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:: 20/ago/2021 . 23:33

“LENDAS BRASILEIRAS” – CÂMARA CASCUDO

DIA DO FOLCLORE – 22 DE AGOSTO.

Quando se fala em folclore lembra-se logo do grande escritor potiguar Luis da Câmara Cascudo que se dedicou ao tema. Com o estrangeirismo na nossa língua e o complexo de se imitar tudo que vem de fora, infelizmente nossa juventude prefere incorporar, em corpo e alma, os super-heróis norte-americanos (falha da nossa educação) até em cadernos escolares e esquece dos nossos personagens folclóricos. Em meio a essa perda de identidade, poucos comemoram o dia 22 de agosto, dedicado ao nosso rico folclore brasileiro. Outros nem sabem o que seja folclore.

Primeiro vamos conhecer um pouco sobre o mestre nesse assunto, Câmara Cascudo, que veio lá do Rio Grande do Norte. O professor Osmar Barbosa nos apresenta que ele iniciou sua carreira literária como jornalista do periódico “A Imprensa”, de Natal, de propriedade do próprio pai. Iniciou seus estudos de medicina na Bahia, mas por questões financeiras, se bacharelou em Direito pela Faculdade de Recife.

Câmara nasceu em 30 de dezembro de 1898 e faleceu em 30 de junho de 1986 (coincidência do 30). Era filho do coronel Francisco Justino de Oliveira Cascudo e Ana Maria da Câmara Cascudo. Na juventude, viveu na chácara Villa Cascudo, no bairro Tirol. Em sua casa acompanhava desde criança as reuniões literárias que ocorriam entre a família e amigos. Com 19 anos ingressou no jornal do seu pai, e sua primeira crônica foi “Tempo e Eu”.

Em 1920 escreveu a introdução e as notas na antológica poética de Lourival Açucena, intitulada “Versos Reunidos”. Em 1941 fundou a Sociedade Brasileira de Folclore. Foi professor de Direito Internacional entre os anos 50 e 60. Em sua viagem pelo exterior, esteve em Angola, Guiné, Congo, São Tomé, Cabo Verde e Guiné-Bissau. Com resultado, escreveu “A Cozinha Africana no Brasil” (1964) e “História da Alimentação no Brasil”, entre 1967 e 1968.

Aos 21 anos, Câmara lançou seu primeiro livro “Alma Patrícia” sobre autores do Rio Grande do Norte onde foi professor de Direito Internacional. Em sua vida, publicou mais de 50 volumes.  Sempre manteve suas raízes fincadas em sua terra natal, cercado de pessoas humildes e velhos amigos, quando poderia ter gozado de grandes prestígios em outros centros culturais do país.

Diz o professor Osmar, que Câmara fez-se notável folclorista dedicando todo seu tempo a buscar conhecimento no assunto. Foi o primeiro a compor um Dicionário do Folclore Brasileiro. Entre seus trabalhos merecem destaque Vaqueiros e Cantadores, Lendas Brasileiras, Contos Tradicionais do Brasil, Geografia dos Mitos Brasileiros, Trinta Estórias Brasileiras, Vida e Conto de Cangaceiros e Tradição e Ciência do Povo.

“Lendas Brasileiras” contém 21 histórias, tais como A Lenda de Iara, Cobra Nonato, Lenda da Sapucaia-Roca e Barba-Ruiva relacionadas à região Norte. Com referência ao Nordeste, destacam-se A Cidade Encantada de Jericoacoara, Carro Caído, Senhor do Corpo Santo, As Mangas de Jasmim de Itamaracá e A Morte de Zumbi. Para o oeste, O Frade e a Freira, A Serpente Emplumada da Lapa e O Sonho de Paraguaçu. Para a região Sul, O Negrinho do Pastoreio, A Lenda da Gralha Azul, Fonte dos Amores, A Virgem Aparecida e a Lenda de Itararé. Para o Centro, Tatus Brancos, A Missa dos Mortos, Chico Rei e Romãozinho. São lendas oriundas do folclore e da poesia dos estados brasileiros.

De acordo com o professor Osmar, não se faz literatura sem tradição popular. “O próprio classicismo termina se inspirando nas fontes mitológicas da velha Grécia. O folclore é um ramo da ciência antropológica que estuda as manifestações coletivas da cultura popular, abrangendo estudos e classificação de países civilizados através de contos, lendas, fábulas, canções, crendices, superstições, usos, costumes e adivinhações”, entre outras.

“Ainda hoje em todo mundo os estudiosos do tema examinam objetos, utensílios, tipos de habitação e trajes típicos regionalistas. Em todos países existem lendas, apólogos, costumes e superstições, unindo a tradição popular que faz parte da alma de um povo”. Para o professor, “os contos populares do Brasil têm o sabor de uma fruta do mato, o cheiro agreste da flor mais viçosa, a fantasia colorida com as tintas da nossa selva e o encanto de um primitivismo tropical”.

O escritor João Ribeiro dizia que “o folclore é uma pesquisa de psicologia dos povos, das suas ideias e seus sentimentos comuns, do seu inconsciente, constituindo a fonte viva donde saem os gênios…”. No folclore, a literatura encontra o veio certo para produzir obras imortais da arte que dão glória a um povo.

“Vaqueiros e Cantadores” – folclore poético do sertão de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, de Luis da Câmara Cascudo, fala dos temas O Desafio, A Donzela Teodoro, Boi Surubim, O Padre Cícero, Pedro Malasarte, As Lendas de Pedro Cem, a Criação do Mundo, A Princesa Magalona e Sertão d´Inverno.

“Tanto pego boi no fechado como canto desafio”. Câmara afirma que neste livro ele reúne quinze anos de sua vida. Notas, leituras, observações, tudo compendiei pensando um dia neste “Vaqueiros e Cantadores”. Diz o autor que o material foi colhido diariamente na memória de uma infância sertaneja, despreocupada e livre.

“Vivi no sertão típico agora desaparecido. A luz elétrica não aparecera. O gramofone era um deslumbramento. O velho João de Holanda, de Caiana, perto de Augusto Severo, ajoelhou-se no meio da estrada e confessou, aos berros, todos os pecados, quando avistou, ao sol-se-pôr, o primeiro automóvel”.

 

FÓRUM ELEGE CONSELHEIROS

A cultura conquistense precisa retomar suas referências do passado através de ações e projetos que contemplem todas as linguagens artísticas, pois aqui temos um celeiro de talentos que carecem de ser reconhecidos. Uma das intenções é resgatar a cultura popular com apoio do poder público por meio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer.

Essas proposições foram levantadas durante o Fórum do Conselho Municipal de Cultura, realizado ontem no auditório do Cemae quando, na ocasião, foram eleitos os novos conselheiros para o biênio 2021/23, inclusive o jornalista e escritor Jeremias Macário como titular do eixo 4 – literatura, livros, leitura e biblioteca (titular), tendo como seu suplente Armênio Souza.

Por falta de quórum suficiente, o eixo 5 – patrimônio cultural material (patrimônio histórico) e imaterial (culturas populares), haverá uma reunião na próxima quarta-feira (dia 25/08), às 14 horas, para escolha dos membros e posse dos novos conselheiros. No eixo 1 – artes plásticas e visuais foi eleita Valéria Vidigal (titular) e Jadiel Gonçalves (suplente), no eixo 2- Música, foi escolhido Tales Figueiredo Dourado (titular) e Ricardo Marques (suplente) e no eixo 3- artes cênicas, Hendye Graciele Dias e Yarle Ramalho.

Uma mesa composta pelo secretário de Cultura, Xangai, professor e secretário da Educação, Edgar Lary, e Maris Stella abriu os trabalhos por volta das 10 horas (uma hora de atraso do previsto), com a presença de artistas da música, das artes plásticas, da literatura, do teatro e de outras áreas.

Talvez por falta de uma maior divulgação na mídia, foi pequena a participação de mais pessoas da sociedade, uma falha que deve ser corrigida, pois a cultura deve ser vista como de suma importância social e econômica, sem contar que ela é vital para o conhecimento e o saber do indivíduo.

Em sua fala, o professor Edgar Lary fez uma longa explanação histórica sobre os movimentos culturais do passado em Vitória da Conquista, citando nomes que elevaram a imagem da cidade lá fora, finalizando seu pronunciamento com a declamação de um poema de Jesus Gomes dos Santos.

Maris Stella segui praticamente na mesma toada rememorando fatos marcantes de um povo que sempre tomou iniciativas próprias com realizações culturais, econômicas e sociais que fizeram de Conquista uma grande cidade.

Fórum teve fraca participação da sociedade por falta de divulgação de um evento tão importante para a cultura

O secretário Xangai, que recentemente foi empossado no cargo, prometeu fortalecer a cultura popular, sem esquecer a erudita. Disse que está ainda se inteirando das funções e visitando distritos e povoados para ouvir o povo. O cantor e violeiro citou personagens importantes de destaque da nossa cultura, como Camilo de Jesus Lima, Glauber Rocha, Elomar, dentre outros.

 

CHAPADA DIAMANTE

Fotos de Jeremias Macário

Nos lajedos e nas montanhas de pedras de Mucugê, os primeiros garimpeiros de Minas Gerais começaram a extrair o diamante, partindo depois em suas aventuras para Andaraí, Lençóis dos coronéis e Palmeiras do Capão. Nelas deixaram impregnadas suas culturas, numa mistura afro-brasileira com índios e portugueses, Eles cultuaram e reverenciaram o orixá caboclo do Jarê, para serem donos dos diamantes. Foram escravos dos patrões fornecedores, capangueiros e lapidários das pedras. Veio a decadência e nasceu o Parque da Chapada Diamante, criado em 1985, com suas áreas de preservação ambiental, como do Marimbus. Hoje, sua economia vital é o turista que vem de todas as partes do Brasil e do mundo para conhecer suas belezas naturais. As águas em suas corredeiras e cachoeiras, os picos, cavernas e grutas fazem o espetáculo da vida, mas o garimpeiro deixou seu legado histórico que não pode ser esquecido.

RIO RIACHO

Poema inédito do jornalista e escritor Jeremias Macário

O rio cheio no peito cura as mágoas,

Dos tempos em que era só riacho,

E foi casco seco nesse carrasco,

Onde até rasparam as favas do tacho.

 

O rio cheio no peito cura as mágoas,

Lava o suor e renova a palma de alma,

A lavadeira nele bate roupa e enxagua,

A boiada do boiadeiro cruza as águas,

Na toada avante do berrante do vaqueiro.

E a bela morena se banha sem anáguas.

 

O rio cheio no peito cura as mágoas,

Do velho cancioneiro poeta solitário,

E o sertão em cor volta a ser relicário,

Dos meninos que do troco do barranco,

Pulam e brincam nus em suas águas.





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