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:: 12/jul/2021 . 22:45

UM EDITAL MERRECA E EXCLUDENTE

Numa cidade do porte de Vitória da Conquista, a terceira maior da Bahia, com cerca de 230 mil habitantes, o novo edital de premiação artística da Secretaria de Cultura, no valor de 300 mil reais, é uma merreca, principalmente se levarmos em consideração o universo de preponentes que atuam na área, podendo abranger até cinco mil ou mais que isso.

Eu diria que é mais um desprestígio e falta de consideração com a nossa já combalida cultura onde os poderes públicos pouco dão importância, e os prefeitos fazem dela uma pasta apenas decorativa, quando deveria estar equiparada com a sua irmã siamesa educação. As duas caminham juntas e se complementam.

Outra vergonha, no caso de Conquista, que tem uma falsa impressão de ser uma cidade cultural, é que não existe uma política traçada para atender todas as linguagens artísticas, durante todo o ano. Nunca tivemos uma Feira do Livro, ou Festa Literária, e há muito tempo que não vemos os salões de artes plásticas e os festivais de músicas, dança, teatro, exposições de fotografias, mostras de audiovisual, seminários, encontros e outras expressões culturais acadêmicas e populares.

Até antes da pandemia só tivemos dois calendários, um no meio do ano – o São João – e outro no final – o Natal, que mais beneficiam a área de música, com uns cachês pequenos e pagos com atraso para os artistas. Arte não é somente a música, e somos carentes de atividades programadas para movimentar a cidade, inclusive com a geração de renda e emprego.

Quanto ao novo edital lançado recentemente, com premiações de apenas 750 reis, excluindo aposentados e pensionistas, diria que isso não passa de uma esmola e um cala boca às manifestações dos artistas que foram para a porta da Prefeitura Municipal contestar a declaração do secretário que mandou os músicos passarem o chapéu para ganhar uns trocados.

Esse edital de 300 mil, uma vergonha para uma Prefeitura, que gasta milhões em outras coisas (propaganda, comunicação, slogans), deveria ser para cidades como Anagé, Belo Campo, Tremedal, Piripá, Caetanos, Caatiba, Bom Jesus da Serra, Aracatu e outras da nossa região. Conquista não merece isso e nem os artistas.

A iniciativa da Secretaria de Cultura teve o propósito de se equiparar a um auxílio emergencial (insignificante) em tempos de pandemia, e o pior é que muitos vão ficar de fora desse “benefício” pela desclassificação e exclusão dos aposentados. Não digo todos, mas a maioria de artistas aposentados ganha um salário mínimo, ou pouco mais que isso. Vivem catando um trocado aqui e acolá. Outros possuem outras atividades para sobreviver.

A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista também tem sua parcela de culpa nessa falta de tratamento adequado e desrespeito com a nossa cultura porque deveria cobrar mais do executivo e formular um projeto-de-lei criando uma política para o setor, numa parceria com o segmento privado se bem que, lamentavelmente, os empresários de Conquista não investem em cultura porque acham que não dá dinheiro de imediato.

Eles têm uma mentalidade atrasada quanto a ajudar um projeto dessa natureza. O futebol amador e profissional é um dos exemplos de que não recebe apoio dos empresários. O time do Vitória da Conquista vive penando por patrocinadores, e sempre está na linha do rebaixamento no fraco campeonato baiano por falta de atletas da contratação de melhor qualidade.

Quando se vai pedir algo a um deles, para um determinado projeto, mete a mão no bolso e sai com uma esmola, dizendo que está lhe ajudando porque é seu amigo. Não tem nenhum senso de custo/benefício. Eu mesmo já senti isso na pele quando me atrevi a realizar algo cultural e precisei de colaboração, porque não disponho de posses para bancar um trabalho sozinho.

O escultor e multifacetado artista, Alan Kardec, está bancando a implantação de um museu com recursos próprios e ainda é criticado por esse tal Conselho Municipal de Cultura e por empresários. O museu já é o maior a céu aberto do Norte e Nordeste, e vai ficar para a posteridade como grande patrimônio cultural de Vitória da Conquista.

Quem faz cultura em Conquista não é reconhecido. Pouco é lembrado. Não valorizam a arte, o intelectual, o estudioso ou o pesquisador.  Eles só são lembrados quando morre. Para que homenagens depois de morto? Isso soa a falsidade, hipocrisia e mesquinharia. Quando muito se dá é um título de cidadão, e olhe lá.

Infelizmente, nossa cultura continua desprestigiada e vivendo de esmola, como esse vergonhoso edital. Que digam os artistas, principalmente os músicos a quem se mandou passar o chapéu. Conquista conta com grandes talentos, mas adormecidos e desconhecidos por falta de apoio dos setores público e privado.





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