Em uma entrevista na semana passada, o presidente da Câmara de Diretores Lojistas (CDL) disse que “Vitória da Conquista é uma cidade exemplar” no combate à pandemia da Covid-19. Confesso que fiquei espantado e horrorizado! O nosso repórter engoliu mosca porque ele proferiu uma fake news e ficou por isso mesmo.

Como exemplar, presidente, com quase 500 mortes, cerca de três óbitos por dia, quase 100 casos e com mais de 90% de ocupações de UTIs nos hospitais, sem contar a desativação de leitos no São Vicente pela Prefeitura Municipal? Como exemplar com praticamente tudo flexibilizado e muita aglomeração nos bares e restaurantes, principalmente nos finais de semana?

Vocês lojistas só querem saber de faturar, mesmo que isso seja à custa de mais vidas perdidas e famílias derramando suas lágrimas pelos seus entes queridos que se foram. Falam de empregos, mas sabemos que os comerciantes são explorados até sua última gota de sangue e estão na linha de frente da contaminação em contato direto com os clientes.

Como “Conquista é uma cidade exemplar” no controle da pandemia? No Brasil, acho que as cidades que podem ser inclusas nessa classificação são contadas a dedo e são as pequenas. É o mesmo que querer tapar o céu com uma peneira e enganar os outros. Vá dizer isso para quem perdeu um pai, uma mãe, um avô ou um filho.

Não é nem questão de criticar por criticar, mas é uma questão realista. A vacinação se arrasta lentamente como em todo Brasil de mais de 470 mil mortes. Ninguém pode se arvorar para classificar de exemplo, quando não é. Entre nós, aqui mesmo em nossa casa, proliferam os negacionistas da ciência que falam que vacina é como água. Centenas não foram tomar a segunda dose.

Considero isso como bairrismo barato, e uma tremenda mentira comprovada pelos números diários crescentes, conforme citados acima. Vejo pequenas lojas cheias além do limite ocupacional, e uma fiscalização falha, com uma equipe que não tem condições de cobrir uma cidade de 240 mil habitantes.

Vamos ter mais equilíbrio e reconhecer que estamos muito longe para sermos exemplo num Brasil onde desponta uma terceira onda da pandemia, com alguns estados vivendo um colapso nos hospitais. Pelo andar da carruagem, vamos ser um dos últimos a se livrar dessa doença. Na verdade, não somos exemplo para ninguém, quando deixamos de aplicar a vacina nos finais de semana. Ainda estamos longe de fazer o dever de casa.