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:: ‘De Olho nas Lentes’

O SARAU E A COVID-19

Há quase seis meses (o último foi no início de fevereiro – dia 7) que o nosso Sarau Cultural A Estrada deixou de ser realizado, de reunir nosso grupo, e nem é preciso explicar os motivos. Não posso falar por todos, mas acredito que os frequentadores estão com saudades dos nossos encontros bimensais todos os sábados, com aquela alegria fraternal, com aqueles abraços, descontração e, principalmente, dos temas abordados, das declamações de poemas e causos (Jhesus, Dorinho, Itamar e tantos outros), das piadas e das violadas cancioneiras da música popular brasileira com Mano Di Souza, Baducha, Moacyr Mocego, Walter Lages, Gabiru e outros tantos músicos e artistas visitantes. Tentamos recomeçar em agosto, mas houve posições contrárias, pois o tal coronavírus ainda não nos deu uma trégua. Diante dessa situação, não temos condições de fazer um sarau presencial, mas José Carlos deu a ideia de realizarmos um evento virtual para matarmos a saudade, talvez no próximo sábado à noite, dia 22, para quem estiver interessado num papo descontraído. No início do ano estávamos traçando um plano para comemorarmos os dez anos do nosso Sarau, completados em julho. Pena que tudo foi desfeito, e não sabemos se ainda vamos festejar esta data neste ano de 2020, tão importante para a nossa iniciativa cultural que começou em 2010 num encontro de amigos com o nome de “Vinho Vinil”, onde só entrava o vinho e só se ouvia os velhos e saudosistas vinis (bolachões) com aquelas lindas capas de boas músicas de grandes e eternos compositores e cantores. Da minha parte, sempre aos sábados, sinto um grande vazio no “Espaço Cultural A Estrada” quando decido, com a anfitriã da casa e minha esposa Vandilza, tomar um vinho e ouvir um som. Imagino todos reunidos naquele barulho e sempre pedindo silêncio para a fala, ou apresentação do artista. Lembro todos chegando com suas colaborações de bebidas e comidas, para incrementar nossos eventos que, de tão bons, varavam a madrugada.

 

O VÍRUS E O FRIO

Nesses tempos de pandemia, Vitória da Conquista está mais vazia e sua gente tem procurado se afastar das ruas por causa do vírus e também do frio, que em muitas noites tem marcado 12 e 10 graus com a sensação térmica de até 7 graus. Como em todo planeta, por irônico que pareça, o meio ambiente tem agradecido à Covid-19 pela redução da poluição através das paradas e das limitações no funcionamento das indústrias, do comércio e dos serviços, apesar de ter causado até agora quase 100 mil mortes somente no Brasil. Quanto ao frio gelado, tem sido difícil suportar as temperaturas baixas e sempre os mais pobres são os que mais sofrem nas periferias em suas casas apertadas e com pouca proteção. Aliás, com relação ao vírus, acontece o mesmo. É a categoria mais atingida por diversos fatores que todos já sabem, como o baixo poder aquisitivo, o desemprego e menos recursos para se proteger da doença, que em Conquista se agrava a cada dia, principalmente com a reabertura do comércio. Essa imagem do centro da cidade, na Praça Barão do Rio Branco, foi captada pelo jornalista Jeremias Macário.  O frio vai logo passar. E o vírus também vai, mas não se sabe quando.

EM TEMPOS DE PANDEMIA

Em tempos de pandemia, só o capitão-presidente pega “mofo” por ter ficado em casa 20 dias, contrariando a ciência e a recomendação dos infectologistas e epidemiologistas. Ele quis dizer, indiretamente, para os brasileiros não ficarem em casa. Seu incentivo é que haja aglomeração. Nem acredito no teste dele. Pois é, ficar em casa só pega “mofo” quem não usa a mente e o corpo para produzir algo de bom para si e para os outros, como minhas hortas em casa, escrever, ler, fazer vídeos com poemas, esculturas, exercícios físicos  e inventar outras coisas para manter a mente sã e o corpo são. Desde que começou a Covid-19, tenho procurado ficar em casa, quando possível, ocupando minhas 24 horas a que ainda tenho direito. Nesses tempos, procure ocupar sua mente mais que o corpo, inclusive com leituras que, infelizmente, é o hábito de poucas pessoas. Essa horta é um dos meus frutos em tempos de pandemia. Esse cara do” mofo”, lamentavelmente, ainda tem seguidores da morte, ou do seu próprio mofo, que utilizam o tempo para contaminar os outros com seus radicalismos, racismos, ódios, fascismos e fundamentalismos. Propagam por ai o que há de pior em termos de retrocesso humano. Na foto do jornalista Jeremias Macário

AQUECENDO O INVERNO

Estamos na cidade baiana do frio, como é conhecida Vitória da Conquista, mas também dos biscoitos que aquecem o nosso inverno, que nesta época tem girado em torno de 12 a 10 graus, e até 8 e 7 nas madrugadas geladas. Não é somente o vinho, o preferido nesse tempo do ano, mas já imaginou uns biscoitinhos, casados com o café quente, para aquecer  essa noites, com o corpo bem protegido! Pois é, mesmo com a pandemia, que tirou muita gente das ruas e empobreceu milhares, o biscoito ainda tem o seu lugar em alta nas vendas. Há anos que Conquista tem se destacado na produção de biscoitos com uma variedades de ingredientes e sabores para todos os gostos, como na imagem clicada pelo jornalista Jeremias Macário no Centro da Ceasa. Quem visita a cidade, geralmente não deixa de levar seus pacotinhos de biscoitos, e quem vai a outros municípios sempre leva essas especialidades como presentes para amigos e parentes. Os biscoitos de Conquista se tornaram famosos até em outros estados, e estão sempre aquecendo o nosso frio. Não quer dizer com isso que essas delícias também não são consumidas no verão! São iguarias para todo ano.

CENÁRIO IMPROVISADO

Foto de José Carlos D´Almeida, nosso câmara e um dos diretores dos nossos vídeos que estamos realizando desde março quando começou a quarentena da Covid-19 no Brasil, que  parece não mais terminar. Para cada assunto, sempre improvisamos um cenário e figurino. Neste último vídeo improvisamos de acordo com o tema que foi sobre a Intervenção Militar, ou ditadura, como queira, com o título “Brasil, Nunca Mais”! Já realizamos 13 vídeos enviados para nossos grupos, amigos e parentes. Estamos finalizando um curta-metragem, contando com a colaboração financeira de diversos admiradores do nosso trabalho, como Almerinda Gonçalves, Carlos Gonzalez, Ciro Macário, Itamar Aguiar, Jovino Moreira, Tânia Gusmão, Rócia e Dadai Almeida e Dr. Saúde. Com interpretações de Jeremias Macário e Vandilza Gonçalves, os vídeos têm a produção dos 10 anos do Sarau Espaço Cultural A Estrada.

“ARMAÇÕES”

O título da foto “Armações”,clicada pelo jornalista Jeremias Macário faz alusão às barracas das feiras armadas por barraqueiros que vendem seus variados produtos, como frutas, verduras, tecidos, sandálias, cereais e tantos outros encontrados pelos consumidores. Estas armações amontoadas numa das ruas do Bairro Brasil estavam sendo levadas, ou recolhidas da tradicional “Feirinha”, em Vitória da Conquista, que faz tanto sucesso e superlota nos dias de sábados e domingos. Vem gente de toda parte da cidade e da zona rural da cidade para comprar e vender. Também serve como ponto de encontro de amigos, parentes e familiares. Eu mesmo sou um frequentador da “Feirinha” por conter uma variedade de alimentos e produtos por um preço mais baixo, e ainda com a vantagem da costumeira pechincha. Já encontrei muitos amigos por lá e comemos  uma boa buchada gostosa com umas geladas.

EM REFEIÇÃO

Depois de pegar no pesado durante todo dia de trabalho, puxando carroça pra e pra cá, felizmente ele teve seu descanso merecido e saiu por aí até encontrar sua refeição sossegada num terreno vazio, com muito capim nesses tempos chuvosos. Ainda tem gente, inclusive carroceiros ingratos e brutos, que praticam agressões e surram animais fazendo pegar peso e trabalhar além do seu limite. Como ele, o burro, seu irmão jumento, também sofre e ainda está sendo levado ao matadouro para servir de carne e pele para os chineses. São animais em extinção que já ajudaram muito o homem, principalmente o sertanejo nordestino, no sustento da família. É muita ingratidão. Este a pastar foi um flagrante do jornalista Jeremias Macário que, com sua máquina, clicou sua bela refeição do dia. Ninguém sabe do seu dono, mas o bom é que naquele momento ele estava se sentindo livre e à vontade.

EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS

Pelas lentes do jornalista Jeremias Macário, o tempo está carregado, incerto e com nuvens sombrias, mas amanhã será outro dia com o sol brilhando, e muita gente nele se banhando, para realizar seus sonhos que, apenas deram uma parada. É como estamos em tempos desse coronavírus, mas as nuvens turvas vão passar e todos vão se abraçar, mas, para isso acontecer, todos têm que deixar de ser individualistas e pensar no coletivo, no outros e nos mais de 50 mil que se foram no Brasil. Lamentavelmente, depois de quase quatro meses, ainda tem gente que não acredita no que está ocorrendo e acha que tudo é mentira. Infelizmente, outros entram em pânico e, de medo piram, fazendo com que a mente adoeça e, consequentemente, o corpo enfraquece e abre a guarda para o danado mortal do vírus. Sempre digo que os mais pobres são os mais vulneráveis a esse tempo pesado e carrancudo. É tempo de ler, meditar, de reduzir o consumo de supérfluos e mergulhar em si mesmo para puder mergulhar nos outros, e respeitar a ciência e os espaços de cada um.

SAUDADES DO NOSSO SÃO JOÃO!

Oh quantas saudades do nosso São João, uma festa tradicional e cultural do Nordeste! Em toda sua história, desde que foi introduzida no Brasil há séculos, com suas quadrilhas, maracatus, músicas, comidas e bebidas típicas, é a primeira vez que sua data vai passar em vazio por causa desse mortal coronavírus que já matou quase 50 mil no Brasil. Nos últimos anos, os festejos perderam suas características, mas os amantes da cultura sempre se posicionaram contra as deturpações dos tempos, principalmente no aspecto musical com as misturas de lambadas, axé, pagodes, arrochas e outros ritmos que nada têm a ver com o São João, tão decantado na sanfona do rei Luiz Gonzaga e seus seguidores. Neste ano, a data vai passar sem as fogueiras, os fogos e o forró-pé-de-serra. Que a festa volte com toda força no próximo ano, livre dessa pandemia, para comemorarmos o mês mais alegre e festeiro dos santos Antônio, São João e São Pedro.Todos os anos curto o São João em minha querida Piritiba, revendo amigos e parentes, mas 2020 vai ser mesmo em casa, sem muita graça. A história tem disso. Mesmo assim, Viva o São João, a melhor festa brasileira!

LAPA SEM ROMARIAS

Uma pena e dá tristeza não ver aquele “mundareú” de romeiros tirando seus chapéus para receber a benção do Bom Jesus da Lapa, de Nossa Senhora da Soledade, ou encher as ruas do centro na Procissão das Águas. Não dá para assimilar ver uma imagem da cidade tão vazia que todos os anos recebe mais de um milhão de romeiros, isso há mais de 320 anos de romarias. Pois é, o coronavírus vai fazer isso neste ano de pandemia que já ceifou mais de 40 mil brasileiros, e esse número, infelizmente, pode duplicar ou triplicar. Os hotéis, que sempre estiveram lotados nesta época do ano, entre julho a dezembro, vão estar vazios, como a gruta do Bom Jesus da Lapa, no oeste baiano. A atividade mais forte da economia da cidade, que é o turismo religioso, vai sofrer um colapso, bem como dos municípios vizinhos que servem de roteiro para os romeiros que saem de todas as partes do Brasil para pagar suas promessas. Depois de mais de três séculos, pela primeira vez, vamos ter uma romaria virtual. É o que tudo indica, diante dessa pandemia que aqui, neste nosso país, encontrou terreno “fértil” para se propagar por causa da política de desagregação do governo federal, da pobreza que só faz se alastrar e da precariedade na saúde, na educação, no campo social e na economia. Foto reprodução.





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