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:: ‘De Olho nas Lentes’

“0 VELHO CHICO” MINGUANDO

Esta foto do jornalista Jeremia Macário mostra tudo sobre o depredado  “Velho Chico”, como chamam o Rio São Francisco, que está minguando em seu leito de morte. A imagem em pleno agreste baiano foi clicada da gruta de Bom Jesus da Lapa e retrata a ponte sobre o “Velho Chico”, que tanto sustentou e ainda sustenta seu povo que vive ao seu redor. Prometeram revitalizá-lo, mas o plano não saiu do papel, e ele cada vez mais se estreita com suas margens desmatadas, cortando o sertão de terra forte. Os governantes ignoram seu apelo e só dele retiram água e mais água. Os ribeirinhos olham ele com lágrima nos olhos e uma dor atravessada no peito, de ver seu rio definhando aos poucos.

UMA MADRUGADA NA LAPA

Quando os romeiros cansados foram para seus ranchos, pensões e cabanas dormir, depois de um dia e parte da noite fazendo suas orações e promessa, em sua solidão, o jornalista Jeremias Macário flagrou com suas lentes uma madrugada em Bom Jesus da Lapa. A torre a cruz, como guardiões da cidade e dos romeiros, abençoam a todos para o outro dia. Só uma mulher, com seu rosto cicatrizado pelo tempo, a tudo observa ao seu redor e, no silêncio de sua alma, passa para seu dormitório. Tudo é calma e existência,  que vão dar lugar ao borborinho logo ao amanhecer do dia, com mais preces e pressa  em testemunhar a fé.  

PÔR-DO-SOL NO SANTIAGO

Em Juazeiro muita gente aprecia  o pôr-do-sol na orla do Rio São Francisco, o “Velho Chico”, como nesta praça  ao lado com a estátua de Santiago Maior, em imagem flagrada pelo jornalista e escritor Jeremias Macário em suas andanças pela Bahia, onde já fez muitas farras com amigos. O pôr-do-sol no “Velho Chico” é também paragem de reflexão poética e existencial.

A QUEIMADA NO PÔR-DO-SOL

Flagrante de um pôr-do-sol nas lentes do jornalista Jeremias Macário, em Bom Jesus da Lapa. Por si só, a imagem já diz tudo na linda paisagem e a na triste queimada no agreste do sertão em tempos secos.

O SOCIAL E O CAPITAL

Foto do jornalista Jeremias Macário, na Praça Nove de Novembro, em Vitória da Conquista, durante o embate entre o social e o capital que, diante do progresso, pressionou o poder público para retirar os ambulantes de artesanato do local por conta de dar uma imagem aparentemente mais desenvolvida à cidade, dentro dos padrões “civilizatórios”. Na luta pelo espaço, o artesão fez uma greve de fome, mas cometeu um erro de português. Isso não importa. O importante é que deixou uma mensagem social sobre a situação do nosso país que privilegia o capitalismo selvagem que criou mais de 13 milhões de desempregados, graças à política burguesa dos nossos governantes.

A VELHA SALVADOR

Foto do jornalista Jeremias Macário em uma de suas andanças. É a Velha Salvador, a primeira capital do Brasil de muitas histórias e cheia de contradições, numa mistura de raças e religiões. O Elevador Lacerda é um de seus cartões postais, dividindo a cidade em alta e baixa, com seus encantos e tradições, mas que ainda precisa muito de cultura e educação para ser uma verdadeira capital turística e receber bem seus visitantes, não só pensando na exploração do “gringo” como se diz por lá. Quer queira ou não, Salvador ainda tem o ar provinciano onde museus não abrem aos domingos e feriados e fecha suas portas na hora do almoço. Tem um museu Afro-Brasileiro que bem poderia ser uma preciosidade, mas carente em termos de mais peças da cultura afro e de estrutura para receber seus visitantes. Recentemente estive no museu e senti uma grande lacuna na falta de apoio do poder público. Já o Museu Cota Pinto, no Corredor da Vitória, é um luxo de jóias crioulas, peças antigas de jacarandá, pratarias e louças nobres da Inglaterra e de Portugal. Infelizmente, deixa a transparecer aquele quadro colonial da Casa Grande e Senzala, descrito pelo escritor pernambucano Gilberto Freire.

 

TEM DE TUDO

Foto do jornalista Jeremias Macário, mais uma vez na Feira do Rolo, no Bairro Brasil. Lá tem de tudo, até jumento pra vender, moto e carroças para frete das bugigangas e miçangas. É uma tribuzana na Feira do Rola. Se ainda não visitou, vá lá num domingo e confira a verdadeira expressão da cultura popular.

NA FEIRA DO ROLO

Foto do jornalista Jeremias Macário que flagrou a Feira do Rolo, lá no Bairro Brasil todos os domingos. Lá tem de tudo

que se procura, desde causos contados para se dar risada e se relaxar do estresse, até prego, martelo, churrasqueira velha, cabides, ferro antigo de passar, bule, chaves para abrir portas, controle remoto, tem moto, camisa e calça usadas, tem serrote, pote, moringa, pinga e você pode pechinchar e ainda jogar uma conversa fora. A Feira do Rolo é lá no Bairro Brasil. É tudo de uso, tudo barato e você encontra até parafuso.

SAUDOSOS FUSQUINHAS

Foto do jornalista Jeremias Macário que flagrou com suas lentes a pose dos saudosos fusquinhas que fizeram sucesso no país no meado do século passado até o final dos anos 90 quando expurgaram do mercado. Quantas lembranças! Alguém ai pode até dizer: Ah seu meu fusquinha falasse! Namoros, traições e outras coisas. Quem da velha geração não teve um?

OS ESQUECIDOS

Foto do jornalista Jeremias Macário, que mostra a cara miserável do nosso país onde milhões vivem hoje na extrema pobreza, enquanto as três castas do poder se divertem em suas mordomias ne privilégios em sua mansões. São os esquecidos retirantes que se movem de um lugar para outro e continuam sem teto, pão e a dignidade de viver como ser humano. A pátria só é amada quando ela cuida bem de seus filhos.





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