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:: 7/set/2021 . 0:50

QUE INDEPENDÊNCIA?

Dizem os historiadores e muitos estudiosos que a nossa “independência” de Portugal, chamada de “Grito do Ipiranga” (serviu até de galhofas e deboches) não aconteceu nenhum tiro, assim como na Proclamação da República, em 1889, coisas inéditas no planeta. Esse é o nosso Brasil varonil, deitado em berço esplêndido.

No entanto, a história não foi bem assim. Até antes da data de 1822, principalmente a partir do século XVIII, ocorreram muitos levantes, movimentos e rebeliões em vários cantos – Confidência Mineira, Alfaiates, a Revolução Pernambucana e tantas outras manifestações – em favor da libertação do jugo de Portugal.

Não podemos esquecer que em 1823 – sete meses depois – houve sim, lutas na Bahia, e sangrentas, para expulsar em definitivo os portugueses do território brasileiro. Então, não foi tão assim na chacota, de que não houve tiros e batalhas. No 7 de setembro, D. João VI já não queria mais bancar a colônia depois dos conquistadores terem levado tudo de nós. Rasparam o tacho, como se diz no popular.

Quinhentos e vinte e um anos depois continuamos vivendo nessa tremenda confusão de incertezas e indecisões, como um adolescente ou uma pessoa que ainda não encontrou o seu caminho. Vivemos ainda no sofá do divã do psicanalista, sem saber quem somos e para onde vamos. É triste dizer isso, mas é uma realidade nua e crua.

Ainda estamos lutando pela nossa independência social e econômica, principalmente. Hoje, os maiores inimigos estão dentro do nosso próprio país e são aqueles contrários à liberdade e a igualdade. Existe uma elite atrasada, com a mesma mentalidade de há mais de 500 anos, que não aceita o pobre crescer na vida.

Depois de mais de 500 anos ainda continuamos sendo exportadores de matérias-primas (ferro, petróleo cru, soja, milho, café, algodão e carnes), dependentes de produtos industriais, tecnologia sofisticada, da química fina e da pesquisa vindos de outros países. Nossa educação é uma das piores do mundo, bem como as desigualdades sociais.

Depois de mais de 500 anos ainda valorizamos mais a cultura de fora do que a nossa, estampando camisas de super-heróis norte americanos com letreiros em inglês, ao invés dos nossos personagens e animais dos nossos biomas. Seguimos derrubando as matas e destruindo nosso ecossistema.

Nesses mais de 500 anos nos acostumamos a conviver mais com a opressão do que com a liberdade democrática, e agora monstros do retrocesso e do golpe rondam as nossas vidas. A corrupção se tornou na maior praga da nossa terra, e mais de 30 milhões de brasileiros passam fome. A cidadania está longe do alcance da grande maioria.

Depois de mais de 500 anos permanecemos emergentes, vivendo num capitalismo selvagem onde o trabalhador não passa de um escravo disfarçado de colaborador. Não bastou o grito de independência, e não atravessamos ainda o portal da Velha República para uma sociedade nova e mais igualitária.





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