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:: ‘Notícias’

DUAS CRISES; DOIS PRESIDENTES

Carlos González – jornalista

Há exatamente 100 anos o Brasil perdeu cerca de 40 mil vidas (os números são imprecisos), numa população de 29 milhões de habitantes, para a maior pandemia do século XX, que ficou conhecida como gripe espanhola, matando 50 milhões no mundo; hoje, a Covid-19 já fez 500 mil vitimas num universo de 211 milhões de brasileiros. Apesar do longo período transcorrido, as particularidades das duas crises sanitárias são semelhantes, como a profilaxia, a terapia e a medicação popular. As diferenças mais significativas estão na instabilidade administrativa e emocional dos presidentes Delfim Moreira (1868-1920), que governou o país de 15 de novembro de 1918 a 28 de julho de 1919, e Jair Messias Bolsonaro, chamados, respectivamente, de louco e de psicótico genocida.

O mineiro Delfim Moreira continuou o trabalho de enfrentamento do vírus iniciado pelo seu antecessor Wenceslau Braz (1868-1966), e retomado pelo seu sucessor, o paraibano Epitácio Pessoa (1865-1942). Vale destacar que Delfim assumiu a Presidência da República devido à morte de Rodrigues Alves, contaminado pela gripe antes de tomar posse para um segundo mandato, de 1918 a 1922. Nos seus primeiros quatro anos no cargo (1902 a 1906), o paulista Rodrigues Alves, com o auxílio do sanitarista Oswaldo Cruz, eliminou um surto de varíola e venceu a “Revolta da Vacina”, promovida por centenas de irresponsáveis – como hoje -, contrários à campanha de imunização.

A exemplo de Oswaldo Cruz, um especialista em infectologia – não se pensou em nomear um intendente do Exército – foi indicado pelo governo para coordenar os trabalhos contra o H1N1. Alçado a herói nacional, o médico Carlos Chagas estabeleceu isolamento e quarentena para os navios que chegavam aos portos do Rio de Janeiro, Salvador e Recife, por onde desembarcavam os passageiros contaminados vindos da Europa; criou ambulatórios de campanha (não havia hospitais públicos no país); aconselhou repouso absoluto aos primeiros sintomas da doença, sem direito a visitas; cuidados higiênicos com o nariz e a garganta e uso de máscaras. Fechou escolas e repartições públicas, e proibiu as chamadas festas populares.

A cloroquina, “menina dos olhos” do capitão-presidente, rejeitada até pelas emas do Palácio do Planalto, mas aceita por neopentecostais e devotos fanáticos do bolsonarismo, teve similares na época, mas nenhum produzido pela indústria farmacêutica. O povo em pânico recorria a inalações de vaselina mentolada, chás e infusões à base de quinino, gargarejos com água e sal, água iodada, tanino e outros “remédios”. Um deles, ganhou o título de bebida nacional, a tradicional caipirinha, conhecida mundialmente.

Por uma questão de justiça com a Espanha, país que me deu a segunda nacionalidade, o H1N1, segundo os pesquisadores, se originou no Fort Riley, nos Estados Unidos, transmitida para a Europa pelos soldados que foram combater na 1ª Guerra Mundial (1914-1918). As grandes potências estabeleceram um pacto de silêncio sobre a propagação do vírus para não criar pânico entre os soldados que lutavam nas insalubres trincheiras. Por não ter adotado a censura, a Espanha herdou uma imagem distorcida.

No Brasil, a gripe “desembarcou” do Demerara, em 9 de setembro de 1918, com 562 passageiros a bordo e 170 tripulantes, após uma viagem de 25 dias desde o porto de Liverpool, na Inglaterra, Após aportar no Recife, seguiu para Salvador. O jornal “A Tarde”  noticiou na época que 15 dias depois da chegada do “Navio da Morte” centenas de infectados lotavam os quartéis, escolas, igrejas e hospitais particulares da capital baiana.

Copa América

Uma das “loucuras” praticadas pelo presidente Delfim Moreira foi a de suspender os campeonatos de futebol do Rio e São Paulo e adiar a Copa América, de  novembro de 1918 para maio de 1919, disputada no estádio do Fluminense, nas Laranjeiras, construído para o torneio. Pesou na decisão das autoridades governamentais e esportivas a morte de jogadores, técnicos e dirigentes dos clubes cariocas e paulistas. O Rio, particularmente, chorou a perda, aos 22 anos de idade, do atacante French, do Fluminense.

Um século depois, um presidente irracional, num desrespeito aos familiares das 500 mil vítimas da covid-19, contraria a ciência e pirraça a Rede Globo, autorizando a realização da Copa América. Uma decisão tresloucada, que já colocou em quarentena, nos primeiros dias da competição, 52 membros das delegações, entre atletas, técnicos e cartolas.

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BASTAM DE TANTAS PRIORIDADES!

Além da falta constante de vacinas, proveniente da incompetência e negação da ciência por parte do governo federal, há dias, ou há mais de um mês, que a vacinação em Vitória da Conquista não sai das prioridades de categorias profissionais e pessoas com comorbidades, grávidas e puérperas.

Há muito tempo que a imunização parou na faixa etária dos 60 anos, enquanto outros municípios já avançaram para os acima dos 40 anos. A população dos 50 anos está ansiosa para tomar a primeira dose, mas sempre aparece uma categoria que se acha no direito de prioridade, e aí cria aquela pressão para ser contemplada.

Tudo isso advém dos critérios que cada município cria por conta própria, virando uma verdadeira bagunça, o que tem prevalecido desde o início dessa maldita pandemia no Brasil. Como não existe uma coordenação nacional lá de cima, qualquer um faz o bem quer, inclusive quanto as medidas restritivas de distanciamento e isolamento social.

Sem liderança e planejamento nacional, os governadores baixam um decreto, e muitos prefeitos politizam o combate à Covid-19 através da desobediência civil com atos contrários, exemplo do poder público de Vitória da Conquista.

Dentro desse caldeirão de misturas indigestas, está também a questão da testagem das pessoas, que deveria ser geral, não importando se a pessoa tem ou não sintomas do vírus. A Secretaria Municipal de Saúde só realiza o teste quando alguém apresenta alguns sinais de febre, problemas na garganta, tosse, enjoos, cansaço ou outras anormalidades no organismo.

Se a pessoa chega no posto, ou numa unidade de saúde, reportando que manteve contato com alguém positivada, mas ainda não sentiu sintoma nenhum, os prepostos da prefeitura não fazem o teste.

A recomendação do centro de monitoramento é que o “paciente” aguarde alguma possível reação por cerca de 14 dias, pois nem o PCR tem 100% de acerto. Conversei com uma atendente que me passou esta orientação.

Não sou infectologista e nenhum especialista médico no assunto, mas entendo que essa pessoa que manteve contato com outra contaminada, deveria ser testada, mesmo sem os sintomas, independente do resultado, se negativo ou positivo. Entendo que seria mais uma forma de tranquilizar a pessoa, ou tomar as devidas precauções, caso detectado o vírus.

 

ESTÁ MAIS PARA UM COMITÊ GESTOR DA MORTE DO QUE DE UM CONTROLE

No foi por menos que, em tom de brincadeira, o Papa Francisco disse a um padre, ao se referir à pandemia no Brasil, que os brasileiros não têm salvação porque só querem saber de cachaça e festas. Vitória da Conquista, no lugar de ser exemplar, está confirmando essa versão do Papa, quando a Prefeitura Municipal anuncia mais flexibilização das medidas com a liberação de eventos festivos de até 50 pessoas.

Desculpem dizer isso, mas esse Comitê Gestor de Crise está mais para Comitê da Morte, quando se sabe que a ocupação de leitos de UTIs nos hospitais está na faixa dos 97%, que a média diária de mortes está em torno de três ou quatro (na segunda, se não me engano, o vírus abateu oito almas), com quase 100 casos, e já tivemos mais de 500 perdas.

Esses números não são altos? Está tudo sob controle, senhora prefeita? Conquista é uma “cidade exemplar no combate da pandemia”, como falou um lojista? Nenhuma pessoa de bom senso vai concordar com isso. Nova York, com mais de 10 milhões de habitantes, está registrando 12 mortes, e países da Europa, com 30 a 50 milhões de pessoas, computa oito, dez, para uma população de 230 mil em Conquista.  Os índices são por demais desproporcionais.

Qual mesmo o objetivo do poder executivo local flexibilizar a realização de eventos com até 50 pessoas? São as chegadas das festas juninas para atender a demanda de bares e restaurantes? Oferecer aos músicos da cidade uma oportunidade de fazer seus shows ao vivo, no lugar de um edital que foi prometido e não mais se falou nesse projeto?

Será mais uma vez a intenção de bater de frente com as medidas restritivas do Governo do Estado, que proibiu por decreto a circulação de ônibus intermunicipais durante o São João? O governador determinou também a proibição de bebidas alcoólicas neste próximo final de semana, para evitar mais aglomerações.

Esse pessoal da prefeitura e do tal Comitê Gestor acha que todo mundo é imbecil e burro, quando justifica o ato afirmando que essa flexibilização vai seguir todos protocolos de máscaras, álcool-gel e o distanciamento de um metro e meio entre os festeiros. Isso não passa de uma conversa para boi dormir, pois sabemos que isso não é possível de ser cumprido.

Todos finais de semana em Conquista acontecem aglomerações em bares, restaurantes e festas, e os poucos fiscais não conseguem impedir esses eventos. Se não controlam esses excessos, como vamos acreditar que essa nova medida de abertura vai ser dentro dos protocolos?

Parece a história estapafúrdia e mentirosa do prefeito de Várzea do Poço que promoveu uma corrida de cavalos e leilões com mais de mil frequentadores por dia, e depois alardeou que a festa foi só para convidados e que todos seguiram os devidos regramentos. Está enganando a quem?

Outra coisa absurda é o São João que, mais uma vez, oficialmente foi cancelado, mas as propagandas estão aí a todo vapor para incentivar os baianos e nordestinos a realizarem suas festas juninas com amigos e parentes, isto quando os infectologistas e médicos já estão prevendo uma nova onda da Covid-19, com novas cepas.

Comentei aqui e volto a repetir que a própria mídia tem sua parcela de culpa para que os apaixonados do São João se aglomerem em festas particulares. A imprensa que pede para que todos se cuidem, é a mesma que programa o evento em suas redes de televisão através de lives.

Existem até dicas para roupas, sapatos e quais as pinturas e trajes ideais. Será que essas pessoas vão se emperiquitar à moda da festa, para depois ficarem presas dentro de suas casas?

Até o Banco de Sangue do HGVC incentiva as pessoas a pegarem estrada quando coloca lá um cartaz chamativo, ressaltando que antes de você pegar o caminho da roça passe no Hemoba e doe sangue. Por essas e outras é que o Papa tem razão. Não adianta só ficar por aí pelos cantos rezando e pedindo a Deus para se salvar.

O NOSSO CONGRESSO É UMA VERGONHA

As nossas forças armadas, como aqui já comentei, estão pisando feio na bola quando por detrás, com seus generais e coronéis de pijama, dão cobertura a um governo que está destruindo por completo o nosso Brasil (veja o caso da não punição do general calça curta). Para completar, o nosso Congresso continua sendo uma vergonha nacional, com raras exceções de alguns de seus membros.

Com essas duas instituições, e mais seus seguidores da morte que vieram das cavernas, o capitão-presidente se sente blindado para fazer suas loucuras, debochar e afrontar nossos cidadãos de bem, sabendo que nada pode acontecer a ele. Mais de 100 pedidos de impeachment (afastamento) estão engavetados na Câmara dos Deputados, infestada de oportunistas que até já serviram aos governos de Lula e Dilma.

Nem todos, mas a grande maioria (está aí o Centrão) mente para si mesmo e para o povo. É tão vergonhoso que eles ficam com a cara de tacho quando tentam defender as maluquices de um presidente que nunca deveria ter posto os pés no Palácio do Planalto. Qualquer detector de mentiras iria disparar o alarme com tanta intensidade prestes a explodir.

Qualquer pessoa de nível mais elevado (nem precisa ser tão inteligente), sabe que por muito menos, Collor de Mello e Dilma sofreram impeachment, e o caso dela, das tais pedaladas, foi mais escandaloso. Não estou aqui, de forma nenhum, dando uma de advogado dos pecados do PT, mas agora compreendo que aquilo foi mesmo um golpe.

Esses deputados e senadores (nem todos) foram para lá vender descaradamente seus votos que na frente foram comprados dos eleitores. Entregam a alma ao Satanás, e o povo que se dane. Tem uns que dói de tão ridículos e escancarados que são com seus comportamentos oportunistas. Não têm a mínima vergonha na cara e eliminaram do dicionário o termo dignidade. Aliás, nem sabem o que é isso.

Nem precisa aqui citar os nomes dos safados ladrões que estavam nos governos passados e agora pularam de barco. É uma verdadeira aniquilação do ser humano! Eles se transformaram em vermes nojentos que, cinicamente, ainda afirmam que são patrióticos quando estão ajudando a acabar com nossas florestas, sucatear nossas universidades, negar a ciência, provocar mais mortes com a pandemia, fechar laboratórios de pesquisas e contribuir para o aumento da miséria e da fome.

São seres desprezíveis, e posso dizer sem titubear, que nem sabem o que é consciência limpa e caráter, tanto que dormem o sono pesado com a barriga cheia de dinheiro, achando que vão viver para sempre. Nem estão aí para seus filhos que estão recebendo um país em ruínas. Não têm pesadelos como o pobre que batalha o dia todo para ter o mínimo de sustento.

Como todos sabem, é um dos Congressos mais caros do mundo, repleto de penduricalhos, verbas de indenizações, emendas parlamentares, propinas e subornos. De cada eleição, cujo sistema eleitoral foi feito para favorecer a eles mesmos, sai uma fornada pior que a outra. Os novos vão se contaminando com o vírus letal da velharia. No fim, toda a área está podre, com odor insuportável.

O Brasil, infelizmente, está entrando numa era de há dois mil anos. A Idade Média é moderna para classificar o nosso nível de atraso na forma de pensar, de agir e de tratar as pessoas. Estamos nos tornando seres das cavernas quando se achava que a terra era plana. Não é um celular e os sistemas sofisticados da informática que irão nos definir como civilizados.

O Congresso Nacional comporta hoje todas as espécies de animais racionais e bichos selvagens, desde o sério de boas intenções (coisa rara), aos brucutus que até pedem o seu fechamento, intervenção militar, o corrupto, o preconceituoso, o partidário do nazifascismo, o racista e o que apoia a destruição do Brasil, mas, afinal de contas, foi eleito pelo povo a quem por séculos foi negado a educação e o conhecimento.

UMA CPI DO DITO PELO NÃO DITO DE MENTIRAS E DE OPORTUNISTAS

Sabe daquela pessoa perdida numa floresta que anda em círculos e termina sendo presa da fome, da sede e das feras selvagens? Pois é, assim é a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que foi criada para investigar o governo federal com relação ao tratamento no combate à Covid-19, que já matou cerca de 480 mil brasileiros por negligência e negação da ciência.

Sempre tenho dito aqui que se trata de uma CPI do fim do mundo que ainda quer interrogar governadores e prefeitos por possíveis suspeita de desvios do dinheiro público da saúde. Até o momento só se ouviu, com poucas exceções, mentiras e mentiras de oportunistas de ex-ministros, ministros e assessores incompetentes fanáticos terraplanistas.

Praticamente dela não se extraiu novidades, não muita coisa que não já se soubesse, como a existência de um gabinete paralelo da morte para orientar e conduzir os devaneios malucos do capitão-presidente. Se arrancou, na base de fórceps, uma declaração da ala governista de que não existe tratamento precoce, e nem a cloroquina serve para curar a doença.

Os prevaricadores continuaram prevaricando e não foram presos. O mais inusitado, para quebrar a monotonia, foi o aparecimento de uma médica japonesa – sei lá se é! – que mais parece ter vindo de outro planeta para receitar a cloroquina e até defender a imunidade por rebanho, no lugar da vacinação, mesmo que seja à custa de milhões de vidas.

O brucutu, que disse que ser pária é bom, mentiu descaradamente quando afirmou que nunca atacou o povo e o governo chinês. Até agora foi uma enxurrada de mentiras dos seguidores oportunistas para blindar as travessuras assassinas do capitão-presidente, que sai sem máscara em aglomerações. Depois tudo vai permanecer com antes na Casa de Abrantes.

Essa CPI está parecendo com o “manifesto” dos jogadores da seleção brasileira e da comissão técnica sobre a Copa América ser disputada aqui em território brasileiro em plena pandemia. Criou-se muita expectativa em torno do que o “Tite” e seus pupilos iriam dizer, inclusive contra a competição em nosso país, e terminou saindo “uma titica de galinha”. Simplesmente, uma total decepção, mas esperar o quê de jogador de futebol neste país?

Além de todo esse circo mambembe tupiniquim, o destaque dessa CPI é a tropa de choque do governo com cara de bobo da corte e, em outras ocasiões, de trapalhões tentando explicar o inexplicável, defender o indefensável. “Sua excelência fez uma bela explanação, colocando aqui nessa Comissão todos os pontos, de forma didática, sem deixar espaços para dúvidas. Sua excelência está de parabéns”. Hilário, para não dizer ridículo”.

No mais, o espetáculo continua, como o falso documento do TCU (Tribunal de Contas da União), que pode ser trocado para Tribunal Covid da União, formulado por um auditor maluco, atestando que o número de mortes pelo vírus no Brasil está supernotificado em 50%. O capitão se aproveitou disso para soltar mais uma fake news, ou um factoide, como queira. Estamos mesmo ferrados!

ESTÃO MANCHANDO SUAS FARDAS E ENVERGONHANDO NOSSO BRASIL

Não estamos mais numa Guerra Fria, com ameaças de um totalitarismo comunista, como até hoje alegam quando se fala do golpe civil-militar de 1964, mas estamos na rota do chavismo venezuelano de direita. Como aconteceu lá com o nosso vizinho, as nossas forças armadas, principalmente o exército, estão aqui manchando suas fardas por oportunismo, incitando uma ditadura em troca do poder num governo sinistro.

A um capitão expulso da própria corporação, que mais lembra a reencarnação esquartejada de alguém de um passado macabro, eles obedecem, batem continência e até quebram a hierarquia secular dos quarteis, deixando de punir um general calça curta que publicamente participou de um ato político em apoio ao seu chefe que manda e o outro cumpre as ordens. Tudo não parece uma ironia do destino que envergonha nosso país?

De braços cruzados, praticamente, com raras exceções, eles se silenciam e consentem, enquanto todos os dias nossa liberdade de expressão é ameaçada, como nesse momento em que vos falo, porque existe por aí uma ordem dos advogados conservadores pronta a dedurar quem ousar criticar o capitão-presidente e a sua estafe de generais e coronéis.

Todos os dias presenciamos atos ditatoriais emanados dos mais altos cargos do governo, que passam uma mensagem de autoritarismo para o guarda da esquina e militares que, num atentado explícito à nossa frágil democracia, querem à força impedir o cidadão de se manifestar livremente. A imagem é que está sendo tudo dominado, e a grande maioria se cala.

Até o Procurador Geral da República, que está ali para defender a nação de qualquer mazela e proteger a nossa Constituição de qualquer tirania, age de forma contrária, seguindo as pegadas do chefe que lhe indicou. A própria Procuradoria pede para arquivar as investigações sobre os ataques velados contra a democracia quando pediram claramente a volta da ditadura e do famigerado AI-5, sem contar a intenção de fechar o Supremo Tribunal Federal.

Diante de todo esse quadro de terror que nos faz reviver os tempos de chumbo dos finais dos anos 60 e início dos 70, as forças armadas vão manchando suas fardas e envergonhando o nosso Brasil, tanto no âmbito interno como externo. Mais uma vez, será que os próprios brasileiros serão os inimigos de outrora? Ainda está na hora dos generais e comandantes fazerem uma reflexão e caírem fora, antes que passem negativamente a fazer parte da história como maiores responsáveis que alvejaram cruelmente nossa democracia.

No poder, ao lado de um capitão indisciplinado, eles estão carimbando embaixo, com suas próprias assinaturas, o ódio e xingamento contra os jornalistas, a quebra da hierarquia militar, a negação da ciência, o atraso na compra das vacinas, o não uso da máscara e dos protocolos no combate à Covid, o aumento desenfreado da derrubada e queimada de nossas florestas, o isolamento do Brasil do resto do mundo, entre outros atos ofensos aos brasileiros.

Tudo isso misturado é um serviço, ou um desserviço ao nosso país? As forças armadas aprovam todas essas atitudes estapafúrdias do capitão-presidente? Os quarteis estão alinhados com esse tipo de conduta? Nosso Brasil e nossos brasileiros merecem ser tão maltratados? A imagem do exército, da marinha e da aeronáutica está sendo preservada? Essas instituições estão cumprindo fielmente seu papel que reza a Constituição?

Tenho certeza que no fundo as forças armadas não concordam com esses desvios e comentam que a maior responsabilidade é dos generais da reserva, ou como se chama, os “generais de pijama”, que aceitaram altos cargos no governo por ganância, status e poder. No entanto, tudo isso respinga e muito na instituição como um todo, mancha suas fardas e envergonha o Brasil.

“CONQUISTA É UMA CIDADE EXEMPLAR”

Em uma entrevista na semana passada, o presidente da Câmara de Diretores Lojistas (CDL) disse que “Vitória da Conquista é uma cidade exemplar” no combate à pandemia da Covid-19. Confesso que fiquei espantado e horrorizado! O nosso repórter engoliu mosca porque ele proferiu uma fake news e ficou por isso mesmo.

Como exemplar, presidente, com quase 500 mortes, cerca de três óbitos por dia, quase 100 casos e com mais de 90% de ocupações de UTIs nos hospitais, sem contar a desativação de leitos no São Vicente pela Prefeitura Municipal? Como exemplar com praticamente tudo flexibilizado e muita aglomeração nos bares e restaurantes, principalmente nos finais de semana?

Vocês lojistas só querem saber de faturar, mesmo que isso seja à custa de mais vidas perdidas e famílias derramando suas lágrimas pelos seus entes queridos que se foram. Falam de empregos, mas sabemos que os comerciantes são explorados até sua última gota de sangue e estão na linha de frente da contaminação em contato direto com os clientes.

Como “Conquista é uma cidade exemplar” no controle da pandemia? No Brasil, acho que as cidades que podem ser inclusas nessa classificação são contadas a dedo e são as pequenas. É o mesmo que querer tapar o céu com uma peneira e enganar os outros. Vá dizer isso para quem perdeu um pai, uma mãe, um avô ou um filho.

Não é nem questão de criticar por criticar, mas é uma questão realista. A vacinação se arrasta lentamente como em todo Brasil de mais de 470 mil mortes. Ninguém pode se arvorar para classificar de exemplo, quando não é. Entre nós, aqui mesmo em nossa casa, proliferam os negacionistas da ciência que falam que vacina é como água. Centenas não foram tomar a segunda dose.

Considero isso como bairrismo barato, e uma tremenda mentira comprovada pelos números diários crescentes, conforme citados acima. Vejo pequenas lojas cheias além do limite ocupacional, e uma fiscalização falha, com uma equipe que não tem condições de cobrir uma cidade de 240 mil habitantes.

Vamos ter mais equilíbrio e reconhecer que estamos muito longe para sermos exemplo num Brasil onde desponta uma terceira onda da pandemia, com alguns estados vivendo um colapso nos hospitais. Pelo andar da carruagem, vamos ser um dos últimos a se livrar dessa doença. Na verdade, não somos exemplo para ninguém, quando deixamos de aplicar a vacina nos finais de semana. Ainda estamos longe de fazer o dever de casa.

OS COMERCIÁRIOS E O “SÃO VICENTE”

Não vou questionar aqui tecnicamente os critérios adotados de vacinação por grupos prioritários que são inúmeros, mas existem casos de categorias que nem são tanto urgentes, enquanto outras, como a dos comerciários, por exemplo, que já deveriam ter sido incluídos na etapa de imunização. Em Conquista, a aplicação da vacina por idade parou nos 60, se não me engano.

Também não vou aqui citar outra classe profissional, mas a impressão que se tem é que os comerciários não contam com nenhuma representação sindical para defender a inclusão desses trabalhadores entre prioritários. Se formos avaliar, eles estão diariamente em contato direto com clientes nas lojas, por assim dizer, na linha de frente.

Os comerciários são profissionais de poder aquisitivo baixo, que todos dias pegam ônibus lotados para o comércio, tanto de ida ao batente como de volta para casa. Durante todo dia de trabalho cansativo pegam lojas cheias no atendimento aos consumidores. Pode-se afirmar que eles são obrigados a enfrentar aglomerações.

Enquanto isso, outras categorias de menor risco de pegar Covid reivindicam a primazia da vacina, justamente porque têm entidades sindicais e conselhos mais fortes. Existe aqui em Conquista um sindicato dos comerciários que parece não funcionar. Saudades do nosso dileto amigo Guimarães, o “Guima”, que sempre estava lutando em defesa da classe!

Outro assunto que gostaria aqui abordar é quanto ao Hospital São Vicente da Santa Casa da Misericórdia de Vitória da Conquista. Quando cheguei a esta terra, em 1991, e até há poucos tempos, esta unidade de saúde era 100% SUS, e aí ela foi se privatizando até se tornar praticamente particular, com a participação de outros associados empresários do setor de saúde.

Nos últimos anos, somente um pequeno espaço é reservado para pacientes do SUS, e a maior parte para quem tem dinheiro. Diz-se que foi uma política adotada no sentido de evitar o fechamento do hospital. Mesmo que seja, é mais um erro cometido nesse país tão desigual de tanta pobreza e miséria.

Para completar, nesta semana, a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista anunciou a desativação de vários leitos destinados aos doentes de Covid, alegando corte de recursos federais, tudo isso num momento em que o índice de ocupação é alto, superior a 90% no caso das UTIs para tratar esse maldito vírus.

Diante dessa crítica situação, Vitória da Conquista agora só tem praticamente dois hospitais do SUS Covid-19, para atender a uma região de mais de 50 municípios, o que faz ainda agravar o quadro. Mesmo assim, as medidas restritivas foram afrouxadas pelo poder público municipal. Para completar, no feriado desta quinta-feira, os lojistas decidiram abrir suas portas, o que leva mais gente às ruas, tudo por mais lucros, em detrimento da preservação da vida.

 

BRINCANDO DE GOVERNAR COM O POVO QUE NÃO SUPORTA MAIS TANTO ESCÁRNIO

Você humilha; trata a pessoa de idiota, xinga, debocha; vai minando sua paciência com seu sarcasmo; tira dela o seu direito de viver e até destrói seus bens, até que um dia ela dá um basta e se revolta. É assim que o povo brasileiro está se sentindo diante de tanto escárnio desse governo que brinca de governar.

Tudo tem o seu limite no campo do abuso, mesmo com um povo que demora de reagir e de se indignar, porque há séculos foi submetido ao mourão de tiranos e autoritários. Os nervos já estão à flor da pele, e a corda pode partir quando ela é muito esticada. Com um punhado de malucos seguidores, generais e coronéis ao lado, que estão manchando suas fardas, o capitão-presidente se sente blindado e segue em sua trilha de destruição.

Mesmo em tempos de pandemia, com mais de 463 mil mortes, as primeiras manifestações batem nas portas do Brasil, mas ele debocha chamando os participantes de esquerdistas maconheiros que estão “loucos” por uma erva, mas essa erva tem nome que é a falta de vacina, de dignidade, de respeito, de direitos humanos, e não de mais armas, violência policial, palavrões, depredação do meio ambiente e servidão social, com milhões passando fome.

Senhor presidente, se é que assim pode ser chamado, governar é liderar com sabedoria, postura, em harmonia com os poderes constituídos e seus estados federados. Governar não é destruir, discriminar, excluir as minorias, negar a ciência dificultando a compra de vacinas para combater um vírus letal e não isolar o país do resto do mundo. Até aqui, a sua ideologia tem sido da morte, e não da vida.

A sua folha corrida do passado, senhor presidente, não lhe credenciaria exercer um cargo tão vital para dirigir uma nação de 230 milhões de habitantes de culturas diferentes, miscigenações e carências tão diversas. Seus antecedentes de homofobia, racismo, gestos fascistas e rompantes intempestivos desequilibrados de brutalidades são peças mais que contundentes de que o senhor não merecia galgar esse posto.

No entanto, as circunstâncias políticas, sociais e ideológicas do momento de dois anos atrás, com muita corrupção, intrigas, ódio e intolerâncias lhe conduziram a essa chefia pelos eleitores divididos, desesperançosos e cheios de raiava contra um Partido que não soube se penitenciar dos seus erros. Caberia ao senhor que, infelizmente, não possui essa nobre qualidade personalista, conciliar o país e não desagregar e conflitar o tempo todo. O senhor perdeu uma grande oportunidade de ser um dos melhores presidentes da nossa história.

Com seus filhos de passado de malfeitos atanazando seu governo, o senhor fez tudo ao contrário, destilando seu veneno ideológico de extrema-direita e vendo chifre na cabeça dos adversários, como se fossem demônios comunistas saídos do inferno. Está transformando nosso Brasil numa Venezuela de Maduro e, ao invés de governar, brinca de fazer campanha eleitoral.

Com seus generais e coronéis de pijama exercendo posições totalmente fora do contexto técnico, passou a esbravejar contra a mídia, com palavrões de baixo calão, impróprios que invadem os lares brasileiros e até com ameaças físicas. Com isso, o senhor também passou a ofender o povo tão sofrido e maltratado que esperava amparo social, emprego e sentir orgulho de viver em seu país tão rico e lindo de paisagens deslumbrantes.

Senhor presidente, pelo menos pare e reflita, se é que o senhor tem essa capacidade, sobre tudo de ruim que já tem feito! Com suas atitudes truculentas, o senhor incita o guarda da esquina a adotar métodos ditatoriais de amordaçar a liberdade de expressão, com o argumento de segurança nacional. Incentiva uma tropa a atirar balas de borrachas em cidadãos em movimentos democráticos de protesto. Instiga os garimpeiros a atacar os povos indígenas e bases de órgãos de preservação do meio ambiente.

Senhor presidente, não brinque de governar, aprovando a realização da Copa América em nosso país onde o número de casos e mortes de Covid só aumenta, tudo para mudar a atenção do caos em que o Brasil atravessa. Os nossos hermanos vizinhos rejeitaram esse evento em suas casas. Governar não é brincar com os sentimentos dos outros, mentir, propagar fake news e muito menos atentar contra vidas humanas. Brincar com fogo é muito perigoso, senhor presidente!

AS FESTAS E AS FISCALIZAÇÕES DE UM POVO IRRACIONAL

Há mais de um ano o Brasil está sendo atacado por todos os lados pela pandemia, que já matou mais de 462 mil brasileiros e, mesmo assim, o povo continua na irracionalidade de realizar festas clandestinas, provocando aglomerações e mais mortes.

As medidas restritivas de alguns governantes (outros flexibilizaram a abertura de eventos) são terminantemente desrespeitadas. As fiscalizações para coibir os pancadões, os bailes e os carros de som em portas de bares são tímidas, na base do faz de conta, como acontece em Vitória da Conquista.

Em nossa cidade, por exemplo, onde quase 500 pessoas perderam suas vidas, e as UTIs dos hospitais estão com ocupações superiores a 90%, todo final de semana, bares e restaurantes, nas imediações da Avenida Olívia Flores, promovem aglomerações.

O gestor do Comitê de Crise da Prefeitura Municipal fala em proibições e fechamento de alguns estabelecimentos, mas não diz que o número de fiscais é insignificante para cobrir todo o universo da cidade. Além do mais, o executivo local tem procurado contrariar os atos do Governo do Estado, como o toque de recolher e a proibição de bebidas alcoólicas nos sábados e domingos.

Infelizmente, com a flexibilização restrita, Conquista está na rota de uma onda de colapso nos hospitais, e não é preciso ser um infectologista ou pneumologista para prever isso. A impressão que se tem é que o número diário de casos e mortes (cerca de três falecimentos por dia) é baixo para o poder público.

Se as festas existem em todos os finais de semana, inclusive com som ao vivo, está mais que comprovado que a fiscalização é falha, não se cumpre o rigor da lei, e somente alguns donos de bares são multados. Os punidos não passam de bodes expiatórios.

Essa de permitir a abertura até as 21 horas oferece margem às aglomerações porque muitos começam a encher a cara logo cedo, e quando chegam nesse horário, fica difícil evitar as aglomerações. Os proprietários não controlam e também vão empurrando além do limite para ganhar mais dinheiro.

É por essas e outras que o Papa Francisco, em toma de brincadeira, disse a um padre que o Brasil não tem salvação, e o povo só quer tomar cachaça, mesmo quando se trata de poupar vidas. Talvez ele tivesse a intenção de falar festas no lugar de cachaça, porque em nosso país é uma festividade atrás da outra, sem contar a quantidade de feriados que poderiam ser cortados pela metade. Sou contra qualquer violência policial, mas com relação ao contágio da Covid-19, a ação da fiscalização precisa ser mais rígida e dura.

Pela sua própria cultura, trata-se de um povo festeiro, e que não tolera distanciamentos entre um e outro, nem suporta isolamento social. É uma população, pela sua natureza, indisciplinada, muito diferente do oriental e de outras nações desenvolvidas, com maior nível educacional e de consciência.

 





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