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:: ‘De Olho nas Lentes’

ILUMINAÇÃO INDEVIDA

Fotos de Jeremias Macário

Com toda essa pandemia infestando e ceifando vidas, que no Brasil já são quase de 2oo mil, (um dos maiores índices do mundo-coisa que nos envergonha), a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, agora comandada pelos interesses dos lojistas, resolveu fazer essa iluminação indevida da Praça Tancredo Neves, para atrair mais gente a fazer aglomerações. Por respeito aos mortos (não estão nem ai para quem se foi), neste ano não deveria ter iluminação, em sinal de luto e pesar pelos parentes que perderam seus entes queridos. Além de ser uma grande irresponsabilidade, demonstra uma má gestão e falta de senso (a insensatez tomou conta deste país) porque a iluminação terminou por gerar aglomerações, numa Conquista de portas escancaradas para a entrada dessa maldita Covid-19. A contaminação e o número de mortes só faz crescer, mas a iluminação dos comerciantes está acima da vida. O prefeito, ou as prefeitas, decidem e não aparece um assessor criterioso e profissional (sem bajulação) para alertar que essa iluminação não deveria ter sido instalada neste ano. Ficaria bem mais decente o executivo vir a publico e explicar os motivos de dispensar a iluminação. É uma questão de sensatez. O próprio secretário de Cultura deveria fazer esse alerta. Para que servem os assessores, que não cumprem seu verdadeiro papel de assessorar, orientar e aconselhar? Infelizmente, assessor no Brasil só presta para bajular o chefe e fazer tudo que ele manda, sem contestar e advertir. É um salário fácil pago pelo contribuinte.

BONITO, MAS ORDINÁRIO

Bonito à primeira vista com sua armação nova, mas em pouco tempo vai se tornar num ordinário e fumacento, esta “reforma” do Terminal da Lauro de Freitas, um lugar já apertado para a população de Vitória da Conquista, com cerca de 350 mil habitantes. Sempre defendi  que neste local, que já foi chamado de “cabeça de porco”, fosse transformado numa praça arborizada e limpa, com quiosques e pontos de encontros e relaxamentos. Uma Estação de Transbordo deveria ser construído num local bem mais espaçoso, ali pelas imediações do Gancho (uma sugestão), e as pessoas pegariam outro ônibus para o centro, passando rapidamente pelo Terminal e retornando para a nova Estação. A cidade não suporta mais ônibus circulando pelo centro, como Cerqueira Campos e outros lugares. Essa nova obra de reforma do Terminal é um mimo para satisfazer os caprichos dos lojistas, que sempre acham que vendem mais naquela poluição sonora e visual, sem falar nas sujeiras das fuligens saída das descargas dos veículos. Ali, em minha opinião, como cidadão conquistense, deveria se transformar num calçadão, com barracas padronizadas e até com alguns barzinhos culturais para se curtir à noite, como se fosse um espaço artístico cultural com shows musicais, com bebidas e petiscos. Em pouco tempo, esse Terminal vai voltar a ser um “fumacê cabeça de porco”, feio e sujo como sempre foi. Vai ser um espaço apertado, desconfortável e ordinário. Mais uma vez, o dinheiro do povo está sendo jogado fora. Trata-se de uma obra eleitoreira, sem planejamento e visão futura. Fotos de Jeremias Macário

NO PASSO A PASSO DA SUBIDA

O clique das lentes da máquina do jornalista e escritor Jeremias Macário seguiu o passo a passo da cidade de dois cachorros na subida cansativa da praça entre dois senhores numa conversa animada, ou preocupada com a atual situação. Não se sabia se eles eram seus donos, mas tudo aparentava que sim, porque os animais não perdiam o ritmo e nem paravam para descansar. Se não eram seus donos, eles nem percebiam que estavam sendo seguidos, inclusive pela minha indiscreta máquina. São coisas do dia a dia da cidade que passam despercebidas das pessoas que vivem em correrias para resolver seus problemas, pensativas quanto as dificuldades de cada um, principalmente neste momento de pandemia. Sorte deles (os animais) que não precisam de protocolos para andar nas ruas, e nem sabem o que está acontecendo nesse mundo do vírus matador. No entanto, os nossos cachorros também são vítimas do abandono de seus donos que, insensivelmente, largam seus bicho nas ruas, sem proteção e os devidos cuidados. Eles sempre são vistos nos becos e nas esquinas, batalhando uma comida e agua para continuar sobrevivendo. Perambulam por ai, enquanto o poder público promete criar um centro de zoonose, para tratá-los como deveria ser. Algumas entidades têm feito algumas ações para minorar seus sofrimentos, mas são muitos que continuam vagando sem seus donos, e logo o cachorro que tem sido tão fiel ao homem, o qual  deveria, pelo menos, corresponder com suas amizade e fazer o mesmo.

A MOTO E O TRÂNSITO

A motocicleta (originária da bicicleta) veio primeiro que o veículo motorizado. No início eram as charretes e carruagens charmosas que conduziam os senhores do dinheiro, puxadas por cavalos. As carruagens lembram os tempos do oeste norte-americano do faroeste. Depois chegaram os carros antigos para revolucionar o transporte e, como todo progresso vem junto também seus efeitos negativos para os humanos, esse meio de locomoção exigiu a construção de vias, ruas e rodovias transitadas que começaram a provocar acidentes com vítimas fatais. Começaram os engarrafamentos nas cidades, e ai a indústria cuidou de fabricar as motos para agilizar o transito das pessoas. Acontece que elas, de duas rodas perigosas, viraram símbolos da morte por causa da imprudência dos condutores que passaram a costurar o trânsito para chegarem antes dos veículos em seus locais de destino. Subiram, alarmantemente, o número de acidentes, a maioria com mortes, quando não deixam graves sequelas no indivíduo. Como gafanhotos do trânsito, os motoqueiros se metem entre os veículos, cortando por todos os lados e depois culpam os motoristas dos veículos. Dificilmente um motoqueiro reconhece que entrou errado e terminou sofrendo um acidente. Sempre colocam toda culpa no veículo de quatro rodas por ser maior. Nos últimos anos, cresceu, assustadoramente, o número de motos (foto do jornalista Jeremias Macário) rodando nas ruas de Vitória da Conquista. Essa elevação de motos na cidade está diretamente ligada com o aumento de mortes no trânsito, por falta de responsabilidade dos motoqueiros, pois se trata de um meio de condução que exige muito cuidado e prudência.

UM POVO EM CORRERIAS

Venho aqui em nosso espaço fazendo uma série de comentários sobre a “História do Povo Cigano”, do grande estudioso no assunto, o acadêmico britânico, Angus Fraser. É um povo alegre, mas sua história é muito triste porque sempre viveu em correrias desde os primeiros séculos da cristandade. Alguns pesquisadores concluíram que os ciganos vieram da Índia, do Hindu (Hindi), tomando como base sua língua Romani e seus costumes das tribos daquele país. Em suas andanças pelos Balcãs, pela Grécia e por toda Europa Ocidental e Oriental eram chamados de os “Egípcios” e até sarracenos. Acolhidos no início como peregrinos, logo depois, entre os séculos XV ao XIX foram tremendamente discriminados como inúteis, preguiçosos, trapaceiros e vagabundos, como uma praga que tinha que ser exterminada. Em vários países e impérios foram torturados, esquartejados, presos, degolados, marcados em ferro e acometidos de outras atrocidades, simplesmente por serem ciganos. Foram escravos por mais de trezentos anos na Romênia, como os negros africanos, e jogados nas galés. No período nazista, mais de meio milhão foram sacrificados e exterminados como os judeus. Sempre quiseram impor o sedentarismo num povo de estilo nômade. Os preconceitos e as rejeições continuaram no pós-guerra (Segunda Guerra Mundial) e ainda persistem até hoje. Os ciganos, com seus espíritos festivos, estão associados à música e aos cavalos (fotos), seus companheiros nos negócios e no transporte de um lugar para o outro, mas também lidam com a metalurgia, o artesanato e com a leitura da mão, ou da sina, no caso das mulheres.

NATAL CHEGANDO!

Como o tempo passa rápido! O Natal novamente está chegando às nossas mesas, e olha que está foto está completando um ano de confraternização. Não é uma data que me deixa muito alegre, talvez pela banalização que ela se tornou em nosso mundo real desumano onde as pessoas em geral só pensam em consumir, sem muito olhar para seus semelhantes. Mesas recheadas em muitas casas, quando milhões no Brasil (mais de 30 milhões) passam fome. Neste ano vai ser um Natal diferente, mais restrito por causa da pandemia que no Brasil já ceifou mais de 170 mil vidas. Triste para quem perdeu seus entes queridos para este vírus que separou muita gente, e nos levou ao isolamento. Diante de tantas desigualdades sociais, de injustiças e quando poucos são os detentores de tantas riquezas e muitos ficam com pouco, não dá para festejar com alegria. Quando nosso meio ambiente está sendo destruído por um governo bárbaro, não dá para comemorar. Vamos fazer um Natal mais reflexivo, e sem consumismos exagerados. Que uns pensem nos outros, mas o Natal está chegando para nos saudar.

A PRAÇA É NOSSA POESIA

Nas lentes do jornalista Jeremias Macário, em ângulos diferentes, a Praça Tancredo Neves respira gente, muitas árvores, flores, palmeiras, água, aves e poesia. Como dizia o poeta, a  praça é nossa, como o céu é do Condor, e essa é de todos os conquistense a mais visitada. É para lá que muitos vão namorar, meditar, rezar e até fazer suas poesias em homenagem à natureza, à vida, à morte e ao ser humano. Nela também está um monumento que homenageia muitos baianos que foram tombados durante a ditadura civil-militar de 1964, por discordarem do regime opressor dos generais. Em maio de 64, uma tropa de 100 soldados invadiu Conquista para prender e cassar cerca de 100 políticos, vistos pela ditadura como subversivos e comunistas, inclusive o prefeito Pedral Sampaio, que foi arrancado, inconstitucionalmente, à força do seu cargo. A ditadura passou, mas a praça com suas ideias continua nossa. É lá que as pessoas vão se relaxar do estresse do dia a dia. Pena que muitas outras da cidade andam meio abandonadas e sem o devido cuidado, como a da Tancredo Neves, bem no centro da cidade, sempre exibindo toda sua exuberância em união permanente com o céu e a nossa alma. É o nosso cartão postal. É o coração verde que pulsa e bomba o sangue para todo nosso corpo.

POVO SOFRIDO E RESIGNADO

O nosso povo brasileiro é sofrido e resignado, que passa dias numa fila exposto ao sol e à chuva por um auxílio, para suprir suas necessidades prioritárias de sustento, como o alimento para matar a fome dos seus. É também, infelizmente, um povo culturalmente safado e corrupto que rouba esse auxílio dos mais pobres, e ainda vai dormir sem nenhum remorso de consciência. Aliás, são esses ladrões salteadores que mais dormem tranquilo, sem nenhum remorso na consciência, porque nem estão ai para a pobreza dessa nação de filhos escravizados e submissos a torturas desumanas, como passar um dia na porta de um banco para tirar uma ajuda, que não é do governo, mas do suor do nosso trabalho. Mais cruel ainda é voltar de mãos vazias. É triste viver num país tão desigual, de mais de 70 milhões que vivem na corda bamba da pobreza, incluindo ai a extrema. Não posso ter orgulho do meu país que deixa seus filhos passando fome e sendo submetidos a tantas injustiças, vendo seus direitos sendo surrupiados. Não posso ter orgulho de um país onde é negada a educação para seus filhos, jogados no poço escuro da ignorância. Não posso ter orgulho do meu país onde 10% da sua população detém mais de 40% das riquezas, se deleitando em suas mordomias. Não posso ter orgulho do meu país onde o Congresso Nacional é um dos mais caros do mundo. Não posso ter orgulho do meu país onde mais da metade da sua população de 230 milhões não têm saneamento básico e moram em casebres, palafitas e favelas, com esgotos a céu aberto, sem água potável. Não posso ter orgulho do meu país que ainda vive sob o poder da chibata dos senhores poderosos. Não posso ter orgulho do meu país onde ainda persiste a escravidão dos mais pobres, pretos e brancos. Não posso ter orgulho deste país onde ainda se enaltece a homofobia, o racismo e a discriminação em geral. Quando vejo filas como nas fotos clicadas por mim (Jeremias Macário) rasga em meu peito a dor de viver num país tão injusto socialmente, dependendo das migalhas que saem dos banquetes de uma casta que transformou nosso Brasil num dos países mais pobres do mundo.

CONQUISTA 180

No próximo dia 9, Vitória da Conquista estará completando 180 de emancipação política, marcando a instalação do Conselho Municipal, na hoje versão da Câmara Municipal de Vereadores. O seu presidente foi o primeiro intendente da cidade. Uma pena que poucos conquistenses aqui nascidos sabem da sua verdadeira história, suas origens, seu fundador e como nasceu a vila, que depois de 180 anos se tornou na terceira maior cidade da Bahia, com cerca de 350 mil habitantes. De um modo geral, os brasileiros pouco sabem da história do seu país, do seu estado e do seu município. A história do seu povo é a história da sua identidade, da sua cultura e costumes. O mestiço, ou negro português, João Gonçalves da Costa, é pouco lembrado pelos conquistense e, na maioria das vezes, só citado como matador sanguinário dos índios aimorés e mongóis, descendentes dos Pataxós-mocoxós.  Seu nome só foi colocado numa pequena praça, próxima da Prefeitura. Quase ninguém sabe localizá-la e desconhece sua existência. Na procura pelo ouro, Conquista nasceu agropastoril, com a criação do gado bovino e, muito tempo depois,  veio se destacar na agricultura, principalmente do café nos anos 70 e 80. Hoje, seu carro-chefe é o comércio, que se desenvolveu mais ainda com a implantação do ensino superior. Primeiro foi a universidade estadual do sudoeste da Bahia. A partir dos anos 2000, Conquista experimentou uma grande avanço através da universidades federal e com a chegadas de várias faculdades privadas. Infelizmente, seu crescimento não foi acompanhado pela demanda de projetos na área da infraestrutura. Portanto, a cidade hoje ainda é carente de grandes obras nos setores de mobilidade urbana e de abastecimento de água, com a prometida construção de uma barragem de porte que atenda as reais necessidades da população. É bom lembrar também que Conquista já foi a cidade dos coronéis e intendentes, que mandavam com mão de ferro, ou na base do fuzil. A foto antiga, reprodução do fotógrafo José Silva, da Praça 9 de Novembro, inclusive, foi palco de lutas e disputas entre os coronéis, mas também de alegria com os antigos carnavais.

ESQUECERAM DO “VELHO CHICO”!

É, meu “Velho Chico”, faz um ano que estou aqui sem poder ir lhe fazer uma visita, como sempre faço duas vezes no período de 12 meses! A pandemia da Covid-19 impediu que eu viajasse até ai para sentir de perto seu leito mais encorpado com as águas das chuvas que caíram em suas cabeceiras. Ainda bem que, com todos percalços e desventuras, São Pedro mandou chover e lhe tirar da UTI em que se encontrava com a sequidão! Com mais água correndo em suas margens, ninguém fala mais de suas necessidades de revitalização, principalmente com este governo da morte que quer destruir o meio ambiente. Apesar de paradoxal, quando batem as águas, todos esquecem de você, inclusive a nossa mídia, e só voltam a citar seu nome quando seu leito se encontra em estado terminal de penúria. As águas sobem, e aí eles acham que está tudo resolvido, até que venha outra temporada de estiagem.  Nessas épocas, todos começam, falsamente, a lamentar suas perdas e o seu prenúncio do fim, desde os ribeirinhos, ambientalistas, pescadores e os que curtem sua orla nos momentos de lazer e prazer. Quando você está cheio, eles só querem aproveitar suas riquezas e belezas, sem se preocupar em lhe preservar das depredações. Os seres humanos são assim mesmo, muito ingratos! Querem mais receber do que doar, não sabendo que o tempo de desgaste pode acabar de vez com sua exuberância e abundância. Ai, não adianta mais chorar!





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