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:: ‘De Olho nas Lentes’

A PRAÇA É NOSSA POESIA

Nas lentes do jornalista Jeremias Macário, em ângulos diferentes, a Praça Tancredo Neves respira gente, muitas árvores, flores, palmeiras, água, aves e poesia. Como dizia o poeta, a  praça é nossa, como o céu é do Condor, e essa é de todos os conquistense a mais visitada. É para lá que muitos vão namorar, meditar, rezar e até fazer suas poesias em homenagem à natureza, à vida, à morte e ao ser humano. Nela também está um monumento que homenageia muitos baianos que foram tombados durante a ditadura civil-militar de 1964, por discordarem do regime opressor dos generais. Em maio de 64, uma tropa de 100 soldados invadiu Conquista para prender e cassar cerca de 100 políticos, vistos pela ditadura como subversivos e comunistas, inclusive o prefeito Pedral Sampaio, que foi arrancado, inconstitucionalmente, à força do seu cargo. A ditadura passou, mas a praça com suas ideias continua nossa. É lá que as pessoas vão se relaxar do estresse do dia a dia. Pena que muitas outras da cidade andam meio abandonadas e sem o devido cuidado, como a da Tancredo Neves, bem no centro da cidade, sempre exibindo toda sua exuberância em união permanente com o céu e a nossa alma. É o nosso cartão postal. É o coração verde que pulsa e bomba o sangue para todo nosso corpo.

POVO SOFRIDO E RESIGNADO

O nosso povo brasileiro é sofrido e resignado, que passa dias numa fila exposto ao sol e à chuva por um auxílio, para suprir suas necessidades prioritárias de sustento, como o alimento para matar a fome dos seus. É também, infelizmente, um povo culturalmente safado e corrupto que rouba esse auxílio dos mais pobres, e ainda vai dormir sem nenhum remorso de consciência. Aliás, são esses ladrões salteadores que mais dormem tranquilo, sem nenhum remorso na consciência, porque nem estão ai para a pobreza dessa nação de filhos escravizados e submissos a torturas desumanas, como passar um dia na porta de um banco para tirar uma ajuda, que não é do governo, mas do suor do nosso trabalho. Mais cruel ainda é voltar de mãos vazias. É triste viver num país tão desigual, de mais de 70 milhões que vivem na corda bamba da pobreza, incluindo ai a extrema. Não posso ter orgulho do meu país que deixa seus filhos passando fome e sendo submetidos a tantas injustiças, vendo seus direitos sendo surrupiados. Não posso ter orgulho de um país onde é negada a educação para seus filhos, jogados no poço escuro da ignorância. Não posso ter orgulho do meu país onde 10% da sua população detém mais de 40% das riquezas, se deleitando em suas mordomias. Não posso ter orgulho do meu país onde o Congresso Nacional é um dos mais caros do mundo. Não posso ter orgulho do meu país onde mais da metade da sua população de 230 milhões não têm saneamento básico e moram em casebres, palafitas e favelas, com esgotos a céu aberto, sem água potável. Não posso ter orgulho do meu país que ainda vive sob o poder da chibata dos senhores poderosos. Não posso ter orgulho do meu país onde ainda persiste a escravidão dos mais pobres, pretos e brancos. Não posso ter orgulho deste país onde ainda se enaltece a homofobia, o racismo e a discriminação em geral. Quando vejo filas como nas fotos clicadas por mim (Jeremias Macário) rasga em meu peito a dor de viver num país tão injusto socialmente, dependendo das migalhas que saem dos banquetes de uma casta que transformou nosso Brasil num dos países mais pobres do mundo.

CONQUISTA 180

No próximo dia 9, Vitória da Conquista estará completando 180 de emancipação política, marcando a instalação do Conselho Municipal, na hoje versão da Câmara Municipal de Vereadores. O seu presidente foi o primeiro intendente da cidade. Uma pena que poucos conquistenses aqui nascidos sabem da sua verdadeira história, suas origens, seu fundador e como nasceu a vila, que depois de 180 anos se tornou na terceira maior cidade da Bahia, com cerca de 350 mil habitantes. De um modo geral, os brasileiros pouco sabem da história do seu país, do seu estado e do seu município. A história do seu povo é a história da sua identidade, da sua cultura e costumes. O mestiço, ou negro português, João Gonçalves da Costa, é pouco lembrado pelos conquistense e, na maioria das vezes, só citado como matador sanguinário dos índios aimorés e mongóis, descendentes dos Pataxós-mocoxós.  Seu nome só foi colocado numa pequena praça, próxima da Prefeitura. Quase ninguém sabe localizá-la e desconhece sua existência. Na procura pelo ouro, Conquista nasceu agropastoril, com a criação do gado bovino e, muito tempo depois,  veio se destacar na agricultura, principalmente do café nos anos 70 e 80. Hoje, seu carro-chefe é o comércio, que se desenvolveu mais ainda com a implantação do ensino superior. Primeiro foi a universidade estadual do sudoeste da Bahia. A partir dos anos 2000, Conquista experimentou uma grande avanço através da universidades federal e com a chegadas de várias faculdades privadas. Infelizmente, seu crescimento não foi acompanhado pela demanda de projetos na área da infraestrutura. Portanto, a cidade hoje ainda é carente de grandes obras nos setores de mobilidade urbana e de abastecimento de água, com a prometida construção de uma barragem de porte que atenda as reais necessidades da população. É bom lembrar também que Conquista já foi a cidade dos coronéis e intendentes, que mandavam com mão de ferro, ou na base do fuzil. A foto antiga, reprodução do fotógrafo José Silva, da Praça 9 de Novembro, inclusive, foi palco de lutas e disputas entre os coronéis, mas também de alegria com os antigos carnavais.

ESQUECERAM DO “VELHO CHICO”!

É, meu “Velho Chico”, faz um ano que estou aqui sem poder ir lhe fazer uma visita, como sempre faço duas vezes no período de 12 meses! A pandemia da Covid-19 impediu que eu viajasse até ai para sentir de perto seu leito mais encorpado com as águas das chuvas que caíram em suas cabeceiras. Ainda bem que, com todos percalços e desventuras, São Pedro mandou chover e lhe tirar da UTI em que se encontrava com a sequidão! Com mais água correndo em suas margens, ninguém fala mais de suas necessidades de revitalização, principalmente com este governo da morte que quer destruir o meio ambiente. Apesar de paradoxal, quando batem as águas, todos esquecem de você, inclusive a nossa mídia, e só voltam a citar seu nome quando seu leito se encontra em estado terminal de penúria. As águas sobem, e aí eles acham que está tudo resolvido, até que venha outra temporada de estiagem.  Nessas épocas, todos começam, falsamente, a lamentar suas perdas e o seu prenúncio do fim, desde os ribeirinhos, ambientalistas, pescadores e os que curtem sua orla nos momentos de lazer e prazer. Quando você está cheio, eles só querem aproveitar suas riquezas e belezas, sem se preocupar em lhe preservar das depredações. Os seres humanos são assim mesmo, muito ingratos! Querem mais receber do que doar, não sabendo que o tempo de desgaste pode acabar de vez com sua exuberância e abundância. Ai, não adianta mais chorar!

A GANÂNCIA DO AGRO!

É, meu amigo, até nas feiras e mercados populares, os preços dos produtos estão caros, como na “hora da morte”, como diz o ditado popular. Além do arroz, outro vilão é o óleo de soja, tudo por causa da ganância do agronegócio que, ao invés de levar comida à mesa dos brasileiros, principalmente os mais pobres, prefere exportar seus produtos para o exterior, especialmente para a China. A soja, por exemplo, é transportada para aquele país para servir de ração para os animais. Como os preços internacionais estão altos com a subida do dólar, os brasileiros são obrigados a pagar por esses custos.  Se o Brasil tivesse um governo sério, priorizaria primeiro o mercado interno, para depois exportar os excedentes. No entanto, temos um governo que privilegia os grandes ruralistas, que ainda derrubam e queimam nossas matas, para expandir suas plantações. Cinicamente, ainda dizem que botam o alimento na mesa dos brasileiros. A mesma coisa acontece com o arroz, cujos agricultores deveriam ser proibidos de exportar o produto, para atender a demanda do mercado interno. O paradoxo é que todo arroz é exportado, e o mesmo grão é importado por um alto preço para abastecer as necessidades internas. O maior absurdo ainda acontece com a importação da soja, quando o país tem uma produção de sobra com relação ao consumo.

QUEM SÃO OS PAIS?

Não que os animais não mereçam nossa atenção e cuidado, mas em tempos atuais de tecnologia e redes sociais, o problema humano é coisa secundária. Houve inversão dos valores. Primeiro temos que debater a questão dos moradores de rua, que são humanos passando fome e frio nas calçadas e, em seguida, levar aos políticos a discussão do animais que vivem nas ruas. Ontem foi o Dia do Professor e deveria ser uma boa pauta para o pleito eleitoral. Infelizmente, nosso povo não quer mais saber de educação e cultura. Entretanto, o assunto da foto ,clicada pelo jornalista e escritor Jeremias Macário, é da Via Perimetral J. Pedral. Gostaria só de saber quem são os pais dessa criança? Pela mensagem que passa no horário eleitoral, a impressão que se tem é que a obra é do atual prefeito que está na caminhada pela reeleição. Tempo de campanha eleitoral, tempo de mentiras! Em pontuação, é a maior vencedora disparada do pleito.  A verdade é a maior vítima.  Das “Justiças” , a eleitoral é a pior de todas.

O NORDESTINO

O Nordestino tem o seu destino e. como dizia o escritor Euclides da Cunha, é acima de tudo um forte para vencer as intempéries da da vida e da seca, mesmo diante das perdas. Ele sempre começa tudo de novo, com fé e esperança. Ontem, dia 8, foi dedicado ao Nordestino, mas sem comemorações e poucas lembranças sobre o homem que fez do Nordeste uma fonte preciosa de cultura, com seus repentistas, trovadores, escritores e poetas famosos, músicos da canção popular e com seus cordéis que encantaram o Brasil e todo o mundo. Os governantes têm hoje uma grande dívida para com o Nordeste e os nordestinos, que se arrastam há séculos. As lacunas deixadas na educação e na cultura, por estratégia dos próprios políticos que só prometem, são há anos aproveitadas para fazer do nosso sertanejo uma peça de manipulação com suas esmolas através de bolsas famílias e outros “mimos” para angariar votos e apoio popular. São profundas as desigualdades sociais da região se comparadas ao sul e ao sudeste. Os nordestinos, até hoje são discriminados, apesar da sua história de construtores dos grandes centros desenvolvidos do país. Uma das fotos mostra a imagem do jumento, símbolo do Nordeste que, infelizmente, está sendo extinto pela ganância do capital selvagem e voraz. A simplicidade é a sua filosofia; a natureza, a sua arquitetura; o pedaço de terra, a sua geografia; o barro, a sua escultura; a seca, a sua prova de luta; e a chuva, o seu show da vida. Assim é o sertanejo nordestino descrito poeticamente pelo jornalista e escritor Jeremias Macário em um de seus livros. Salve o Nordestino, com seu repente e seu destino de vencedor!

NA ESPERA DE NOVOS PROJETOS

Fotos de Jeremias Macário

Estamos na corrida eleitoral para vereadores e para prefeito, que irão comandar por mais quatro anos os destinos da terceira maior cidade da Bahia. E o que Vitória da Conquista mais espera dos candidatos eleitos? Diria que mais projetos de infraestrutura que estejam à altura do tamanho da nossa cidade. Um dos primeiros é a questão da água através da construção de uma nova barragem, cujo empreendimento caiu no esquecimento depois que São Pedro mandou chuvas mais constantes para o município. É bom lembrar que se trata de uma promessa política de mais de 20 anos, passando pelos governos do PT. Outro problema sério é quanto à mobilidade urbana onde o transporte coletivo é um caos, e o povo sofre com falência de empresas e ônibus lotados caindo aos pedaços. Conquista necessita de inovações com outros meios de deslocamento, como BRT e VLT. Mesmo com algumas mudanças (novos semáforos, aberturas de algumas ruas e outras sinalizações), o trânsito continua travado, e não é a tal reforma do apertado Terminal de Lauro de Freitas que vai desafogar as ruas e avenidas. Locais de lazer e entretenimento  são outras urgências para que a nossa cidade se torne mais humana, com melhor qualidade de vida. Não basta urbanizar algumas praças e avenidas. A Lagoa das Bateias continua abandonada, suja e sendo local de despejo de esgotos. Nada se fez nos últimos oito anos para que o local passasse a ser atração de todos moradores em finais de semana. Outra carência é a falta de uma política cultural que contemple todas as linguagens artísticas, como artes plásticas, literatura, teatro, dança, música e demais expressões. A cultura tem sido tratada como um objeto de decoração na mesa do prefeito. Como prioridade de tudo isso, está a educação que precisa ser bem mais valorizada, tanto o corpo docente como discente. Pelo seu porte, Conquista espera por obras de grande porte e de uma Câmara autêntica, competente e fiscalizadora, que não passe todo o tempo dizendo amém para o poder executivo, aprovando moções de aplausos e fazendo assistencialismo. Por fim, vamos elaborar um novo plano diretor urbano, para o seu ordenamento.

UMA AVE RARA E SÁBIA

Dizem que a coruja simboliza sabedoria, talvez por isso seja uma ave rara e difícil de ser encontrada em nossa natureza e no reino animal. Quando vista em algum lugar, bate logo aquela vontade de dela se fazer uma imagem como recordação, mais ainda quando se está com uma máquina ao lado. Não é fácil chegar perto, sem antes bater suas asas para outro ponto distante. Tive sorte dela se deixar ser fotografada pelas minhas lentes, mesmo com seu jeito cismado do tipo sertanejo matuto que demora para confiar no estranho. Além de ser uma curiosidade, a coruja não é muito de se enturmar e se relacionar com outras espécies. Não é de muito ajuntamento e aglomeração, como nos tempos atuais de pandemia. Pelo menos neste aspecto temporário, devemos seguir seu exemplo e sermos  sábios como a coruja, para evitar ser contaminado pelo vírus e passar para outros.  Em seu próprio habitat, e quando está sozinha, ela nos passa uma importante lição, de que sejamos observadores com o que acontece em nosso entorno. De qualquer forma, é um predicado de sabedoria. Apesar de chamar a atenção quando é vista em algum lugar, ela nem está ai para bonitezas onde faz seus descansos meditativos sobre o tempo, tanto que existe aquele ditado de que “quem gaba o toco é a coruja”. A coruja nos passa introspecção e nos faz pensar na vida, nos deixando mais leve e relaxado. Ao vê-la quieta, fico imaginando o que ela está pensando em fazer.

A CARA DA MISÉRIA!

A triste imagem é um flagrante “pipocado” das lentes da máquina do jornalista Jeremias Macário, que retrata a miséria em nosso país, piorando cada vez mais nos últimos anos. Pesquisa recente do IBGE registrou mais de 20 milhões de brasileiros que vivem hoje na extrema pobreza, o que quer dizer, passando fome, uma tremenda vergonha para o Brasil que não cuida de seus filhos. A foto é de moradores de rua, em Vitória da Conquista, na Praça Barão do Rio Branco, que se somam a outros milhares ou milhões espalhados em todo país. Na mesma situação, ou até pior, existem as milhares de famílias que vivem amontoadas em casebres  sujos, expostas aos esgotos a céu aberto, com crianças e idosos que dormem com a barriga vazia e acordam como mortos-vivos zumbis. Para piorar mais ainda o quadro, são os mais vulneráveis à pandemia. Já disse o poeta cancioneiro que “o Haiti é aqui”. Enquanto isso, o resto da nação menos pobre sustenta  várias castas nos poderes com suas mordomias de supersalários,  que ainda dão o luxo de roubar e não serem punidos. A maioria que foi presa pela Força Tarefa da Lava Jato, em estado terminal, está voltando para suas casas, para reorganizar suas quadrilhas de corruptos. Com todo esse quadro de miséria, o Brasil mantém um Congresso Nacional, 27 assembleias legislativas e mais de cinco mil câmaras de vereadores mais caros do mundo. É o paradoxo de um país rico que exibe para o mundo um dos piores índices em termos de desigualdade social. Tudo isso porque assassinaram a educação. Na falta dela, só ignorância, submissão, alienação, opressão e injustiças, que os governantes aproveitam para a perpetuação no poder. Mais pobreza e mais crianças nas ruas a chorar de fome! Todo essa situação só faz engrossar o caldo da violência. Os pobres geram mais filhos, e a fé na religião diz que foi assim que Deus quis. Triste Brasil! Oh quanta dessemelhança!





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