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:: ‘De Olho nas Lentes’

PATRIMÔNIO ABANDONADO

Na Avenida Integração, esquina com a Regis Pacheco, um patrimônio público que já foi sede do DNER (extinto) e do Ibama, órgão que está sendo sucateado no atual governo do capitão-presidente, negacionista da ciência e destruidor do meio ambiente, está totalmente abandonado, com lixo por todos os lados e muito mato, conforme imagens fotográficas do escritor e jornalista Jeremias Macário.

Entre tantos outros no Brasil a fora, é mais um caso de dinheiro do povo jogado no lixo, sem a devida punição dos irresponsáveis governantes. Por ironia, o patrimônio abandonado, em Vitória da Conquista, já abrigou as dependências do Ibama, inauguradas no Governo Lula. O local me recorda quando atuava como jornalista da Sucursal do Jornal A Tarde, e na época entrevistei muitos técnicos sobre questões do meio ambiente, especialmente o transporte clandestino de carvão extraído de madeiras da caatinga no sertão do sudoeste.

Há anos que a casa se encontra em estado deplorável, caindo aos pedaços dentro de um matagal que mais serve para usuários de drogas e marginais à noite, sem falar da sujeira que atrai todo tipo de insetos, ratos e até mosquitos da dengue. Pelo que demonstra pela placa, trata-se de um patrimônio federal, mas não se sabe qual a ingerência do estado e do município. O local podia muito bem está sendo útil para ocupar uma repartição pública, uma escola, creche, uma entidade ou associação em benefício da população.

 

GENTE QUE SOFRE

Nunca é demais falar dessa gente nossa que sofre (foto de Jeremias Macário) no dia a dia para conseguir o mínimo de sobrevivência, num país dilacerado pela pandemia da Covid-19 e pelo desgoverno que nega a ciência, incentiva o não uso da máscara e provoca aglomerações. Será que ainda não bastam as mais de 480 mil vidas perdidas? Quem vai consolar o choro dessa nossa gente que sofre nas intermináveis filas bancárias para tirar um mísero auxílio emergencial, sendo que milhares retornam para seus barracos de mãos vazias? Como amar uma pátria que não cuida de seus filhos e deixa 15 milhões fora do mercado de trabalho? E os outros milhares que passam fome? Quem vai confortar essa gente que vê seus filhos a chorar nos cantos com fome? Infelizmente, essa gente é o Brasil que sofre, sem um líder, ou um guia para lhe dar dignidade humana. Essa gente que sofre não tem seus direitos assegurados pela Constituição no âmbito social, da educação e da saúde. Quem é esse que tripudia, debocha da nação e não é punido com seu afastamento? Até quando vão abusar da paciência dessa gente humilde que só pede o pão para se alimentar? Quem é esse que quer mais mortes quando recomenda o não uso de máscaras, como se o Brasil fosse os Estados Unidos, a Inglaterra e Israel  que seguiram a ciência e vacinaram mais da metade de suas populações? Ele ainda é aplaudido pelos seus bobos da corte e seguidores da morte. Será que a história um dia os levará a um tribunal internacional de julgamento por genocídios e crimes de lesa-humanidade?

 

 

UMA FLOR, É UMA FLOR

Alguém já me disse certa vez que uma flor, é simplesmente uma flor, e mais nada, mas é muito mais que isso. Embora ela em pouco tempo desapareça ou murche, fica dentro do coração de alguém. Duvido que alguém, por mais seco e empedernido que seja, olhe para uma flor e não exale sentimentos, recordações, ou não faça uma reflexão da vida. Ela pode até lembrar amargura de algum passado, mas vai lhe fazer melhor para o futuro. Outros falam, e ouvir muito isso ainda jovem, que todo poeta tem que falar de flor e dor. Não necessariamente, porque a flor por si só já é uma poesia divina, mais ainda quando sai das lentes de uma máquina. Foi isso que senti quando a captei em minha máquina, e lá estava no quintal de um amigo. Confesso que ela me cativou pela primeira vez que vi, como se diz do amor à primeira vista. Ela nos faz esquecer, mesmo que seja repentinamente, dos problemas existenciais, das angústias e até das decepções da vida. Nos renova por dentro. Uma flor, é uma flor e, além do seu perfume, seja qual for o nome, tem um sentido de estar ali em meio a esse planeta tão desumano. Mesmo assim, ainda tem gente que a destrói, como faz com o todo meio ambiente, derrubando e queimando as nossas florestas. Os pássaros e os animais silvestre são mais sensíveis que nós humanos, e jamais a pisotearia. Uma flor não é simplesmente uma flor. É muito mais que isso em sua essência e profundeza.

O SOBREVIVENTE DO LIXO

Além de contribuir para a preservação do meio ambiente através da reciclagem, quando a grande maioria dos brasileiros não tem essa consciência, ele é o sobrevivente do lixo para manter o seu sustento nesses terríveis tempos de pandemia. O trabalho é árduo e arriscado, mas todos os dias ele está nas ruas fazendo o seu catado de muitos materiais que são jogados fora em terrenos baldios, quando tudo poderia ser selecionado pela comunidade, se a Prefeitura Municipal desse o devido suporte de organizar a separação do lixo em cada bairro, com tuneis próprios, como existe nos países mais desenvolvidos. A insensibilidade humana é tão grande que ele se torna um invisível por onde passa, mas sua luta diária foi captada pelas lentes do jornalista e escritor Jeremias Macário. Muitos objetos jogados fora pelo consumismo exagerado ainda são utilizáveis e dão uns trocados ao solitário sobrevivente do lixo. Bem que mereceria mais atenção, mas a sociedade capitalista o tem como um número e, talvez, nem isso ele tenha. Como milhões de brasileiros, ele também está incluído no grupo dos que passam fome nesse país e depende de uma doação para alimentar sua família. Ele representa também a profunda desigualdade social, uma das maiores do mundo. Na verdade, ele é descartado como se fosse um lixo, e não como ser humano.

UMA PROFISSÃO QUE AINDA RESISTE

Em meio ao avanço da revolução industrial do século XVIII, da evolução das civilizações, da tecnologia da informação e do mundo virtual, muitas profissões milenares ainda resistem a todas essas mudanças e insistem em continuar vivas. Elas tiveram suas origens em nossos antepassados, cujos netos e bisnetos agora tentam, com dificuldade, transmitir aos seus filhos, mas somente alguns abraçam a atividade. A grande maioria dos jovens parte para outras carreiras que dão mais dinheiro e visibilidade no mercado. São as chamadas profissões em extinção, e a de alfaiate, entre tantas como a de relojoeiro, serralheiro, sapateiro, ferreiro, amolador de tesouras e facas, é uma delas que ainda é procurada em pleno século XXI.

Como em todas outras grandes cidades, em Vitória da Conquista os alfaiates são contados a dedo, como respondeu Divanei “Sansão”, de 53 anos, que desde os treze anos aprendeu a costurar com seu pai Ausírio Correia da Silva, um dos mais antigos que já faleceu. Seu filho Hélio Correia da Silva, de 70 anos, também fez a mesma caminhada do irmão, mas sua irmã tomou outro rumo. Divanei disse que sua mãe também era costureira. Coisa de família, de pai para filho. Há quanto tempo ainda vamos encontrar um alfaiate no comércio para fazer um terno, uma calça, uma camisa, uma jaqueta ou consertar uma peça que não se ajustou no corpo? Essa pergunta é difícil de responder porque essas profissões estão ficando cada vez mais escassas.

Além da anunciada extinção do alfaiate e outras profissões, a sociedade e o mercado em geral não dão mais valor para elas, e a mídia raramente levanta uma matéria sobre este assunto. Só lembramos do alfaiate, por exemplo, quando precisamos de fazer um conserto ou correção numa peça comprada numa loja. Atualmente, poucas pessoas, somente as mais idosas, compram uma “fazenda”, como se falava antigamente, para mandar o seu alfaiate costurar uma calça, um paletó ou uma camisa. Em tempos passados, quando se encontrava muitos deles espalhados pelas cidades, se dizia “o meu alfaiate é muito bom”, e recomendava o profissional para um amigo. Hoje a pergunta é se ainda existe alfaiate, e aonde encontrar um.

 

 

PASSAR O CHAPÉU

 

 

Não é nenhuma humilhação o artista, por decisão própria dele, seja qual for a sua linguagem, passar o chapéu em lugares públicos para angariar algum dinheiro para o seu sustento, mas é um grande desrespeito quando se trata de um secretário de Cultura mandar em público que ele faça isso para se virar, quando pouco faz para ajudar aqueles que produzem cultura para o povo. É um atestado que o poder público não tem projetos para amparar e fortalecer a nossa cultura. O próprio rei do baião passou o chapéu nas feiras de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, quando saiu do sertão para lançar suas cantorias e composições no sul. Uma coisa, senhor secretário, é o artista se exibir nos metros de Londres, nas praças de Paris e em outros países europeus. A outra é um secretário, ou ministro da Cultura mandar passar o chapéu. São atitudes diferentes. Na Europa, muitos são de outros países que estão de passagem apresentando seus shows e espetáculos e estão até trabalhando de forma clandestina. Mandar passar o chapéu nada mais é que uma humilhação nessa circunstância específica da fala do secretário. Aliás, senhor secretário, muitos artistas estão atravessando uma situação tão difícil e carente que nem têm dinheiro para comprar um  chapéu. Já que a Secretaria quase nada oferece em termos de apoio à classe, e mandou que se passe o chapéu, posso ajudar fazendo uma doação para a pasta, pois possuo uma coleção de mais de 150 peças. Pelo menos a Secretaria entraria com um chapéu para cada um. Como se trata de uma ofensa, creio que os músicos, malabaristas, atores e outros que lidam com a arte não vão aceitar esse desrespeito. Por falar nisso, a OAB está entrando com uma ação judicial contra o desmonte da cultura no país praticado pelo governo federal. O mesmo poderia ser feito com relação a Vitória da Conquista, cuja Prefeitura Municipal abandonou a nossa cultura.

OS CILINDROS DA VIDA

Foto do jornalista Jeremias Macário. Flagrante de um descarregamento de cilindros em frente de um hospital da cidade

 

Nunca eles foram tão protagonista nesta pandemia da Covid-19 como meio de salvar vidas intubadas para devolver ar aos pulmões afetados nas UTIs dos hospitais. São os cilindros da vida que em Manaus, com sua escassez, provocaram dor, choro e lágrimas de muitos parentes que estavam com seus entes queridos à beira da morte. Eles são essenciais para o respirar. A mídia sempre está falando neles quando existe uma ameaça de falta nas unidades de saúde. Sem eles, talvez o número de mortes no Brasil, mais de 417 mil, poderia até ser o dobro. Em Manaus, inclusive, e outras cidades, muitos vieram a óbito quando as fábricas não conseguiram atender a grande demanda. Quem não viu as cenas de gentes desesperadas nas filas lutando para adquirir esse valioso tubo de oxigênio? Infelizmente, no lugar dos cilindros, o insensível governo federal mandou cargas de cloroquina. Eles não são usados para tratar um “gripezinha” qualquer. Já imaginou se o Brasil dependesse do fornecimento da China, que está irritada com as declarações desastrosas de um capitão-presidente que nem está aí para as mais de 400 mil mortes? A impressão que temos é que em nosso país temos um governo com a intenção de fazer uma seleção humana, eliminando os mais fracos, ou todos aqueles que não são assintomáticos. Está havendo um genocídio, e um dia a história vai nos punir por termos sido omissos e tolerado tantas barbaridades dos negacionistas da ciência. Ainda bem que temos os cilindros da vida.

AS MORTES E A VACINAÇÃO

 

Infelizmente, em decorrência de um monte de fatores negativos que todos os brasileiros estão cansados de saber, chegamos na fúnebre cifra de mais de 400 mil mortes no país vítimas da Covid-19, enquanto falta vacinas em vários lugares para imunizar a população. Muitas mortes e poucas vacinas. Desde o início do ano que os estados e municípios recebem os tiquinhos de lotes de doses que logo se acabam, sem contar o gasto astronômico que o país tem para transportar pequenas quantidades quando seria menos dispendioso se fossem grandes volumes em poucas vezes. Somente nesses quatro primeiros meses de 2021 foram mais de 200 mil mortes, um pico que coloca o Brasil como o segundo do mundo em número de vidas que se foram, sendo apenas superado pelos Estados Unidos, que estão em declínio por causa da vacinação em massa. Mesmo assim, o Brasil tem as portas abertas para a entrada de pessoas vindas de fora, sem medidas de restrição, enquanto nação nenhuma quer receber brasileiro em seu território, e quando entra, é obrigado a entrar em quarentena. Na “CPI do Fim do Mundo”, que não vai resultar em nada, batem boca, e o povo que se lasque.

AS TRÊS AUTORIDADES MÁXIMAS

Quem não se lembra dos tempos Colonial e Imperial no Brasil onde o bispo, o prefeito e o juiz eram as três autoridades máximas da cidade? Pois é, mas depois da  República, com uma nova Constituição, se não me engano em 1891, essa máxima  foi desfeita, pelo menos teoricamente, mas isso ainda está arraigado na cultura popular. Ainda existe até hoje aquele ditado de “vá reclamar ao bispo” quando alguém não consegue resolver um problema no judiciário, no legislativo ou no executivo. Aqui em Vitória da Conquista (foto de Jeremias Macário), a Prefeitura está ao lado da Igreja Católica, e lá “mora” o bispo. O Fórum de Conquista está mais distante, mas em outras cidades essa localização se repete, e o juiz faz parte desse conjunto arquitetônico, geralmente numa praça. No campo espiritual de hoje, quando o Brasil passou a ser “laico”, a autoridade está dividida entre o padre, o bispo, o pastor ou seu pai-de-santo, dependendo de cada religião. No aspecto civil, o juiz e o prefeito permanecem autoridades mais importantes da cidade. Quando nada é resolvido, se diz para se apelar ao papa. Como sabemos, em muitos casos, o nosso país não é totalmente laico. Em nossas cabeças, o prefeito, o padre e o juiz continuam sendo autoridades principais que são mais recorridos. Os vestígios da nossa cultura, por mais que os tempos mudem, permanecem enraizados em nós.

“CALANGO VAI, CALANGO VEM”

O bicho calango é parente da lagartixa; parece com o camaleão e tem jeito de um mini jacaré terrestre. Sabe-se que ele é catingueiro, arisco e roda o mundão da terra árida à procura de alimento. Talvez por isso lembre aquela cantiga, ou verso “Calango vai, Calango vem” por circular em várias partes. Aqui em Vitória da Conquista, José Barbosa dos Santos, de 60 anos, capixaba, mas da terra do frio, é mais conhecido como “Calango”, e pode ser encontrado em várias partes da cidade, com suas sacolas vendendo os mais variados objetos inusitados, como óculos que não quebram, canivetes, lamparinas, tesouras, utilidades domésticas, gravadores e tudo mais que você pensar. Foi o primeiro vendedor ambulante móvel de Conquista, e há 49 anos que trabalha nesse ramo. Em sua atividade, já criou e formou quatro filhos, e se diz incansável na luta. Só parou um pouco uns meses quando começou a pandemia no início do ano passado. Seu apelido de “Calango” foi bem apropriado, porque o “bicho” também gira toda a cidade e é insistente quando se trata de ganhar uma grana para manter o seu sustento e o da sua família. Quem por essa terra não conhece “Calango”? Ele pode ser visto todos os dias nos arredores da Praça Barão do Rio Branco, nas filas dos bancos e em bares e restaurantes. É o “bicho” sertanejo andador que nunca desiste do cliente. A esta altura, ele é mais conquistense que capixaba. “Calango vai, Calango vem”, e lá vai ele com suas bugigangas nas sacolas, nos bolsos e nas capangas. Pode-se dizer que  “Calango” já é um patrimônio de Vitória da Conquista





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