É indiscutível a necessidade da volta às aulas presenciais nas escolas públicas e particulares depois de quase uma ano e meio de fechadas por causa da pandemia. A polêmica, no entanto, gira em torno dos protocolos a serem seguidos e fiscalizados, especialmente quanto as públicas que, como sabemos, não oferecem condições físicas adequadas aos alunos, mesmo antes da Covid-19 se alastrar pelo país. O ensino no Brasil já poderia estar normalizado se não tivéssemos um governo retrógrado e negacionista da ciência.

Sabemos que em nosso Brasil as leis nem sempre são cumpridas, e a fiscalização é por demais falha. Na teoria, as recomendações dos decretos municipais nos convencem diante dos cuidados a serem tomados. Na prática, a coisa funciona bastante diferente por falta de estrutura dos prédios e carência dos principais itens de higiene, principalmente quando se trata da zona rural onde existe até falta de água.

Nos primeiros dias das atividades tudo pode correr dentro dos conformes, mas semanas depois começam as escassezes de álcool gel, papéis de limpeza e outros materiais de prevenção, com banheiros quebrados e até ausência de aparelhos de aferição dos alunos. São justamente nessas deficiências que entra a burocracia para a diretora adquirir os produtos que constam dos protocolos prometidos na teoria.

As escolas particulares contam com mais estrutura física, e não existe a tal burocracia para dificultar a manutenção dos itens de prevenção essenciais para que não haja contaminação entre os alunos. Outro problema sério diz respeito à fiscalização permanente da vigilância sanitária, que já é deficitária por natureza, porque não existe um contingente ideal de fiscais para cobrir todo o universo de estabelecimentos escolares.

Outra questão a ser avaliada é quanto a vacinação dos professores, muitos dos quais ainda não receberam a segunda dose que oferece a imunização mais completa e segura. As escolas públicas vão ter gente suficiente para monitorar os protocolos que a própria Secretaria de Educação anunciou para fundamentar a abertura das aulas?

O perigo está no relaxamento das medidas, coisa que sempre ocorre com o passar do tempo em nosso país de um modo geral, não apenas em Vitória da Conquista que está reabrindo o ensino presencial, de fundamental importância para as crianças e os jovens estudantes que estão por demais atrasados em suas séries.

No setor educacional, pelo menos essa maldita pandemia nos deu uma lição de resposta sobre o tal projeto fascista do ensino domiciliar. Esse tempo fora das escolas, sem a presença pessoal dos professores e o contato com os colegas, representou perdas incalculáveis para os estudantes, não somente no âmbito da aprendizagem, como em termos psicossociais na forma do relacionamento humano.

Isso é uma doideira num Brasil tão desigual e analfabeto onde a maioria dos pais é obrigada a trabalhar para sobreviver. Além do mais, milhares não têm instrução suficiente, nem pedagogia para ensinar seus filhos. Vão catequizar seus filhos numa doutrina que lhe convenham?

Por sua vez, o Ministério da Educação, conduzido pelo pastor evangélico conservador, só faz gastar nosso dinheiro com propaganda de programas que nem estão funcionando. São milhões de reais desperdiçados, quando as universidades estão sucateadas e o ensino básico numa situação vexatória.

Usa uma tremenda verba para anunciar o Enem e ainda dizer que é uma das maiores plataformas de concursos do mundo, como se isso fosse uma glorificação para o Brasil que apresenta as piores notas em provas de língua e matemática.