Do meu quintal cercado de plantas (algumas floridas), pássaros a cantar, o beija-flor a bailar e entre hortas da terra viçosa, fico a mirar as nuvens e o tempo que sempre estão mudando de posições, de acordo com a direção do vento, ora forte e fraco, do sul, do oeste, leste e norte como se fossem nossas vidas cotidianas. A depender do tempo, as nuvens mudam, ficam leves esparsas e pesadas, cuspindo suas rajadas como que anunciando tempestade, como nas imagens captadas pelo jornalista e escritor Jeremias Macário. São imprevisíveis como os seres humanos dos tempos atuais, que sempre mudam de roupagem. É a metamorfose ambulante como na canção do poeta compositor Raul Seixas. Com as bruscas mudanças climáticas, decorrentes da intervenção humana na natureza, o vento quente, repentinamente, se torna frio. Assim vivemos no Brasil de hoje onde predominam as incertezas, com nuvens sombrias e tempos de medo e falta de esperança. Quando o céu está limpo, dizem que é céu de brigadeiro, de se voar tranquilo. Na atualidade, quando olhamos para o alto, só enxergamos nuvens carregadas, ventos incertos de trovoadas de correntes elétricas, num tempo de divisões, com imagens e figuras estranhas como as nuvens que cortam nossas cabeças.