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:: ‘De Olho nas Lentes’

A GANÂNCIA DO AGRO!

É, meu amigo, até nas feiras e mercados populares, os preços dos produtos estão caros, como na “hora da morte”, como diz o ditado popular. Além do arroz, outro vilão é o óleo de soja, tudo por causa da ganância do agronegócio que, ao invés de levar comida à mesa dos brasileiros, principalmente os mais pobres, prefere exportar seus produtos para o exterior, especialmente para a China. A soja, por exemplo, é transportada para aquele país para servir de ração para os animais. Como os preços internacionais estão altos com a subida do dólar, os brasileiros são obrigados a pagar por esses custos.  Se o Brasil tivesse um governo sério, priorizaria primeiro o mercado interno, para depois exportar os excedentes. No entanto, temos um governo que privilegia os grandes ruralistas, que ainda derrubam e queimam nossas matas, para expandir suas plantações. Cinicamente, ainda dizem que botam o alimento na mesa dos brasileiros. A mesma coisa acontece com o arroz, cujos agricultores deveriam ser proibidos de exportar o produto, para atender a demanda do mercado interno. O paradoxo é que todo arroz é exportado, e o mesmo grão é importado por um alto preço para abastecer as necessidades internas. O maior absurdo ainda acontece com a importação da soja, quando o país tem uma produção de sobra com relação ao consumo.

QUEM SÃO OS PAIS?

Não que os animais não mereçam nossa atenção e cuidado, mas em tempos atuais de tecnologia e redes sociais, o problema humano é coisa secundária. Houve inversão dos valores. Primeiro temos que debater a questão dos moradores de rua, que são humanos passando fome e frio nas calçadas e, em seguida, levar aos políticos a discussão do animais que vivem nas ruas. Ontem foi o Dia do Professor e deveria ser uma boa pauta para o pleito eleitoral. Infelizmente, nosso povo não quer mais saber de educação e cultura. Entretanto, o assunto da foto ,clicada pelo jornalista e escritor Jeremias Macário, é da Via Perimetral J. Pedral. Gostaria só de saber quem são os pais dessa criança? Pela mensagem que passa no horário eleitoral, a impressão que se tem é que a obra é do atual prefeito que está na caminhada pela reeleição. Tempo de campanha eleitoral, tempo de mentiras! Em pontuação, é a maior vencedora disparada do pleito.  A verdade é a maior vítima.  Das “Justiças” , a eleitoral é a pior de todas.

O NORDESTINO

O Nordestino tem o seu destino e. como dizia o escritor Euclides da Cunha, é acima de tudo um forte para vencer as intempéries da da vida e da seca, mesmo diante das perdas. Ele sempre começa tudo de novo, com fé e esperança. Ontem, dia 8, foi dedicado ao Nordestino, mas sem comemorações e poucas lembranças sobre o homem que fez do Nordeste uma fonte preciosa de cultura, com seus repentistas, trovadores, escritores e poetas famosos, músicos da canção popular e com seus cordéis que encantaram o Brasil e todo o mundo. Os governantes têm hoje uma grande dívida para com o Nordeste e os nordestinos, que se arrastam há séculos. As lacunas deixadas na educação e na cultura, por estratégia dos próprios políticos que só prometem, são há anos aproveitadas para fazer do nosso sertanejo uma peça de manipulação com suas esmolas através de bolsas famílias e outros “mimos” para angariar votos e apoio popular. São profundas as desigualdades sociais da região se comparadas ao sul e ao sudeste. Os nordestinos, até hoje são discriminados, apesar da sua história de construtores dos grandes centros desenvolvidos do país. Uma das fotos mostra a imagem do jumento, símbolo do Nordeste que, infelizmente, está sendo extinto pela ganância do capital selvagem e voraz. A simplicidade é a sua filosofia; a natureza, a sua arquitetura; o pedaço de terra, a sua geografia; o barro, a sua escultura; a seca, a sua prova de luta; e a chuva, o seu show da vida. Assim é o sertanejo nordestino descrito poeticamente pelo jornalista e escritor Jeremias Macário em um de seus livros. Salve o Nordestino, com seu repente e seu destino de vencedor!

NA ESPERA DE NOVOS PROJETOS

Fotos de Jeremias Macário

Estamos na corrida eleitoral para vereadores e para prefeito, que irão comandar por mais quatro anos os destinos da terceira maior cidade da Bahia. E o que Vitória da Conquista mais espera dos candidatos eleitos? Diria que mais projetos de infraestrutura que estejam à altura do tamanho da nossa cidade. Um dos primeiros é a questão da água através da construção de uma nova barragem, cujo empreendimento caiu no esquecimento depois que São Pedro mandou chuvas mais constantes para o município. É bom lembrar que se trata de uma promessa política de mais de 20 anos, passando pelos governos do PT. Outro problema sério é quanto à mobilidade urbana onde o transporte coletivo é um caos, e o povo sofre com falência de empresas e ônibus lotados caindo aos pedaços. Conquista necessita de inovações com outros meios de deslocamento, como BRT e VLT. Mesmo com algumas mudanças (novos semáforos, aberturas de algumas ruas e outras sinalizações), o trânsito continua travado, e não é a tal reforma do apertado Terminal de Lauro de Freitas que vai desafogar as ruas e avenidas. Locais de lazer e entretenimento  são outras urgências para que a nossa cidade se torne mais humana, com melhor qualidade de vida. Não basta urbanizar algumas praças e avenidas. A Lagoa das Bateias continua abandonada, suja e sendo local de despejo de esgotos. Nada se fez nos últimos oito anos para que o local passasse a ser atração de todos moradores em finais de semana. Outra carência é a falta de uma política cultural que contemple todas as linguagens artísticas, como artes plásticas, literatura, teatro, dança, música e demais expressões. A cultura tem sido tratada como um objeto de decoração na mesa do prefeito. Como prioridade de tudo isso, está a educação que precisa ser bem mais valorizada, tanto o corpo docente como discente. Pelo seu porte, Conquista espera por obras de grande porte e de uma Câmara autêntica, competente e fiscalizadora, que não passe todo o tempo dizendo amém para o poder executivo, aprovando moções de aplausos e fazendo assistencialismo. Por fim, vamos elaborar um novo plano diretor urbano, para o seu ordenamento.

UMA AVE RARA E SÁBIA

Dizem que a coruja simboliza sabedoria, talvez por isso seja uma ave rara e difícil de ser encontrada em nossa natureza e no reino animal. Quando vista em algum lugar, bate logo aquela vontade de dela se fazer uma imagem como recordação, mais ainda quando se está com uma máquina ao lado. Não é fácil chegar perto, sem antes bater suas asas para outro ponto distante. Tive sorte dela se deixar ser fotografada pelas minhas lentes, mesmo com seu jeito cismado do tipo sertanejo matuto que demora para confiar no estranho. Além de ser uma curiosidade, a coruja não é muito de se enturmar e se relacionar com outras espécies. Não é de muito ajuntamento e aglomeração, como nos tempos atuais de pandemia. Pelo menos neste aspecto temporário, devemos seguir seu exemplo e sermos  sábios como a coruja, para evitar ser contaminado pelo vírus e passar para outros.  Em seu próprio habitat, e quando está sozinha, ela nos passa uma importante lição, de que sejamos observadores com o que acontece em nosso entorno. De qualquer forma, é um predicado de sabedoria. Apesar de chamar a atenção quando é vista em algum lugar, ela nem está ai para bonitezas onde faz seus descansos meditativos sobre o tempo, tanto que existe aquele ditado de que “quem gaba o toco é a coruja”. A coruja nos passa introspecção e nos faz pensar na vida, nos deixando mais leve e relaxado. Ao vê-la quieta, fico imaginando o que ela está pensando em fazer.

A CARA DA MISÉRIA!

A triste imagem é um flagrante “pipocado” das lentes da máquina do jornalista Jeremias Macário, que retrata a miséria em nosso país, piorando cada vez mais nos últimos anos. Pesquisa recente do IBGE registrou mais de 20 milhões de brasileiros que vivem hoje na extrema pobreza, o que quer dizer, passando fome, uma tremenda vergonha para o Brasil que não cuida de seus filhos. A foto é de moradores de rua, em Vitória da Conquista, na Praça Barão do Rio Branco, que se somam a outros milhares ou milhões espalhados em todo país. Na mesma situação, ou até pior, existem as milhares de famílias que vivem amontoadas em casebres  sujos, expostas aos esgotos a céu aberto, com crianças e idosos que dormem com a barriga vazia e acordam como mortos-vivos zumbis. Para piorar mais ainda o quadro, são os mais vulneráveis à pandemia. Já disse o poeta cancioneiro que “o Haiti é aqui”. Enquanto isso, o resto da nação menos pobre sustenta  várias castas nos poderes com suas mordomias de supersalários,  que ainda dão o luxo de roubar e não serem punidos. A maioria que foi presa pela Força Tarefa da Lava Jato, em estado terminal, está voltando para suas casas, para reorganizar suas quadrilhas de corruptos. Com todo esse quadro de miséria, o Brasil mantém um Congresso Nacional, 27 assembleias legislativas e mais de cinco mil câmaras de vereadores mais caros do mundo. É o paradoxo de um país rico que exibe para o mundo um dos piores índices em termos de desigualdade social. Tudo isso porque assassinaram a educação. Na falta dela, só ignorância, submissão, alienação, opressão e injustiças, que os governantes aproveitam para a perpetuação no poder. Mais pobreza e mais crianças nas ruas a chorar de fome! Todo essa situação só faz engrossar o caldo da violência. Os pobres geram mais filhos, e a fé na religião diz que foi assim que Deus quis. Triste Brasil! Oh quanta dessemelhança!

NAS SINALEIRAS!

Fotos do jornalista e escritor Jeremias Macário. Procure e leia seus livros, artigos, crônicas, comentários e poesia.

As sinaleiras não somente servem para controlar o fluxo e o trânsito de veículos nas médias e grandes cidades, visando evitar acidentes graves, às vezes, com morte. Elas preservam vidas e devem ser obedecidas pelos motoristas, mas também, as paradas de minutos mostram outras realidades sociológicas, mercadológicas, filosóficas e até de entretenimento. Nelas, as crianças vendem balas, doces e alimentos variados para sobreviverem neste duro quadro social desigual do nosso Brasil. É o trabalho infantil que o capitão-presidente defende, quando o menor deveria estar nas escolas, ou brincando. Ali está a cara do nosso subdesenvolvimento e da falta de educação. Aparecem também os adultos pedintes, muitos dos quais por necessidade financeira, inclusive por se juntarem aos milhões de desempregado, mas tem os oportunista que fazem por preguiça e até para manter o vício das drogas. As sinaleiras também atraem os bandidos, principalmente à noite, para praticarem assaltos, muitas vezes com assassinatos. Tem ainda aqueles que aparecem para alegrar e tirar muita gente do estresse cotidiano, fazendo acrobacias e malabarismo. É a turma do entretenimento que sua para conseguir alguns trocados. Nelas se vendem água, frutas, artesanato e se distribui panfletos e propagandas de empresa. Elas também são chamas para os candidatos políticos, principalmente em época de eleições como agora, com os tais “santinhos”. Cuidado com os falsos profetas que prometem um monte de coisas e quando estão lá só fazem roubar e trair o eleitor. As sinaleiras também servem para o motorista apressado relaxar um pouco e pensar, por instantes, na vida que está lhe levando. Elas permitem até dar um beijo no amor ao lado, contando que não seja longo para não perder a atenção. Nas cores, o vermelho é um breque, o amarelo é o mais preocupante, embora represente o dourado, e o verde é a esperança de seguir em frente. O vermelho pode ainda ser sangue quando alguém tira a vida do seu semelhante, por vários motivos. Muitas vezes, as sinaleiras têm sido locais de ocorrências policiais, ou de uma troca de conversa com um conhecido que há muito tempo não é visto. Pode ser a oportunidade de passar seu telefone, ou seu Zap. Elas são pontos de comunicação e tem mais utilidades. É só usar a sua imaginação.

DE CONQUISTA BROTAM BAIRROS

Foto do jornalista Jeremias Macário

Quando aqui cheguei, há quase 30 anos, para assumir a chefia da Sucursal do Jornal A Tarde, Vitória da Conquista tinha poucos bairros, e os mais conhecidos eram Alto Maron, Candeias, Recreio, Bairro Brasil, Ibirapuera, Patagônia, Kadija, Jurema, Guarani, dentre outros. De lá pra cá, a cidade experimentou um dos maiores crescimentos do Brasil, principalmente no final dos anos 90 e início dos anos 2000, e um dos fatores que mais contribuiu para isso foi o avanço na educação, com novas faculdades públicas e particulares. A construção civil foi o setor que mais se beneficiou com a vinda de novos estabelecimentos de ensino superior. Desse desenvolvimento brotaram novos “bairros” que, na verdade, não passam de logradouros e loteamentos que precisam ser oficialmente ordenados pelo poder público através de um novo Plano Diretor que nunca chega. Na falta desse planejamento, criou-se uma tremenda confusão, e qualquer ajuntamento de ruas termina virando nome de bairro, dado pelos próprios moradores. São tantos que aparecem todos os dias na mídia, que se for fazer uma lista, o número ultrapassa os 170 bairros existentes em Salvador. Onde resido, por exemplo, existem três CEPs com denominações de Jardim Guanabara, Felícia e Jatobá. Tem ainda quem chame de Filipinas. Cada conjunto de casas e pequenas ruas viram um bairro, e cada um dá um nome e endereço diferentes, criando um sério problema para os correios. É preciso que no próximo ano, no mais tardar, a Câmara de Vereadores estude a fundo esta questão e aprove o novo Plano Diretor, fazendo um ordenamento oficial dos bairros, bem como, dos nomes das ruas, que é outra torre de babel, com números de casas repetidos e desencontrados. Onde moro, por exemplo, a rua é conhecida como “G” e também de Veríssimo Ferraz de Mello. Em cada conta tenho um comprovante de endereço diferente. E cada vez mais brotam bairros em Conquista!

A PANDEMIA E OS LIVROS

Fotos do jornalista Jeremias Macário

Tem muita gente que nesta pandemia, que já ceifou a vida de quase 120 mil pessoas no Brasil, entrou em estado de medo, pânico e ansiedade. Aqueles que se confinaram, partiu para usar mais ainda a tecnologia do celular, se internando nas redes sociais, ou nos programas de televisão durante todo o dia. Outros, com maior poder aquisitivo, passaram até a comer muito mais, engrossando os grupos da obesidade, adquirindo outras doenças. Aos mais pobres, faltou  alimentos na mesa, e as preocupações aumentaram para se manterem vivos nessa onda viral. Adolescentes e jovens, muitos deles, caíram nas festas de paredões, contaminando mais gente e até pais e parentes. Tudo isso poderia ser amenizado se o nosso país tivesse o hábito da leitura, de viajar nas histórias dos livros. Um bom livro faz a alma continuar viva, mais forte e resistente, jogando para bem longe as ansiedades e a depressão. Infelizmente, ainda somos uma nação com baixo índice de leitura, mesmo em comparação a muitos dos nossos países vizinhos, como Argentina, Uruguai, Colômbia e outros. Não vou aqui nem listar os países da Europa porque seria um disparate. Como se não bastasse essa deficiência na leitura de livros, em decorrência de uma educação que deixa a desejar, temos agora um governo autoritário e fascista que está acabando com a nossa cultura, que despreza o conhecimento intelectual e até nega a ciência. Não adianta em nada falar em futuro melhor, se não tivermos uma boa educação e um nível cultural elevado. Não valorizamos nosso patrimônio cultural e artístico. Ao contrário, vandalizamos nossos monumentos e personagens da nossa história. Cure sua ansiedade e se livre da depressão com um livro na mão. Não dê desculpas para si mesmo, de que não tem tempo quando ele está sendo mais ocupado na internet, muitas vezes destilando ódio e intolerância nas redes sociais, ou acompanhando e vendo coisas fúteis.

POR UM AUXÍLIO

E continuam as intermináveis filas nas agências da Caixa Econômica, como na foto do jornalista Jeremias Macário, tudo por um auxílio emergencial do governo federal que está usando o momento para fazer seu populismo com o dinheiro do próprio brasileiro trabalhador, desempregado e desamparado. Os milhões de invisíveis apareceram. É muito sofrimento e humilhação que não tem fim neste país, passando de governo a governo, que utiliza desse expediente de esmolas para se perpetuar no poder. Infelizmente, a maioria do nosso povo é inculta e sem consciência política para entender que os políticos se apropriam desse ponto fraco para manipular o eleitor nos momentos mais difíceis, como o que o Brasil está atravessando. O pior é que a nossa nação continua sendo massa de manobra por falta de educação, que eles próprios negam de propósito. Podem me chamar de pessimista, mas não acredito num futuro melhor enquanto permanecer essa política de deixar a população na miséria para dela se aproveitar.  Mesmo diante das dificuldades com o emaranhado burocrático (muitos passam o dia numa fila e voltam pra casa sem nada), esse povo acha o governo”bonzinho” e “caridoso”. É o mesmo que dar esmolas com o chapéu dos outros. É a tática de piorar mais ainda, negando o vírus e a ciência, receitando cloroquina e nem dando a mínima para as mais de 100 mil mortes, para capitalizar simpatia e aprovação com o auxílio emergencial. Não se enganem! Até quando vão abusar da nossa paciência?





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