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:: ‘Na Rota da Poesia’

NINGUÉM QUER SABER DA LIÇÃO

Nova versão do poema, de autoria do jornalista Jeremias Macário, que fala do aquecimento global e a consequente destruição do nosso planeta

O inverno frio virou verão;

Foi-se outono e a primavera,

E o Beato do sertão virou mar,

Na profecia do mar em sertão,

Da terra mina lunar de cratera,

Pela alma vil humana profana

Do templo da nossa casa divina,

E ninguém quer saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Nessas viagens messiânicas,

Da troca tirana do ser pelo ter,

No insano guloso do consumo,

Da produção por mais insumo,

Vem a tormenta ranger de dentes,

E não vingam mais as sementes,

Nesse solo de placas tectônicas,

E ninguém quer saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

No calor do aquecimento global,

Depois das falsas mesas do clima,

O capital aumenta suas chaminés,

E vem o escuro tufão gira mundo;

Larvas vulcânicas viram monturo;

Mares lixeiras tóxicas e atômicas;

Derrubam florestas, nasce a fome;

Some a natura no óleo do convés,

E ninguém que saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Nascentes morrem nas cabeceiras;

Derretem dos polares as geleiras;

Desaparecem o urso e o salmão;

Das águas monstros de tsunamis;

Rios cimentados estouram canais,

E a selva de pedra derrete em caos,

Na fornalha de mais de 70 graus:

Tudo está escrito nos antigos anais,

E ninguém que saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

SERRA DO PERIPERI

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário onde retrata a depredação praticada pelos homens contra a Serra do Periperi, em Vitória da Conquista, a qual já foi uma floresta, quando, em torno dela, habitavam os índios nativos. Um louvor ao Cristo, às nações índias e às suas belezas naturais muito tempo antes da exploração predatória.

Deus salve os Mongoiós,

filhos das flechas Camacans,

guerreiros da nação Pataxós,

irmãos dos ferozes Imborés,

com seus disfarces em caracóis,

que levantam no cedo das manhãs,

para ouvir o conselho dos pajés!

 

El Rei mandou soldados bravos,

Guimarães e o capitão Gonçalves,

que na busca do ouro das matas,

fizeram dos índios seus escravos,

num massacre chamado Batalha,

onde correu sangue nas cascatas,

deixando a tribo toda humilhada.

 

Rasgaram trilhas os bandeirantes,

no pulo da onça braba Jaguatirica,

entre o Pau d’arco e a Sucupira,

onde fecunda uma Serra rica,

de fauna e flora que inspira,

a descrição do Príncipe ao sentir,

verdejante floresta do Periperi,

com tantos salves aos habitantes!

 

Desse vasto manto bento protetor,

de cores do Cardeal e de Bem-te-vi,

espiando a abelha fazer sua festa,

entre Angicos e o vôo do Jabuti,

só ficou o Poço Escuro como flor,

de bromélia e outra que ainda resta,

e um olho d´água que virou fiapo,

numa Serra toda rasgada em trapo.

 

O branco com seu pó envenenou,

os irmãos da lua, da terra e do sol;

secou o coração do nativo de dor,

na Pedra do Conselho dos Senhores,

onde cantava o Sabiá e o Rouxinol,

desde Jibóia ao Arraial da Conquista,

cidade que foi chamada das flores,

e inspiração para o Cristo do artista.

 

Máquinas lambem todo o chão;

cortam a Serra norte-sul do sertão,

e todas as raças brancas crioulas,

se esparramam como folhas,

no explorado chão de miséria,

que se vale de cascalhos e areias,

extraindo da flora toda a matéria,

até as últimas raízes de suas veias.

 

Brotam torres com suas propostas,

entre a fumaça de fazer asfalto;

e nos zincos das suas encostas,

o pobre do lixo cata comida e aço,

num pôr-do-sol ainda rajado,

no Cristo de Cravo crucificado,

perdoando os homens de cobalto,

que tiraram da Serra seu espinhaço.

 

O filho da Serra lá nas alturas,

esculpiu solitário suas esculturas;

foi o poeta do metal e da  imagem;

sonhou e morreu sem homenagem,

dos mortais idólatras dos materiais,

que só pensam nos prazeres carnais,

ainda fazendo ao Periperi todo mal,

mesmo com o tal Parque Municipal.

 

 

 

NINGUÉM QUER SABER DA LIÇÃO

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Estamos embarcando,

Rumo à última estação,

Numa viagem sem volta,

Na troca do ser pelo ter,

No insano guloso consumo,

No viço do cio pelo insumo,

E ninguém quer saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Vai o sol e vem o escuro;

O vento tufão gira mundo;

As florestas viram monturo;

Os mares lixeiras atômicas;

Megalônicas cidades da fome,

Das covas zumbi e o lobisomem,

E ninguém que saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Nascentes morrem nas cabeceiras;

Derretem dos polares as geleiras;

Desaparecem o urso e o salmão;

Das águas os monstros tsunamis;

Rios cimentados estouram canais,

E a selva de pedra vira um caos,

No calor de mais de 60 graus,

E ninguém que saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Tem gente que não acredita,

Nos sinais do aquecimento global;

E cada um aumenta as chaminés;

Mentem nas mesas do clima,

Com mais gases e torpedos no ar;

Adoram seus deuses como Ramsés,

Que não passam de estátuas do mal,

E ninguém quer aprender a lição

Prefere ter mais armas na mão.

NOS BARES DA VIDA

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

A inspiração aflora e o casal do lado só namora

O papo rola com a turma do jogar conversa fora

Uns caras da saideira falam de política e fofocas

O poeta rabisca no guardanapo seu fiapo da letra

Canta uma canção de amor a viola cigana menina

Moucos das redes sociais navegam em suas locas

Num bar de Minas bateu asas o Clube da Esquina.

 

Nos bares da vida sempre tem freguês

Uns vão comemorar feliz suas glórias

Outros vão até lá suas mágoas consolar

Se está numa boa se diverte nas histórias

Se bate a crise toma pra esquecer a danada

Escutar o cancioneiro falar da mulher amada

Mesmo sabendo que a conta chega todo mês

 

Nos bares da vida discutem escritores e cordelistas

Olhares indiscretos trocam bilhetes com o garçom

Em Munique sentou num bar o corvo cruel da morte

O comuna Marx brigou com o anarquista Proudhon

Nas tabernas, bárbaros juraram derrubar os romanos

Num bar de Gori, Stalin tirano tramou a queda do czar

Hemingway tomava a santa cana na Bodeguita cubana.

 

Saiu o manifesto Bola-Bola Cinema Novo no Alcazar

No Vermelhinho cruzaram militantes contra a ditadura

O surrealismo francês ternura nasceu no Cyrano de Paris

Artistas baianos curtiram noites no Anjo Azul e Tabaris

Nas etílicas tintas das matérias escolheram seus pincéis

Naquele bar atiraram pistoleiros e jagunços dos coronéis

Nos bares da vida, sempre existiu aquele histórico bar.

 

TRISTE SAGA DO JUMENTO

Poema e foto de autoria de Jeremias Macário

Vou louvar a triste saga do jumento.

Conta o Sagrado Novo Testamento:

Um burrico fez sua longa jornada

Pelo Oriente deserto de guerra e dor,

Para salvar o divino menino Salvador.

 

Jumento, asno ou jegue deram seu nome;

Fez travessia nas caravelas portuguesas,

Os descendentes dessa raça resistentes,

Como camelos mercadores dos beduínos;

Trilhou estradas dos imperadores latinos;

Veio aqui construir do Brasil as riquezas,

Até virar símbolo dos agrestes nordestinos.

 

Muitos séculos tropeando ao sol do labor;

Na carga feirando mantimentos do senhor;

Enfrentou secas salinas de léguas andanças;

Esperou voltar os retirantes das esperanças;

Nas cangalhas transportou até as mudanças;

E o tempo passou e veio o cavalo de fogo,

Para selar a sua triste sina num abatedor.

 

Maltratado sofreu sede e fome num curral,

Pela ganância do capital dessa gente brutal,

O homem indecente da sua pele fez escalpo

Do inocente jumento que tanto trabalhou,

Para brindar os chineses com o tal de Eijao;

Da carne fazer temperos com água e sal

Comida exótica do nosso jegue tropical.

 

Oh quanta tristeza neste sertão de poeira!

Não vejo jegue descendo e subindo ladeira!

Até a cultura popular está indo embora,

Neste agora deste Nordeste cabra da peste!

 

 

 

VOA MENTE!

Quero ser livre como o Condor;

Não seja dor e ódio, seja amor;

Seja semente com a sua mente.

 

Voa, voa mente inteligente!

Voa como no rasgo do falcão,

Cortando a linha do horizonte

Entre o céu azul daquele monte;

Voa mente dessa sofrida gente,

Do nascente ao vermelho poente;

Clareia toda a nossa imaginação.

 

Voa minha mente peregrina,

No meu intrincado pensamento;

Nas asas do gavião e do carcará,

Desta terra guerreira nordestina,

Onde lá vou eu plantando vento,

Para soprar as velas desse tempo,

De volta às raízes do meu luar.

 

Voa, voa mente em seus fragmentos;

Faz-me meditar como aquele monge;

Leva bem pra longe meus tormentos,

Pra o Olimpo da antiga sábia Grécia,

Onde possa desvendar a controvérsia;

Me tira desse caminho curvo escuro,

E ilumina meu presente para o futuro

FLOR E DOR

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

FLOR E DOR

Vou contar pra você, seu moço!

Quando ainda ginasiano,

No declinar do verbo latino

Ouvia falar e ainda ouço

Que toda poesia

Como piano, a flauta e o violino

Que comandam a sinfonia

Tinha que ter flor, luar e amor.

 

O poeta tinha que saber imitar

O canto do sabiá e da cotovia;

Tinha que ser melancólico,

Pálido, alcoólico e doente;

Ser o pôr-do-sol poente

Pra falar da angústia,

Dor e sofrimento da gente;

Viver como um bem-te-vi;

Andar como cigano;

Ser boêmio e até insano;

Passar noites sem dormir,

Como um penado zumbi;

Ser bem íntimo da morte;

Isalar o cheiro da depressão;

Abalar todo coração

Das mulheres românticas,

Doces, sensuais e platônicas;

Ser a cápsula do tempo;

Comer dos manjares dos deuses;

Ser irmão do ar e do vento;

Renegar todo sacramento;

Ser orvalho do amanhã sereno;

Conversar com Zeus;

Provar de todo veneno;

Entender os fariseus,

E pelo menos ter

Uma musa inspiradora,

Não importando,

Se obtusa, confusa ou pecadora.

NO MEU EU SOLITÁRIO

Poema mais novo do jornalista Jeremias Macário, nas asas da inspiração.

Estava eu em minha solitária cabana;

Lá fora, como coiote o vento uivava;

E trava o diálogo entre o Pai e o Filho,

Sobre esta humanidade tirana e sacana.

 

Corri brenhas do Nordeste cangaceiro;

Na sina assassina do jumento tropeiro,

E vaguei pelo mundo do mano cigano,

Perambulando errante de norte ao sul,

Como nas mensagens do poeta Raul.

 

No meu eu solitário, com meu ideário,

Encarei que já estamos no juízo final

Da terra revolta no aquecimento global

Pela insana ganância da perversa criatura,

Que sempre tentou devorar a sua natura.

 

Vaguei no imaginário do meu solitário;

Das flores que um dia cobriam a colina,

E entrou a bela morena na minha retina;

Encarnada em mim como um relicário,

Numa doce mistura de apego e chamego.

 

Nas contas do meu eu solitário rosário,

Contei moinhos de tristezas e alegrias,

Umas de marcas e outras vivas sangrias,

Tempo, vida e morte correndo estações,

Fumaças malucas em noites de visões.

 

Cada um faz sua passageira travessia,

No seu eu, traçando a sua própria via,

Não importa qual o seu tipo de oração,

Se tem medo da chuva, ou da solidão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

APRENDER A VIVER

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Por trás de um sorriso,

de uma doce Monaliza,

tem também o choro,

de uma triste sacerdotisa,

que sonha com o paraíso,

mas quer viver seu namoro

para aprender como amar;

fazer sentir seu sofrer,

para aprender como vencer,

nos passos curtos do viver,

de tantas perdas e ganhos;

tentar ver e compreender,

que o encanto do pôr-do-sol,

é poente de outro amanhecer.

 

O ter sem o manjar do ser,

é um alimento de ilusões;

faz você esquecer de viver,

esquecer de cuidar de si,

do início, do meio e do fim;

de escutar tantas composições;

faz deixar de aprender a morrer,

e nem o perfume sentir,

da flor com gosto de jasmim.

 

Nunca se esqueça de curtir;

sair por aí e sentar no jardim;

ouvir o canto do bem-te-vi,

e tomar umas num botequim,

para jogar a conversa fora;

contar causos de história,

de gente que sabe fazer a hora,

e faz da sua curta trajetória

uma minação que só jorra:

conhecer, aprender e viver;

ser da terra o verdadeiro sal;

ser o fogo que arde e queima;

ser a água que vem do ar,

para conviver com o bem e o mal.

 

VIOLAÇÃO

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário, publicado em seu livro “Andanças”

Mesmo o mais contrito do santo,

tem no seu lamento o seu pranto,

com a revolta varando o seu peito

pela violação sagrada do direito.

 

A alma em secura não mais chora;

tortura do pau-de- arara e choque;

abafa os gritos, a censura lá fora,

calando canção suingada do Rock.

 

Nos porões desaparecem os mortos,

na selva sepultam quebrados corpos,

sem punição, sangrados como porcos.

 

A justiça cheira como um coliforme,

e nas cadeias simulam os suicídios,

com mentiras impostas pelo unifor





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