persa e a cultura grega entrou em agonia. Para Tales, as culturas e os impérios são apenas formas passageiras da alma imortal.

HERÁCLITO – Outro centro da cultura grega no sexto século foi Éfeso, com seu templo de Artêmis e seus poetas, com destaque para o esquisito Calino, tanto quanto o Heráclito, o Obscuro, pertencente a uma família nobre.

Como um São Francisco de Assis, deixou toda riqueza, ambições, posições sociais e retirou-se para uma montanha, vivendo o resto da vida como eremita, à procura da ideia que regula todas as coisas, em todas as ocasiões. Sustentava que a humanidade era um animal irremediavelmente hipócrita, estúpido e cruel, ao qual não valia a pena ensinar coisa alguma.

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OS LADRÕES DE ALMAS DO SERTÃO

Sem o pássaro preto, o cardeal, o azulão, o sabiá, o sanhaço, os periquitos, o galo de campina, o caboclinho, o papa capim, a coleira, as araras azuis, os papagaios, os tico-ticos, a nambu, a perdiz e outros animais silvestres da fauna como o tatu, o teiú e o veado, o nosso velho sertão, cansado e castigado por estiagens e ações dos homens, fica sem a sua verdadeira alma e vira um esquelético espantalho fantasmagórico.

Se alma é vida, quem vai cantar o sertão verde e renovado com as chuvas? Quem vai brindar com seus voos e agradecer a benção divina das águas caídas lá dos céus? Sem melodia e sem o estribilho das aves, a caatinga perde sua maior beleza e se torna um bioma sem ternura e sem os mistérios da vida. Não basta a sua aterradora desertificação que se vem processando há anos?

Prender seus pássaros e arrancá-los do convívio do seu lar é o mesmo que extirpar a alma do sertão. Nas gaiolas eles não cantam e fazem festa, lamentam a dor do cativeiro como o negro escravo do Alabama nas fazendas de algodão, ou no Nordeste nos engenhos de canas de açúcar.

Contra estes ladrões de almas e assassinos da fauna sertaneja, ainda bem que esta espécie de bioma, a única no mundo, tem contado com a ação do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia-Inema, do Ibama e dos movimentos ambientalistas em parceria com as polícias civil, militar e até a federal, como ocorreu recentemente (dias 24 a 28 de julho) em Senhor do Bonfim, no nordeste do estado.

Lá está a mão severa do primo Washington Macário de Oliveira, do Inema, com seus notáveis casos de disfarces para agarrar os criminosos do sertão. Como xerife durão que visita os mais longínquos lugares da Bahia, não costuma perder viagem, seja no campo em pontos mais escondidos ou nas feiras das cidades. Seu maior prazer é soltar os bichos, para raiva dos caçadores.

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NO CASO DE VITÓRIA DA CONQUISTA E OS EDUCADORES BRASILEIROS E BAIANOS

Por Carlos Gonzalez – jornalista

O descaso das autoridades governamentais neste país com o magistério pode ser tomado como medida aqui mesmo em Vitória da Conquista, onde a administração municipal se recusa a ouvir os professores, que reivindicam uma melhoria nos seus baixos salários.

Como se ainda estivéssemos no período da ditadura, que via no mestre, em sala de aula, um inimigo do regime, capaz de “fazer a cabeça” dos jovens, a Prefeitura de Vitória da Conquista multa em 17 mil reais o sindicato da categoria por ter protestado no interior do prédio da municipalidade, que pertence a todos que aqui trabalham e ajudam a pagar, com a cobrança de impostos, os salários de quase 9.000 servidores.

Eu não arriscaria a afirmar, pois tenho conhecimento apenas de seus métodos de governo, mas acredito que o Sr. Herzem Gusmão testemunhou, na infância e na juventude, o sacrifício do professor da escola pública. Um religioso, temente a Deus, que sempre cita o nome do Mestre dos Mestres em seus pronunciamentos públicos, não pode ser algoz daqueles mais necessitados.

Amigo Jeremias, eu não aprendi as primeiras letras com professores leigos da roça, onde você passou os primeiros anos de vida. Estudei em Salvador, na Escola Getúlio Vargas, Instituto Normal da Bahia, ambos no Barbalho, e Colégio Estadual da Bahia, no bairro da Liberdade. Diante do clima que existe hoje no interior das salas de aula, onde o professor não é respeitado, lembro-me que, na minha época, ele era visto como um educador, que se orgulhava do título de professor. Os alunos o recebiam de pé em sua entrada em sala.

No alto do pedestal dessa honrosa categoria profissional coloco um baiano, nascido em Salvador, em abril de 1917. Professor de Português e de História Geral e do Brasil, Adroaldo Ribeiro Costa, bacharel em Direito, exerceu vários cargos no campo do magistério do nosso estado. No entanto, a vida do Professor Adroaldo, como era chamado, ficou marcada pela criação do teatro infantil no Brasil, chegando a reunir 100 crianças e adolescentes em suas peças.

Contrário ao senso comum, Adroaldo é tratado hoje como autor do Hino do Esporte Clube Bahia. O seu nome deveria figurar entre os maiores educadores brasileiros, ao lado de Anísio Teixeira (1900-1971), Darcy Ribeiro (1922-1997), Paulo Freire (1921-1997) e Florestan Fernandes (1920-1995).

Companheiro de redação, no período do jornalismo romântico, sem internet e celular, que atualmente tanto ajudam os novos na profissão, você continua a clamar contra o que há de errado neste país. Aposentado, criou o blog “aestrada” para lhe servir de tribuna. Talvez ainda não tenha se dado conta de que vivemos numa terra devastada. A corrupção, sem a necessária punição, corroeu o que havia de fértil.

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QUEM OLHA PARA OS PROFESSORES?

Não dá para esquecer a primeira professora. Quando ainda menino e já labutava na roça com meus pais, lá pelos idos dos anos 50, Nina foi a minha primeira professora leiga, mas o que mais me marcou na vida foi sua penosa pobreza como agregada-escrava de um grande latifundiário. Aprendi com ela a escrever meu nome e a ler alguma coisa soletrando as palavras. Coube a esta personagem real privilegiar um dos capítulos do meu livro “Andanças” que ora, sem patrocínio, luta para ser lançado.

Os tempos se passaram e tive outros notáveis mestres até início da década de 70 quando ainda estes profissionais do ensino eram valorizados e respeitados por pais e toda sociedade. Os alunos aprendiam a lição e eram ávidos por estudar. Havia normas nas escolas que eram obedecidas, mas os travessos, como eu, recebiam castigos na frente dos outros colegas. A questão dos métodos é discutível, mas isso é outro assunto.

Regime disciplinar certo ou errado, a verdade é que até a década de 70, mais ou menos isso, o professor ainda era olhado com carinho, e sua pessoa era reverenciada por onde passava como autoridade intelectual da comunidade, no mesmo nível do juiz, do padre e do prefeito. O mestre, como era chamado, se sentia realizado, reconhecido e contente como o que fazia, distribuir seus conhecimentos para os outros.

Estourou a ditadura militar de 1964 e, em pouco tempo, o educador passou a ser olhado como um inimigo subversivo que poderia provocar uma rebelião entre os estudantes. Sua missão de ensinar começou a ser mutilada e vigiada dia e noite. O saber virou um perigo comunista e muitos foram torturados nos porões do regime. Outros foram banidos e exilados.

Apesar das condições adversas, a profissão de professor ainda continuava sendo digna, mas o cenário do estudo e da educação foi se deteriorando. Piorou ainda mais a partir do processo de redemocratização do país em fins dos anos 80, quando por lógica deveria ter melhorado, mas não, atingiu seu pico de degradação e humilhação nos dias de hoje, repudiado e visto como um “zé ninguém qualquer”, sem importância.

Até anos atrás imaginava que professor não ficava desempregado e teria mercado garantido porque sempre ia ter gente para aprender e mais escolas seriam abertas. Ledo engano, meu amigo, o que se vê hoje em nossa pátria é de cortar o coração e dói muito, basta ser humano e um pouco sensível. Não é somente a questão do desemprego que faz derramar lágrimas dos olhos dos professores, mas também as agressões violentas dos alunos, e os assédios morais de chefes e pais que aniquilam de vez a autoestima daqueles que continuam, a duras penas, nas degradantes salas de aulas.

Quase ninguém olha para eles, mas tenho ouvido muitos lamentos e choros de professores desiludidos com a profissão, inclusive vivendo em estado de depressão e ansiedade. Em seus cantos isolados, como se fossem renegados criminosos, muitos passam necessidades e até fome. Para sobreviver, recorrem à ajuda de parentes e perambulam pelas cidades atrás de um bico. Sujeitam-se até a trabalhos domésticos ou a vender bugigangas nas ruas.

Aos que ainda permanecem atuando, o poder público não os valoriza e nega qualquer pedido de aumento, alegando limite fiscal quando, no entanto, contempla outras categorias, as quais, o chefe do executivo considera serem mais fundamentais em termos socioeconômico e político. Afinal de contas, a educação nunca foi prioridade dos governantes.

Vivemos, infelizmente, numa sociedade fútil consumista e sem instrução que pouco liga pra greve de professores. Os chefes dos executivos que deviam dar bom exemplo, também não. Como não tem de imediato o mesmo impacto de uma paralisação de caminhoneiros, bancários e até mesmo de garis (sem desprestigiar a classe), deixam a coisa rolar por tempo indeterminado. Preferem manter as escolas fechadas, sem educação. Em suas contas retrógradas significa menos gastos.

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UM PACIENTE EM SEU LEITO DE MORTE QUE LUTA PARA TER ALTA DEFINITIVA

Pelos trópicos abaixo da linha do Equador um paciente chamado Brasil luta em seu leito terminal para ter alta definitiva. Esteve diversas vezes nas enfermarias onde os médicos diagnosticaram pronta recuperação, mas, de uma hora para outra, o doente foi acometido de infecção hospitalar braba que o levou à unidade de tratamento intensivo. O quadro, ora piora, ora melhora, abrindo espaço à esperança.

Há séculos, este paciente dos trópicos foi vítima de uma esquadra de gente estranha que aqui aportou trazendo consigo bactérias, vírus, bacilos, vermes e outros organismos que contaminaram seus nativos que viviam sadios. Ao longo da sua história, estes corpos nocivos se expandiram na população e se tornaram resistentes aos antibióticos e outros medicamentos. De lá para cá, vive-se tempos de altos e baixos, entre melhoras e estado de falência de seus órgãos.

Os vermes da corrupção, os vírus oportunistas sem caráter, as bactérias de aproveitadores, as hepatites virais silenciosas, os mosquitos ceifadores intolerantes e predadores em forma de monstros carnívoros de malfeitores ladrões infectaram-se neste paciente gigante adormecido onde encontraram  ambiente fértil de reprodução e se multiplicarem em milhões que a todo tempo se alimentam do que as células produzem para manter este ser vivo, mesmo em agonia.

Muitas tentativas foram feitas para expulsar os micróbios e vermes deste corpo, inclusive com pulverizações venenosas e outras até com fogo e bombardeios, mas eles conseguem se ramificar e criar sistemas fortes, esquemas de disfarces e outros métodos enganosos, tornando-se imbatíveis e cada vez mais resistentes. Eles vão destruindo tudo o que encontram pela frente, cada vez mais deixando o paciente debilitado.

Estão por todas as partes do organismo como uma metástase cancerígena. Cada elemento maligno pertence a uma categoria e se unem no corporativismo quando se sentem ameaçados em seus postos privilegiados. Criaram, por conta própria, um emaranhado de regras de defesas deles mesmos.  Vivem de mordomias extraídas de fontes geradas por uma massa produtora que labora dia e noite para manter o paciente ainda vivo, embora depressivo e em estado de ansiedade, das mais agudas.

Estes vírus, bactérias, fungos e pragas pré-históricos, muitos deles até herbívoros e carniceiros de planícies, planaltos e pântanos, são impiedosos e caem dentro de suas vítimas pequenas e frágeis para matar. Dilaceram tudo pela frente. Não estão nem ai para choros e ranger de dentes. Secam lágrimas e sugam todo sangue de suas presas.

Quando atacadas por alguma força tarefa de combate, se fazem de inocentes coitados e são prontamente protegidos por ordenados excrementos potentes que colocam novamente esses assassinos tumores na ativa. Eles devoram tudo que o paciente produz para sobreviver, mesmo em estágio terminal.

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VEREADOR FAZ PRESTAÇÃO DE CONTAS

Com o auditório da Câmara Municipal de Vitória da Conquista superlotado de lideranças comunitárias e convidados, o vereador Coriolano Morais, o Cori, do PT, realizou uma plenária de prestação de contas no último dia 28 (sábado pela manhã). Ele destacou a importância da seriedade política e o papel do parlamentar de fiscalizar o executivo e buscar melhorias para o povo, e não ser apenas um gerente de fazer favores de interesse pessoal.

Prestigiaram o ato o presidente do PT da Bahia, Everaldo Anunciação, a diretoria regional do partido, o deputado federal Josias Gomes e o estadual Jean Fabrício Falcão, do PC do B. Os oradores falaram da atuação firme de Cori no município, não deixando de relatar a atual situação política e econômica em que vive o país. Os representantes do PT voltaram a defender a campanha do “Lula Livre” e a candidatura do ex-presidente à presidência da República, mesmo estando preso em Curitiba.

PRESTAÇÃO DE CONTAS

Na sua prestação de contas, Cori reafirmou a sua luta prioritária pelos  direitos da população. Citou que ao longo dos anos do seu mandato apresentou 43 projetos-de-lei, 30 emendas parlamentares, 98 requerimentos, 428 indicações e 48 audiências públicas que beneficiaram milhares de pessoas nas zonas urbana e rural.

As ações contemplaram setores da educação, da saúde, do campo, do transporte e funcionários públicos. Na educação, por exemplo, realizou articulações de emendas para ampliação, reforma e construção de escolas e creches, bem como, criou projetos para valorização dos professores, monitores e merendeiras.

Na saúde, apresentou emendas para construção de postos médicos em Dantilândia, Francisco das Chagas, Vila América e Nossa Senhora Aparecida e projetos voltados para a saúde da criança. No setor do transporte público, Cori fez denúncias sobre a situação precária das empresas de ônibus da cidade, defendendo o direito dos trabalhadores, inclusive com ação junto ao Ministério Público para instalação de inquérito civil público para apuração de irregularidades na contratação  e concessão do transporte público coletivo.

Outro item de destaque do seu trabalho na área cultural foi a indicação de projetos de incentivo à leitura, emendas para construção de quadras poliesportivas e aquisição de equipamentos de lazer para praças e espaços públicos em localidades como Inhobim, Jardim Guanabara e Nossa Senhora Aparecida.

Sua atuação também se direcionou para a zona rural com articulações de emendas destinadas ao convívio com a seca através da construção de poços artesianos, cascalhamento de vias, incentivo à agricultura familiar e fortalecimento da educação no campo.

DEPUTADO FABRÍCIO

Um dedicado ao incentivo da cultura, do esporte e do lazer no município e região, o deputado estadual Fabrício Falcão fez questão de prestigiar a plenária de prestação de contas do vereador Cori, também apresentando suas ações durante seus mandatos, como apoio na publicação de livros (“Uma Conquista Cassada”, do jornalista e escritor Jeremias Macário), CDs de artistas locais da música e outros trabalhos nessa área.

No campo do esporte e lazer, o deputado Fabrício sempre se preocupou em  apoiar e a investir, através de emendas parlamentares, no desenvolvimento de ações dessa natureza em bairros mais pobres de Conquista com formação de núcleos no Guarani, Ibirapuera, Urbis II, Jardim Valéria e Patagônia. Apoiou diversos campeonatos de futebol, maratonas e caravanas de lazer, sem contar a apresentação de projetos de escolinhas esportivas.

AS CURIOSIDADES DO MUNDO GREGO COM SUAS FILOSOFIAS E SABEDORIAS (parte I)

“O mito e a lenda são inseparáveis da história; mesmo em nossa época, eles crescem em torno dos grandes acontecimentos históricos e, mais ainda, ao redor de grandes personagens históricas”- do escritor e professor M. Rostovtzeff, autor do livro “História da Grécia”.

Ele mesmo diz na introdução da obra que esta civilização antiga, chamada pelo próprio de greco-romana ou Mediterrânea, desenvolveu-se primeiramente no Oriente Próximo, sobretudo no Egito, Mesopotâmia e Ásia Central, nas ilhas do Mar Egeu e na península do Balcãs.

O zênite da criação cultural, de acordo com o filósofo, foi alcançado no Egito e na Babilônia no terceiro milênio a.C.; novamente pelo Egito no segundo milênio e, ao mesmo tempo, pela Ásia Menor e parte da Grécia; pela Assíria, Babilônia e Pérsia nos oitavo, sétimo e sexto séculos a.C.; em seguida pela Grécia dos séculos sexto ao segundo a.C; e pela Itália no primeiro século a.C. e no I d.C.

A civilização antiga ainda vive como base de todas as manifestações da cultura moderna. A grega só se tornou mundial como resultado de um contato novo e prolongado com as culturas orientais, após a conquista do Oriente por Alexandre Magno. Em complemento, diz o autor que ela se tornou propriedade do Ocidente, isto é, da moderna Europa, simplesmente porque foi adotada na íntegra pela Itália.

CURIOSIDADES, FILOSOFIAS E TRAPAÇAS

Mas, minha proposta mesmo é falar sobre as curiosidades específicas do mundo grego, suas filosofias e sabedorias, extraídas do livro “História dos Gregos”, do autor Indro Montanelli. Creio que muitos professores e estudiosos do assunto desconhecem peculiaridades interessantes sobre os grandes personagens e acontecimentos desta civilização, descritas pelo autor.

Como são muitas, vamos só pontuar as mais importantes. Historiadores dizem que a primeira civilização grega nascera na ilha de Creta e tivera seu apogeu no tempo do rei Minos por volta do século XIII a.C. O deus dessa gente se chamava Vulcano e correspondia ao Zeus dos gregos e ao Júpiter dos romanos. Quando se irritava, seus fiéis se recomendavam à deusa mãe, uma espécie de Nossa Senhora, para que o acalmasse.

Este reino desaparecera entre os séculos VIII e VII. Muitos falam num terremoto e outros em decorrência da invasão dos aqueus (tribo céltica da Europa Central) que destruiu tudo em Creta. A partir dali, o povo chamado de pelágios (povo do mar) tornou-se grego e os aqueus implantaram vários reinados, dos quais Homero se tornara um grande trovador.

De acordo com escavações arqueológicas feitas pelo alemão Henrique Schliemann, Tróia existiu e nela os aqueus, que vieram da Tessália para o Peloponeso, tiveram seu tempo de apogeu e decadência depois da guerra.

HOMERO – Existem dúvidas sobre sua existência, mas, conforme a lenda, foi um trovador cego do século VIII a.C. pago pelos senhores para ouvir dele histórias maravilhosas. Na obra da “Ilíada e a Odisseia”, o autor Indro considera Ulisses um dos mais descarados, mentirosos e trapaceiros da história. Sua grandeza só é medida pelo sucesso, única religião daquele povo.

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