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:: ‘Notícias’

O SONHO PERDIDO E UMA ESQUERDA QUE TODOS DESEJAMOS PARA O BRASIL

John Lenon há 50 anos fez uma canção do sonho imaginado pela humanidade, de todos de braços dados irmanados lado a lado, sem ódio, individualismos, divisões e sem fronteiras, com justiça social para todos. Como disse D. Hélder Câmara, sem senhor, sem escravos. Esse sonho também ainda é o desejo dos brasileiros que um dia acreditaram que isso seria possível.

Você veio até nós e prometeu honestidade, seriedade e igualdade para todos, mas nos traiu se coligando com corruptos e com essa elite suja que não aceita repartir seu banquete com os mais pobres. Passou a ser pai dos ricos e mãe dos pobres. Da cachacinha passou para o uísque escocês e tomou gosto pelas mordomias.

Quando quebrou as juras de amor, você alimentou um facínora da extrema direita fanática que só nos trouxe medo e destruição das nossas poucas conquistas. No lugar do sonho e da esperança, nos deu um monstro do lago misterioso. Abriu espaço para evangélicos radicais conservadores retrógrados negacionistas da ciência que ainda creem que a terra é plana.

Não queremos mais essa esquerda que, apesar de ter roubado nosso sonho e cometido tantos erros nas péssimas alianças traçadas, tudo pelo poder, nunca fez um mea culpa. Você permaneceu pedante, cioso de sua superioridade, como se fosse dono absoluto da verdade, como aquele que acha que tem um rei na barriga.

Você não cede e acha que ainda pode voltar a ser o “salvador da pátria”, mas, como diz o ditado, quem bate esquece e quem apanha não. Uma grande parte da população já está calejada de suas promessas, e uma outra arrependida de também ter contribuído para a criação da sociopatia do retrocesso. Essa última, um dia marchou nas ruas com bandeiras e camisas verde amarelo para afastar a esquerda que meteu o pé na jaca e nos separou na base do “nós contra eles”.

Agora você guarda ressentimentos e quer seguir novamente sozinho. Não aceita se afastar do processo eleitoral a bem do Brasil, e nem caminhar lado a lado para exterminar o maior inimigo que, mais uma vez, poderá ser o mais beneficiado por essa atitude egocêntrica do poder. Até quando vamos ter que continuar nessa agonia, nessa aflição de morte?

Vamos começar tudo de novo, para ficarmos no mesmo fundo do poço? Em nome da pátria, seja mais humilde e dê passagem para outro cavalheiro, porque seu tempo já se foi e nos decepcionou com suas trapalhadas e roubalheiras. Nosso país não merece carregar mais essa forquilha da forca em seu pescoço que a impede de seguir em frente. Não merece ser mais enxovalhado lá fora a viver isolado da civilização.

O sonho que nós todos almejamos é de uma esquerda progressista iluminista que nunca mais se coligue com maus elementos oportunistas e aproveitadores da ingenuidade e das boas intenções do povo. Uma esquerda que jamais roube e que não aceite que outros façam isso. Uma esquerda que devolva nossos sonhos de dias melhores, com mais empregos, educação e saúde para todos. Uma esquerda que construa uma imagem positiva do Brasil no exterior. Uma esquerda do tipo Pepe Mojica com seu fusquinha.

Nem é preciso privilegiar uns e outros com cotas individuais e benefícios por causa da cor e do gênero. Não é preciso encher as burras de dinheiro das faculdades particulares em detrimento do sucateamento das universidades públicas. Elas foram criadas com o suor da nação e necessitam de mais recursos para investimentos em tecnologia, ciência e pesquisa. Uma escola básica e uma universidade para todos, com qualidade.

Queremos uma esquerda iluminista que traga de volta nossos cientistas que embarcaram para outros países porque foram renegados pela sua própria pátria. Não só a formação de técnicos para atender ao faminto mercado capitalista, mas também homens e mulheres com saber humanista e conhecimento da nossa história a fim de que os mesmos erros não sejam repetidos.

Nada de racismo, de homofobia e misoginia. Nada de distinção uns com os outros que nos cause mais sofrimentos. É só dar oportunidade igual para todos com políticas públicas voltadas para o social. Bastam de divisões porque todos têm capacidade e inteligência para crescer quando se tem os mesmos direitos. Sem essa de branco, pardo e preto, de hetero ou homo, de gay ou não gay, de ser mulher ou ser homem.

Desejamos uma esquerda que zere a derrubada e a queimada de nossas florestas e que preserve nossos biomas da invasão gananciosa dos homens do agro que só visam exportar e embolsar lucros. Uma esquerda que pare de vez com o extermínio de nossos índios e acabe com os garimpos que matam nossos rios com mercúrio.

Não queremos uma esquerda do toma lá e dá cá, com um “Centrão” de ladrões que há anos, como verdadeiros vampiros, sugam o sangue dos brasileiros e se refestelam das nossas riquezas produzidas pelos mais pobres. Queremos uma esquerda que acabe de vez com essa reforma trabalhista escravocrata. Uma esquerda que devolva o nosso sonho.

EXPOSIÇÃO DO 7 DE SETEMBRO

“Mostra Mês da Pátria – Um Novo Olhar para o 7 de Setembro” – é o título da exposição que a Secretaria de Educação de Vitória da Conquista está realizando no Calçadão da Catedral em frente da Casa Regis Pacheco, rememorando desfiles das escolas municipais no Dia da Pátria, que há dois anos não se fizeram presentes na data por causa da pandemia da Covid-19. São carros alegóricos com personagens folclóricos como Bumba Meu Boi, caboclos, indígenas e figuras representantes de várias regiões do nosso país. A mostra é bastante educativa e serve de aula de história para estudantes que estão visitando a iniciativa da Secretaria de Educação, bastante louvável quando o nosso 7 de Setembro deste ano foi ultrajado com palavras antidemocráticas pronunciadas pelo capitão-presidente que pregou intervenção militar e fechamento do Supremo Tribunal Federal.  Não somente alunos, mas professores, artistas e interessados têm tido a oportunidade de conhecer as riquezas naturais e o patrimônio cultural brasileiro. É uma boa oportunidade para se ver e aprender de perto a nossa história.

 

ZONA NORTE E BARRAGEM DO RIO PARDO

Os pronunciamentos dos 21 vereadores na Câmara Municipal de Vitória da Conquista não mudam muito nas sessões realizadas nas quartas e sextas feiras, com pouca gente na plenária, ainda por conta da pandemia, ou pelo próprio desinteresse da população.

As discussões variam entre xingamentos ao capitão-presidente da República pela oposição e contra o PT de Lula pela situação, entremeados de início e fim com citações da Bíblia e o nome de Deus, numa mistura de religião e política. Existem ainda as indicações de obras loteadas pelos parlamentares, requerimentos e moções de pesar e aplauso.

Nesta quarta-feira, da Tribuna Livre, um morador representante do Bairro Guarani reivindicou da Câmara e da Prefeitura Municipal mais atenção para a zona norte da cidade, segundo Wellington, abandonada e esquecida.

Um dos pontos alvos foi o Centro Social que carece de recursos, cerca de 100 mil reais, para que a unidade seja reformada. “É um local imprescindível para debates e realização de reuniões da comunidade”. Na ocasião, ele criticou e repudiou a decisão da retirada dos postos de segurança nos bairros, solicitando que a medida seja revista.

Do distrito de Inhobim, o representante dos moradores, conhecido popularmente como Paulino, que foi candidato a vereador, mas não se elegeu, voltou a insistir no projeto de construção da Barragem do Rio Pardo, uma iniciativa que não passou de ideia desde 1963. Vamos implantar esta obra antes que a água do rio vá embora”.

Disse contar com apoio dos vereadores por se tratar de um serviço de abastecimento de água importante para aquela zona rural, por sinal grande produtora de café. Na oportunidade, pediu também energia para todos, tendo em vista que alguns povoados vivem às escuras – segundo afirmou.

Durante a sessão, a Mesa Diretora prestou homenagem ao comando de policiamento da Rondesp que atua em Conquista e municípios próximos com a entrega de uma placa pelos serviços prestados na área de segurança policial.

CONQUISTA RECLAMA DA TERCEIRA DOSE

Carlos González – jornalista

“Senhora prefeita, quando vamos começar a receber a terceira dose da vacina contra a Covid-19? Salvador e cidades com populações inferiores à nossa estão bem adiantadas nesse procedimento, que é vital para nossa completa imunização. A pergunta vem sendo feita com insistência pelo público-alvo da campanha, os maiores de 70 anos. O enfrentamento da doença nunca foi prioridade da Prefeitura de Vitória da Conquista, mas temos que admitir que há uma maior dedicação por parte da prefeita Sheila Lemos, se avaliarmos as medidas adotadas por seu antecessor Herzem Gusmão (1948-2021) na fase mais árdua da pandemia.

Observando que na corrida pela vacinação Conquista estava atrás de outros municípios baianos, a prefeita promoveu mutirões e abriu novos postos, redimindo-se dos erros cometidos no início de sua gestão, que resultaram no registro de uma média diária de quatro óbitos, ameaça de rompimento do contrato com a Santa Casa de Misericórdia, aumento do número de pessoas com sintomas da doença. Mal assessorada, a gestora, contrariou decretos estaduais, relacionados com o funcionamento do comércio, de bares e restaurantes, controle sobre os eventos sociais e evangélicos, evidenciando claramente a prática de Desobediência Civil.

A insubordinação foi muito mais ostensiva na gestão passada. Herzem ignorou os protocolos indicados pela OMS para evitar a contaminação, assim como travou uma guerra de palavras com o governador Rui Costa, no período mais letal da pandemia, que tirou a vida de mais de 650 conquistenses. Acreditava no Messias, que zombava daqueles que tinham pânico de uma “gripezinha”, responsável pela morte de quase 600 mil brasileiros.

Com a suspensão das viagens para fora do município, a Prefeitura conquistense fechou os olhos para os ônibus clandestinos que vinham de São Paulo. Sem a fiscalização da Vigilância Sanitária, a ocupação dos leitos de UTI nos três únicos hospitais públicos chegou a 98%. Os pacientes com recursos eram transferidos para os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein.

Lamentavelmente, Herzem Gusmão não viveu para ler o parecer do Ministério da Saúde sobre a eficácia da cloroquina no combate à Covid-19.  Na linha de frente da vanguarda bolsonarista, o ex-prefeito defendeu o medicamento, recusado até pelas emas do jardim do Palácio do Planalto.

A reeleição, contestada na Justiça pelos adversários políticos, e a construção de uma estação de passageiros – imprópria para os dias chuvosos -, onde foram gastos R$ 10 milhões, verba que poderia ser aplicada na construção e aparelhamento de um hospital de campanha, foram as metas de Herzem em quatro anos. Seus principais consultores foram figuras políticas nacionais condenadas pelo Supremo, os irmãos Lúcio e Jeddel Vieira Lima e o amotinador Roberto Jefferson, sendo que os dois últimos já passaram temporadas atrás das grades.

O episódio crucial dessa discórdia com Rui Costa ocorreu em 23 de julho de 2019, data de inauguração do Aeroporto Glauber Rocha, de propriedade do governo do Estado. Herzem assumiu a condição de anfitrião, convidando Bolsonaro para a solenidade, o que provocou a ausência do governador.

Vale lembrar que foi nessa visita a Conquista que o presidente inaugurou o ciclo de viagens pelo país para inaugurar obras alheias, cujas despesas chegam hoje a R$ 20 milhões. Impossibilitado de ir a Luanda para fazer a defesa da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), acusada pelo governo de Angola de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Bolsonaro enviou o seu vice, Hamilton Mourão e 17 servidores, numa viagem que custou R$ 1 milhão aos cofres públicos. A comitiva ouviu um “não” do presidente angolano José Lourenço aos pedidos de reabertura dos templos evangélicos e a revogação do ato de expulsão do país africano de mais de 50 pastores.

Ciumeira

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É MUITO DESESPERO PARA SE REFUGIAR LOGO NUM PAÍS EM RUÍNAS!

Fico aqui a pensar com meus botões. O que os refugiados venezuelanos vêm fazer em terras brasileiras, numa situação tão crítica de milhões de desempregados, inflação alta, milhões passando fome e, acima de tudo, com um facínora no governo? A única explicação é o desespero ou falta de conhecimento sobre o nosso país.

Dividir o pão da pobreza só aumenta mais ainda a miséria. É como cobrir um para deixar o outro descoberto. Não se trata de questão de xenofobia ou ser contrário à entrada de refugiados no Brasil. Eles entram de forma clandestina pela fronteira do Norte e, simplesmente, viram moradores de rua se somando aos brasileiros. São cenas degradantes.

As prefeituras locais não têm recursos para acolhê-los de forma digna. Soldados do exército e funcionários fazem o cadastramento da esperança e tocam os refugiados em lotes para outros estados. Alguns conseguem uns bicos e outros são explorados como escravos ou caem na prostituição, no caso das mulheres. Ainda tem aqueles que ficam a vagar nas sinaleiras como pedintes com um cartaz, “ajude, tô com fome”.

Aqui em Vitória da Conquista, por exemplo, muitos deles são vistos por aí nos semáforos e esquinas rogando por uns trocados. Praticamente, a totalidade desses refugiados tem baixo nível de instrução e já chega aqui com uma mão na frente e outra atrás. Que tipo de trabalho eles conseguem num mercado que não tem condições de abrigar os 15 milhões de desempregados brasileiros?

Vamos ser racionais. No momento atual, o Brasil seria um dos últimos lugares do mundo propício a receber refugiados. Se estivesse numa boa, os daqui não estariam furando o cerco das fronteiras para irem para os Estados Unidos e até países da Europa por outras vias.

Ver esses venezuelanos chegando aos montes no Brasil é mais sofrimento humano. É mais aflição social e mais miséria para se administrar. As campanhas de doações já não estão dando conta para socorrer os que estão aqui sem o pão para comer. A fila da pobreza parece não ter fim.

Eles saem de lá com o sonho de uma vida melhor, justamente em um Brasil dividido pelo ódio e a intolerância. Num Brasil onde a extrema-direita fanática religiosa é símbolo da negação da ciência e prega a xenofobia, a homofobia e o racismo. Um Brasil onde o capitão-presidente quer rasgar a Constituição e fazer uma só dele na base do arbítrio e da tirania. É o mesmo que sair de um curral para entrar em outro ainda pior. Não sabem o que vão encontrar pela frente em suas vidas. Não adianta tentar fugir da realidade e querer tapar o céu com uma peneira.

CIGANOS PRESTAM DEPOIMENTO

A pedido do Instituto dos Ciganos do Brasil-ICB, os ciganos vítimas de violências e ameaças depois da morte de dois policiais no dia 13 de julho deste ano, no distrito de José Gonçalves, em Vitória da Conquista, estão prestando depoimentos à Justiça em audiências fechadas sem a presença da imprensa devido ao sigilo das testemunhas.  Nove pessoas serão ouvidas, mas outras deverão ser incluídas ao longo do processo.

O ICB preparou um relatório minucioso e encaminhou para várias instituições de direitos humanos no Brasil e no exterior, inclusive solicitou a federalização dos crimes em Vitoria da Conquista e região. Com exceção do ICB, da equipe de trabalho e dos depoentes, ninguém está tendo autorização a participar das audiências.

Na manhã do dia 13/07, numa terça-feira, dois policiais militares, 1ª Cl PM Robson Brito de Matos, 30 anos, e o 1º Ten PM Luciano Libarino Neves, 34 anos, morreram após troca de tiros com os ciganos no município de Vitória da Conquista, no distrito de José Gonçalves. As unidades de cidades vizinhas da PM, com apoio da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT/Rondesp Sudoeste), e de outras Companhias Especializadas fizeram um cerco na região para capturar os ciganos, que fugiram em veículos.

Na caça aos ciganos, oito deles foram mortos, inclusive menores. De acordo com a versão do comando da polícia militar, em todas as operações houve reação dos suspeitos pelas mortes dos soldados. O pai dos ciganos chegou a ser baleado e preso. A matriarca com os netos e outros familiares foram obrigados a fugir de Conquista por causa de ameaças e atos de violência.

Como forma de apoio, o Instituto implantou o Grupo de Apoio as Comunidades Ciganas Solidariedade, Respeito, Esperança e Responsabilidade (Gacoc) dentro de um acordo ético de sigilo. Esse Grupo foi formado a partir da necessidade de se criar uma comissão de proteção e incentivo às famílias enlutadas pelas mortes dos ciganos, bem como, em prol das mulheres ciganas e suas crianças, que foram inseridas no Provita/SP, no dia (26/07) e, por falhas no processo deste acolhimento, causando insegurança para estes vulneráveis, que temendo represálias, abandonaram o programa e foram acolhidas, no dia (2/08), pelo ICB.

De acordo com nota do Instituto, os excessos da polícia, no entanto, se espalharam por toda comunidade. As famílias foram desalojadas e perderam todos seus bens. O ICB luta contra toda e qualquer forma de preconceito, como homofobia, anti-ciganismo, ciganofobia, racismo, sexismo e machismo.

A questão agrária

Na data dos acontecimentos, em 13 de julho, consta ainda da nota que o cigano Solon Mattos revelou à matriarca que o acampamento do seu povo estava correndo perigo. Na ocasião, houve troca de tiros e dois policiais foram mortos.

A matriarca narra que a cigana Rita Mendes e seu filho Solon tinham informado dois dias antes do 13 de julho que algumas pessoas da redondeza estavam incomodadas com o acampamento e que os vinte e dois lotes que comprados era de outra pessoa poderosa, e que iriam dá um jeito para tirar nossa terra.

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O BUFÃO DA INDEPENDÊNCIA

Nunca vi manifestações brasileiras com cartazes em inglês. O que é que é isso, minha gente! Outras atitudes estúpidas, por centenas de vezes repetidas, são as faixas pedindo intervenção militar, mas com o Bozó capitão no poder. Esses apoiadores imbecis, que são minorias do nosso povo, ou são ingênuos demais, ou ignorantes que não conhecem nada da nossa história da ditadura.

O mais provável é que eles não têm memória. Só têm meleca nos cérebros. No golpe civil-militar de 1964, os maiores cabeças que incitaram as forças armadas a derrubar o governo constitucional de Jango Goulart, como Ademar de Barros, Carlos Lacerda e outros, foram cassados, presos e até mortos.

Se houver uma ruptura no Estado de Direito pelos generais da ativa, o primeiro a ser detido será o capitão-presidente, seguido dos que estão à frente dessa intentona contra a democracia. Ai, meu amigo, esse bando que vomita ódio e intolerância, solta fake news nas redes sociais e comete atentados contra as instituições vai ficar calado, sem liberdade de expressão e não mais fazer barulho nas ruas.

Outra loucura é a proposta esdruxula de depor os ministros do Supremo Tribunal Federal e o próprio Bozó escolher os dele, o que significa que ele vai ter uma corte só para ele fazer o que bem quiser. Nesse caso, ele vira uma espécie de ditador tirano, ou até mesmo decrete uma monarquia imperial, passando de pai para filho, de Neros para Calígulas.

Há muito tempo, esse maligno se tornou num tremendo falastrão que diz que vai arrebentar, enquadrar ministros e acabar com as eleições. Os mais malucos, fanáticos e doentes mentais são os que o seguem cegamente, numa mistura de evangélicos, homofóbicos, racistas e zumbis saídos das covas.

De tanto prometer que vai dar golpe e nada ocorre, passou a ser um desacreditado bufão, e agora em plena comemoração da independência do país, que não merece tanto escárnio. Os maiores culpados disso tudo são os avestruzes prepotentes de passado recente que enterraram a cabeça na terra e deixaram sair dos túmulos os extremistas bárbaros verdes-amarelos integralistas de Pátria, Família e Tradição.

Esses generais e coronéis de pijama que ainda mijam e cagam no penico deveriam colocar a mão na consciência, se é que ainda têm isso, e cair fora o quanto antes porque estão sujando de sangue a farda do exército, da marinha e da aeronáutica. Estão prestando um enorme deserviço à pátria,  e a história um dia vai cobrar seus desvios de conduta, tudo por vaidades, dinheiro, status e mordomias. Deviam se envergonhar do que estão fazendo, servindo um governo que é inimigo da nação.

Agora está berrando que vai convocar o Conselho da República. Não passa de mais um blefe e se fizer isso vai, mais uma vez, quebrar a cara. As forças armadas não vão entrar nessa doideira num país nessa situação caótica em todos os aspectos, desde o âmbito interno até no clima externo onde o Brasil está isolado das outras nações. Esse cara é a encarnação do AntiCristo. Temos que dar um basta nessa aberração!

QUE INDEPENDÊNCIA?

Dizem os historiadores e muitos estudiosos que a nossa “independência” de Portugal, chamada de “Grito do Ipiranga” (serviu até de galhofas e deboches) não aconteceu nenhum tiro, assim como na Proclamação da República, em 1889, coisas inéditas no planeta. Esse é o nosso Brasil varonil, deitado em berço esplêndido.

No entanto, a história não foi bem assim. Até antes da data de 1822, principalmente a partir do século XVIII, ocorreram muitos levantes, movimentos e rebeliões em vários cantos – Confidência Mineira, Alfaiates, a Revolução Pernambucana e tantas outras manifestações – em favor da libertação do jugo de Portugal.

Não podemos esquecer que em 1823 – sete meses depois – houve sim, lutas na Bahia, e sangrentas, para expulsar em definitivo os portugueses do território brasileiro. Então, não foi tão assim na chacota, de que não houve tiros e batalhas. No 7 de setembro, D. João VI já não queria mais bancar a colônia depois dos conquistadores terem levado tudo de nós. Rasparam o tacho, como se diz no popular.

Quinhentos e vinte e um anos depois continuamos vivendo nessa tremenda confusão de incertezas e indecisões, como um adolescente ou uma pessoa que ainda não encontrou o seu caminho. Vivemos ainda no sofá do divã do psicanalista, sem saber quem somos e para onde vamos. É triste dizer isso, mas é uma realidade nua e crua.

Ainda estamos lutando pela nossa independência social e econômica, principalmente. Hoje, os maiores inimigos estão dentro do nosso próprio país e são aqueles contrários à liberdade e a igualdade. Existe uma elite atrasada, com a mesma mentalidade de há mais de 500 anos, que não aceita o pobre crescer na vida.

Depois de mais de 500 anos ainda continuamos sendo exportadores de matérias-primas (ferro, petróleo cru, soja, milho, café, algodão e carnes), dependentes de produtos industriais, tecnologia sofisticada, da química fina e da pesquisa vindos de outros países. Nossa educação é uma das piores do mundo, bem como as desigualdades sociais.

Depois de mais de 500 anos ainda valorizamos mais a cultura de fora do que a nossa, estampando camisas de super-heróis norte americanos com letreiros em inglês, ao invés dos nossos personagens e animais dos nossos biomas. Seguimos derrubando as matas e destruindo nosso ecossistema.

Nesses mais de 500 anos nos acostumamos a conviver mais com a opressão do que com a liberdade democrática, e agora monstros do retrocesso e do golpe rondam as nossas vidas. A corrupção se tornou na maior praga da nossa terra, e mais de 30 milhões de brasileiros passam fome. A cidadania está longe do alcance da grande maioria.

Depois de mais de 500 anos permanecemos emergentes, vivendo num capitalismo selvagem onde o trabalhador não passa de um escravo disfarçado de colaborador. Não bastou o grito de independência, e não atravessamos ainda o portal da Velha República para uma sociedade nova e mais igualitária.

PRESTAÇÃO DE CONTAS DE VEREADORES E COBRANÇA POR SERVIÇOS DA VIA BAHIA

NÃO VAI DEMORAR MUITO TEMPO E LOGO A CÂMARA DE VEREADORES VAI VIRAR UM CULTO EVANGÉLICO

Prestação de contas de vereadores e mais uma cobrança da Via Bahia para que a empresa realize serviços no Anel Viário de Vitória da Conquista, de modo a reduzir o número de acidentes de veículos foram os principais assuntos em destaque dos parlamentares na sessão de ontem (dia 01/09), na Câmara Municipal.

Os vereadores evangélicos sempre usam a tribuna com uma citação da Bíblia antes e depois de suas falas. Não que tenha nada contra religião (cada um tem o direito de professar sua fé e ter sua igreja), mas dizem que o nosso Estado é laico, conforme dita a Constituição.

Uns chegam até a ser agressivos quando misturam religião com política, xingando raivosamente os adversários e defendendo o governo do capitão-presidente. O vereador Augusto Coutinho, por exemplo, meteu o malho em Lula e no PT como se fossem satanás, chamando o pré-candidato à presidência da República de ex-presidiário. Suas críticas contaram com reações da oposição no legislativo.

Depois de lido os requerimentos, as indicações de sempre e as moções de aplauso e pesar, o primeiro a falar foi Admilson Pereira (o falatório na plenária é ensurdecedor), que fez um apelo ao poder executivo para que construa quebra-molas no povoado de Cabeceiras (o município já é campeão desses monstrengos) e aproveitou para prestar contas de seu mandato.

O colega Nildo de Freitas também enumerou uma série de serviços que vem realizando em sua vereança e solicitou da Secretaria de Mobilidade Urbana a instalação de mais radares na Avenida Brumado, de forma que os motoristas tenham mais prudência ao trafegar naquela via.

A vereadora Lúcia Rocha fez uma espécie de prestação de contas da sua viagem a Salvador na semana passada, segundo ela, para tratar do problema de escassez de água em Conquista.

Na ocasião, disse ter mantido contato com o presidente daquela Casa, Geraldo Júnior, quando foi bem recebida pelo legislativo da capital, que ficou de lhe outorgar o título Maria Quitéria pelos seus oito mandatos (32 anos) como parlamentar conquistense. Lúcia ainda pediu ao poder público a revitalização das praças locais e da Lagoa das Bateias.

A reforma da pista de skate e do Ginásio Raul Ferraz foram as principais reivindicações do vereador Alexandre Xandó. Afirmou que está trabalhando junto ao deputado federal Waldenor Pereira para que faça uma emenda parlamentar em benefício das atividades da capoeira em Conquista.

Orlando Filho e Ivan Cordeiro citaram a inauguração, na semana passada, da casa Escuta Protegida para Crianças e Adolescentes como um projeto exemplar na Bahia, que contou com a presença da ministra Damares, dos Direitos Humanos, elogiando as ações do governo Bolsonaro e criticando o PT.

A vereadora Viviane Sampaio rebateu seus colegas dizendo que eles esqueceram de falar que as ações de proteção à criança começaram no governo do PT, a exemplo do Conquista Criança. “A construção dessa casa tem todo um histórico, com início em 2013 através do Centro de Atendimento à Criança”.

Fernando Jacaré assinalou que o projeto é uma vitória de todos. Na oportunidade, voltou a fazer duras críticas à concessionária Via Bahia que até o momento não cumpriu com sua parte de ampliação da Rio-Bahia (BR-116) e construção das passarelas e viadutos no Anel Viário. “Conquista não aguenta mais esse descaso da Via Bahia”.

SAUDADES DOS TEMPOS QUANDO ERA RESIDENTE UNIVERSITÁRIO

Eram os anos iniciais da década de 1970, e o regime ditatorial com o general Médici era de chumbo e tirania. A duras penas frequentava a Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia-Ufba (terminei a graduação em 1973). Nos primeiros meses de 1970 lutava aguerridamente para conseguir uma vaga na Residência Universitária, mas meu pai, um roceiro, não tinha documentos exigidos pela reitoria que provasse ser pobre necessitado. Questão da maldita burocracia!

Para sobreviver, vivia de bicos (quando arranjava) morando num pardieiro ali no Politeama (centro), comendo pão três vezes ao dia, misturado com mel Karo feito do milho. A barriga roncava e pedia socorro quando passava nas portas dos restaurantes. Da calçada olhava lá dentro as pessoas realizando suas refeições. Às vezes enganava o estômago quando um amigo trazia do restaurante universitário uma comida dentro de uma lata vazia de Nestlé.

Basta de lamento. Meu foco era mesmo morar na residência universitária, destinada aos estudantes carentes, e eu era um deles, mas o processo estava emperrado. Lembro que todos dias passava no Departamento da UFBA que administrava as três residências, localizado na Rua João das Botas, no Canela. A ansiedade era grande e todos os dias revisava a lista dos aprovados, que fica no balcão. Para ter certeza, olhava duas e até três vezes para certificar seu meu nome não estava incluído, e nada.

Fotos arquivo “A Tarde”

Aquilo me deixava ainda mais angustiado porque o cerco se fechava, mas não dava trégua à briga para conseguir minha vez. Quando se está na pior, os argumentos brotam mais fortes como uma explosão vinda do coração. Para encurtar, um dia cheguei lá com minha surrada malinha, e o responsável pelas casas, de tanta insistência, liberou o meu nome. Não consegui me conter de tanta alegria.

Não me lembro muito bem, mas já era o segundo semestre de 1970 e lá fiquei na R1, a maior de todas, no Corredor da Vitória, até o final de 1973. Foram três anos e meio de muitas boas lembrança, de farras de caipirinhas, aventuras e confabulações entre colegas. Não tinha nada, mas era feliz.

O mais difícil era que os homens da ditadura nos vigiavam dia e noite. Quando entrava uma cara nova, nós ficávamos com as antenas ligadas porque poderia ser um agente espião, e aí nada de grupinhos a três trocando ideias proibidas. Aliás, era proibido pensar.  Duas pessoas falando já era perigo à vista. Compensávamos a repressão e o medo com as curtições de final de semana no pátio da Residência (a R1), tomando umas cachacinhas (não tinha grana para cerveja em bar).

O bom era que não me preocupava mais com passar fome porque tinha a moradia e mais duas refeições garantidas (o café da manhã a gente se virava como podia). Sem dinheiro, fazia os percursos entre as faculdades onde tinha disciplinas na base da velha paleta, mas sem reclamar. Vivia numa boa, dentro do possível. Não me importava com dinheiro e nem com roupas.

Não sei como, me tornei vice-presidente da R1 ao lado de Aroldo que fazia medicina. Vez por outra o regime trancafiava alguém e sumia com um estudante. Assim aconteceu com meu companheiro presidente, e aí tive que assumir o seu lugar. Podia ser a bola da vez. Andava apreensivo, e os colegas ficavam na butuca quando pintava alguma coisa fora do normal. Algumas vezes tive que dormir fora, inclusive nas moitas do Abaeté.

A ditadura torturava, matava e desaparecia, como fizeram com meu amigo residente Machado, um negro do curso de engenharia. Sumiu sem deixar rastro. Todos os anos, no dia 7 de setembro, as residências eram cercadas por policiais militares, do exército e os federais. Ninguém saia. Certamente os generais temiam que fizéssemos um levante e, sem armas na mão, derrubássemos a dita cuja. Dificilmente um confiava no outro, mas tínhamos aqueles grupos mais seguros com os quais trocávamos nossas figurinhas.

Lá se foram 50 anos e não é que estão passando sobre nossas cabeças aquelas nuvens sombrias e pesadas que achávamos que não mais existiam! Sempre me recordo daqueles tempos de estudante da R1. A R2 ficava e ainda fica no Largo da Vitória e a R3, a Feminina, no Canela.

Neste domingo (dia 29/08) as lembranças jorraram outra vez quando vi e li uma matéria no jornal “A Tarde” sobre a situação das residências universitárias, com uma foto da escadaria de entrada do prédio neoclássico. Logo bateram as saudades quando era residente universitário.

Confesso que me imaginei ali descendo e subindo todos os dias. Muitos acontecimentos, muitas discussões, brigas e amizades seladas. Pena que as notícias não são nada animadoras. Hoje tem mais uma unidade na Avenida Garibaldi (quatro ao todo), e todas juntas têm capacidade para 389 alunos. Com a pandemia, só a metade está sendo ocupada. Muitos voltaram para suas cidades de origem.

Para começar, as residências sofreram drasticamente os efeitos dos cortes de verbas federais destinadas ao Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). Foram subtraídos R$6,5 milhões somente neste ano, 18% menor que o investido em 2020. Mesmo assim, a número um, (a R1) está sendo reformada porque seu prédio já é antigo e carece de cuidados.

A R1, da qual tive o privilégio de morar (adquirida pela Ufba em 1950) entrou em processo de tombamento, e o atual prefeito de Salvador, Bruno Reis, chegou a assinar o pedido, mas depois voltou atrás e revogou o decreto alegando que se trata de um patrimônio federal e que a prefeitura não tem recursos para bancar sua preservação.

Pode ter outros interesses escusos por detrás por parte do setor imobiliário que já derrubou a maioria dos casarões do Corredor da Vitória (ainda tem o Museu Costa Pinto), transformando o local numa selva de pedra. A situação da R2 (Largo da Vitória) não é diferente. A R3 (antiga residência feminina) foi transferida para uma casa alugada na Graça, que abriga 100 estudantes. A R4 foi construída em 2012, na Avenida Garibaldi, e atende até 190 estudantes.

Por causa das reformas e a pandemia, a R1 está com apenas 40% da sua capacidade de 80 alunos. Lembro que cheguei a morar no térreo, um local mais fechado e úmido que atualmente apresenta mais problemas na estrutura, e também no primeiro e segundo andares.

Sem recursos, a gente mesmo lavava nossos “paninhos de bunda” nuns tanquinhos que ficavam na parte externa. Sábado era o dia das “lavadeiras”. Ao lado fica o restaurante (saudades dos bandejões e das batidas de talheres quando a comida não estava boa). Os milicos ficavam de olho em nós. Todos eram vistos com subversivos e perigosos comunistas.

Para entrar hoje na residência é necessário ter renda familiar de até um salário mínimo e meio, estar regularmente matriculado na Ufba e não ter outra graduação em paralelo. O candidato tem que ser do interior. As exigências não mudaram muito de lá para cá, mas meu pai não tinha renda fixa. Vivia da lavoura e dependia do tempo chuvoso ou seco.  Tive que conseguir meu teto na “tora”, no convencimento de que era lascado mesmo.





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