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:: ‘De Olho nas Lentes’

A VELHA SALVADOR

Foto do jornalista Jeremias Macário em uma de suas andanças. É a Velha Salvador, a primeira capital do Brasil de muitas histórias e cheia de contradições, numa mistura de raças e religiões. O Elevador Lacerda é um de seus cartões postais, dividindo a cidade em alta e baixa, com seus encantos e tradições, mas que ainda precisa muito de cultura e educação para ser uma verdadeira capital turística e receber bem seus visitantes, não só pensando na exploração do “gringo” como se diz por lá. Quer queira ou não, Salvador ainda tem o ar provinciano onde museus não abrem aos domingos e feriados e fecha suas portas na hora do almoço. Tem um museu Afro-Brasileiro que bem poderia ser uma preciosidade, mas carente em termos de mais peças da cultura afro e de estrutura para receber seus visitantes. Recentemente estive no museu e senti uma grande lacuna na falta de apoio do poder público. Já o Museu Cota Pinto, no Corredor da Vitória, é um luxo de jóias crioulas, peças antigas de jacarandá, pratarias e louças nobres da Inglaterra e de Portugal. Infelizmente, deixa a transparecer aquele quadro colonial da Casa Grande e Senzala, descrito pelo escritor pernambucano Gilberto Freire.

 

TEM DE TUDO

Foto do jornalista Jeremias Macário, mais uma vez na Feira do Rolo, no Bairro Brasil. Lá tem de tudo, até jumento pra vender, moto e carroças para frete das bugigangas e miçangas. É uma tribuzana na Feira do Rola. Se ainda não visitou, vá lá num domingo e confira a verdadeira expressão da cultura popular.

NA FEIRA DO ROLO

Foto do jornalista Jeremias Macário que flagrou a Feira do Rolo, lá no Bairro Brasil todos os domingos. Lá tem de tudo

que se procura, desde causos contados para se dar risada e se relaxar do estresse, até prego, martelo, churrasqueira velha, cabides, ferro antigo de passar, bule, chaves para abrir portas, controle remoto, tem moto, camisa e calça usadas, tem serrote, pote, moringa, pinga e você pode pechinchar e ainda jogar uma conversa fora. A Feira do Rolo é lá no Bairro Brasil. É tudo de uso, tudo barato e você encontra até parafuso.

SAUDOSOS FUSQUINHAS

Foto do jornalista Jeremias Macário que flagrou com suas lentes a pose dos saudosos fusquinhas que fizeram sucesso no país no meado do século passado até o final dos anos 90 quando expurgaram do mercado. Quantas lembranças! Alguém ai pode até dizer: Ah seu meu fusquinha falasse! Namoros, traições e outras coisas. Quem da velha geração não teve um?

OS ESQUECIDOS

Foto do jornalista Jeremias Macário, que mostra a cara miserável do nosso país onde milhões vivem hoje na extrema pobreza, enquanto as três castas do poder se divertem em suas mordomias ne privilégios em sua mansões. São os esquecidos retirantes que se movem de um lugar para outro e continuam sem teto, pão e a dignidade de viver como ser humano. A pátria só é amada quando ela cuida bem de seus filhos.

O RETIRANTE DA SECA

Foto do jornalista Jeremias Macário em suas andança pelo sertão. Durante a secas muitos partem em retirada em busca de lugares melhores para sobreviver, no mais para São Paulo, Minas Gerais e outro estados. Tudo é deixado para trás, e a casa fica abandonada na espera do retorno do sertanejo quando as chuvas voltarem a molhar a terra. É assim que vive o homem do campo, atribulado e correndo pra lá e pra cá na esperança de dias melhores. Os políticos só fazem prometer e só aparecem de quatro em quatro anos para roubar sua fé.

TERRA ARRASADA

Foto do jornalista Jeremias Macário de uma terra arrasada, não somente pela natureza da seca, mas, sobretudo, pelas mãos assassinas do homem que desmata e não pensa nas novas gerações. Estamos caminhando para o extermínio, não da terra, mas do perverso ser humano

O SERTÃO CINZENTO

Foto do jornalista Jeremias Macário em suas andanças quando registrou o sertão cinzento castigado pela seca. O que pode ser uma linda imagem é também tristeza para o sertanejo que sofre a inclemência da estiagem com a perda de suas lavouras e de seus animais que morrem de sede. Pode até ser poético, mas remete a uma natureza morta onde o homem, sem saída e ajuda, bate em retirada para sofrer ainda mais longe da sua terra querida. Quando cai a chuva o cinzento se transforma e se derrete todo em verde. Ai o sertanejo retorna para começar tudo de novo e fazer a sua roça e criar seus animais.

ASSIM NASCEU CONQUISTA

Foto reprodução de José Silva. Assim nasceu a vila do arraial de Conquista  que hoje é a terceira maior cidade da Bahia, cheia de progresso, mas também de problemas de infraestrutura para serem resolvidos pelos governantes e pela sociedade. Conquista espera por todos.

NO TÚNEL DO TEMPO

A foto reprodução de José Silva é como entrar no túnel do tempo nos primeiros anos da formação de Vitória da Conquista ,antiga vila fundada pelo desbravador João Gonçalves da Costa. A feira reunia moradores do local e da zona rural nos tempos dos coronéis. Hoje Conquista é a terceira maior cidade da Bahia, ainda carente de muitas obras de infraestrutura. O progresso trouxe bem-estar e também violência e transtornos para os moradores. Conquista precisa ser pensada como cidade grande. A feira é secular e é ponto de encontro. É pura cultura popular.





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