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:: ‘Notícias’

INTERVENÇÃO CHEIRA COM DITADURA

Precisamos de uma reforma estrutural e competente no policiamento e não de estrategistas de guerra. Talvez tenha sido a voz mais sensata para retratar o caos a que se chegou a segurança no Rio de Janeiro, resultante dos desmandos, dos desvios de recursos públicos, das trapalhadas e da incompetência da turma que governou e mandou no estado nos últimos anos.

Bateram cabeça todo tempo, anunciaram planos de integração que não existiam e, por último, abandonaram literalmente a capital fluminense, tanto o governador corrupto como o prefeito pastor. Não foram capazes de controlar a situação de violência e, como ficaram desmoralizados, apelaram para o artigo 34 da Constituição que justifica intervenção das forças armadas por quebra de ordem, o que cheira a ditadura e quebra da lei.

Os verdadeiros culpados por todo este quadro de desordens, bandidagens e de quadrilhas organizadas sitiando ruas, praias, avenidas e bairros da cidade maravilhosa, que se tornou bárbara e feia por dentro, vão continuar impunes e donos dos seus “postos” como “salvadores da pátria”.

Começaram tontos com as GLOs (Garantias das Leis e da Ordem) que não solucionaram o problema, e agora o mordomo de Drácula e seu bando de vampiros recorrerm às tropas intervencionistas de guerra. O que deveria ter sido feito antes, não foi feito. No sufoco de morte, a maioria aplaude e poucos contestam.

Nesta hora de tormento e desespero, a sociedade apoia, tornando a intervenção numa medida consentida pela grande maioria civil, inclusive pela maior mídia do país que já foi baluarte e colaboradora da ditadura de 1964. Poucos sabem que o artigo da Constituição de 1988 que fala de possível intervenção militar foi posto lá na Carta por pressão dos generais linha dura da época.

Esta ordem através das forças que têm a função de combater inimigos externos pode gerar também quebra da lei, com arbitrariedades, opressão, prisões ilegais e até num regime de exceção. Alguém ai deve estar achando que é exagero demais da minha parte, mas a história do Brasil, por falta de conhecimento dela, costuma se repetir.

Por se tratar de imediatismo, a intervenção, no momento, pode conter a violência, mas não se acabar de vez, porque ela virou, há muito tempo, um monstro, criado pelos próprios governantes que se desviaram de suas missões de dar educação, saúde, habitação, saneamento, emprego e assistência social digna para a população.

Tudo isto ai que estamos presenciando é consequência da falta de políticas públicas e das injustiças sociais praticadas ao longo dos anos. No lugar disso só fizeram roubar, aprontar corrupções, desprezar e fazer pouco do clamor do povo. Preferiram se fartar em seus banquetes com guardanapos nas cabeças. Estes que faliram o estado e o país também fazem parte da bandidagem e da violência. São bandidos falantes de discursos mentirosos.

Não é agora com a força bruta, com tanques, fuzis, metralhadoras e estratégias de guerra que vão criar ordem e paz duradoura. Pode até conter e controlar a violência por uns tempos, mas sem a moralização da política, a presença do estado nas comunidades, justiça e igualdade social com distribuição de renda, ela voltará mais tarde com mais força e brutalidade.

PAÍS SEM CULTURA É PAÍS SEM ALMA

O BRASIL É UM PAÍS SEM ALMA QUE A VENDEU AOS OUTROS

Por que as nossas crianças e até os adultos ficam fascinados com as estampas coloridas dos super-heróis norte-americanos nos cadernos escolares e não valorizam nossas personagens da cultura local? Por que preferem mais festejar o dia da bruxa nos Estados Unidos que o saci, a caipora, a lenda do boto, a mula sem cabeça ou o bumba-meu-boi? Por que de tantos nomes em inglês nas vitrines das lojas do que o uso de letreiros em nossa língua portuguesa? Nos eventos promocionais do comércio lojista, não temos uma data ou uma criação de festejo, exclusivamente nosso.

Antes era a França o nosso espelho da moda, da etiqueta, da gastronomia e das ideias revolucionárias, e o Brasil adorava e idolatrava tudo que vinha da terra de Victor Hugo, Voltaire, Lavoisier, Rousseau e outros tantos intelectuais, pensadores e filósofos. Da colônia ao império, os brasileiros imitavam tudo o que chegava de lá, até talheres, pratos e xícaras. Começamos a partir dai a vender nossa alma cultural e a negar nossa identidade.

Depois vieram os Estados Unidos para ditar a sua cultura e roubaram a nossa maneira de pensar e de viver. Até hoje ficamos deslumbrados com seu cinema, seus super-heróis enlatados, filmes de “arrasa quarteirão”, sua política capitalista neoliberal, suas escolas de pensamento egocêntrico e prepotente de donos do mundo e suas criações de endeusamento do consumismo como forma de incentivar as vendas e o poder de compra.

O consenso de Washington, da América dos norte-americanos, impregnou em nossas peles. Como subalternos e pobres coloniais sofrendo do complexo de inferioridade, esquecemo-nos da nossa cultura e ficamos sem alma. Deixamos que eles impusessem suas políticas, seus costumes e ficamos eufóricos em visitar seu país, mesmo sendo constrangidos e humilhados nos aeroportos como clandestinos. Perdemos a autoestima, e tudo que vem de lá é bom, é o melhor e deve ser imitado.

Continuamos pobres, inclusive de espírito, apesar de possuirmos um grande caldeirão cultural recheado de diversidades, com uma riqueza enorme em todo território. A mistura de povos entre índios, negros e brancos ibéricos expandiu o leque cultural multifacetado. Temos grandes músicos, artistas, escritores e matéria-prima suficiente para cultuarmos o que é nosso, mas destruímos como vândalos nosso patrimônio.

Com um sistema perverso que privilegia as elites burguesas, desde os tempos do coronelismo e dos senhores de engenhos, em detrimento das camadas desfavorecidas que foram ao longo dos últimos anos escravizadas na miséria, a nossa cultura foi se diluindo e perdendo sua real identidade. A própria oligarquia se rendeu ao produto de fora, e os governantes entreguistas incentivaram a criação externa.

Damos muito mais valor aos cadernos de Batman, do Homem Aranha, do Homem de Ferro, da Mulher Maravilha, do Huck e outros heróis estrangeiros do que os personagens do desenhista Maurício de Souza. Não cuidamos bem do que é nosso como o Bumba-Meu-Boi, o Maracatu, a Capoeira, o Reisado, o Samba, o Forró e outras expressões, como é o caso do Carnaval.

A festa momesca, por exemplo, foi infestada de batuques, rebolados e músicas de baixo nível. A estupidez das cantorias invadiu as ruas e aniquilou nossa cultura. Na Bahia, os banzêros, “os gigantes” as falsas rainhas e príncipes são os nossos “representantes culturais” nas vozes de trios e bandas do nível de “É o Tchan”. O mesmo vem acontecendo com o nosso Forró, cada vez mais descaracterizado e emporcalhado pelo estrangeirismo.

A mídia submissa e idiotizada abre largos espaços para estes artistas das letras sem sentido que nada dizem. Cada gesto e atitude de um deles são acompanhados como grandes acontecimentos e feitos. O nascimento de um filho ou filha torna-se um espetáculo e um show à parte, com manchetes de páginas e imagens de bajulações carregadas de elogios baratos.

Cada veículo quer sair na frente com mais sensacionalismo que puder, para angariar mais simpatia, audiência e adesão dos súditos do “tira os pés do chão”, ávidos por notícias de seus “ídolos e heróis”. Tudo isso é estampado numa sociedade de profundas desigualdades sociais de filhos abandonados, desnutridos e incultos onde muitos morrem nos corredores sujos dos hospitais.

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VITÓRIA DO SAMBA DE PROTESTO

Carlos Albán González – jornalista

“Meu Deus! Meu Deus!

Se eu chorar não leve a mal

Pela luz do candeeiro

Liberte o cativeiro social”

Versos do samba enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, cantado com emoção e acompanhado dos gritos de “Fora, Temer”, pelo público das arquibancadas, no Sambódromo do Rio, durante a passagem da Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, vice-campeã de 2018.

Tomei emprestado os versos dos compositores da escola Cláudio Russo, Moacyr Luz, Dona Zezé, Jurandir e Aníbal, para ilustrar o meu comentário sobre seu oportuno artigo “Misturas de protestos, alegrias e tristezas”, publicado hoje no blog “aestrada”.

Como não se via desde os últimos anos da ditadura militar, as agremiações carnavalescas do Rio e São Paulo aproveitaram as crises nos modelos social, político e religioso do Brasil para levar seus protestos, através de alegorias, alas de passistas, samba enredo, fantasias e carros alegóricos.

Enredos batizados de “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, levado à avenida pela “Beija-Flor de Nilópolis”, campeã do desfile deste ano; versos como “Pecado é não brincar o Carnaval”, “Oh! Pátria amada, por onde andas/ seus filhos já não aguentam mais”. “Me chamas de irmão/ e me abandonas ao léu/ troca um pedaço de pão/ por um pedaço de céu”, reforçaram os clamores contra a corrupção, o desgoverno, a intolerância, o desrespeito, a violência, o desprezo ao menor abandonado, ao trabalho escravo, aos desempregados, às vítimas da seca no Nordeste, à desigualdade social, aos moradores de rua e às reformas trabalhista e da Previdência.

O bloco das ratazanas, de terno e gravata, carregando malas de dinheiro e dólares dentro das cuecas, se reportaram aos políticos, frequentadores da Casa de Mãe Joana (as casas legislativas do país); lobos em pele de cordeiro representavam magistrados corruptos. Destaques, respectivamente, das escolas “Beija-Flor de Nilópolis” e “Mangueira” e “Paraíso de Tuiuti”, o presidente Michel Temer, como um perfeito vampiro, com dólares presos na roupa, e o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, dependurado com uma corda no pescoço, no papel de traidor do Carnaval carioca, por ter reduzido, como evangélico, as verbas das escolas de samba.

 

“DEUSES, TÚMULOS E SÁBIOS” (FINAL)

CIVILIZAÇÕES DA AMÉRICA LATINA DECAPITADAS POR AVENTUREIROS (Fernando Cortês / Montezuma II)

Final do século XV e início do século XVI. Era a época dos grandes conquistadores da Europa cristã, da inquisição. Como diz o autor do livro “Deuses, Túmulos e Sábios”, C.W.Ceram, um capítulo da história “tinto pelo vermelho do fogo e do sangue, recoberto de capuzes fradescos, demarcado pela espada.” Toda uma civilização foi decapitada por aventureiros sanguinários e cruéis.

Em viagem para a Índia (1492), o capitão genovês Cristóvão Colombo descobriu, na Costa da América Central, as ilhas Guanahani, Cuba e Haiti. Em viagens posteriores, Guadalupe, Dominica e Puerto Rico. Na mesma época, Vasco da Gama encontrou o mais próximo caminho para a Índia. Hojeda, Vespúcio e Fernão de Magalhães exploraram a costa sul do Novo Mundo.

Pedro Alves Cabral aqui chegou ao Brasil em 1500. Pizarro e Almagro invadiram o império dos incas, no atual Peru. O Novo Mundo guardava riquezas incalculáveis como nova fonte de comércio e como tesouro para saquear. Os conquistadores iam por conta de Fernando e Isabel, de Carlos V e do Papa Alexandre VI, o Bórgia, que em 1493 dividiu o mundo entre Portugal e Espanha. Os exploradores iam por conta da sua Majestade Apostólica, sob a bandeira da Virgem Maria contra os “pagãos”.

No dia 8 de novembro de 1519 o aventureiro Fernando Cortês com 400 espanhóis e seis mil nativos Tlascaltecos pisou no México, capital do Império Asteca. Com pompa, tapetes de algodão, com seus servos e ornado de ouro da cabeça até nas sandálias, foi recebido por Montezuma II.

O repórter e historiador Bernal Diaz que acompanhou o conquistador escreveu a respeito do acontecimento inédito dizendo que nunca se esqueceu daquele espetáculo. “Está na minha memória como se fosse ontem. Foram duas épocas que se encontraram”.

Um ano depois Montezuma II estava morto e a cidade destruída. Sobre o fato, escreveu o filósofo Spengler, de que “este é o único exemplo de uma civilização que teve morte violenta. Não definhou, não foi sufocada ou detida em uma marcha de progresso. Foi assassinada em plena floração do seu desenvolvimento, destruída como um girassol cuja flor é cortada por um homem que passa”.

Dezessete anos antes de ter partido para a conquista do México, ávido por conferir as notícias que circulavam sobre aquele reino, Cortês, com 18 anos desembarcou em Hispaniola. O escrivão do governador lhe recomendou que fosse cultivar as terras. Cortês respondeu que tinha vindo ao Novo Mundo para juntar dinheiro, e não lavrar campos.

Com 24 anos o aventureiro tomou parte, sob o comando de Velasquez, na conquista de Cuba. Lá foi preso por ter ficado ao lado do adversário do governador. Depois de fugir por duas vezes do cárcere, se reconciliou com mandatário. Foi enviado para uma fazenda. Criou gado, explorou minas de ouro e economizou 3.000 castelhanos.

Na época, o bispo de Las Casas, defensor dos índios, quando o conheceu falou a seu respeito de que só Deus sabia que ele acumulou vultosa quantia à custa do sacrifício de muitos nativos. Com ajuda de Velasquez, armou uma esquadra no intuito de partir para a lendária terra do México.

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MISTURAS DE PROTESTOS, ALEGRIAS E TRISTEZAS

Protestos nos sambódromos do Rio e São Paulo, muita curtição de um lado e violência do outro, sinais de revolta de um povo com prenuncio de convulsão social e a mistura do profano com o religioso. Mais um carnaval, como sempre com suas marcas contraditórias, mas que deixou o seu grito de explosão contra os desmandos dos políticos e governantes.

Muitas escolas com seus enredos levaram o protesto para o asfalto do samba no Rio de Janeiro, enquanto noutro asfalto, pouco distante dali, foi a violência que derramou o sangue de muitas pessoas e deixou centenas em estado de pânico e medo. Uns rindo e pulando com suas fantasias, outros chorando a morte de seus parentes e amigos. Uns curtindo e outros lamentando. Uma mostra de falta de sentimentos, de coletividade.

Com ironias e tudo, na quarta-feira da ressaca todos retornam para as realidades de suas vidas num país em crise de ética e de moral. Muitos cheios de dinheiro que ganharam nas festas e outros ainda mais pobres porque gastaram o pouco que tinham, Uns alegres e outros tristes numa mistura de prazer, de vazio e nostalgia. As críticas políticas fizeram a diferença num demonstração de descontentamento e de revolta.

Carnaval é euforia, revelações de personalidades, extravasamento, fanatismo, mentira, ilusão de prazer, foco de doenças, alienação, sensação de poder e até mistura do profano com o religioso onde mais se usa o nome de Deus em vão. Os cantores de axé enchem a boca para em nome de Deus agradecer por estar ali dando alegria aos foliões. Até parece que eles estão cantando e tocando de graça. E o cachê?

Com fé em Deus vamos ser campeões. Ganhamos, graças a Deus! São dizeres dos diretores das escolas de samba quando saem vitoriosos. Não sabia que Deus também se mete nesse meio e é torcedor de agremiação sambista. Quem perdeu foi porque Deus torceu contra e assim quis.

Na contagem dos pontos, o que mais se vê é gente rezando de terço na mão. Fazem promessas e apelam para tudo quanto é santo. Aliás, não é somente no carnaval que metem Deus no meio para tomar partido. O nome Dele está no futebol, em apostas, em jogos de azar, em mesas de dominó e baralho. Quando uma pessoa sai ilesa de um acidente grave, ela diz logo que foi Deus quem lhe salvou. Os outros morreram porque foi Deus quem tirou suas vidas e eram todos gente do mal.

O ESPORTE COMO INSTRUMENTO DA PAZ

Carlos Albán González – jornalista

A História tem mostrado, com o passar dos anos, que, conflitos entre nações, são amenizados, ou até mesmo resolvidos, por interferência do esporte. Vitórias que são colhidas em campos onde a diplomacia não teve êxito. O mais recente exemplo dessa assertiva foi assunto de destaque nos meios de comunicação de todo o mundo: líderes da Coréia do Norte entraram em contato com seus vizinhos e inimigos da Coréia do Sul, propondo enviar uma delegação de atletas, artistas e animadoras de torcida para os XXIII Jogos Olímpicos de Inverno, que serão realizados de 9 a 25 deste mês, na cidade sul-coreana de Pyeongchang, com a participação de 90 países.

A Península da Coréia, com 220 mil km² (pouco maior do que o Estado do Paraná), foi dividida ao meio em 1945, logo após a 2ª Guerra Mundial. O Norte, com uma área um pouco maior, ficou sob a proteção da União Soviética, enquanto o Sul, hoje mais desenvolvido economicamente, permanece apadrinhado pelos norte-americanos. Entre as duas, separadas pelo Paralelo 38, existe a chamada Zona Desmilitarizada.

Em 25 de junho de 1950, soldados do Norte, apoiados por soviéticos e chineses, invadiram o território vizinho. Dois dias depois o Conselho de Segurança da ONU considerou a ofensiva como um ato ilegal, enviando para a região uma força expedicionária, formada por 21 países (88% dos militares eram americanos). A guerra entre as nações envolvidas se estendeu até 27 de julho de 1953, deixando 750 mil mortos entre os combatentes e 2,5 milhões de civis entre mortos e feridos. Um armistício foi assinado entre as duas Coréias, mas nunca foi firmado formalmente um tratado de paz, o que significa que o conflito na península está apenas congelado, haja vista que há mais de meio século a região vive sob forte tensão, com troca de acusações.

Pacifistas esperam que o gesto do líder norte-coreano Kim Jong-Un propondo o encontro, com uma condição: sem a presença de “forasteiros”, referindo-se a assessores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os mais otimistas acreditam que as conversações realizadas há poucos dias na Zona Desmilitarizada possam começar a quebrar o gelo entre povos que falam a mesma língua, mas que há décadas não trocam uma palavra. Há casos de familiares que não se veem desde o fim da guerra.

O governo sul-coreano informou oficialmente que os dois países desfilarão juntos na cerimônia de abertura dos Jogos, no próximo dia 9, e que, possivelmente, o time feminino de hóquei sobre o gelo será intercoreano. A Coréia do Norte enviará uma delegação de 550 pessoas, sendo 150 competidores (atletas e comissão técnica), 140 artistas, 230 animadoras de torcida escolhidas por Kim Jong-Un e 30 lutadores de taekwendo, que farão uma série de exibições, já que essa arte marcial não faz parte do programa dos Jogos.

O governo norte-coreano anunciou que Kim Yo-Jong, vice-diretora do Departamento de Propaganda e irmã do mandatário do país, viajará para o país vizinho. Os Estados Unidos serão representados nos Jogos pelo vice-presidente Mike Pence, que levará no bolso do paletó um discurso duro contra o regime da Coréia do Norte, onde afirma que Jong-Un está tentando usar o evento esportivo para divulgar propaganda comunista.

Na Olimpíada de 2000 em Sidney e de 2004 em Atenas, os dois países desfilaram juntos na cerimônia de abertura, atrás de um cartaz que tinha apenas a palavra Coréia, ainda que tenham competido separadamente. A iniciativa, aplaudida mundialmente e analisada como o começo de uma reconciliação duradoura, serviu simplesmente de balão de ensaio, pois não se repetiu em Pequim-2008, por exigência do Norte.

Exemplos no passado

EUA x Cuba – O beisebol tem se revelado, desde janeiro de 1959, quando Fidel Castro (1926-2016) liderou a ocupação de Havana, o único sinal positivo no relacionamento entre Estados Unidos e Cuba. Esporte bastante popular nos dois países, o beisebol tem proporcionado partidas memoráveis em cidades de ambos os países.

Pingue pongue – Uma bolinha branca, peça fundamental em um jogo de pingue pongue, aproximou Estados Unidos e China no auge da Guerra Fria (1945-1991). Substituído pelo tênis de mesa em torneios oficiais, o pingue pongue, praticado hoje como lazer, levou em abril de 1971 o primeiro grupo de norte-americanos a visitar o maior país da Ásia desde sua conversão ao comunismo em 1949. :: LEIA MAIS »

A DESESPERANÇA, O MEDO, O CIRCO E O POÇO DOS PRIVILÉGIOS NABABESCOS

Todos juntos – os nós contra eles, esquerdas e direitas – conseguiram destruir nossas esperanças e perspectivas. Mais uma vez, levaram nosso futuro e nos impuseram o medo cotidiano. Com suas armações ardilosas nos fizeram mais submissos e escravos. Depois de tantos roubos, assaltos e massacres, sobrou o total descrédito na política e nos políticos. Em clima de desconfiança e depressão, caímos no silêncio aterrorizante da indiferença.

Com suas maquinações maléficas de poder, eles conseguiram nos transformar em servos fantasmas-zumbis que vagam sem rumo, mas só não conseguem cortar seus privilégios nababescos. Por seus interesses escusos, negligências e falsas promessas, nos jogaram na vala da dengue, da zica, da chikungunya, da malária, da febre amarela e outras doenças exóticas típicas de um país pobre miserável. Nos corredores imundos dos hospitais, morrem aos montes. Quem se importa! Mal servimos para votar!

Sem cobertura social, no desespero pela sobrevivência, nasceu o ódio, a revolta de uns matando os outros. Para enganar e iludir, eles disfarçam brigas homéricas com tapas, xingamentos e palavrões, mas se unem fortemente quando se sentem ameaçados em perder seus cargos e mordomias. Desprezam-nos, e nem estão ai para os 12 milhões de desempregados. Seus bens e postos estão assegurados. Suas opulências mantidas. Apesar de tudo, votamos obrigados e felizes da vida por exercer o belo ato de “cidadania”.

Eles desfilam engravatados nos aeroportos, nos restaurantes de luxo e festas, vivendo em pleno fausto. Não dão a mínima atenção para os eleitores que há pouco tempo foram submetidos a tortura nas intermináveis filas. Tanto é verdade que as sinalizações e manifestações em sites e portais com vistas a reduzir o número de parlamentares nas casas legislativas (Congresso Nacional) e acabar com auxílio-moradia de políticos e magistrados nem entraram nas pautas de discussão. Mesmo assim, somos servis, obedientes e votamos neles.

CIRCO E MUITA OPULÊNCIA

Entre as propostas está a da emenda à Constituição (PEC 106/15) que reduz o número de senadores em um terço e de deputados federais em 25%. A matéria, que teve quase dois milhões de apoios, está parada com o relator Romero Jucá (logo ele!) desde inicio do ano passado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado. Caiu na vala do esquecimento e virou entulho. Arrancaram de nós a esperança de viver.

Como forma de compensação, nos deram circo, muito circo! Nesta semana, milhões estão nas ruas, não para reivindicar seus direitos, nem para protestar contra a violência, a falta de saúde e educação, ou contra a corrupção deles, mas para o embalo do carnaval que serve de canal sórdido dos pobres para extravasar as mágoas e desabafar as frustrações de viverem sob o jugo dos poderosos. Eles, sim, riem de nós lá do alto de seus camarotes.

De volta ao corte do legislativo, pelo texto do senador Tião Viana, o número de deputados federais cairia de 513 para 385 e o de senadores, de 81 para 54. A redução dos gastos públicos está entre os ganhos do projeto. Cada um dos parlamentares custa ao erário R$33.763,00 por mês, sem contar o cartão parlamentar, que oscila de R$30,7 mil a R$45,6 mil mensais por reembolso de despesas. Para os funcionários comissionados cada um tem direito a mais de R$101,9 mil.

Caso a PEC fosse aprovada (coisa remota), a redução representaria uma economia de pelo menos R$25,7 milhões por mês. Todos eles sabem que é possível exercer as funções legislativas com uma estrutura mais enxuta em ambas as casas, mas não aceitam de forma alguma perder uma cadeira que rende uma fortuna por ano (galinha dos ovos de ouro), incluindo ai a “santa corrupção”. Dizem até que ela já foi canonizada no Brasil.

MAGISTRADOS NA CONTRAMÃO

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“DEUSES, TÚMULOS E SÁBIOS” (II)

OS LADRÕES DE TÚMULOS E A “PRAGA DO FARAÓ”

Para se livrar dos ladrões e quebrar a tradição, Tutmés I (1545 a 1515 a.C.), ainda no tempo dos “Filhos do Sol” (Ramsés I e II (1350 a 1200 a.C),  foi o primeiro rei que tomou a resolução de separar o túmulo do templo, não mais depositando seu corpo em visível e imponente monumento tumular e sim numa câmara oculta sob a rocha. O Vale dos Reis era visado.

Antes, todos os túmulos de reis foram saqueados. Mesmo assim, a medida não impediu a ação dos ladrões, Os corpos de Ramsés III (três vezes), Amosis, Tutmés II e outros foram vítimas dos saqueadores. O próprio Tutmés teve que ser retirado da sua cova para outro lugar como forma de proteção contra os ladroes. Nem mesmo o seu túmulo na rocha parecia seguro. No de Tutancâmon entraram ladrões, quinze anos depois da sua morte e, no de Tutmés IV, deixaram seu cartão de visita através de rabiscos nas paredes com deboches.

Outros grandes arqueólogos de destaque foram o norte-americano Howard Carter que escavou o túmulo de Tutancâmon, o rei mais rico, Lepsius e Petrie atuaram no Egito. Paul Emile Bota e Layard fizeram grandes descobertas na Mesopotâmia, Schlieman e Evans assombrou o mundo com o achado de Troia e Cnossos, Stephens e Thompson (EUA), em Iucatã, na América Central e Koldewey e Wooley, na Babilônia.

O achado de Tutancâmon (1927/28), cuja múmia foi examinada pelo Dr. Derry, pode ser considerado o maior da história da antiguidade e rendeu enorme visibilidade para o mundo quando muito se falou da “Praga do Faraó”. “A Vingança do Faraó” e “Nova Vítima de Tutancâmon” foram, entre outras, manchetes estampadas na mídia daquela época.

“A morte virá com asas ligeiras para aqueles que perturbarem o repouso do Faraó” – diz uma das versões da “praga” que estaria inscrita no túmulo de Tutancâmon. O próprio Carter se manifestou dizendo que “o investigador faz seu trabalho com profundo respeito e a mais pura gravidade, mas livre desse arrepio a cuja misteriosa sedução sucumbe tão facilmente a multidão sedenta de sensações psíquicas”. Ele descreve histórias ridículas.

Paul Emile Botta, sem dúvida, foi também referência no campo da arqueologia que realizou escavações na região dos rios Tigre e Eufrates, berço da cultura da antiga Suméria e Assíria (Assur-Babilônia), cidades que alcançaram maior esplendor sob o domínio dos assírios e babilônicos.

Outro prodígio da ciência, Botta estudou chinês aos 14 anos. Em 1840 foi agente consular em Mossul (hoje Iraque). Com sua insistência, descobriu esculturas do tempo da existência de Nínive, o maior centro comercial, onde achou, em 1843, o palácio assírio do rei Sargão. Eugene Napoleon Flandin muito contribuiu com sua expedição como desenhista.

O trabalho de Botta teve prosseguimento com o arrojado inglês Henry Layard que encontrou os restos da residência de Dario e Xerxes, enorme palácio destruído por Alexandre Magno durante um festim com muita bebedeira. Conta que a dançarina Tais, na fúria da sua dança, tirou um tição do altar e jogou ao meio das colunas de madeira. Alexandre e seus seguidores fizeram o mesmo. Existem dúvidas sobre esta história.

Como decifrador da escrita cuneiforme, o destaque vai para o alemão Georg Friedrich Grotefend, nascido em junho de 1775. Tanto ele como os sábios da época estavam familiarizados com o antigo soberano persa de Persépolis (Ciro), sobretudo pela leitura dos autores gregos. Sabia-se que Ciro havia aniquilado a Babilônia lá pelos anos 540 a.C., fundando o primeiro grande império persa.

Outro famoso linguístico foi o inglês Henry Rawlinson, cônsul em Bagdá, em 1840,considerado aventureiro, juntamente com Henry Layard e Botta. Layard, por exemplo, baseado nas leituras de “Mil e Uma Noites”, realizou importantes escavações na Mesopotâmia nas colinas de Nemrod onde encontrou um dos maiores palácios assírios de Nínive, por volta de 1845.

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UMA REPUBLIQUETA DE TRISTE REALIDADE

No Brasil quando se pensa que já se viu de tudo em termos de absurdo, ai aparece um fato que supera os outros. A deputada do PTB Cristiane Brasil, indicada a ministra do Trabalho aparece num vídeo em uma lancha entre sarados bem dotados seminus (aparência de gangster) reivindicando o cargo que virou uma batalha jurídica.

Uma coisa, como pessoa pública, é ter compostura no uso do seu espaço com liberdade para falar, a outra é cair no ridículo público. Não se trata de moralismo. O modus operandi reforça aquela imagem de que o Brasil é mesmo uma republiqueta. Em defesa e rebatendo as críticas, o ministro Marun – logo ele tão conservador e retrógrado – chama a mídia de talibã enrustida. Por essas e outras é que o Brasil lá fora é visto como uma piada.

Os juízes continuam culpando o povo por ter deixado, segundo eles, fazer o processo de biometria eleitoral para última hora. Na verdade, o maior culpado mesmo é a crueldade do próprio sistema eleitoral que, sem estrutura, expôs a população pobre a severas torturas (não se viu rico e político nas repugnantes filas). Já observaram como a palavra cidadão no Brasil foi banalizada e vulgarizada, tanto quanto o nome de Deus!

Mas, não é sobre as trapalhadas do governo do mordomo de Drácula que quero falar (hoje qualquer um pode ser ministro). Muito mais grave, como uma doença altamente contagiosa que faz todo organismo sangrar até a morte, é a triste realidade dos números e dos fatos da educação no país. Isto, ao longo dos anos, tem transformado o Brasil numa simples republiqueta.

Vamos, então, direto aos fatos. O nosso Brasil tem hoje quase 12 milhões de analfabetos de 15 anos ou mais, o equivalente a mais de 7% dessa população. No Nordeste, região que sempre apresentou os piores índices sociais no âmbito nacional, inclusive de extrema pobreza, a taxa sobe para 14,8%, quatro vezes superior ao que ocorre no sul, que registrou 3,6% de analfabetos. A disparidade também se dá pela cor entre negros e brancos.

Com base em 2016, os dados foram levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE – PNAD Contínua). Estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico mostra que 53% dos jovens brasileiros estavam matriculados no ensino médio em 2015, enquanto a média dos países que integram a Organização é de 95%. Estima-se que mais 1,5 milhão de jovens entre 15 a 17 anos ainda estejam fora da escola. No conjunto, o Brasil tem cerca de 2,5 milhões de crianças fora das salas de aula. Os alarmantes índice de analfabetos nos remetem às  disparidades regionais e às profundas desigualdades sociais.

“Menos de 1% das crianças de 6 a 14 anos está fora da escola, mas o sistema não faz com que fiquem até o fim do ensino médio”. É o subtítulo de uma matéria (O problema é manter os estudos) publicada por um jornal do Rio de Janeiro sobre a triste realidade da nossa educação. A baixa qualificação dos professores, a deficiência na estrutura das escolas e a evasão nos impedem de comemorar qualquer número na educação no país.

De acordo com artigo de um especialista do veículo, o problema hoje não é atrair a criança e o jovem para a escola, mas mantê-lo estudando. Para o avanço em manter as crianças dessa faixa etária nas escolas contribuíram a diminuição das taxas de fecundidade e políticas públicas eficientes, como o Fundeb e o Bolsa Família. No entanto, esta escola não está conseguindo manter esses alunos no sistema até o 17 anos.

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CONQUISTA DEIXOU DE GANHAR I MILHÃO

Carlos Albán González – jornalista

Os assinantes da TV fechada em todo o Brasil assistiram na última terça-feira o primeiro time eliminado da milionária Copa do Brasil de 2018. Entre os 91 clubes selecionados pela CBF o Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista foi o primeiro a dar adeus ao torneio. No duelo dos bichos, o Bode foi derrubado pela Coruja, a mascote do Boa Esporte. O representante da cidade mineira de Varginha segurou o 0 a 0, garantindo passagem para a segunda fase do torneio.

Num raro momento de paternalismo, ao redigir o regulamento da Copa do Brasil, a CBF decidiu abrir o cofre, beneficiando clubes, como o Vitória da Conquista e o Fluminense de Feira de Santana, que vivem a “estender o chapéu à caridade pública”. Os prêmios, que já começaram a ser distribuídos, são superiores aos pagos em campeonatos disputados na América do Sul, como a Libertadores e o Brasileiro da série “A”.

Antes de entrar em campo o clube conquistense já havia garantido uma cota de R$ 500 mil, o que lhe garante o pagamento de duas folhas (R$ 180 mil cada) salariais do time de profissionais. Se passasse para a segunda fase seriam mais R$ 600 mil. O Fluminense de Feira, que vive os mesmos problemas do seu coirmão baiano, planeja reforçar o time com o milhão que está entrando em sua conta bancária. Mais esperto e mais valente, o Touro eliminou o Santa Cruz e agora espera em casa um outro time pernambucano, o Náutico.

O ECPP Vitória da Conquista tinha apostado todas suas fichas no jogo de abertura da Copa do Brasil. Seu presidente, Ederlane Amorim, imaginou a partida como uma final de Copa do Mundo. Hoje, depois de duas derrotas no Estádio Lomanto Júnior pelo Campeonato Baiano, e o empate com o Boa Esporte, sem ter marcado um gol, o dirigente deve ter chegado a conclusão que o seu time não tem condições técnicas de disputar as finais do Baianão e de fazer uma boa campanha no Brasileirão da série “D”, que começa no dia 22 de abril.

“Caçadores”

No início do ano centenas de jogadores com menos de 21 anos disputaram dois torneios nacionais, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Vários deles foram promovidos ao profissionalismo. Cabe aí a pergunta: por que os clubes nordestinos não vão atrás dessa garotada, em lugar de contratar “caçadores de ratos”? Espero que amanhã não apareça por aqui um caçador de tatu, para trazer intranquilidade a um dos veteranos jogadores do Conquista.

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