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:: ‘De Olho nas Lentes’

PARADEIRO

Está um paradeiro danado, não é João? Enquanto o cliente não aparece, a saída é a leitura como bom  passatempo nesses tempos onde as pessoas exercitam mais o corpo que a mente. Talvez por isso estejam mais doentes e entram em pânico como neste momento da pandemia do coronavírus e dos noticiários pandemônicos jornalísticos. É bom se prevenir das fake news que andam soltas por ai. Pena que as redes sociais viraram uma praga, e a tecnologia do celular tornou o mundo mais imbecil. Poucos hoje se dão à leitura de livros, revistas e jornais, se tornando uma massa de alienados, que acha que está bem informada e sabe tudo, quando nada sabe. Vamos ler e cuidar mais da saúde mental para tornar o corpo mais sadio e sair desse paradeiro. Um flagrante saída das lentes do jornalista Jeremias Macário, na Praça Barão do Rio Branco. A leitura pode acabar com esse paradeiro mental.

NOS TEMPOS DE MOLEQUE

Escrafunchando em meu baú de fotos (muitas foram perdidas), me deparei com a imagem da Praça Getúlio Vargas, da minha querida Piritiba, na Bahia, Piemonte da Chapada Diamantina, lá pelas bandas de Miguel Calmon e Morro do Chapéu. Bateu em meu peito a  saudade dos tempos de moleque, quando nessa área, ainda em terra batida, jogava futebol com outros meninos da cidade. Era uma zoeira só quando a bola caia no único bar da praça, e o dono esbravejava que ia furar nossa redonda. Foi nesse lugar onde aprendi os primeiros dribles e a dominar a danada que tanto engana muitos jogadores pernas de pau nos tempos atuais. Tudo era escondido do meu pai que detestava quem jogava futebol. Passávamos um bom tempo naquela peleja de defender e levar a bola até o gol adversário, marcado com algumas pedras e chinelos. Foto divulgação, da Prefeitura Municipal. Pronto: matei a saudade dos tempos de menino que não voltam mais, mas ficou dentro de mim a poesia da infância.

O SONO DA BORBOLETA

 

Enebriada pelo cheiro calmante da cidreira, a borboleta tira sua soneca e pousa para as lentes, num flagrante poético do encontro do tempo com a natureza, quando ela é bem cuidada e respeitada. A planta que serve para fazer um chá para quem sofre de insônia nessa vida depressiva do corre-corre humano e desesperador pelo capital, cedeu também seu espaço e sua erva para o ser que vive e embeleza o meio ambiente, e até leva esperança para quem está aflito e desanimado com o que acontece nesse nosso país de tantas injustiças sociais. Elas sempre sobrevoam meu quintal de dezenas de plantas que são aconchego para as aves que me saudam com alegria e cantares. É mais um flagrante do jornalista Jeremias Macário.

 

 

 

 

QUEM SE LEMBRA DO MADRIGAL?

Passaram-se muitos anos que o único cinema ainda funcionando em Vitória da Conquista, depois de tantos outros (a história deles pode ser encontrada nos livros “Andanças” e a “Imprensa e o Coronelismo”, do jornalista Jeremias Macário), foi fechado, se não me engano, quase 20 anos, ou mais, mas o prédio está lá na rua Ernesto Dantas, sem ser utilizado. Quem ainda se lembra do Cine Madrigal, sempre cheio e exibindo grandes filmes de sucesso? O prédio foi adquirido pela Prefeitura Municipal, no Governo do PT, para dele fazer um centro multicultural. Até hoje nada, e ninguém fala do assunto, principalmente a mídia regional, que pouco noticia fatos do nosso município e da região (prefere matérias repetidas, requentadas, da capital e federal). Aí muitos dirão: É o progresso. Os cinemas hoje estão localizados nos shoppings e só passam filmes empacotados norte-americanos, e outros de péssima qualidade. Um equipamento caro, comprado com o dinheiro do povo, continua lá, praticamente abandonado e sendo destruído pelo tempo. Uma vergonha! Vamos fazer uma matéria jornalística sobre o antigo Cine Madrigal e seu provável destino!

O ÁRIDO NORDESTINO

O Nordeste, pela sua própria história de lutas de um povo sofredor sempre relegado pelos governantes, já é uma saga que faz lembrar o cangaço e as mortes severinas. Quando batem as águas vira um todo colorido sertanejo cheio de esperanças. O homem cava a terra, planta e ora na espera de outra chuva para a  colheita. Quando ela não vem, e a terra começa logo a secar, bate a tristeza, mas o nordestino nunca desiste e recomeça o trabalho na fé de que dessa vez tudo dê certo. Quando a coisa fica muito feia, parte em retirada, mas retorna quando o chão volta a molhar. Mesmo na sequidão, a paisagem desolada não deixa de ser “bonita” nas lentes das máquinas fotográficas, como esta captada pelo jornalista Jeremias Macário no norte da Bahia, onde os mandacarus ainda resistem entre o pedregulho e as secas árvores cinzentas,  cercando o povoado de pobres que insistem em continuar a saga vida

REVELAÇÕES

Numa foto poética como a do por-do- sol, muitas revelações estão nelas contidas. Pelo olhar de cada um, imagens diferentes vão aparecendo, como formatos de humanos, animais, objetos, casas na linha do horizonte, montanhas, árvores e outras visões que somente as lentes conseguem captar. Essa, do jornalista Jeremias Macário foi flagrada do alto da Serra do Periperi.  É imagem para reflexão e cada um faz sua oração, não importando qual religião, ou mesmo se for ateu e não tiver nenhuma. Cada um faz o seu texto porque a foto em si já é um texto. Faça o seu que toque o seu coração e até do outro que esteja ao seu lado. São revelações que saem do seu íntimo.

DE VÁRIOS ÂNGULOS

Muita gente não tem observado, mas o Cristo de Mário Cravo, cravado na Serra do Periperi, pode ser visto de vários ângulos, como o flagrado na imagem das lentes do jornalista Jeremias Macário. Quem chega de vários pontos na cidade, O vê de vários ângulos, cada um com seu olhar poético diferente, não somente do ponto de vista do por-do-sol. Pode ser observado como se estivesse saindo de dentro de uma mata, enterrado nos escombros da Serra, que foi depredada e explorada por muitos anos por empresas construtoras e até mesmo pelo poder público. Fora o programa do por-do-sol nos finais de tardes dos domingos, lá está Ele solitário, todos os dias, vendo tudo o que se passa e acontece em sua cidade. É o primeiro a ver a aurora e o último a se despedir do poente no abraço da noite.

AS CORES DA FEIRA

Desde menino, quando vendia farinha com meu paia, a feira sempre me fascinou pelas suas cores e pelos bons papos que ouvia entre os compadres da roça e os doutores da cidade. Nela existe muita sabedoria popular, vendo as mulheres debulhar o feijão, o andu e os mais velhos a contarem os seus causos. Tem fuxico, tem verduras, carne, abóbora, limão, melancia, quiabo, cenoura e todo tipo de frutas e cereais. Não é como nos supermercados fechados cheios de pratilheiras onde não se pode pechinchar. Sempre quando posso lá estou eu na Feirinha do domingo, em Vitória da Conquista, registrando as belas imagens com a minha máquina, como esta. Na Feirinha sinto falta de um cantinho para se divulgar a cultura, com cantorias, declamações de poemas, contação de causos, apresentar  a literatura regional e seus autores,  e muita viola para bater as canções populares. Cadê a Secretaria da Cultura que ainda não criou este cantinho cultural para os artistas da terra mostrarem seus trabalhos? Vamos lá gente, montar este espaço!

GENTE QUE É GENTE

Cerca de 15 milhões de brasileiros vive nesta situação de pobreza, miséria e abandono no Brasil ,que detém o título negativo de país com a segunda maior desigualdade social. Essa é Gente que é Gente, que a gente não vê nas ruas e casebres miseráveis, sujos e cheios de esgotos abertos. Ainda tem gente, inclusive de nível universitário graduado, que nega as estatísticas e diz que os organismos internacionais são comunistas. Sem argumento, ainda cita, com “orgulho” que o Brasil tem a décima maior economia do mundo. Valeria o índice se não tivesse um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) tão baixo.  Um triste quadro que nos envergonha este flagrante do jornalista Jeremias Macário.

A MISÉRIA NA BR

Há anos, talvez quando a BR-116 (Rio-Bahia) foi construída, no início da década de 60, o quadro de pobreza extrema, ou miséria, é o mesmo de sempre, e só faz piorar com a concentração dos “miseráveis” dos capitalistas predadores que não querem reduzir as profundas desigualdades sociais. São crianças, que deveriam estar nas escolas, e idosos pedintes por migalhas que, às vezes, são jogadas por motoristas compadecidos. O flagrante está sempre lá na descida próxima à cidade de Manoel Vitorino, e foi registrado pelo jornalista Jeremias Macário, que tem fotos idênticas tiradas há 30 anos. Os  governos passam e a miséria em nosso país só faz aumentar, e o silêncio dos que deveriam se revoltar e protestar para mudar este sistema estúpido é ensurdecedor. Até quando vão abusar da nossa paciência? Até quando vão criar mais e mais excluídos da nação, a qual não cuida de seus filho esfarrapados e com fome. É uma vergonha e não se pode ter orgulho de um país de milhões vivendo na miséria.

 





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