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:: 9/set/2021 . 23:48

NOSSOS RIOS ESTÃO MORRENDO

Há uns dois anos, ou pouco mais que isso, o nosso cansado Rio São Francisco, mais conhecido como o “Velho Chico” ocupava manchetes na mídia em geral pelo seu estado terminal de falência de seus órgãos devido a uma prolongada estiagem, mas a causa principal era a mão destruidora e facínora do homem que dele tudo tira e quase nada repõe para sua proteção. Era grande o clamor dos ambientalistas, ribeirinhos e defensores dos nossos rios, exigindo dos governantes a realização de projetos de revitalização. Foi só São Pedro mandar cair chuvas dos céus e não mais se ouviu cobranças em favor do “Velho Chico”, que deu uma revigorada, mas vulnerável a qualquer seca. Com a crise hídrica batendo na porta dos brasileiros onde nossos rios estão morrendo, com os reservatórios em níveis mais baixos dos últimos tempos, volta-se à mesma questão que logo pode ser esquecida com novas enchentes. O homem, a maior praga do planeta, é mesmo cruel, perverso e ingrato, mas um dia tudo vai se acabar porque os desmatamentos, as queimadas, as retiradas da vegetação e areias de suas nascentes e margens avançam pelo vil lucro de se ganhar mais dinheiro. Novamente, o nosso “Velho Chico” pede socorro, e ainda tem parlamentar baiano que nega aprovação de recursos para que ele continue a viver, mesmo nas adversidades do tempo. Suas margens, como a de outros rios pelo Brasil a fora, estão depenadas pela ação humana. Suas águas baixaram, e o país pode sofrer apagões, o que significa ficar às escuras. Não é só a falta de energia, mas também a escassez de alimento quando os nossos rios começam a morrer, caso específico do “Velho Chico” onde grande parte da sua foz é de água salgada. É o mar invadindo e empurrando o rio de volta até a morte.

VISÕES DAS ÁFRICAS

Poema acabado de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Nasci na Região dos Grandes Lagos,

Ao pé do Baobá da Montanha da Lua,

Entre reis e adivinhos de Muzagos,

Onde a livre aldeia da mãe terra flutua,

No triângulo dourado da escravidão,

Nas visões geográficas das Áfricas.

 

Sou do Congo belga sanguinário,

Da Etiópia do Mussolini ditador,

Da Argélia dos tambores da dor.

Da Península Ibérica das Áfricas

 

Cresci bantu-ketu-jeje Magrebe,

Lamento negro criado no arado,

Sou do Crescente Fértil sumério,

Um lambuzo do império mulato,

Nas visões lendárias das Áfricas.

 

Não mais gado domado do colonizador,

Sou a voz de Mandela, sim Senghor,

Soynka, Mia Couto, Diop, Chebel e Cabral,

Fela-Kuti, Fanon, Mudimbe e Fatema,

Pan-africano com minha raiz cultural,

Na arte da escrita, da música e do cinema,

Nas visões dos “Intelectuais das Áfricas”.

 

Sou da Guiné, Benin, Angola e Senegal,

Rota das correntes, massacres de horror,

Carnes da negritude curadas com sal,

Forte como as ondas do mar Orixá Criador,

Nas visões históricas islã das Áfricas.

 

 

 

CIGANOS PRESTAM DEPOIMENTO

A pedido do Instituto dos Ciganos do Brasil-ICB, os ciganos vítimas de violências e ameaças depois da morte de dois policiais no dia 13 de julho deste ano, no distrito de José Gonçalves, em Vitória da Conquista, estão prestando depoimentos à Justiça em audiências fechadas sem a presença da imprensa devido ao sigilo das testemunhas.  Nove pessoas serão ouvidas, mas outras deverão ser incluídas ao longo do processo.

O ICB preparou um relatório minucioso e encaminhou para várias instituições de direitos humanos no Brasil e no exterior, inclusive solicitou a federalização dos crimes em Vitoria da Conquista e região. Com exceção do ICB, da equipe de trabalho e dos depoentes, ninguém está tendo autorização a participar das audiências.

Na manhã do dia 13/07, numa terça-feira, dois policiais militares, 1ª Cl PM Robson Brito de Matos, 30 anos, e o 1º Ten PM Luciano Libarino Neves, 34 anos, morreram após troca de tiros com os ciganos no município de Vitória da Conquista, no distrito de José Gonçalves. As unidades de cidades vizinhas da PM, com apoio da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT/Rondesp Sudoeste), e de outras Companhias Especializadas fizeram um cerco na região para capturar os ciganos, que fugiram em veículos.

Na caça aos ciganos, oito deles foram mortos, inclusive menores. De acordo com a versão do comando da polícia militar, em todas as operações houve reação dos suspeitos pelas mortes dos soldados. O pai dos ciganos chegou a ser baleado e preso. A matriarca com os netos e outros familiares foram obrigados a fugir de Conquista por causa de ameaças e atos de violência.

Como forma de apoio, o Instituto implantou o Grupo de Apoio as Comunidades Ciganas Solidariedade, Respeito, Esperança e Responsabilidade (Gacoc) dentro de um acordo ético de sigilo. Esse Grupo foi formado a partir da necessidade de se criar uma comissão de proteção e incentivo às famílias enlutadas pelas mortes dos ciganos, bem como, em prol das mulheres ciganas e suas crianças, que foram inseridas no Provita/SP, no dia (26/07) e, por falhas no processo deste acolhimento, causando insegurança para estes vulneráveis, que temendo represálias, abandonaram o programa e foram acolhidas, no dia (2/08), pelo ICB.

De acordo com nota do Instituto, os excessos da polícia, no entanto, se espalharam por toda comunidade. As famílias foram desalojadas e perderam todos seus bens. O ICB luta contra toda e qualquer forma de preconceito, como homofobia, anti-ciganismo, ciganofobia, racismo, sexismo e machismo.

A questão agrária

Na data dos acontecimentos, em 13 de julho, consta ainda da nota que o cigano Solon Mattos revelou à matriarca que o acampamento do seu povo estava correndo perigo. Na ocasião, houve troca de tiros e dois policiais foram mortos.

A matriarca narra que a cigana Rita Mendes e seu filho Solon tinham informado dois dias antes do 13 de julho que algumas pessoas da redondeza estavam incomodadas com o acampamento e que os vinte e dois lotes que comprados era de outra pessoa poderosa, e que iriam dá um jeito para tirar nossa terra.

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