dezembro 2019
D S T Q Q S S
« nov    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

:: ‘Notícias’

COPINHA: “BODE” ESTREIA CONTRA O FLA

Carlos Albán González – jornalista

O Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista, na sua quinta participação consecutiva na Copa São Paulo de Futebol Júnior – a Copinha – caiu no que se costuma chamar de “grupo da morte”, considerando que terá como primeiro adversário o Flamengo, campeão brasileiro sub 20, título ganho na semana passada, fechando para o rubro-negro carioca o ciclo de conquistas nacionais (profissional e sub 17).

Com 128 clubes representando os 26 estados do Brasil e o Distrito Federal, divididos em 32 grupos, com sedes no interior de São Paulo e  no Estádio do Canindé (capital), a Copinha será disputada entre os dias 2 e 25 de janeiro, data dos 466 anos da capital paulista. O maior torneio do mundo reunindo atletas com menos de 20 anos é promovido pela Prefeitura paulista e organizado pela Federação Paulista de Futebol (FPF). O São Paulo é o atual campeão. O estádio do Pacaembu receberá a final.

Vitória da Conquista e Flamengo estão no grupo 25, com sede em Diadema (21 kms. da capital paulista), situada no ABCD, um dos maiores polos econômicos do país. Os outros dois integrantes da chave são o Água Santa, o principal clube da cidade, e o Trem, representante da distante Macapá, no Amapá.

Interessante é que o Trem e o Água Santa foram fundados por operários. O time amapaense, 143 no ranking da CBF, conhecido por Locomotiva, foi fundado por ferroviários, em 1º de janeiro de 1947. Formador de atletas em suas divisões inferiores, o Água Santa, 122 no ranking nacional, vai integrar em 2020 a elite do futebol paulista. A equipe do ABCD é produto da migração nordestina para o Sudeste no século passado. Sua fundação data de 27 de outubro de 1981. Com 386.934 habitantes, uma renda per capita de R$ 31.900 e um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) considerado alto, Diamantina é hoje o local de morada de 31.661 baianos.

A garotada do E.C,P.P. Vitória da Conquista viaja para o interior de São Paulo na certeza de que não faltará incentivo nas partidas que fará na Arena Inamar (capacidade para 10 mil pessoas), por parte dos nordestinos, principalmente dos seus conterrâneos baianos. A estreia está marcada para o dia 4, às 11 horas, contra o Flamengo, provavelmente com transmissão de televisão (SporTV, Cultura e Vivo); no dia 7, às 12h45, enfrentará os donos da casa, o Água Santa; e no dia 10, às 12h45, terá o Trem pela frente. Os dois primeiros colocados de cada grupo passam para as fases seguintes, no formato mata-mata.

Além do Vitória da Conquista, o futebol júnior baiano terá mais quatro representantes na Copinha: o Vitória (grupo 5, em Jaú), Bahia (grupo 13, em Indaiatuba), Jacuipense (grupo 19, em Itapira) e Canaã (grupo 31, em Nicolau Alayon).

A título de curiosidade constatei que o Canaã, integrante da 2ª divisão do futebol baiano, é mantido pelo projeto sócio-educacional Nova Canaã, criado pela Igreja Universal do Reino de Deus, na cidade de Irecê (BA). A principal finalidade do clube é preparar jovens e colocá-los no mercado do futebol. O meia Pedrinho, do Corinthians, foi o primeiro; outros seis estão se submetendo a testes no clube paulista. Uma cartilha distribuída pela Iurd proíbe os jogadores de usarem brincos, falar palavrão e aconselha a evitar atingir o adversário com faltas; não há a obrigação de assistir as sessões de “descarrego”.

 

 

 

SESSÕES DA CÂMARA PRECISAM DE MAIS ORDEM E DISCIPLINA

Está ficando difícil assistir uma sessão da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista por causa da falta de educação da plateia, que transformou o ambiente numa feira onde todos conversam alto e ao mesmo tempo. O local virou um ponto de encontro para bate-papo, onde cada um faz seus conchavos, negócios e troca de ideias. Do outro lado, cabe ao presidente da Casa colocar ordem e disciplina no recinto e, se for o caso, suspender a sessão por um determinado tempo.

Ontem mesmo, quarta-feira (dia 04/12), criou-se um pequeno tumulto na abertura quando um grupo de sem tetos, que foi retirado de uma invasão no Bairro Panorama, fez uma manifestação com gritos de ordem, reivindicando do prefeito Hérzem Gusmão, que se encontrava presente, o retorno para a área. No momento, vários projetos e requerimentos estavam em votação e ninguém conseguia ouvir as intervenções dos vereadores.

Esse barulho de conversas paralelas na Câmara, perturbando quem quer acompanhar os trabalhos, já vem ocorrendo há muito tempo. Muita gente tem reclamado o comportamento de falta de educação, criticando a mesa diretora por não tomar as devidas providências. Na maioria das vezes, não dá para escutar o que o parlamentar está falando na tribuna.

Além das conversas em voz alta, outras pessoas passam o tempo no celular, e tem vereador que não dá o exemplo e faz o mesmo conversando ao lado com o colega. Na sessão mista de ontem, que mais parecia uma comemoração num salão de festa, a Rádio Clube foi homenageada como a emissora mais antiga de Conquista (completa 65 anos em 17 de dezembro), daí a presença do prefeito e do radialista e cantor Jânio Arapiranga que fez uma apresentação musical.

 

 

 

 

 

UM LUGAR SUJO E DESTRUÍDO QUE AINDA É CHAMADO DE PRAÇA

Bem em frente da Rodoviária de Jequié existe um espaço horrível em meio ao lixo, lama, capoeira, equipamentos enferrujados, um pequeno centro de informática completamente depredado e hoje utilizado por usuários de drogas, com um mau cheiro insuportável, que as pessoas que passam por ali ainda chamam de praça. Dizem que o nome dela é Santa Luzia, a protetora dos olhos.

Aquilo ali poderia ser chamado de a maior vergonha de Jequié, senhor prefeito Luiz Sérgio Suzarte Almeida, mais conhecido como “Sérgio da Gameleira”, do PSB, que tem o partido que não merece. Confesso que há muitos anos da minha vida, inclusive como jornalista, não tinha visto um lugar tão depredado e abandonado como aquele, que é um atentado à saúde pública pela quantidade de imundices, lixo por todo canto e mato que virou capoeira.

Estive em Jequié neste final de semana participando da Festa Literária e fiquei hospedado num hotel bem em frente da dita “praça” que está mais para entulho. Cheguei na sexta-feira em final de tarde e, como já estava atrasado para o evento, não observei o local. No outro dia, pela manhã, sai com minha máquina fotográfica para captar alguma imagem bonita e terminei me deparando com aquela cena de horror.

O estado da “praça”, meus amigos, é simplesmente deplorável, a começar por uma área de lama onde existiam uns equipamentos de ginástica. Mais à frente, um campo de futebol soçaite que se transformou numa capoeira que cobriu a pequena arquibancada, sem contar o lixo espalhado por todo lugar. Ao lado, uma pequena edificação destruída e umas barracas quebradas e sujas que já deveriam ter sido interditadas.

O local mais horroroso que vi e não consegui adentrar por causa do cheiro insuportável foi um pequeno prédio, com estilo de uma capela, onde já funcionou um centro de aprendizagem de informática para jovens, segundo disseram moradores que passavam por ali no momento.

Um funcionário do hotel também me informou que há, precisamente, 12 anos que a “praça” está naquele estado degradante. O único local que ainda funciona de forma precária é uma quadra de traves e telas enferrujadas. Como tantos outros lugares pela Bahia e pelo Brasil a fora, aquela obra que deveria servir a tanta gente, é mais um desperdício do dinheiro público dos impostos do nosso povo e ninguém toma uma providência.

Como um prefeito e prefeitos deixam uma praça chegar àquela situação tão vergonhosa! E ainda são eleitos e reeleitos! Seu “Sérgio da Gameleira”, a cidade de Jequié, a “Cidade Sol”, do poeta Waly Salomão e de tantas outras personalidades importantes, de tantas histórias, não merece um lugar tão feio e sujo! Está certo que vândalos saem por ai quebrando tudo, mas o poder público tem a maior parcela de culpa por não cuidar e zelar das obras feitas com o dinheiro da população.

A FORÇA DA RESISTÊNCIA CONTRA O RETROCESSO NA FESTA LITERÁRIA DE JEQUIÉ

Mesmo com algumas mesas de plateias vazias, como na de sábado, no final da tarde, em “Um dedo de prosa, poesia e lançamento de livros”, mediada pela professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb e coordenadora do Páginas Formando Leitores, Marvione Borges, onde contou com a participação de menos de dez pessoas, a palavra resistência contra a política de retrocesso do governo federal na área cultural foi a marca de força durante a IV Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié (Felisquié).

O evento, cujo curador foi o escritor Domingos Ailton, autor do livro “Anésia Cuaçú”, foi aberto no dia 28 de novembro e encerrado em 1º de dezembro com mesa redonda “Devir e Ancestralidade em Poéticas Negras”, tendo como palestrante o escritor Jocevaldo Santiago e mediação da professora Karla Carvalho. No mesmo dia, pela manhã, foi ainda desenvolvido o tema “Leituras no Cárcere”, com a professora da Uneb, Kátia Barbosa. O jornalista, poeta e escritor jequieense Wilson Novaes foi o homenageado.

Escritores regionais e poucos recursos

Os escritores regionais que se deslocaram até Jequié para apresentação de suas obras e a venda das mesmas ficaram frustrados com a pouca procura, já que só tiveram a cobertura da hospedagem e alimentação, tendo que arcar com o transporte e não tiveram um cachê para cobrir os custos. O organizador Ailton justificou que teve recursos limitados da Secretaria de Educação do Estado e da Uesb, por isso não teve condições de contemplar os artistas regionais.

Neste momento atual, quando o problema é grave em se tratando de recursos para financiar a cultura, que virou inimiga do Estado, os escritores regionais são a parte mais sacrificada da história pela falta de maior visibilidade e porque não dispõem de recursos para bancar suas despesas e participar dessas feiras literárias. Por estes motivos, muitos, que gostariam de estar presentes, terminam por desistir de viajar e ficando de fora.

Esses novos talentos regionais da arte literária precisam de mais espaço e serem melhor tratados pelos curadores, mesmo diante da escassez de recursos. Tenho observado que estes eventos, ainda realizados por algumas cidades do Brasil e da Bahia, têm sido muito elitizados e fechados para autores famosos e mais conhecidos. Os curadores precisam dar mais espaço para os regionais, mesmo diante das dificuldades de se conseguir apoio de patrocinadores do setor público, tendo em vista que o empresário praticamente não ajuda a cultura neste país.

Outro problema é o esvaziamento do público local. Em Jequié, por exemplo, os participantes são, na maioria, parentes (pai, mãe, avós, tios) ou amigos mais próximos dos palestrante e escritores convidado. Quando termina aquela mesa, todos pegam suas pastas e bolsas e vão embora, ficando apenas os organizadores e alguns minguados interessados para quem é de fora da cidade.

Vazios nos debates

Alguns debates ficaram vazios na Festa de Jequié, o que demonstra a falta de interesse pela cultura, que pede socorro em estado terminal, numa clara contradição quando se fala em resistência contra o retrocesso no país. Ainda tem gente que critica quando uma mesa de discussão foca na questão da resistência, como foi a formada na sexta-feira, 29 de novembro, em “Um Dedo de Prosa, Poesia e Lançamento de Livros”.

Participaram desta mesa, mediada pela professora Ana Fagundes Marcelo, os escritores Carvalho Neto, com o livro “Plástico Bolha”, Marcio Nery, com a obra “O Assassino dos Números”, Luís Rogério Cosme, escritor de “Democracia Golpeada”, Dirlei Bonfim, poeta, compositor e professor, com “Alquimia das Palavras”, Sandro Suçuarana, poeta de “Diferencial da Favela – dos contos as poesias de quebrada”, poeta e escritor Antônio Ribeiro e o jornalista, escritor e poeta Jeremias Macário, com seus livros “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo”, “Uma Conquista Cassada” e seu último “Andanças”.

A Festa Literária de Jequié também contou com a presença do músico, poeta e compositor Walter Lajes, na companhia de Macário, que não teve a oportunidade de apresentar suas cantorias musicais por falta de espaço apropriado. O evento teve uma grande variedade de temas, como “Leitura na América Latina”, com a historiadora Maria Teresa Toríbio, “Leitura e Mídias Sociais”, com vários palestrantes, “Literatura de Autoria Feminina”, com a professora Adriana Abreu, dentre outros.

Walter Lajes (direita), Domingos Ailton e a família Cuaçús Fotos de Jeremias Macário

No sábado, dia 30, pela manhã, houve o encontro da família dos “Cuaçus”, tendo como maior representante Vírginia Fernandes, com a mesa de comentários do escritor Domingos Ailton, mediada pela jornalista e cineasta Carolini Assis, que falou sobre literatura e cinema. Ela está à frente da produção cinematográfica do livro “Anésia Cuaçú”.

Ainda no sábado houve uma mesa redonda sobre “Irmã Dulce, a santa dos pobres”, tendo como palestrantes Graciliano Rocha, escritor e jornalista, frei João Paulo, representante das obras de Irmã Dulce. A mesa foi mediada pelo escritor Domingos Ailton e ainda teve o lançamento do livro “Irmã Dulce, a Santa dos Pobres”, de Graciliano Rocha. Aconteceu também Um Dedo de Prosa e Lançamento de Livros, com Valdeck Almeida de Jesus, com “Garoto de Programa: 5000 tons de sexo”, Rosana Viana Jovelino, com “Patuá”. O debate, que contou com a presença de cerca de dez pessoas na plateia, foi mediado pela professora Marvione Borges.

 

 

SESSÃO INÉDITA FALA DO “NOVEMBRO AZUL”

Por indicação do presidente da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, Luciano Gomes, o legislativo realizou, ontem (dia 27/11) uma sessão especial inédita para discutir o “Novembro Azul”, mês dedicado aos cuidados da saúde do homem, particularmente referente ao câncer de próstata.

Além do público em geral, a maioria masculina, fez parte da mesa um grupo de profissionais especializados no tratamento da próstata, como oncologistas, fisioterapeuta e representantes da Secretaria de Saúde do Município, que passou informações básicas de como o homem deve detectar cedo a doença, que hoje tem cura acima de 95% quando tratada precocemente.

Recomendações

Exercícios físicos, alimentação saudável e o não uso do tabagismo são recomendações essenciais, de acordo com os palestrantes da área de saúde, mas o homem, acima dos 40 anos, precisa fazer o seu exame anual, principalmente através do toque retal, que muitos ainda têm o preconceito de realizar, nem tanto como antigamente.

Feito o diagnóstico da doença, o paciente deve logo começar o tratamento, com o uso da quimioterapia e da radioterapia, ou de uma cirurgia, dependendo de cada caso, conforme orientam os médicos especialistas no assunto.

É também importante a participação de um fisioterapeuta, antes e no pós-operatório, para evitar que o paciente tenha sequelas de impotência sexual e incontinência urinária. A Secretaria de Saúde, conforme informou uma representante da pasta, está prestando todos serviços necessários para que os homens sejam atendidos e façam todos exames, inclusive o tratamento, quando for o caso.

 

 

RETROCESSO, DISCURSO ANACRÔNICO E UM BRASIL MEDÍOCRE E SONOLENTO

Não à cultura e viva o besteirol e à mediocridade no país onde os brasileiros estão mais preocupados com o acesso à internet do que com o acesso à educação e à justiça social.

No início e durante a ditadura civil-militar de 1964 (negada pelo capitão destruidor da pátria), o alvo das manifestações era a repressão contra o regime militar do “Abaixo a Ditadura”. Mais de 50 anos depois vivemos o Brasil da regressão, com ideias nazifascistas.  Do outro lado, escutamos um discurso arcaico de um líder que se diz ferrenho opositor, cujo símbolo virou ideologia, direcionado a uma população combalida e sonolenta que fala baixo e manso diante das agressões do dedo em riste de um facínora.

Entramos na era das nuvens pesadas do “Bozula”, do cara ou coroa. Um da criminalização dos defensores dos direitos humanos, do livre abate pelo fuzil do soldado com autorização para matar e da depredação do meio ambiente. Com sua tropa que desaprendeu tomar a “cachacinha”, um Lula que sai da prisão injetando mais raiva nos extremistas “canalhas” que só pregam pátria, família e tradição. A esquerda que se deslumbrou com o luxo da burguesia tem uma grande parcela de culpa por esse ciclo funesto e incerto que nos ameaça com um AI-5 do fecha o legislativo, prende, tortura e mata.

O barulho dos vizinhos

Todo este caldeirão contraditório vive em ebulição, justamente num Brasil sonolento, dominado pela imbecilidade das redes sociais. O povo dividido nem consegue ouvir a turbulência e o barulho ensurdecedor de seus vizinhos que lutam por mudanças e melhorias de vida, numa corajosa batalha entre fumaças, tiros e cacetadas contra as heranças malditas das desigualdades sociais que deixaram ao longo da história dos povos latinos uma multidão de miseráveis, vagando sem rumo.

Não vou rezar, nem pedir ao Supremo Todo Poderoso que acorde este gigante adormecido, ou que nos una numa terceira saída para escorraçar a volta das trevas e do obscurantismo da Idade Média. O velho discurso falastrão incita ainda mais e nos separa da direção por um país ideal de pensamento iluminista. Confesso que me sinto atordoado com tantos ruídos e vozes roucas berrando em meu ouvido. Todos eles falam em reformas do atraso. mas não fazem a reforma política deles de cortar suas benesses e mordomias.

Temos um Congresso Nacional mais reacionário de todos os tempos, e um Brasil que está virando uma Venezuela ao contrário, descambando para o autoritarismo através do cerco moralista em nome da família contra os homossexuais, contra a mulher (aumento das agressões e do feminicídio), do racismo, da depredação ao meio ambiente e da intolerância religiosa. Há quase um ano a educação não tem um plano de atuação e simplesmente deixou de existir, conforme constatou uma comissão da Câmara. O nome do ministro é impronunciável.

Mamando nas tetas do povo

O Congresso destampou a panela dos recalcados e frustrados onde um deputado vandalizou uma exposição contra o racismo. Outro falou em “negrinhos bandidinhos”. Existe lá dentro o que há de pior na pior extrema-direita, com o discurso das armas assassinas contra os pobres e negros. Os políticos de todos os naipes, inclusive os ditos de esquerda, que hoje só tomam uísque 20 anos e vinho da região de Bordeaux, de 10 e 20 mil reais, continuam mamando nas tetas do povo, e viram o diabo se alguém falar de reforma política para cortar verbas, o número de parlamentares ou suprimir o Senado, mas estão prontos para acabar com municípios pequenos.

:: LEIA MAIS »

A LAVAGEM DE UMA TOGA E O CULTO DE UM PASTOR NA CÂMARA

Em meio às discussões sobre os projetos de criação de uma guarda municipal e o do pedido de empréstimo de 60 milhões de reais pelo prefeito Hérzem Gusmão para realização de obras em Vitória da Conquista, além de manifestações de apoio ao Flamengo na Libertadores e o culto de um pastor evangélico, o vereador David Salomão roubou a cena na sessão de ontem (dia 22) da Câmara, quando, com uma bacia e um pacote de sabão em pó encenou a lavagem de uma toga judicial, tendo como alvo o Tribunal de Justiça da Bahia, cujos desembargadores e juízes estão sendo acusados da venda de sentenças.

Deu de tudo, ontem, no legislativo, mas o momento que mais chamou a atenção do auditório lotado foi quando o parlamentar, vestido de toga engrossou seu discurso para fazer duras críticas ao comportamento suspeito dos juízes baianos que estão sendo investigados, aumentando o tom de que o judiciário é uma “ditadura e uma carniça”, e que não teme represálias por parte da categoria.

Disse já saber do que já vinha acontecendo no Tribunal da Bahia, referindo-se à venda de sentenças. Ao final de sua fala, jogou a toga na bacia e abriu o pacote de sabão, fazendo menção de lavar a vestimenta. Só faltou a água para completar a sua ação de revolta contra os juízes. Durante seus questionamentos sobre a seriedade do judiciário, com críticas veladas, Salomão foi aplaudido pela plateia, onde os presentes geralmente têm baixo comportamento nas sessões da Câmara, como se estivessem numa feira.

Guarda municipal e empréstimo

Com a presença de agentes de segurança patrimonial da prefeitura, a maioria dos vereadores se mostrou favoráveis à criação de uma guarda municipal, lembrando de ter sido uma promessa de campanha do atual prefeito. O projeto ficou para ser lido, discutido e votado em sessões posteriores.

No final dos trabalhos, a solicitação de empréstimo do poder executivo foi votada favorável, com voto contrário de David Salomão. Muitos têm criticado o projeto por considerar que vai endividar mais ainda o município. Correm ainda conversas nos bastidores do “toma lá dá cá” entre o legislativo e o executivo onde vereadores estão se beneficiando com o recebimento de cargos e emendas para obras e serviços indicados.

Também participaram da sessão monitores e diretores de creches filantrópicas conveniadas, para contestar a intenção da Secretaria da Educação de fazer valer o processo de eleições para escolha de seus dirigentes. Para uma diretora, isso ignifica uma intervenção, visto que a prefeitura só ajuda essas creches com doação de funcionários públicos.

Homenagens e culto

Na ocasião, muitos foram homenageados com moções de aplausos, como o músico, cantor, poeta e compositor Walter Lajes pelo seu trabalho de apresentações em vários festivais pelo Brasil, inclusive com premiações. Walter recebeu a moção através da indicação do vereador Valdemir Dias.

O parlamentar Coriolano Moraes foi o aniversariante do dia e recebeu como presente um culto de oração, feito por um pastor evangélico, que também foi homenageado pelo vereador com uma moção de aplauso pelo seu trabalho de evangelização. Em suas falas, muitos parlamentares expressaram sua torcida a favor do Flamengo na final da Libertadores, em Lima, no Peru.

Um boiadeiro também recebeu sua moção e, para agradecer, tocou seu berrante e fez um repente na forma de uma narração de rodeio. Uma turma de patinadores também foi incluída na programação das homenagens de moções de aplausos. Entre seriedade e críticas, a sessão de ontem até que foi bem divertida, mas David Salomão foi o personagem princip

A VOLTA DO FUTEBOL APÓS 290 DIAS

Carlos Albán González – jornalista

O Estádio Lomanto Júnior está fechado  há sete meses e 20 dias e só abrirá seus portões em 15 de janeiro, data do início do Campeonato Baiano de 2020. O Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista, que “hibernou” seu futebol profissional em 1º de abril passado,  estreará em casa, às 20h30, diante da Jacuipense. Sob nova gestão (depois de 16 anos na presidência, o conquistense Ednaldo Rodrigues passou o cargo a Ricardo Lima), a FBF colocou sob a responsabilidade dos clubes uma série de atribuições.

A boa notícia para o Conquista neste final de ano, um autêntico presente de Natal, foi divulgada pela CBF para os 64 clubes que vão participar em 2020 da série “D” do Campeonato Brasileiro. O alviverde baiano, que ganhou de “mão beijada” a vaga, diante do cancelamento da Copa Governador do Estado de 2018,  fará, pelo menos, 14 partidas, a partir de 3 de maio. A final do torneio está marcada para 22 de novembro.

Atletas que têm participado da série “D” levaram o seu protesto à CBF. Mostraram aos dirigentes que o pouco tempo de disputa do torneio era determinante para o aumento do contingente de desempregados entre eles. Os clubes não tinham condições financeiras de mantê-los em atividade, além de que, o calendário da entidade nacional só beneficia os filiados das séries “A” e “B”.

Embora a FBF tenha programado cinco jogos do Vitória da Conquista para o “Lomantão” e quatro longe de casa, a tabela, analisada pelo lado financeiro, não “enche os olhos”. A partida contra o Bahia, que, sem dúvida, atrai um público maior, está marcada para Salvador; os dois Vitória vão se encontrar às 21h45 de uma quarta-feira em Conquista; o Doce Mel, campeão da 2ª Divisão, atração e caçula do futebol do estado, recebe o time conquistense, no Estádio Pedro Caetano, em Ipiaú, a 208 kms de Conquista.

A tabela da fase preliminar para o E.C. Primeiro Passo Vitória da Conquista, em turno único, é a seguinte:

Dia 15/01 – 20h30 – Jacuipense (Lomantão)

Dia 19/01 – 16 hs. – Bahia (Salvador)

Dia 22/01 – 20,30 – Atlético (Alagoinhas)

Dia 29/01 – 21h45 – Vitória (Lomantão)

Dia 09/02 – 16 hs. – Bahia de Feira (Lomantão)

Dia 01/03 – 16 hs. – Doce Mel (Ipiaú)

Dia 08/03 – 16 hs. – Fluminense (Lomantão)

Dia 25/03 – 20h30 – Juazeirense (Juazeiro)

Dia 29/03 – 16 hs. – Jacobina (Lomantão).

:: LEIA MAIS »

CÂMARA LEMBRA DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Na sessão passada da Câmara de Vereadores, da última quarta-feira (dia 13/11), o parlamentar David Salomão fez sérias acusações ao presidente da Casa, Luciano Gomes, sobre supostos desvios de dinheiro do seu gabinete, usando palavras pesadas de “ladrão”, durante a votação do empréstimo de 60 milhões de reais pedido pela Prefeitura Municipal, assunto que ainda rola nos bastidores do legislativo.

Na sessão mista de ontem (dia 20/11), em clima mais ameno, foi comemorado o “Dia da Consciência Negra”, com apresentação musical de uma banda que falava da liberdade da cultura afrodescendente. Mesmo assim, muitos ainda comentavam o bate-boca da reunião passada, e o que deve acontecer com o vereador e o presidente da Câmara.

Na abertura dos trabalhos de ontem foi apresentado um vídeo onde mostrou vários termos que denotam o racismo no Brasil, como a frase “Negro de Alma Branca”. Logo depois foi formada a mesa da sessão mista, e falou a vereadora Nildma Ribeiro, que pediu mais respeito aos negros, fazendo um apelo para que as pessoas parem com a intolerância, inclusive a religiosa

O sistema de cotas

O professor Reginaldo Santos Pereira, pró-reitor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, fez questão de mostrar o papel da instituição de ensino superior no sentido de reduzir o preconceito desde 2008, quando passou a adotar o sistema de cotas, colocando 50% das vagas do vestibular para os negros, indígenas e deficientes.

Reginaldo destacou que hoje 70% dos alunos que frequentam a universidade são oriundos das escolas públicas, e que hoje a Uesb já possui cursos de pós-graduação para discutir culturas africanas. Também o professor da Uesb, Roque Mendes Prado, fez parte da mesa comemorativa dizendo que a desigualdade social é o fator de maior prejuízo para a etnia negra, e que o estudo e a formação escolar são maiores instrumentos de distribuição de renda.

Eliene Santos Novais lembrou que em 2017 foi feita uma carta à Câmara solicitando a instituição, em Vitória da Conquista, do Dia da Liberdade Religiosa. No ano passado foi feito outro pedido de certificação das localidades dos centros de candomblé, e completou que nada disso foi atendido até hoje. Afirmou ser quilombola, e que os negros ainda incomodam. De acordo com ela, sabemos dos nossos direitos e “vamos continuar lutando por eles”.

Alberto Gonçalves ressaltou que todos os anos os discursos são os mesmos, mas que nada muda, permanecendo o preconceito. “Vamos sempre continuar na mesma discussão de todos os anos”? – indagou aos presentes à sessão comemorativa do Dia da Consciência Negra. Assinalou que muita gente tem receio de visitar uma comunidade quilombola.

O coordenador da Igualdade Social do Município, Roberto Silva, afirmou que o Dia é de luta, acrescentando que o poder executivo atual vem realizando diversas ações no sentido de combater o racismo e proporcionar mais direitos aos negros. Conclamou a todos a comparecer à programação, nesta quinta-feira, na Praça 9 de Novembro, para marcar o Dia da Consciência Negra, com rodas de capoeira, penteados de cabelos e outras atividades.

O vereador Cícero Custódio usou a palavra para pedir mais união e resistência aos negros. Assinalou que em toda sua vida foi discriminado como negro e deficiente físico. No entanto, disse que atualmente existem negros em todas as universidades. “Somos hoje uma população vencedora”.

Seu colega Jorge Bezerra saudou os agentes municipais de segurança patrimonial que também participaram da sessão, e prestou sua homenagem à comunidade negra. “Todos os cidadãos devem ser tratados com dignidade”. Também o parlamentar Waldemir Dias lembrou dos agentes de segurança e citou que mais da metade das universidades públicas estão sendo ocupadas por negros e pardos.  Fez um apelo para que o legislativo institua uma política de combate ao racismo.

Outros vereadores como Bibia, Danilo Kiribamba e Luis Carlos “Dudé” também discursaram em comemoração ao Dia da Consciência Negra. Bibia recordou que muitos trabalharam nas lavouras de cacau e nos canaviais para enriquecer os ricos. Dudè fez um pronunciamento inflamado e aplaudido, afirmando que somente aqueles que vieram lá da ponta sabem o quanto sofreram e ainda sofrem com o racismo e o preconceito.

UM PASSO À FRENTE E DOIS PARA TRÁS

Pela passagem dos 30 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança, da Organização das Nações Unidas, o Brasil tem um motivo para comemorar a redução da mortalidade infantil, mas, ao mesmo tempo, pouco a celebrar por causa da violência com mortes contra as crianças e os adolescentes. Como num quadro de um antigo programa humorístico da televisão brasileira, o país dá um passo à frente e dois para trás.

Na verdade, em nosso Brasil é o sistema brutal da repressão e da corrupção quem precisa ser curado. De um lado, conseguiu-se reduzir o alto índice de mortalidade infantil, mas, de outro lado, elevou-se a quantidade de mortes em razão do tráfico de drogas nas periferias das médias e grandes cidades e, também, em virtude da violência policial. Tudo isso tem uma causa maior que é a crescente e profunda desigualdade social.

A Convenção sobre os Direitos da Criança faz parte do tratado dos Direitos Humanos, adotada por 196 países, e inspira o Artigo 227 da Constituição Federal e o Estado da Criança e do Adolescente, criado em 1990, os quais não são respeitados.

PRIVAÇÕES

Houve até uma diminuição do analfabetismo e mais inclusão de vulneráveis, mas quase a metade dos 60 milhões de crianças sofre privações de um dos direitos, como acesso à água, saneamento, moradia, educação e proteção contra o trabalho infantil. De acordo com o relatório da ONU, as crianças no Brasil de até cinco anos respondem por 40% das desassistidas.

No grupo entre seis a dez anos, o percentual sobe para 45%. Chega a 58% quando se trata de 11 a 13 anos e a 60% no caso dos adolescentes de 14 a 17 anos. Como, infelizmente, estamos num governo de retrocesso, onde o mandatário da nação tira foto com uma criança de arma na mão e incentiva a repressão militar, as perspectivas não são nada boas.

Só reverteremos este processo quando estas leis, o tratado da Convenção, o Estatuto e a Carga Magna forem respeitados e, para tanto, tem que haver governos que se preocupem com o social, adotando políticas sérias e sem corrupção nas áreas da educação, do saneamento, na distribuição de renda e na inclusão de todos. Fora isso, sempre vamos dar um passo à frente e dois para trás. Vamos continuar sendo uma piada.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia