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O FUTEBOL SEM APITO E A COVID-19

Em meio a toda esta tormenta em que a nossa democracia corre um sério risco de ser engolida pelas ideias fascistas que encontraram um terreno fértil, criado pelos ressentimentos contra as esquerdas alopradas no campo da política, acompanhamos, nos momentos de descontração, um futebol insosso onde o juiz perdeu o apito com mudanças de regras que deixaram o esporte preferido dos brasileiros sem a “tesão” e o atrativo de antes.

Como se não bastasse ver o Brasil em chamas e garimpeiros fazendo protestos para que não haja fiscalização do Ibama contra as ilegalidades que estão envenenando nossa mãe terra e os rios, sem falar na expulsão dos nossos índios, temos uma multidão inconsciente que partiu para o relaxamento em relação à pandemia da Covid-19, que já ceifou quase 140 mil pessoas e continua matando.

VIDAS PERDIDAS NÃO SE RECUPERAM

O prefeito de Brumado, que insiste na volta às aulas neste final de ano, se junta às barbaridades, dizendo que o vírus não passa de uma panaceia e que a parada das atividades escolares também significa perda de vidas. Ora, um ano perdido de ensino pode ser recuperado, mas nunca uma vida que já se foi. Desde o início dessa “peste”, venho defendendo que neste ano fosse proibido a realização das eleições, o retorno às escolas e ao futebol.

Com relação a esta modalidade esportiva, que tanto empolga e cria polêmicas e discussões, as mudanças feitas nas regras foram para pior, como a substituição de cinco jogadores durante a partida, e essa tal criação do VAR que desmoralizou o árbitro em campo. A todo momento para o andamento da “peleja” a fim de rever jogadas. Marca-se um pênalti e volta-se atrás, e vice-versa. Ainda criaram as atais paradas técnicas.

Com toda essa confusão, sem público nas arquibancadas e jogadores sendo infectados pelo corona, o futebol ficou “pálido”, e a bola murchou, a não ser para aqueles torcedores fanáticos e doentes que chegam a declarar que seu time é a sua vida, coisa de cabeça oca que teve os neurônios queimados na falta de um sentido existencial.

Outra coisa que irrita no futebol de hoje é o número excessivo de faltas violentas, principalmente perto da pequena área do gol quando o adversário atacante está levando vantagem, ou deu um drible desconcertante na zaga. Ai, o “perna de pau” vem lá e bota para arrebentar, com uma tremenda rasteira. Deveria haver uma regra onde toda falta cometida nessas imediações do campo fosse batida de forma direta, sem barreiras. Só assim evitaria, ou reduziria o número de entradas faltosas. A “redonda” agradeceria voar e correr mais tempo nas quadro linhas, sem ser tanto perturbada e maltratada pelos brutos.

Sou Tricolor das Laranjeiras e já joguei futebol em minha juventude quando fui da seleção de Amargosa e do Seminário de Padre onde estudei, mas nos tempos mais recentes, confesso que estou perdendo aquele entusiasmo de antigamente, de tanto ver jogadores medíocres e mudanças nas regras, que só tiraram o atrativo e a empolgação do nosso esporte predileto que criava discussões calorosas, no bom sentido e com respeito.

O RETORNO DAS AGLOMERAÇÕES

Quanto à questão da Covid-19, é também lamentável o que vem ocorrendo com as pessoas que foram tragadas pelos negacionistas da ciência, e até defendem que a terra é plana. Voltaram-se às aglomerações e ajuntamentos nas festas e bares, sem os devidos regramentos recomendados pelos infectologistas e epidemiologistas.

Esses tipos de comportamentos irracionais, infelizmente, vão resultar no aumento das contaminações e de mais mortes, com a posterior obrigatoriedade de restrições e fechamentos da economia, o que significa prejuízos e sofrimento para os mais vulneráveis e pobres.

O capitão-presidente, que sempre fala em democracia, mas queria fechar o Supremo Tribunal Federal com tropas das Forças Armadas, vai à ONU e mente quando declara que os governadores e prefeitos são os maiores culpados pelas quase 140 mil mortes.

Ora, o Ministério da Saúde (dois ministros médicos deixaram a pasta para não trair seus juramentos), agora dirigido por um general (ele entende de armas), passa todo tempo fazendo propaganda da Cloroquina e é contrário a isolamentos. O próprio governo não dá exemplo quanto ao simples uso de máscaras.

Em conluio com a CBF, o próprio Ministério recomenda a abertura dos estádios de futebol ao público, onde se sabe ser impossível manter o distanciamento entre torcedores, especialmente no calor das partidas e dos xingamentos a juízes, adversários e ao seu próprio time quando está perdendo. Mesmo com a capacidade reduzida para 30%, vai ser inevitável as aglomerações nas entradas e saída, sem falar das ocasiões que se parte para a violência.

 

“COMO A CHINA TORNOU-SE CHINESA”

Quando os europeus chegaram em 1930 em nova Guiné ficaram surpresos ao ver paisagens semelhantes à da Holanda. Viram extensos vales completamente desmatados e pontilhados de aldeias, e campos drenados e cercados para a produção intensiva de alimentos. Os papuas das planícies e do litoral são aldeões que dependem muito do peixe, enquanto os que vivem em terrenos secos sobrevivem cultivando a banana e o inhame, complementando com a caça.

Em sua história, os habitantes da Nova Guiné sofreram vários golpes biológicos e geográficos que dificultaram seu desenvolvimento, como o fato das zonas centrais das montanhas serem as únicas áreas ideais para a produção intensiva de alimentos. A população nunca passou de um milhão até que os europeus levaram para lá a medicina e puseram fim às guerras entre as tribos.

NOVA GUINÉ NÃO PODE AVANÇAR

Com essas descrições o autor do livro “Armas, Germes e Aço”, Jared Diamond diz que, com cerca de um milhão de pessoas, Nova Guiné não pode avançar muito na tecnologia, na escrita e no sistema de política, como ocorreu no Crescente Fértil, na China, nos Andes e na Mesoamérica, com milhões de pessoas.

Antes de entrar no capítulo “Como a China Tornou-se Chinesa”, o cientista faz uma viagem por nova Guiné e afirma que ela tem a maior concentração de idiomas do mundo. Mil das seis mil línguas do mundo abarrotam uma área pouco maior que a do Texas. São divididas em várias famílias linguísticas tão diferentes como o inglês do chinês.

Ele fala dos vizinhos, como os aborígines australianos caçadores-coletores que quase nada tinham a oferecer aos papuas, bem como as ilhotas Bismarck e Salomão. Sobre a Indonésia, esta foi ocupada por produtores de alimentos originários da Ásia que de lá partiram para Nova Guiné e outras regiões.

Os chamados austranésios (origem da China) se estabeleceram nas ilhas oeste, norte e leste da Nova Guiné onde introduziram a cerâmica, as galinhas e, provavelmente, cães e porcos. Nos últimos mil anos, o comércio ligou Nova Guiné às comunidades mais avançadas de Java e da China.

Nova Guiné exportava plumas de aves e especiarias e recebia mercadorias, como artigos de luxo e porcelana do sudeste da Ásia. Isso não havia acontecido até 1511 quando os portugueses chegaram às ilhas Molucas e interceptaram os avanços da Indonésia. A colonização deixou um extermínio de mamíferos, tanto em Nova Guiné como na Austrália. O único mamífero domesticado de fora foi o cachorro da Ásia.

Diamond descreve a situação climática na Austrália, de terras estéreis e de secas implacáveis. Por causa desses fatores, a agricultura lá continua até hoje sendo um negócio arriscado. Algumas plantas como o inhame, o inhame branco e araruta são cultivadas em Nova Guiné, mas crescem também no norte da Austrália, que têm pastagens favoráveis aos cangurus. Os aborígines ficavam nas regiões mais úmidas e mais produtivas, mas os europeus os expulsaram de suas terras, com matanças generalizadas.

Mesmo com terras inóspitas, a Austrália conseguia fazer colheitas de sementes de milhete silvestre (família do sorgo), que era a base da agricultura chinesa antiga. As ferramentas usadas, como a faca de pedra e o rebolo eram semelhantes às inventadas de forma independente no Crescente Fértil. A situação geográfica limitou a população de caçadores na Austrália. Com isso, possuía bem menos inventores potenciais que os milhões da China e da Mesoamérica.

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AS INVASÕES DOS POVOS AUSTRANÉSIOS NA AUSTRÁLIA E NA NOVA GUINÉ

Em sua viagem de pesquisas pela Ásia, principalmente na Nova Guiné, o cientista Jared Diamond faz um relato sobre a influência dos austranésios (povos originários do sul da China) entre os povos em torno da Indonésia, da Austrália, Nova Guiné e em outras ilhas asiáticas do Pacífico até a Polinésia. Ele conta sua experiência fracassada para trilhar uma subida no deserto australiano a fim de conhecer umas pinturas rupestres, coisa que os aborígines faziam com facilidade.

De acordo com ele, a Austrália é o continente mais seco, mais plano, mais estéril e biologicamente mais pobre entre os outros. Assinala que foi o último continente a ser ocupado pelos europeus que dizimaram os nativos das terras mais temperadas e não chegaram a alcançar a parte mais desértica. Até o século XIX, ali abrigavam as sociedades humanas mais peculiares e a população menos numerosa de todos os continentes.

SEM MARCA DA CIVILIZAÇÃO

“A Austrália é o único continente onde, nos tempos modernos, todos os povos nativos ainda viviam sem qualquer marca da chamada civilização – desprovidos de agricultura, gado bovino, metal, arcos e flechas, aldeias povoadas, tribos centralizadas ou Estados”. Um explorador francês chegou a dizer que os australianos são a gente mais miserável do mundo, e os seres humanos mais próximos das bestas selvagens.

No entanto, 40 mil anos atrás, segundo Diamond, as sociedades australianas nativas levavam uma grande vantagem sobre os europeus e povos de outros continentes. Eles desenvolveram ferramentas de pedra e embarcações mais antigas do mundo. Em sua avaliação, os humanos modernos podem ter povoado a Austrália antes de habitarem a Europa Ocidental. Por que, então, os australianos não conquistaram a Europa?

Ele explica que na Era Glacial, o nível do mar baixou muito em relação ao atual (mar de Arafura) entre a hoje Austrália e a Nova Guiné. Quando as lâminas de água derreteram, há 12 e 8 mil anos, o nível do mar subiu muito. As sociedades humanas dessas duas massas de terra, antes unidas, se tornaram diferentes uma da outra. A maioria dos papuas da Nova Guiné era de lavradores e criadores de porcos. Eram politicamente organizados em tribos.

Diamond constatou que, 40 mil anos trás, essas travessias devem ter sido feitas em balsas de bambu, embarcações de baixa tecnologia, mas propícias para o alto mar, ainda utilizadas no litoral meridional da China de hoje. Só nos últimos milhares de anos encontramos indícios seguros na forma de aparecimento de porcos e cães oriundos da Ásia, respectivamente na Nova Guiné e na Austrália. Antes não existiam provas da chegada de seres humanos pela Ásia.

Quando os europeus começaram a colonizar a Nova Guiné, no final do século XIX, os nativos eram analfabetos, usavam ferramentas de pedra e não eram organizados em Estados, ou tribos centralizadas. Para Diamond, o povo australiano e o da Nova Guiné representa um enigma dentro de outro enigma. Os aborígines são diferentes dos europeus, por isso, muitos estudiosos consideraram um elo perdido entre os macacos e os seres humanos.

Milênios de isolamento, e as línguas modernas aborígines australianas e as do grupo principal da Nova Guiné (papuas) não revelam qualquer relação com outra língua asiática. “Estudos genéticos sugerem que os aborígines da Austrália e os montanheses da Nova Guiné são um pouco mais parecidos com os asiáticos modernos do que com os povos de outros continentes”.

Depois de 40 mil anos, os australianos continuavam caçadores-coletores, mas, o surpreendente é que o continente possui as mais ricas reservas de ferro e de alumínio do mundo, bem como de cobre, estanho, chumbo e zinco.

ASIÁTICOS FORA DA CHINA E O ISOLAMENTO

O pesquisador destaca que os primeiros colonos asiáticos da Grande Austrália tiveram muito tempo para se tornarem diferentes de seus primos asiáticos, que não saíram de casa, com trocas genéticas limitadas. Em sua análise, o tronco familiar original do sudeste da Ásia, do qual derivavam os colonos da Austrália, foi sendo substituído por outros asiáticos que se espalharam fora da China.

Os cabelos crespos dos papuas contrasta com o liso ou ondulado dos australianos. As duas línguas não têm relação com a asiática, nem entre elas. Todas essas divergências, de acordo com Jared, refletem o longo período de isolamento em ambientes diferentes. Estudos de pólen atestam o grande desmatamento dos vales, há cinco mil anos, indicando a destruição das florestas para a agricultura em Nova Guiné.

Como o inhame branco e a banana são nativas do sudeste da Ásia, supunha-se que outras culturas das regiões montanhosas da Nova Guiné vieram também de lá. Percebeu-se, entretanto, que os ancestrais silvestres da cana-de-açúcar, dos vegetais folhosos e dos talos comestíveis são espécies da Nova Guiné. O inhame branco é nativo da Nova Guiné e da Ásia. Admite-se agora que a agricultura surgiu nas áreas montanhosas da Nova Guiné pela domesticação local.

“A Nova Guiné, portanto, junta-se ao Crescente Fértil, à China e a algumas outras regiões como um dos centros mundiais de origens independentes da domesticação de plantas. Os três elementos estrangeiros na produção de alimentos das regiões montanhosas, conforme notaram os primeiros exploradores europeus, eram as galinhas, os porcos e as batatas-doces.

AS CONVENÇÕES ANTIDEMOCRÁTICAS

Fala-se tanto em democracia e pratica-se pouco no Brasil. Um exemplo mais claro e recente são as convenções partidárias onde as decisões são sempre tomadas de cima para baixo e não ao contrário, como rezam os discursos políticos. Este quadro antidemocrático está entranhado em todos os partidos, quer sejam de direita, de extrema, de centro ou de esquerda.

Como nas audiências que tratam de aprovação de projetos empresariais que vão impactar o meio ambiente, as medidas já são documentadas e levadas prontas, feitas por um comitê que já traçou todos os planos. Nas convenções, ainda é pior porque uma executiva partidária se reúne com outra e, em conversas reservadas de bastidores, resolve se coligar com o partido “A” ou “B”, e apresenta aos filiados e pré-candidatos justificativas pouco convincentes.

VOTAÇÃO EM PLENÁRIA

Por que as convenções, no momento exato do evento, não colocam em votação os pontos decisórios na plenária e seus membros homologam, ou não, com a aliança que foi feita lá atrás? A diretoria do partido apenas apresenta seus argumentos “estratégicos” que levaram a tomar aquela posição, e a grande maioria calada absorve a tabuada feita pelo grupo diretor.  Apenas alguns discordam, mas, a esta altura, tudo já está consumado e consolidado.

Como nos Estados Unidos, convenção é como um pacote de produtos misturados que já vem fechado e ali é aberto e distribuído entre os presentes, numa festa de falatórios onde não é bem-visto quem rejeita o item que lhe foi entregue. Sempre nesses pacotes existem as surpresas, por mais que se imagine que pode resultar naquilo que passou pela sua cabeça.

Portanto, as convenções partidárias, no formato em que são feitas, têm sido, em sua grande maioria, antidemocráticas porque, como já disse, elas são aprovadas de cima para baixo. Cálculos financeiros e outros não convencem quando eles contrariam os propósitos ideológicos e a coerência do partido ante seus membros e do eleitor que estava acreditando numa coisa e recebeu outra.

OS MESMOS ERROS

Continua-se repetindo os mesmos erros do passado, quando se deveria partir para uma renovação e mudança em prol do fortalecimento do partido que, infelizmente, no Brasil virou agrupamento de interesses escusos de terceiros. Muito se explica e pouco se convence. Nesse panorama político, fica difícil para a pessoa bem-intencionada e séria entrar na política para fazer a diferença. Os bons terminam ficando de fora porque o sistema é bruto.

Outra questão impressionante nessas convenções, novamente volto a me referir aqui, seja qual for a linha ideológica, são as semelhanças nos discursos. Todos são de cunho socialista, no mesmo nível, que falam de cuidar da gente desamparada, do povo, de inclusão, de investir nos mais pobres e reduzir as desigualdades sociais através de programas públicos voltados para a distribuição de rendas.

Todos prometem defender mais espaço para as mulheres, para os negros, os homossexuais, os deficientes e as chamadas minorias em geral. Na aparência, todos estampam uma linha avançada de esquerda progressista e ai embola o meio de campo, como acontece em nosso futebol.

Acontece que lá na frente, quando saem vitoriosos, as posições de esquerda e de direita vão se afunilando, ficando mais visíveis em seus atos e comprometimentos. Como na análise do cientista biólogo e fisiologista, Jared Diamond, em seu livro “Armas, Germes e Aço”, as eleições nas tribos centralizadas e nos Estados terminam na cleptocracia, isto é, o poder do mais ricos e poderosos, que são os verdadeiros beneficiários. O povo termina sendo relegado a segundo, ou terceiro plano.

BOB JEFF É “O CARA”

Carlos González – jornalista

“Homem como ele está em extinção no Brasil”, referiu-se Herzem Gusmão ao deputado cassado Roberto Jefferson, seu convidado de honra na convenção do MDB, que confirmou seu nome como candidato a permanecer mais quatro anos à frente da Prefeitura de Vitória da Conquista. A troca de gentilezas entre os dois ex-simpatizantes do PT começou ainda no Aeroporto Glauber Rocha, quando o visitante lançou o nome do prefeito ao governo da Bahia.

Picado pela “mosca azul” que Jefferson trouxe no bolso do colete, Herzem já se vê em 2022, quando terá 74 anos, residindo no aprazível casarão do Alto de Ondina, em Salvador. Provavelmente, nem imaginou que uma derrota nas eleições municipais de novembro, o que é viável, diante dos erros que vem cometendo como gestor, irá enterrar o sonho de chegar ao mais alto cargo no Estado.

Sem a presença do prefeito ACM Neto – a empresária Sheyla Lemos foi a Salvador para fazer o convite – Herzem Gusmão reservou o tapete vermelho e as palavras de elogio a um político cuja carreira foi alimentada por escândalos financeiros, somados a uma condenação a 10 anos de cadeia, pena reduzida para sete anos, ao se assumir como  delator. Num passado recente, o prefeito conquistense tomou como padrinhos os irmãos Vieira Lima (Geddel e Lúcio), condenados por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Neto, que já fez parte do time  de gurus de Herzem, não veio a Conquista, evitando, assim, ouvir as injúrias proferidas contra ele pelo xerife Bob Jeff (ele gosta do apelido, que o liga aos mocinhos e bandidos do velho oeste americano), Um dos prazeres do caubói do asfalto é posar com um rifle de longo alcance, ameaçando os traidores da pátria, os ministros do STF e a imprensa.

Enquanto o anfitrião da festa aprimorava os elogios ao novo padrinho, fora do recinto da convenção, servidores públicos, moradores da periferia, professores e rodoviários, faziam justas e pacíficas reivindicações à administração municipal. No mesmo instante, a Polícia Federal procurava pela ex-deputada Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, acusada de fazer parte de uma organização que desviou R$ 120 milhões do Estado do Rio.

Respostas evasivas

“Presidente Jair Bolsonaro, por que sua esposa recebeu R$ 89 mil em depósitos de Fabrício Queiroz?”. A pergunta, que motivou ameaça a uma repórter, foi a mais difundida nas últimas semanas em todos os cantos do país. Já em Vitória da Conquista há também o interesse da população em saber onde foram aplicados os 17 milhões de reais enviados pelo governo federal e destinados ao enfrentamento da Covid-19.

Resposta dos Bolsonaro: os depósitos bancários correspondem ao pagamento de um empréstimo de R$ 40 mil (bem menos do que o valor comprovado pela “Folha de S. Paulo”), feito pelo casal ao leal amigo da família. Aqui, Herzem Gusmão explicou que o dinheiro está guardado para futuras intervenções contra a pandemia.

Priorizando a reeleição, o birrento alcaide conquistense levou para o terreno da politização a saúde da população, alimentando uma briga quixotesca com o governo do Estado, sem querer admitir que a Covid 19 encontra na cidade um campo propício para avançar. A reabertura do comércio, contrariando uma ordem judicial, foi determinante para o aumento de infectados pelo vírus e o de leitos ocupados, Esses elementos impediram a normalização do transporte rodoviário intermunicipal.

Vitória da Conquista, que em 2019 festejou um primeiro lugar, caiu este ano mais de 50 posições no quesito “Governança”, avaliado pelo Connected Smarts Cities. A queda foi divulgada pelo jornal Sudoeste Digital, revelando que a redução de investimentos na saúde e educação foram fatores determinantes para esse revés, que entra na conta do passivo da prefeitura a dois meses das eleições.

Ao concluir, lembro aos responsáveis pela saúde e esportes do município o cumprimento do protocolo da CBF, encaminhado às cidades onde são realizados jogos pelo Campeonato Brasileiro. A estreia do Vitória da Conquista na série D do Brasileirão está marcada para domingo, às 16 horas, contra o Coruripe, de Alagoas, no Lomantão. O guia médico inclui uma série de medidas de proteção para atletas, comissões técnicas e pessoal de apoio nos estádios, nesse período de pandemia

 

PSB RETIRA CANDIDATURA PRÓPRIA E SE COLIGA COM JOSÉ RAIMUNDO DO PT

A executiva regional do Partido Socialista Brasileiro (PSB) de Vitória da Conquista, durante sua convenção na noite do último dia 14 (segunda-feira), realizada no auditório da Câmara Municipal de Vereadores, anunciou a retirada do nome de Mozart Tanajura como pré-candidato a prefeito, para apoiar a coligação majoritária da chapa do PT que vai disputar a Prefeitura de Conquista com o nome de José Raimundo nas eleições de novembro.

Na abertura dos trabalhos pelo presidente regional André Ará, houve um momento de pesar pelo agravamento da saúde do companheiro Genivan Neri (um grande e histórico batalhador do partido), que se encontra hospitalizado depois de um acidente de carro nas imediações da Vila Mariana, entre Aracatu e Anagé. Todos desejaram um pronto restabelecimento do seu quadro e seu retorno à sua vida familiar.

Retrocesso e dificuldades financeiras

José Carlos, membro da diretoria do partido, fez uma retrospectiva sobre a inclinação da política no mundo atual, cujos governos, inclusive do Brasil, optaram por uma posição de viés extremista de direita, e que as forças progressistas precisam se unir para quebrar essa tendência hegemônica de retrocessos, citando os partidos de esquerda como uma alternativa para derrubar esse panorama de exclusão social e caos em que vivemos.

Com esse preâmbulo, José Carlos aproveitou para explicar a decisão que o partido tomou para, mais uma vez, marchar ao lado do candidato José Raimundo, visando unir forças para a coligação sair vitoriosa contra a reeleição de Hérzem Gusmão que, segundo ele, representa o retrocesso nos avanços conquistados pelo município nas políticas públicas.

No entanto, a problema financeira de poucos recursos na cota do Fundo Partidário que cabe ao PSB para Conquista, foi apontado por José Carlos e Gildelson Felício como um dos principais motivos para a retirada da candidatura própria na corrida à Prefeitura Municipal, embora boa parte dos pré-candidatos a vereadores tenha preferido caminhar com o nome de Mozart Tanajura, agora candidato a vereador.

Não vai apoiar e retirada de candidatura

O pré-candidato a vereador, Caio Coelho, por exemplo, foi bem enfático em seu pronunciamento quando discordou da coligação e disse que não iria apoiar o nome indicado pelo PT durante sua campanha. Por razões da pandemia da Covid-19, problemas financeiros e outros de ordem pessoal, o pré-candidato Jeremias Macário aproveitou a ocasião para em pública retirar o seu nome na corrida por uma cadeira na Câmara de Vereadores.

Em sua fala, sua posição foi bem clara quando defendeu uma candidatura própria para o partido, mesmo diante das dificuldades financeiras, como forma do PSB mostrar sua cara e firmar sua imagem socialista na sociedade conquistense. “Há muito tempo, tenho me colocado nessa defesa, principalmente no atual cenário político municipal e nacional, onde o PSB deveria demarcar seu lugar, apresentando suas propostas”.

Jeremias fez um tributo aos mais de 130 mil mortos de brasileiros pelo coronavírus; sugeriu que o partido fizesse uma declaração de protesto contra a destruição do meio ambiente que vem ocorrendo através das queimadas no Pantanal e na Amazônia por negligência proposital do governo federal para beneficiar os poderosos; e desejou boa sorte aos companheiros na campanha eleitoral.

Muitos outros candidatos a vereador, como Florisvaldo Rodrigues, Ricardo Marques e Mozart Tanajura (agora candidato a uma cadeira na Câmara) disseram que o partido tem um bom quadro de qualidade para propor e criar mudanças avançadas e progressistas no âmbito político e social para a cidade de Vitória da Conquista. Mozart afirmou que vai marchar com os colegas para que o PSB consiga uma maior representação no legislativo conquistense, com nomes de peso.

Florisvaldo fez duras críticas à atual representação da Câmara de Vereadores, segundo ele, de baixo nível nas discussões, e que a Casa não exerce seu real papel de legisladora porque a maioria é despreparada para o cargo, prestando apenas a dizer amém ao que manda e faz o executivo municipal.

 

A RELIGIÃO OFICIALIZADA E O SURGIMENTO DOS ESTADOS OPRESSORES

OS SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO, AS FUSÕES E A DENSIDADE POPULACIONAL

Assinala o cientista Jared Diamond em sua obra “Armas, Germes e Aço”, que a tribo centralizada normalmente tem uma ideologia, precursora de uma religião institucionalizada, que sustenta a autoridade do chefe. Quanto aos Estados, afirma que surgiram por volta de 3.700 a. C. na Mesopotâmia, 3000 na Mesoamérica, mais de dois mil anos atrás nos Andes e na China, no sudeste da Ásia e, ao mesmo tempo, na África ocidental, tudo a partir das tribos centralizadas. A escravidão nasceu delas.

Os antigos Estados tinham um líder hereditário, com o título de rei como chefe supremo, que exercia um monopólio maior na tomada de decisões e poder. Um exemplo foi o início do Estado romano que se tornou império através da conquista de outras tribos pela força, cujos capturados se tornavam escravos. O maior número de guerras resultava em mais cativos.

AS TRIBOS CENTRALIZADAS

Estados nativos em contato com os europeus surgiram nos últimos três séculos a partir das tribos centralizadas em Madagascar, Havaí, Taiti, em muitas regiões da Áfricas, no sudeste da América do Norte, noroeste do Pacífico, na Amazônia e na Polinésia

Durante os últimos 13 mil anos, a tendência na sociedade humana foi a substituição de unidades menores e menos complexas por outras maiores e mais complexas. Essas grandes unidades podem se desintegrar, como aconteceu como a União Soviética, a Iugoslávia e a Tchecoslováquia.

No Estado, a especialização econômica é mais acentuada. Quando um governo desmorona, é catastrófico, como aconteceu na Inglaterra na retirada das tropas romanas. Quando Alexandre, o Grande morreu, houve uma divisão do reino, espalhando guerras entre os ambiciosos generais assessores do imperador. Os reis sempre foram os chefes da religião oficial, ou então tinham sumos sacerdotes distintos.

CONDIÇÃO NATURAL

Aristóteles considerava os Estados uma condição natural da sociedade humana que dispensa explicações. Para o autor, o erro dele é compreensível porque as sociedades gregas do século IV a.C. eram Estados. No entanto, sabemos que até 1492 grande parte do mundo era organizado em tribos centralizadas, acéfalas e bandos.

Jean-Jacques Rousseau achava que os Estados são formados por meio de um contrato social, uma decisão racional quando as pessoas pensam em seus interesses próprios. “Mas, a observação e os registros históricos não descobriram um só caso de Estado formado nessa atmosfera etérea de perspicácia imparcial.

Existe ainda a teoria de que na Mesopotâmia, na China e no México, os grandes sistemas de irrigação começaram a ser construídos na época em que os Estados começaram a surgir. Qualquer grande complexo de irrigação requer uma burocracia centralizada para construí-lo e mantê-lo. Pouco se fala sobre a progressão dos bandos para tribos acéfalas e destas para as centralizadas durante os milênios que antecederam a ideia de irrigação em grande escala.

Os iluminados decidiram fundir suas tribos em um Estado capaz de recompensá-los com a irrigação maior. Ressalta o autor, porém, que na Mesopotâmia, na China e no México, os sistemas de irrigação em pequena escala já existiam antes do surgimento dos Estados. Na Mesoamérica, o sistema sempre foi pequeno dentro da capacidade de construir e manter a irrigação.

Na visão de Diamond, o tamanho populacional regional muito contou na construção do Estado. Cita que as tribos centralizadas, com grandes populações, são as mais estratificadas e complexas. Algumas sociedades de caçadores-coletores chegaram a ser tribos centralizadas, mas nenhuma a ser Estado.

QUEM VEIO PRIMEIRO E OS CONFLITOS

Sobre a as relações causais entre a produção de alimentos, variáveis populacionais e complexidade social, ele coloca aquela questão de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha. Para ele, todos os recursos das sociedades centralizadas intensificaram a produção de alimentos e, consequentemente, o crescimento populacional ao longo da história. A produção de alimentos permite que se adote um sistema de vida sedentário, pré-requisito para se acumular bens, construir obras e desenvolver tecnologias.

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O “MICO” DO MICO-LEÃO

A HISTÓRIA DA HUMANIDADE DE 40 MIL ANOS ATRÁS ESTÁ REPLETA DE DEVASTAÇÕES DO MEIO AMBIENTE E DE EXTERMÍNIO DE NATIVOS DE SUAS TERRAS PELOS MAIS FORTES.

Essa turma retrógrada do governo federal pensa que engana a quem? A nós brasileiros e os estrangeiros investidores, ou a si mesmos, negando os incêndios monstruosos em nossos biomas? No afoite de contemporizar o problema, de que é apenas uma prática cultural, eles terminaram por “pagar o “mico”, transportando o mico-leão da Mata Atlântica para o Amazonas. Aliás, o ministro do Meio Ambiente e o Mourão, do Conselho da Amazônia, nem sabem o que são biomas, nem os distinguir um do outro.

É de doer, de deixar o coração dilacerado e sangrando de tanto ver as imagens das labaredas engolindo o Pantanal e a Amazônia, deixando para trás uma terra arrasada de bichos mortos e a vegetação queimada. É bom falar para eles que o Tuiuiú é do Pantanal, e o Uirapuru é da Amazonas para, mais uma vez, não “pagarem o mico” e o Brasil servir de chacota e piada lá fora.

OMISSÃO DOS BRASILEIROS

Aliás, são todos os brasileiros que estão a “pagar o mico”, e a história um dia vai registrar como omissos por não reagirem energicamente contra a destruição da nossa natureza. Até agora só vejo tímidos falatórios “educados” dos ambientalistas, dos cientistas, biólogos e dos órgãos de defesa do meio ambiente.

Precisamos de mais ação concreta e vigorosa contra esses assassinos, tudo pelo metal vil do nosso continental Brasil, de tantas biodiversidades. O Supremo Tribunal Federal e outras instituições continuam apagados em suas posições enérgicas. Afinal de contas, são nossos representantes, e o Brasil é de todos nós e não de um governo de passagem. É uma questão de Estado. que tem uma Constituição a cumprir.

O que estão fazendo com os nossos biomas é um crime de lesa-pátria que deve ser julgado pelos tribunais internacionais, para que os culpados sejam condenados e punidos com prisão. As queimadas em nossas florestas não é tão somente um problema de soberania nacional, mas de uma agressão a toda humanidade. É uma matança generalizada da fauna e da flora que pertencem ao planeta como um todo, como o elefante, o rinoceronte, o camelo e a zebra não são apenas patrimônios dos continentes africano e asiático.

DA MESMA TREMPE CAPITALISTA

Não acredito muito nesse embargo dos importadores estrangeiros aos produtos agrícolas brasileiros, cujos produtores gananciosos desmatam nossas florestas para expandir suas plantações e criar bois. Com raras exceções, são todos da mesma trempe capitalista que só visa o lucro. A soja, o milho, o algodão, a carne bovina e o ferro continuam sendo exportados para o exterior em grandes quantidades e a valores exorbitantes, mesmo sabendo que são frutos de uma agressão ambiental, sem sustentabilidade.

São todos cúmplices do mesmo crime, e nem estão aí se são produtos sujos e até contaminados com altas cargas de agrotóxicos e venenos. Somente poucos tentam boicotar o consumo, pois quase ninguém nos supermercados se preocupa em olhar suas procedências e origens. A maioria passa batida na hora de comprar a mercadoria.

Os grandes empresários agroindustriais estão se lixando em matar a fome do nosso povo e botar alimento em nossas mesas. Suas preocupações são exportar cada vez mais para ganhar mais e mais dinheiro. Está aí para comprovar isso o exemplo mais recente do arroz, cujos preços foram para as alturas.

Pela alta valorização, os grandes ruralistas preferem jogar tudo no mercado externo, do que abastecer os brasileiros, mesmo sabendo que o Brasil é deficitário nesse produto de consumo. Nenhum é idealista nesse sistema. Por que o governo não proíbe a exportação? É um tremendo paradoxo essa de vender o pouco que tem e depois comprar para repor a falta. Aliás, há 520 anos nosso país permanece atrasado como um dos maiores exportadores de matérias-primas, e importador de industrializados, especialmente da química fina e de tecnologias de ponta.

OS PEQUENOS AGRICULTORES

Os únicos que podem dizer que colocam alimentos em nossas mesas e matam a fome de muitos, por preços razoáveis, são os pequenos agricultores familiares, que não agridem a natureza e tampouco usam agrotóxicos pesados. Mesmo assim, são abandonados pelo governo e explorados pelos atravessadores. Os poderosos dos grãos são demagogos e falsos quando abrem a boca para falar que são alicerces do abastecimento alimentar. Isso é uma deslavada mentira!

Os fazendeiros das megas máquinas são os cupins da nação que destroem as cumeeiras do nosso rico e belo patrimônio ambiental. Eles precisam ser combatidos com inseticidas fortes para que paguem com a mesma moeda de derrubar matas e depois tocar fogo na bagaceira. Conluiados com um governo que compactua com os crimes, ao relaxar a fiscalização, grileiros e garimpeiros sabem que vão ficar impunes para continuar depredando e avançando com o desmatamento e o fogo.

O EXTERMÍNIO DOS INDÍGENAS

Com essas ações destruidoras das derrubadas, seguidas do fogo pelo ruralistas, grileiros, madeireiros e garimpeiros, contando com a complacência nefasta deste governo perverso, a estratégia deles vai muito além de acabar com as florestas. A intenção também é exterminar e expulsar os indígenas de suas terras, levando matanças e doenças para suas tribos e aldeias. Quanto mais desavenças, desgraças e desagregações, melhor para eles.

Na história, assim fizeram os colonos britânicos com os índios norte-americanos nos séculos XVIII e XIX. Assim fizeram os espanhóis com os astecas no México, os maias na América Central e os incas na América do Sul quando aqui chegaram em 1492. Assim fizeram os colonos europeus com os aborígines australianos, bem como, com os papuas da Nova Guiné, com os zulus na África e outros povos nativos e primitivos asiáticos. Tocaram fogo em tudo, levaram doenças, mataram impiedosamente, e escorraçaram seus habitantes para se apropriar das terras mais férteis e ricas em minerais.

 

VOLTA ÀS AULAS E BAJULAÇÃO NO SUPREMO

TUDO CONVERSA FIADA”PRA BOI DORMIR”! ENGANA QUE EU GOSTO!

Como dizia o poeta cancioneiro, eles querem mesmo é bajulação. Todo final de mandato de um ministro do Supremo Tribunal Federal é aquela enxurrada de louvação do Congresso Nacional e do poder executivo federal, com entrega de medalhas, condecorações e direito a um monte de falsidades. Com o Dias Tofolli não poderia ser diferente. É um tal de morde e assopra e, nessa hora, a democracia é a mais “exaltada” depois de pisoteada.

Outro assunto que queria aqui abordar é com relação a volta às aulas nas escolas públicas, como está sendo anunciada pela Prefeitura de Brumado, na Bahia, mesmo contrariando posições dos pais e dos professores. Sinceramente, não consigo entender essa insistência dos governos no retorno ao ensino presencial ainda em plena pandemia, quando as unidades escolares estão fechadas há sete meses!

É uma faz de conta

Qual a intenção desse propósito já no final de ano? Só posso conceber que é para fazer de conta que ano letivo de 200 dias foi cumprido integralmente, colocando aí uma porção de aulas on-line que atingiram poucos alunos, tendo em vista que só poucos têm acesso à internet. Mesmo sem saber, no fim todos vão passar de ano, no faz de conta que o professor ensinou e o aluno aprendeu.

Não seria melhor começar tudo de novo, em pé de “igualdade”, do que adotar esse procedimento de desigualdade entre quem nada captou na aprendizagem e a minoria que conseguiu acompanhar alguma coisa? Para variar, mais uma vez, é o chamado jeitinho brasileiro, inclusive com uma questão tão séria como a educação, que já é deficitária, e esse quadro vem se arrastando há séculos, com alguns altos e baixos.

Além desse problema, temos ainda o mais grave que é a saúde das nossas crianças, dos jovens e, como consequência, a dos mais idosos que são os próprios pais e avós que podem ser contaminados pelo coronavírus. Sabemos que em muitas escolas públicas da nossa Bahia e do Brasil em geral, a estrutura, em termos de higienização, é precária. Muitos lugares, principalmente nas zonas rurais, não têm nem água encanada e potável para os estudantes lavarem as mãos.

Eles, os governantes, prometem seguir com rigor os protocolos recomendados pelos médicos infectologistas, mas sabemos que, na prática, isso não acontece, mesmo porque, sem a Covid-19, sempre faltaram outros produtos nas escolas, inclusive alimentos da merenda. Além disso, como manter um distanciamento entre crianças? É praticamente impossível. O resto é pura demagogia, como a bajulação entre os poderes ao ministro do Supremo que está deixando seu cargo.

Com a queda média móvel nos casos da Covid-19 e também no número de mortes, muita gente está relaxando nos cuidados, inclusive fazendo aglomerações em “paredões” e nas praias (viagens em feriadões), como se a pandemia fosse coisa do passado, o que constitui mais um grande risco na abertura das escolas. Se continuar esse quadro, vamos ter logo mais uma nova alta de contaminações.

Outro evento que pode impactar num retorno do vírus é o das eleições, cujas campanhas começam agora no final do mês. Mesmo sem a oficialização da Justiça Eleitoral, muitos pré-candidatos já estão promovendo aglomerações. Os eleitores que, fora de época, chamam os políticos de sujos e ladrões, como sempre, estão afundando na festa, torcendo para seus corruptos e antiéticos. Verdadeiramente, este não é mesmo um país que se pode levar a sério.

 

BANDOS, TRIBOS ACÉFALAS, AS CENTRALIZADAS E A CRIAÇÃO DO ESTADO

A LUTA DE CLASSES NAS TRIBOS CENTRALIZADAS E NO ESTADO

No capítulo “Do Igualitarismo à Cleptocracia”, em seu livro “Armas, Germes e Aço”, o cientista Jared Diamond faz uma viagem na história da humanidade há 40 mil anos, descrevendo a vida do homem em bandos, nas tribos acéfalas, nas centralizada onde já aparece a estrutura social e política de organização até a criação do Estado com suas leis, ordens e punições aos cidadãos que cometem delitos.

Primeiro, ele começa citando os bandos nômades da Nova Guiné onde fez suas pesquisas, chamados de fayus. Eles viviam como famílias solitárias, espalhadas pelo pântano e se reuniam uma, ou duas vezes ao ano para negociar a troca de noivas. São formados por cerca de 400 caçadores-coletores, divididos em quatro clãs. Seu número foi reduzido por causa dos assassinatos cometidos entre eles.

MISSIONÁRIOS E PROFESSORES

A incorporação dos bandos e das tribos à sociedade moderna muito se deveu ao trabalho dos missionários, professores, médicos, burocratas e aos soldados colonizadores. “ A disseminação dos governos e da religião sempre esteve interligada ao longo da história que está registrada, quer a disseminação fosse pacífica, como dos fayus, ou pela força.

Como exemplo de bandos, que ainda vivem de modo autônomo confinados, o autor da obra cita os da Nova Guiné e os da Amazônia, mas existem outros que se submeteram ao controle do Estado e até foram exterminados. Entre eles estão a maioria dos pigmeus africanos caçadores-coletores, os aborígines australianos, os esquimós e os índios das Américas.

Todos, de acordo com Diamond, foram caçadores-coletores em vez de produtores de alimentos estabelecidos. Esses humanos viviam, provavelmente, em bandos até pelo menos 40 mil anos atrás. Praticamente, o bando não tem liderança formal, conquista por qualidades, força, inteligência e uso da luta. O “líder” do bando é chamado de o “homem-grande”, como qualquer outro do grupo, sem nenhum privilégio de vida.

Na Nova Guiné, por exemplo, o bando é nômade porque tem que se mudar quando já cortaram os sagueiros maduros em uma área. Lembra o autor do livro que os gorilas, chimpanzés e os macacos bonobos africanos também viviam em bandos. “O bando é a organização política, econômica e social que herdamos de nossos milhões de anos de história evolutiva”.

“A organização tribal é bem representada pelos habitantes das regiões montanhosas da Nova Guiné, cuja unidade política antes da chegada do governo colonial, era uma aldeia, ou grupo de aldeias de pessoas com relações de parentesco”. O pesquisador aponta, como exemplo, os forés com os quais trabalhou, em 1964, com a mesma língua e a mesma cultura.

Em sua opinião, essa organização tribal começou a surgir por volta de 13 mil anos atrás no Crescente Fértil e depois em algumas outras áreas. Além de deferir do bando, em virtude da residência fixa e do maior número de membros, a tribo também é constituída de mais de um grupo de afinidade, denominada de clã.

Na estrutura tribal centralizada em sociedades, as soluções quanto às questões de conflitos entre estranhos são mais complicadas em grupos maiores. Numa tribo acéfala, quase todos são parentes consanguíneos, ou por afinidade. Mesmo assim, ela preserva um sistema de governo informal e igualitário. No bando, o poder do “homem-grande” é limitado.

Nas tribos, nenhum membro, ou bando tradicional, pode enriquecer mais do que os outros pelos próprios esforços, pois cada indivíduo tem deveres e obrigações para com os outros. Como nos bandos, as tribos não têm força policial, burocracia e impostos. Todos os adultos capazes participam do cultivo, da coleta ou da caça dos alimentos.

DESAPARECIMENTO DAS TRIBOS CENTRALIZADAS

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