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A LUZ OCULTA DA POESIA

Este poema fala da seca e do sofrimento do sertanejo que, diante das adversidades, é obrigado a partir para outras terras e lá se torno um escravo com a saudade de retornar ao seu lugar de origem.

A DOR DO RETIRANTE

De Jeremias Macário

Ai, meu Deus!

O açude secou,

e só ficou o mandacaru,

nessa solidão do tempo,

sem o sapo cururu,

nem o sinal do vento,

nem no campo uma flor.

 

Ai, meu Deus!

Vou embora do Nordeste,

vou deixar o meu sertão,

pedir a benção da minha mãe,

pra noutra terra ser peão,

cortar cana nos canaviais,

ser escravo de bacana,

e vagar nas transversais.

 

Ai, meu Deus!

Que dor doída danada,

misturada com lamento,

ver toda a minha gente,

partir como retirante,

sem água, sem lavoura,

perder todo alimento,

o rebanho e a semente,

nesse sol escaldante,

sem nascer um rebento.

 

Ai, meu Deus!

Tudo aqui virou ruínas,

de famílias amontoadas,

filhos soltos desgarrados,

vivendo como marginais,

nas esquinas das esmolas,

como alvo das chacinas,

sujos e cheirando colas,

nas cidades infernais.

 

Aí, meu Deus!

Proteja nosso povo,

para um dia nós voltar,

quando o tempo melhorar;

cuidar das nossas roças;

fartura para vender e dar;

aumentar nossos ganhos,

sem nunca mais  na vida,

em terras de estranhos,

viver de mendigar.

 

 

 

DE OLHO NA MAGIA DAS LENTES

Foto de Jeremias Macário.  A nossa natureza é sábia e todos fazem suas funções para a devida harmonia, como os urubus que cuidam da limpeza dos seres mortos e do lixo orgânico. O homem, no entanto, é perverso e suja o meio ambiente com todo tipo de porcarias, e ainda mata os animais. Aqui, uma cena na Barragem de Anagé, no sudoeste da Bahia.

REUNIÃO DECIDE REALIZAR SHOW DO PROJETO CD SARAU

Como fruto do “Sarau A Estrada” que está entrando no seu nono ano de atividades culturais em 2019, nasce o projeto de um CD que teve seu lançamento experimental no último evento, em 27 de novembro, contendo 21 faixas com músicas, causos e declamação de poemas autorais dos participantes dos saraus.

Numa reunião nesta semana com o grupo que faz parte do chamado “CD Sarau”, decidimos pela realização de um show no início do próximo ano, possivelmente no Teatro Carlos Jeovah, com a finalidade de arrecadar recursos para a conclusão da mídia, com capa e roteiro técnico, num tiragem de mil exemplares.

Além do show, que também poderá ser apresentado em outros locais da cidade, o grupo está aberto à participação de patrocinadores de pessoas físicas e jurídicas que estejam interessados em colaborar com nosso projeto cultural. O CD foi pensado como um registro histórico do Sarau que sempre acontece no “Espaço Cultural A Estrada”, daí ter o mesmo formato.

O lançamento experimental, pois trata-se de um trabalho ainda provisório, foi um sucesso, mas a intenção é seguirmos em frente com o objetivo principal de divulgar nossos encontros culturais para toda comunidade conquistense. Para tanto, esperamos contar também com apoio de todos os veículos de comunicação. Em todos os nossos saraus, um tema é discutido na abertura, seguido de cantorias, causos, declamações de poemas e um bom bate-papo.

Durante os últimos oito anos debatemos vários assuntos, como tropicalismo, cultura nordestina em geral, nomes da música e da literatura, como Geraldo Vandré, Luiz Gonzaga, Venicius de Morais, o poeta Castro Alves, o livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos e ainda os movimentos revolucionários de 1968, educação, dente outros.

Com cantorias e poemas intercalados nas 21 faixas, o CD Sarau é composto das seguintes obras:

 

FICHA TÉCNICA do CD SARAU

  1. Introdução – História do Sarau, texto Jeremias Macário
  2. Marginais de Nós Mesmos – Música e letra de Alex Baducha
  3. A Lençóis – Poema do Professor Itamar Aguiar
  4. Poesia Casinha no Campo, poema da Professora Regina Chaves
  5. ZÉ Ninguém – Música e letra de Alex Baducha
  6. Poema: Lembro Ainda Menino, de Jeremias Macário declamado por Edna Brito
  7. Na Mira – Música do cantor Evandro Correia
  8. Maria Pano de Chão – Declamador por Jhésus
  9. Despertar – Música do cantor Alex Baducha
  10. Não Conhecerá o Povo, Quem tentar Calar a Feira – letra de autoria de Dorinho Chaves
  11. Flor Amarela – Música da cantora Marta Moreno
  12. Minha Aldeia – Poema de Jeremias Macário interpretada por Vandilza Gonçalves
  13. Balanço do Mar – Letra de Jeremias Macário em parceria com o músico e cantor Dorinho Chaves
  14. Computa a Dor Computa – Poema do Professor Itamar Aguiar
  15. Na Espera da Graça – Música do Cantor Walter Lajes – Letra Jeremias Macário
  16. Um Lápis e uma Folha de Papel em Branco – Poema de autoria de Regina Chaves
  17. Lágrimas de Mariana – Música do cantor Dorinho Chaves – Letra de Jeremias Macário
  18. Flor de Liz – Poema de Gildásio Amorim
  19. Não Demora –  Música da cantora e compositora Marta Moreno
  20. Brasil Aquarela da Venezuela – Poema do Fotógrafo J. Carlos D´Almeida
  21. Tinhoso que Nem Jumento – Música do compositor Paulo Gabiru

 

A OBRA “VIDAS SECAS” DE GRACILIANO E SEUS 80 ANOS

No último “Sarau A Estrada”, no final de novembro, tratamos da vida, obra e memória do escritor alagoano Graciliano Ramos. Neste texto colocamos tópicos sobre o livro “Vidas Secas” que neste ano completou 80 anos de escrito e permanece atual. Os governantes mudaram pouco seus métodos e as vítimas sertanejas continuam sofrendo com as estiagens e sendo usadas pela política do poderio.

BGraciliano Ramos aborda a questão da seca que depois de 80 anos continua exterminando plantações, animais e escorraçando os sertanejos nordestinos em retirada para outros lugares. O próprio autor de “Vidas Secas” foi um retirante em vida.

Sobre o livro, a vida do escritor, os lugares por onde passou com sua família, seu cargo na prefeitura de Palmeira dos Índios, seus acervos e sua memória, o “Estado de São Paulo” fez uma série de reportagens publicadas no início deste ano (2018) nos textos de Felipe Resk e Guilherme Sobota.

PRINCIPAIS PERSONAGENS – Fabiano, Sinha Vitória, os dois meninos, (o mais novo e o mais velho), Tomás da Bolandeira, Sinha Terta, a cachorra Baleia e o papagaio que é morto para matar a fome dos retirantes. Eram seis visitantes. Foi um romance de textos poéticas e ágeis que Graciliano fez depois de libertado da prisão, com intuito de sustentar a família.

Descreve Sinha Vitória no capítulo “Mudança” em fuga da seca com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça. Estirou o beiço indicando uma direção. Fala com sons guturais. Em viagem tem recordações confusas de festas, vaquejadas, etc.

Fabiano é o personagem sombrio, cambaio, de aió a tiracolo, cuia pendurada numa correia presa ao cinturão e espingarda de pederneira no ombro. É duro e ríspido com o menino mais velho que cai de cansaço e fome. No delírio, enxergam juazeiros longes e apressam o passo para descansar em suas sombras. Não existem juazeiros.

“Anda condenado do diabo” – gritou o pai para com o filho. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas. A catinga é vermelha, salpicada de manchas brancas que eram ossadas.

“Anda excomungado”. O Fabiano desejou matá-lo. O menino mais velho estava lá frio como um defunto. Para o narrador, a seca aparecia como fato necessário. O Vaqueiro precisava chegar, mas não sabia onde. Teve a ideia de abandonar o filho, mas o colocou no cangote. Braços finos como cambitos.

A Baleia tomava a frente do grupo. O papagaio foi aproveitado como alimento para matar a fome. Morrera na areia do rio. Baleia jantou os pés, a cabeça e os ossos, e não guardava lembrança. Procuravam raízes. A farinha acabara e não se ouvia um berro de rês perdida na catinga.

O louro só aboiava, tangendo gado inexistente, e latia. Quase nada falava porque a família quase nada conversava. Os juazeiros tornavam a aparecer. Alpercatas gastas, e Fabiano seguia na esperança de achar comida. Teve o  desejo de cantar.

Sinha Vitória acomodou os filhos que arriaram como trouxas. Estavam no pátio de uma fazenda abandonada. Barreiro vazio. Ossadas e o negrume de urubus. Baleia sentiu cheiro de preás e trouxe uma nos dentes. Ela podia ficar com os ossos ou o couro. Na lama rachada do bebedouro, Fabiano cavou a areia com as unhas. Pensa na bolandeira de seu Tomás, também uma figura da seca. A bolandeira estava parada. Ia chover e Fabiano seria o vaqueiro. A catinga ia ficar verde.

Mandacarus, xiquexiques, água salobra, raízes de macambira e juazeiros. O preá chiava no espeto de alecrim. Frasco de creolina para cura a novilha raposa. Alpercatas chape-chape percorrem veredas. Nem havia raízes na catinga para comer. Camarinha escura e cigarro com palha de milho. Fabiano imagina que é um homem. Não é um homem, apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros.

Você é um bicho, Fabiano, fala o narrador. A seca obriga mastigar raízes de imbu e sementes de mucunã. Veio a trovoada e com ela o fazendeiro que quer expulsara Fabiano, mas se sujeitou a ficar como vaqueiro. Era mais forte que os xiquexiques, como as catingueiras e as baraúnas. Eles estavam agarrados na terra. Um vagabundo empurrado pela seca.

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A LUZ OCULTA DA POESIA

Neste modesto poema, falo da época das eleições e comparo com a Lua Cheia onde os lobos, hienas e os ratos (candidatos políticos) aparecem disfarçados e bonzinhos à caça dos votos. Neste período, esses animais não viram monstros como diz a superstição. Esta letra está sendo musicada pelo grande músico e compositor “Papalo”. Está no forno para em breve ser gravada. Para o autor é uma honra e realização. É uma obra de cunho político. Faça sua reflexão.

NAS CILADAS DA LUA CHEIA

De autoria de Jeremias Macário

 

Os lobos ficam moucos na lua cheia,

Do Planalto prateado do céu tropical,

Onde os bandos fazem sua farta ceia,

Vinda do arado suado braço serviçal.

 

As hienas viram renas na lua cheia,

Para a engorda gulosa do grande dia,

Enchendo seus trenós em cada aldeia,

Para mais quatro anos de mordomia.

 

Os ratos armam ciladas na lua cheia,

Os malignos vendem gato por lebre;

A mente pobre segue o canto da sereia,

E quem sempre paga o pato é a plebe.

 

Depois dessa festa da lua cheia,

A chama da fé começa a minguar,

Até a veia da esperança vai-se embora,

Chora o velho, a senhora e a criança,

Na falta da justiça, do remédio e o pão,

E do direito digno de viver e sonhar,

De não mais ser boiada de patrão.

 

No aboio, ou no rasgo da guitarra,

Vamos embora, minha gente!

Esse tempo de espera nos devora!

Vamos embora, gente forte valente,

Não mais no aguardo do Deus dará!

Vamos acabar de vez com a farra

Dessa vil bicharada em nosso luar.

DE OLHO NA MAGIA DAS FOTOS

O nosso Espaço Cultural A Estrada, na foto de Jeremias Macário, palco dos nossos saraus, recebe há oito anos amigos violeiros, cantores, poetas e contadores de causos para debates diversos sobre literatura, política, educação e temas sociais, mas desta vez é o seu acervo o personagem principal com seus livros de grandes autores, chapéus e objetos artesanais que nos dão vida e energia para as discussões. Alguém do grupo já disse que aqui é um templo e entendo que acertou. Os livros são templos de nossas almas. Sem eles somos todos vazios por dentro, como na foto.

UM CAMPEONATO DE 51 DIAS

Carlos Albán González – gonzalezcarlos@oi.com.br

Na página da Federação Bahiana de Futebol (FBF) na internet constam regulamento e tabela do combalido Campeonato Baiano, edição de 2019. Observa-se que, no espaço reservado â indicação do local dos jogos do Primeiro Passo Vitória da Conquista, naqueles em que terá o mando de campo, não existe uma definição. O quê está sucedendo, pergunta o torcedor do alviverde, há mais de seis meses sem ir ao estádio, desde que o seu time foi prematuramente eliminado da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro da série “D”.

Na primeira vistoria que a FBF realizou nos estádios que vão receber o “Baianão” (ou seria “Baianinho) de 2019, não foram aprovados os de Vitória da Conquista, de Riachão do Jacuípe e de Alagoinhas. Com relação ao “Lomanto Júnior”, o principal motivo do veto foi o gramado, onde o mato e plantas daninhas chegam a 30 centímetros de altura. A falta de instalações para o trabalho da imprensa escrita, alvo de críticas de jornalistas que estiveram na cidade para cobrir as partidas da Copa do Brasil, foi outro erro determinante da reprovação do “Lomantão”.

A grama, conhecida como Bermuda Tifway, plantada nos 12 estádios brasileiros que sediaram a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, foi adquirida por quase R$ 1 milhão pelo ex-prefeito Guilherme Menezes. Assessores do prefeito Herzem Gusmão, ligados à Secretaria de Cultura, Esporte, Turismo e Lazer, prometem recuperar o gramado até 3 de fevereiro, quando o Conquista estreia em casa diante do Atlético.

Além da partida contra o representante de Alagoinhas, o Conquista receberá no “Lomantão” o Jequié, dia 10 de fevereiro; o Bahia, dia 17; e o Juazeirense, dia 10 de março. As partidas longe de sua torcida serão disputadas contra VitórIa (24 de janeiro), Bahia de Feira (27 de janeiro), Jacuipense (6 de fevereiro), Fluminense (27 de fevereiro) e Jacobina (17 de março).

Analisando a programação do Conquista avalio que os jogos contra Bahia e Jequié, ambos em domingos, são os únicos, a priori, que poderão lotar o “Lomantão”. Como a FBF pretende programar alguns jogos para as manhãs de domingo, a diretoria do alviverde está perguntando em seu site aos torcedores se preferem os jogos às 10, 10h30 ou 16 horas.

Com um calendário imposto pela CBF, as federações estaduais são obrigadas a realizar seus torneios regionais num curto período, entre 20 de janeiro e 17 de março, em apenas 51 datas. Com um calendário que asfixia centenas de clubes brasileiros e coloca nas filas do desemprego milhares de atletas, a CBF tem passado a  ideia de que pretende acabar com os campeonatos estaduais.

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JUMENTOS PODEM SER EXTINTOS EM QUATRO ANOS NO NORDESTE

JUÍZA PROIBIU O ABATE NA BAHIA. VAMOS APOIAR ESTA CAUSA E DEFENDER ESTES ANIMAIS, SIMBOLOS DO NORDESTE.

Matéria publicada pelo jornalista Mário Bittencourt em 4 de dezembro deste ano apurou que pelo ritmo atual de abates, a população de jumentos no Nordeste do Brasil, onde estão concentrados esses animais, será extinta em até quatro anos, conforme previsão da juíza Arali Maciel Duarte, da 1ª Vara Federal, em Salvador, que dia 30 de novembro proibiu o abate de jumentos no estado, devido aos casos de maus-tratos.

O diretor de um frigorífico se posicionou contra a liminar e disse que a atividade é legal. Em minha opinião, pode ser legal, como matar gado, mas, no caso dos jumentos, símbolos do Nordeste que tanto serviram aos sertanejos no transporte de mercadorias, água e até lenha para gerar o fogo nas cozinhas, quando não havia gás e energia elétrica nas casas, é um ato insano contra um animal tão dócil. Não justifica o lucro e o pequeno número de empregos.

Os nossos jumentos, ou jegues, como também são conhecidos, precisam de ações fortes e ativas tanto quanto as dos defensores e protetores das baleias, das tartarugas, dos cachorros e de outros animais que “brigam” e lutam pela causa. Precisamos de movimentos mais fortes na Bahia e em todo Nordeste para por fim a esta crueldade do abete de jumentos.

BAHIA E PERNAMBUCO

De acordo com o texto de Bittencourt, a decisão da magistrada, em caráter liminar (temporária), relata que, segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária da Bahia, o efetivo de equídeos (equinos, asininos e muares) no Brasil teve queda de 2,7% entre 2011 e 2012. O Nordeste foi a região que registrou a maior queda de 4,7%, sendo Bahia e Pernambuco os estados que mais contribuíram para isso, com destaque para o plantel de jumentos, que teve redução de 7,4% no mesmo período.

Foto divulgação da Polícia Civil. Juíza concede liminar para acabar com o abate

“Todos os estados da região registraram queda, sendo as mais acentuadas nos na Bahia (-9,3%) e em Pernambuco (-22,7%), informa o documento que consta nos autos do processo. “Este cenário já é esperado, e vem acontecendo em outros países por conta da evolução tecnológica no campo e, com isso, da diminuição da utilização destes animais para carga e transporte”, escreveu a juíza federal Arali Maciel Duarte” – assinala a reportagem do jornalista.

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A REPÚBLICA DOS GENERAIS

Antes do início oficial do governo do capitão, a impressão que passa é que já estamos ingressando na República dos Generais, ou como queira, num regime militar pelo voto popular, com a bandeira disfarçada da democracia, por longos anos tão maculada e fustigada, mas sempre usada para desvios de outros interesses. Sempre está visitando quarteis e participando de eventos das forças armadas, mandando de lá seus recados nas entrevistas.

Depois de um temporal, parece que estamos voltando a algum túnel do tempo na república das bananas que vive a repetir suas histórias. Não sei se na época de uma junta militar, ou no início da redemocratização no vácuo da esperança de Tancredo Neves, embora sejam coisas diferentes. Pelo menos está aí a junta militar de generais, como uma repetição do final dos anos 60.

Tomara esteja enganado com tudo isso, mas não me considero um ancião no sentido pejorativo como fui chamado por um leitor, talvez jovem trintão, quarentão ou cinquentão, mas alienado do tipo desiludido iludido. Quem nasce e cresce sem juízo próprio, que engole tudo que recebe, segue o padrão bem comportado arbitrado pelo sistema, não questiona e é desprovido de conhecimentos, este sim, é um verdadeiro ancião.

Ser ancião no meu conceito de lucidez é um privilégio e, sinceramente, me dignifica. Dos povos antigos às tribos indígenas, os anciões formavam um conselho e eram ouvidos. Quem simplesmente discorda atirando pedras é desprovido de argumentos e não tem capacidade para pensar e refletir. Este tipo de pessoa nem imagina que suas palavras grosseiras não atingem o outro, porque este outro tem o poder de compreender que o estúpido já nasceu ancião.

Mas, voltando ao tema da República dos Generais, temos quatro ou cinco deles que serão comandados pelo capitão, mais cabos, tenentes, capitães e almirantes. Quando todos estiverem juntos numa reunião, o Palácio do Planalto vai virar um quartel e haja bater de continência e pedido de dispensa para se levantar e se ausentar. Vamos ter ordem do dia e alinhamento. Na falta do capitão, entra o general que, por várias vezes, já pediu a intervenção militar para por ordem na casa, com base na Constituição.

Volto a dizer que o problema do Brasil não é só a corrupção, embora ela seja um câncer maligno que precisa ser extirpado de vez, mas não se pode, em nome de se acabar com esse mal, excluir, por exemplo, o Ministério do Trabalho. É uma decisão simplista de atalho pra se resolver um problema. Se for assim, qualquer malfeito num órgão, é só extingui-lo, e pronto, está resolvida a questão.

Os trabalhadores já estão sendo escravizados com a reforma trabalhista. Bom para os patrões capitalistas. Explode um Ministério de mais de 80 anos só por causa das trambicagens com as cartas sindicais? Não dá para engolir este motivo. Por que não cortar e corrigir os erros na raiz? A intenção é outra. Tem muita gente por aí usando a corrupção para destilar seus venenos ideológicos de extrema-direita cheia de preconceitos.

Nessa toada, temos que aceitar, com conformismo e submissão, a caçada dos principais direitos conquistados há anos de lutas? Começam por aí os retrocessos sociais nas políticas públicas. A liberdade será a próxima vítima em nome de uma moral falsa de bons costumes? Se caminharmos nesta direção, vamos nos arrepender muito lá na frente.

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A ISENÇÃO DE IMPOSTO E OS GASTOS COM A PUBLICIDADE DA PREFEITURA

Mais uma discussão em torno da isenção do imposto sobre serviço de qualquer natureza para a Viação Cidade Verde, a única empresa que hoje faz o transporte coletivo urbano de Vitória da Conquista, terminou em impasse entre vereadores durante a sessão de ontem (dia 05/12) da Câmara Municipal.

O vereador do PT, Coriolano Moraes, defendeu a isenção por seis meses justificando a falência do setor, da qual ele vem chamando a atenção há muito tempo, inclusive culminando com o fechamento da Viação Vitória que deixou centenas de funcionários desempregados e um rombo nas dívidas para com os fornecedores.

Na ocasião, foi sugerido pelo colega de partido Waldemir Dias, um aumento no imposto sobre serviços imobiliários, para compensar as perdas na arrecadação da Prefeitura Municipal com a isenção nos transportes públicos. Coriolano fez um apelo para que a Casa seja sensível à questão, mesmo reconhecendo que houve um recente reajuste nas tarifas de ônibus para os usuários.

O parlamentar David Salomão se posicionou totalmente contra a isenção do imposto, argumentando que não seria justo conceder uma benesse dessa natureza para uma empresa de transporte quando os passageiros tiveram que arcar com um novo aumento nos preços cobrados pela Cidade Verde. Outra questão abordada foi a demora na licitação do poder executivo para a escolha de uma nova empresa de ônibus para a cidade.

Os gastos em publicidade da Prefeitura também foram outro assunto tratado na sessão. Por sugestão de David Salomão, foi aprovado um requerimento para que o poder público, através da Secretaria de Comunicação, detalhe todas as despesas com publicidade. Salomão criticou a falta de transparência do site da Secretaria sobre os custos destinados às propagandas nas mídias.

Segundo ele, não existem informações precisas sobre os dispêndios com a divulgação nos veículos de comunicação. Neste aspecto, a Câmara de Vereadores também precisa dar seu exemplo neste item de transparência mais detalhada do seu site, com referência, não somente a salários de seus vereadores, como a verba de gabinete, número e nome de funcionários de cada parlamentar, com seus respectivos ganhos e o que fazem em suas funções. Quem vai cobrar?

Grupos de deficientes físicos estiveram presentes à sessão para chamar a atenção dos vereadores para o problema da falta de acessibilidade na cidade, e pediram apoio para que a sociedade em geral e o poder público proporcionem mais condições de locomoção dessas pessoas que têm encontrado dificuldade de transitar nas ruas diante de equipamentos inadequados e passeios quebrados, sem falar dos carros nas calçadas.



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