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AS FESTAS E AS FISCALIZAÇÕES DE UM POVO IRRACIONAL

Há mais de um ano o Brasil está sendo atacado por todos os lados pela pandemia, que já matou mais de 462 mil brasileiros e, mesmo assim, o povo continua na irracionalidade de realizar festas clandestinas, provocando aglomerações e mais mortes.

As medidas restritivas de alguns governantes (outros flexibilizaram a abertura de eventos) são terminantemente desrespeitadas. As fiscalizações para coibir os pancadões, os bailes e os carros de som em portas de bares são tímidas, na base do faz de conta, como acontece em Vitória da Conquista.

Em nossa cidade, por exemplo, onde quase 500 pessoas perderam suas vidas, e as UTIs dos hospitais estão com ocupações superiores a 90%, todo final de semana, bares e restaurantes, nas imediações da Avenida Olívia Flores, promovem aglomerações.

O gestor do Comitê de Crise da Prefeitura Municipal fala em proibições e fechamento de alguns estabelecimentos, mas não diz que o número de fiscais é insignificante para cobrir todo o universo da cidade. Além do mais, o executivo local tem procurado contrariar os atos do Governo do Estado, como o toque de recolher e a proibição de bebidas alcoólicas nos sábados e domingos.

Infelizmente, com a flexibilização restrita, Conquista está na rota de uma onda de colapso nos hospitais, e não é preciso ser um infectologista ou pneumologista para prever isso. A impressão que se tem é que o número diário de casos e mortes (cerca de três falecimentos por dia) é baixo para o poder público.

Se as festas existem em todos os finais de semana, inclusive com som ao vivo, está mais que comprovado que a fiscalização é falha, não se cumpre o rigor da lei, e somente alguns donos de bares são multados. Os punidos não passam de bodes expiatórios.

Essa de permitir a abertura até as 21 horas oferece margem às aglomerações porque muitos começam a encher a cara logo cedo, e quando chegam nesse horário, fica difícil evitar as aglomerações. Os proprietários não controlam e também vão empurrando além do limite para ganhar mais dinheiro.

É por essas e outras que o Papa Francisco, em toma de brincadeira, disse a um padre que o Brasil não tem salvação, e o povo só quer tomar cachaça, mesmo quando se trata de poupar vidas. Talvez ele tivesse a intenção de falar festas no lugar de cachaça, porque em nosso país é uma festividade atrás da outra, sem contar a quantidade de feriados que poderiam ser cortados pela metade. Sou contra qualquer violência policial, mas com relação ao contágio da Covid-19, a ação da fiscalização precisa ser mais rígida e dura.

Pela sua própria cultura, trata-se de um povo festeiro, e que não tolera distanciamentos entre um e outro, nem suporta isolamento social. É uma população, pela sua natureza, indisciplinada, muito diferente do oriental e de outras nações desenvolvidas, com maior nível educacional e de consciência.

 

“A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER” (Parte II)

O AMOR NA GUERRA, AS TORTURAS E OS ESTUPROS

Os depoimentos em forma de entrevistas com as mulheres que lutaram durante a II Guerra Mundial – a Guerra Patriótica para os russos – são chocantes, e num dos capítulos do livro “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher”, a escritora Svetlana Aleksiévitch, fala da guerra e do amor, com impressionantes histórias que mais parecem filmes de ficção.

Em outras passagens, ela relata testemunhas que foram torturadas pela Gestapo de Hitler, dos prisioneiros russos que eram considerados como traidores por Stalin, e terminavam em campos de trabalhos forçados. Em terras alemãs, a caminho da vitória final, o ódio se mistura com a compaixão. Os estupros contra as mulheres foram inevitáveis dos dois lados, com a justificativa de que os soldados passavam muito tempo sem sexo, numa guerra de muitas atrocidades.

“O amor é o único acontecimento pessoal da guerra. Todo o resto é coletivo – até a morte” – ressalta a escritora em sua obra. Conta que, para sua surpresa, as mulheres que participaram da guerra falassem de forma menos franca do que sobre a morte. “Elas se defendiam das ofensas e das calúnias”.

De uma testemunha, “a guerra tirou o meu amor de mim… meu único amor”. Em terras alemãs, em algum povoado, ela conta que viu duas alemãs sentadas no pátio, com suas toquinhas, bebendo café, como se não estivesse acontecendo guerra nenhuma. Pensei: “Meu Deus, do nosso lado está tudo em ruínas, nossa gente está vivendo debaixo da terra, comendo grama…”

“Saídos, não sei de onde, dois prisioneiros alemães se aproximaram de nós e começaram a pedir para comer. Pegamos uma bisnaga de pão, partimos e demos a eles. Um dos nossos soldados comentou: Veja quanto pão as médicas deram para o nosso inimigo. Será que elas sabem o que é a guerra de verdade, ficam só nos hospitais de onde vieram. Depois, eles mesmos temperaram o mingau com sal e deram para eles em latas de conserva.  Esta é a alma do soldado russo”.

Depois de se alistar e tirar sua carteirinha de militar, uma capitã médica contou que ela e seu marido foram juntos para o front. Tinham saído em grupo para uma prospecção. “Esperamos dois dias… Eu não dormi por dois dias… Então cochilei… Acordei com ele sentado ao meu lado, olhando para mim. Durma. Fico com pena de dormir.”

“Estávamos atravessando a Prússia Oriental, e todos já estavam falando em vitória. Ele morreu por estilhaços. Eu o abracei e não deixei que o levassem para enterrar. Na guerra faziam os enterros logo em seguida. Às vezes só com areia seca que sacudia e se movia. Para mim, ainda havia gente viva”. Ela, então, lutou para que ele não fosse enterrado ali. Queria ter ainda uma noite deitada ao seu lado.

“De manhã, decidi que o levaria para casa. Todos achavam que eu tinha ficado louca de tanta dor. A testemunha narra que foi de um general a outro para que o corpo do seu marido fosse levado para sua terra natal. Assim, terminou chegando ao comandante. Ela implorou e, se fosse possível ficaria de joelhos. De tanto insistir, deram um avião especial por uma noite, para que seu marido fosse enterrado a milhares de quilômetros de distância.

Em outro caso, a escritora entrevistou uma sargento fuzileira que foi obrigada a se separar do marido durante a guerra. Ela foi para um front e ele para outro. Ela, então, passou a procurá-lo sem parar em todos lugares. “Estava determinada: “Se o encontrasse sem braços, sem pernas, inválido, eu o pegaria e levaria para casa imediatamente. Viveríamos de alguma forma”.

Quando começou a procurar o marido, ela não sabia nem o que era um front. Nisso, recebeu uma carta do marido, e fazia dois anos que não sabia nada dele. Em todos locais por onde chegava, ela pedia que a mandassem para onde estava seu marido, até que alguém o localizou. “Está louca, o lugar onde está seu marido é muito perigoso”.

“Fiquei sentada, chorando, e então ele se compadeceu e me deu uma autorização. Ele me pôs num carro e fui. Quando cheguei na unidade, todos se surpreenderam. Todos à minha volta eram militares”. Para conseguir, ela disse que era sua irmã. Andou seis quilômetros até chegar onde estava seu marido Fodossenko.

Ele estava na linha de frente, e um colega lhe avisou que sua irmã, uma ruiva, estava lhe procurando. Só que a irmã dele era morena. Mesmo assim, Fodossenko apareceu, “e então nos reencontramos”. Depois deram uma declaração que a esposa encontrou seu marido na trincheira, que é esposa legítima e tem documentos. Todos queriam ver que mulher era aquela tão destemida e corajosa.

“Vou me lembrar daquela noite pelo resto da minha vida. Me alistaram como auxiliar de enfermagem. Eu ia com ele nas missões de reconhecimento. Um morteiro atirava, eu via que ele tinha caído. Pensava: Está morto ou ferido. Corria para lá, o morteiro atirava, e o comandante dizia: Para onde está indo, mulher dos demônios? Me deram a Ordem do Estandarte Vermelho. No dia seguinte, meu marido foi ferido gravemente. Corríamos juntos, nos arrastávamos juntos. As metralhadoras atiravam, atiravam. Ele foi ferido por uma bala explosiva. Acompanhei meu marido até o hospital.

O médico se aproximou e disse que ele havia morrido. Respondi: “Quieto, ele ainda está vivo. Meu marido abriu os olhos e disse: O teto ficou azul. O vizinho de cama disse; “Fedossenko, se você sobreviver, deve carregar sua mulher nos braços”. “Não sei, talvez ele sentisse que estava morrendo, porque pegou minha mão, se inclinou e beijou. Como se beija pela última vez. Eu queria morrer, mas sob o coração carregava nosso filho, e só isso me fez aguentar…”

 

O SOBREVIVENTE DO LIXO

Além de contribuir para a preservação do meio ambiente através da reciclagem, quando a grande maioria dos brasileiros não tem essa consciência, ele é o sobrevivente do lixo para manter o seu sustento nesses terríveis tempos de pandemia. O trabalho é árduo e arriscado, mas todos os dias ele está nas ruas fazendo o seu catado de muitos materiais que são jogados fora em terrenos baldios, quando tudo poderia ser selecionado pela comunidade, se a Prefeitura Municipal desse o devido suporte de organizar a separação do lixo em cada bairro, com tuneis próprios, como existe nos países mais desenvolvidos. A insensibilidade humana é tão grande que ele se torna um invisível por onde passa, mas sua luta diária foi captada pelas lentes do jornalista e escritor Jeremias Macário. Muitos objetos jogados fora pelo consumismo exagerado ainda são utilizáveis e dão uns trocados ao solitário sobrevivente do lixo. Bem que mereceria mais atenção, mas a sociedade capitalista o tem como um número e, talvez, nem isso ele tenha. Como milhões de brasileiros, ele também está incluído no grupo dos que passam fome nesse país e depende de uma doação para alimentar sua família. Ele representa também a profunda desigualdade social, uma das maiores do mundo. Na verdade, ele é descartado como se fosse um lixo, e não como ser humano.

ELES AINDA RESISTEM

Poema inédito de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário em homenagem às profissões em extinção

No campo agreste do Nordeste,

Ainda toureia o nosso vaqueiro,

E o carro atropelou nosso tropeiro.

 

Antigamente se dizia,

Meu alfaiate, meu sapateiro,

Não escuto o fole do ferreiro,

Malhando o ferro da ferradura,

Dos cavalos velozes das diligências,

Nas estradas reais de suas excelências.

 

Na rua não passa mais o amolador,

Nem o vendedor de quebra-queixo,

E o saveiro sumiu na fumaça da maresia,

Com o progresso e a tecnologia.

 

Eles ainda resistem,

Passando profissão de pai pra filho,

Na batida seca do feijão e do milho,

Ainda resistem à extinção,

Como a Arara, a Asa Branca e o Gavião.

 

Hoje é meu técnico de informática,

O meu médico, só o rico tem,

Como o advogado e o engenheiro,

Mas ainda tem a religião fanática.

 

Eles ainda resistem,

Como teias nos fios do algodão,

Da mulher rendeira a tecer sua lã,

Para proteger do frio seu clã.

 

Na esquina ainda tem o relojoeiro,

Mas ninguém quer mais ouvir,

A canção romântica do seresteiro,

Nem as raízes do som sertanejo,

Não tem mais o tocador de realejo,

Nem na praça o fotógrafo lambe-lambe,

E não se ama mais no primeiro beijo.

 

OS QUEBRA-MOLAS INFERNAIS

Parece uma praga! Eles estão em todos lugares, nas ruas, avenidas, esquinas e praças, infernizando a vida dos motoristas e estragando os carros. É um tal de subir e descer que irrita. É um tipo de controle e prevenção de acidentes mais atrasado quando hoje se tem outros meios eletrônicos avançados para redução de velocidade.

Comentei aqui por várias vezes e repito que Vitória da Conquista virou a capital dos quebra-molas, mesmo em ruas e avenidas onde já existem radares e redutores de velocidade. Além dos monstrengos serem caducos e ultrapassados, não são mais recomendados pelo Conselho Nacional de Trânsito.

A Prefeitura de Conquista ainda insiste neles, e é só uma comunidade de bairro pedir mais um que no outro dia o dito cujo está sendo construído para se somar aos demais de centenas por aí.  Gostaria de saber se a Secretaria de Mobilidade Urbana tem a conta de quantos existem. Prometeu que ia retirar eles onde já existe radar, mas faz quase um ano que isso não acontece.

Tem avenidas, como Frei Benjamim, Avenida Integração, Juracy Magalhães, Pará, Maranhão e transversais que lá eles estão de 50 a 50 metros. É um tal de sobe e desce que deixa nervoso e estressado quem está ao volante, sem contar os prejuízos causados nos veículos. Quem gosta disso são donos de oficinas mecânicas.

Interessante é que na grande maioria deles, bem em frente, existem as sinalizações horizontas, verticais e os semáforos. Alguns servem como faixas de pedestres, quase todos apagadas. Confesso que são desgastantes e feios numa cidade como Vitória da Conquista, a terceira maior da Bahia com mais de 200 mil habitantes.

Se existe uma sinalização de “PARE” num transversal entre uma rua e outra, e o condutor ainda provoca uma batida, o problema é dele, ou sua carteira de habilitação foi comprada. O quebra-mola nunca foi uma forma de educar o sujeito que não obedece as normas de trânsito e invade um sinal vermelho. Ele é mal-educado por formação, desde a criação de berço, e não adianta autoescola porque a aula do professor entra num ouvido e sai no outro.

São tantas imbecilidades cometidas no trânsito que fica difícil enumerá-las. O indivíduo estaciona o veículo bem em frente de um sinal proibido e liga o alerta, como ocorre muito em frente do Banco do Brasil, na Olívia Flores. São os comodistas e individualistas que só faltam parar o carro na porta de entrada do banco. Outros param em fila dupla e tome o sinal de alerta, como se isso fosse lhe isentar de multa, ou estivesse acima da lei do sinal de trânsito.

Precisamos é de mais punição, severidade e rigor contra infratores e os que querem levar vantagem em tudo, e não de quebra-molas de concreto. Existem uns tão enormes que o carro sobe todo e despenca como se fosse cair numa ribanceira. Outros em locais totalmente impróprios que pegam de surpresa até quem mora em Conquista. Agora, imagina o susto que o visitante leva!

Um desses está situado ali na descida da Avenida Bartolomeu de Gusmão, próximo ao Hospital Samur, que vem da rodoviária em direção ao centro. Colocaram naquele local para ajudar num desvio para pegar a Juracy Magalhães. O serviço terminou, e o bicho ficou lá até hoje. É um crime para quem não conhece a cidade. Quem gosta de quebra-mola é “macaco” e oficinas de veículos.

Portanto, basta de tantos quebra-molas nesta cidade que já foi chamada “das flores” e agora até de suíça baiana. Isso passa uma imagem feia para o viajante desconhecido, sem contar que é um atentado contra a tecnologia moderna dos radares e outros meios eletrônicos de evitar acidentes. Vamos deixar o trânsito fluir sem esses monstros!

“BRASILEIRO SÓ FECHA A PORTA DEPOIS DE ROUBADO”

Depois de mais de um ano com os aeroportos, portos e rodoviárias escancaradas para qualquer um que quisesse entrar no país, somente agora as “autoridades sanitárias” tentam controlar esses pontos para evitar a propagação de novas cepas da Covid-19. Dizem que aqui “é a casa de Maria Joana” onde qualquer um pode entrar e sair.

Há muito tempo que países da Europa e os Estados Unidos tomaram suas devidas precauções, inclusive com a proibição de visitas de brasileiros, mas nós fazemos o contrário. O próprio Tio Sam fechou as portas para o Brasil, e manteve a exigência do visto, enquanto o governo do capitão-presidente liberou a apresentação desse documento para os ianques. É muita submissão! E ainda nos pedem que tenhamos orgulho.

Quanto ao coronavírus, talvez o Brasil seja o único país do mundo que desde o início do surgimento da doença, no ano passado, não se atualizou com respeito aos regramentos de combate, os tratamentos precoces, o isolamento social e ficou para trás na aplicação da vacina. Ainda hoje se discute sobre o uso, ou não da cloroquina, quando este medicamento já foi, há muito tempo, excluído depois de pesquisas, concluindo pela sua ineficácia.

O que está ocorrendo aqui é um genocídio, só que os responsáveis não são punidos por essa loucura que já ceifou a vida de mais de 452 mil brasileiros, Milhares de mortes poderiam ter sido evitadas se tivéssemos seguidos os mesmos protocolos científicos de outras nações. Nesse solo varonil, o corona encontrou um terreno fértil.

Interessante que na moda, no consumismo de produtos, nas comemorações de eventos do comércio lojista, na cultura e até nos bordões somos useiros e vezeiros em imitar os Estados Unidos e alguns europeus. Nessa da Covid ousamos fazer diferente quando, pelo menos, devíamos seguir a regra da imitação. Com certeza, nessa teríamos nos dado bem.

O que será de nós, diante de tantas incertezas? Quando tudo isso vai passar, com uma vacina que se arrasta, e um governo federal que não dá exemplo e só faz barbaridades? Ainda hoje, ouvi de um amigo que a CoronaVac (a vacina chinesa) é como água.

O cara lá de cima, cercado de generais e coronéis que estão manchando suas fardas de sangue, diz que não vai se vacinar porque já teve o vírus, e ainda chama de idiota quem lhe fez a pergunta. As forças armadas estão prestando um grande desserviço à nação, e a história um dia vai acusá-las de ter nos levado para esse abismo.

O quadro confuso está levando milhões de brasileiros a conviverem com a angústia e a depressão. O pânico aumenta mais ainda quando se anuncia a chegada de novas cepas, novas variantes do vírus. E se essas linhagens forem resistentes às vacinas? Tudo é incerto, e o número de casos por dia no país só faz aumentar, o que significa que pode vir aí mais mortes.

Enquanto isso, o sujeito lá de cima, que já recebeu mais de 100 pedidos de impeachment, engavetados pela Câmara dos Deputados, segue sem usar máscara; estimula aglomerações; diz barbaridades; e receita a cloroquina. Os brasileiros estão sendo imolados no altar do sacrifício, como oferendas aos deuses de um governo psicopata.

O BRASIL AGE COMO O PAÍS MAIS BURRO DO MUNDO SEM O NOSSO SÃO JOÃO

“Errar é humano, mas persistir no erro é burrice”. Há um ano se dizia que no próximo (2021) nós teríamos os festejos nordestinos do tão sonhado São João, mas por culpa do governo federal, o maior responsável, e do próprio povo, o evento foi cancelado. Repetimos as mesmas coisas de antes. O que mais se ouve é “se Deus quiser”. Como Ele vai ajudar, se você não faz sua parte.

Nesse ritmo do abre e fecha o comércio, das aglomerações, das festas clandestinas e de uma vacinação que dá um passo à frente, enquanto a Covid-19 dá quatro ou cinco adiante, não vamos ter as festas juninas em 2022. Como se vê, o Brasil age como o pais mais burro do mundo que continua cometendo os mesmos erros. Outras nações, não somente as mais desenvolvidas, fizeram diferente e já estão até liberando o não uso das máscaras.

Aqui temos um capitão-presidente que faz tudo ao contrário do que o seu Ministério da Saúde tenta recomendar. Gasta-se milhões com propaganda (bastante atrasada), mas o cara lá de cima desfaz tudo e provoca aglomerações com seus seguidores da morte, para xingar governadores, prefeitos, jornalistas e adversários. Cá embaixo, o povo fica a dizer, “se Deus quiser tudo vai passar”.

Há mais de um que estamos nesse sistema sanfona do abre e fecha. Quando baixa um pouco o número de mortes e reduz o percentual de ocupação dos leitos de UTI, os governantes flexibilizam as medidas e depois volta tudo novamente quando se registra um avanço da doença. Nessa gangorra, não tem economia que se segura, e os informais e os negociantes menores são os que mais sofrem.

Essa “lógica” psicopata e persistente caracteriza total burrice de um país desgovernado, como uma carruagem em disparada num desfiladeiro. Aqui, tudo é incerto, confuso e perdido no tempo. Estamos chegando ao meio do ano com mais de 500 mil mortes, num país de muito choro e lágrimas por uma boa parte da população que perdeu seus entes queridos. Uma outra se refestela nas festas e comemorações, e uma terceira amarga a miséria da fome. Ainda tem a tropa dos negacionistas da ciência.

A grande imprensa tem a sua parcela de culpa nessa burrice. A mídia que faz matérias com especialistas, recomendando cuidados, de acordo com os protocolos científicos, é a mesma que incita, indiretamente, as pessoas a irem às compras em datas festivas, como o Dia das Mães e agora faltando um mês para o São João. As reportagens consumistas, com imagens juninas do passado, por exemplo, incentivam muita gente para corrida aos supermercados e às feiras livres, no intuito de comemorar a data em suas casas, com comidas e bebidas típicas, num ajuntamento de parentes e amigos, sem contar as fogueiras.

Depois das queimas de fogos, todos sabem que vem outra onda do vírus, inclusive com outras cepas mais perigosas em termos de contaminação e mortes. A vacina se arrasta, ou porque são escassas, ou porque tem município que para tudo em final de semana, caso de Vitória da Conquista, cuja Secretaria da Saúde apresenta uma justificativa fajuta de queda na demanda. Assim, São João, São Pedro e Santo Antônio vão ter que ficar desolados.

Nesse nosso Brasil, esse meio de campo está todo embolado e bagunçado, batendo cabeça, e o inimigo dando de goleada. Cada município faz o seu critério de imunização, inclusive com a tal hora marcada que não funciona nesse país atrasado onde milhões não têm internet, e quando se tem, não se consegue agendar porque os aplicativos emperram e os telefones ficam tocando uma musiquinha. Do outro lado, milhares, por insensatez, deixam de tomar a segunda dose.

Assim é o Brasil que insiste em permanecer nos mesmos erros diante de uma pandemia avassaladora. Ele segue no trote com um dos últimos da fila no combate da Covid. Como um país burro, cada abertura das atividades econômicas é seguida de mais um pico de casos e um aumento de mortes, com hospitais superlotados e até falta de insumos médicos e equipamentos.

“A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER” – (Parte I)

Um livro que fala da guerra, mostrando um outro lado desconhecido, não das batalhas heroicas, das vitórias, das estratégias dos grandes generais e dos heróis. É uma obra de sacada jornalística da autora ucraniana Svetlana Aleksiévitch, vencedora o Prêmio Nobel de Literatura de 2015, onde ela entrevista as mulheres russas que participaram da II Guerra Mundial.

Mesmo com a rejeição da editora (aqui no Brasil é da Companhia das Letras), a escritora se manteve em seu propósito de apresentar uma outra face praticamente nunca explorado numa guerra. Essa face é das mulheres com suas cargas de sentimentos, sofrimentos e garras nos campos de batalha. Ela entra também no âmago do ser humano existencial.

Em “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher” estampa cenas e depoimentos chocantes das mulheres, todas jovens adolescentes entre dezesseis e vinte anos, que foram para a linha de frente e resistiram com bravura. Tem também o seu lado de ternura, de muitos choros e até de amor contido. É uma obra que encanta pela sua narração e passagens comoventes, num estilo jornalístico de entrevistas. São mulheres que se transformaram em homens.

“Passei três anos na guerra… E, nesses três anos, não me senti mulher. Meu organismo perdeu a vida. Eu não menstruava, não tinha quase nenhum desejo feminino. E era bonita… Quando meu futuro marido me pediu em casamento… Isso já em Berlim, ao lado do Reichstag… Ele disse: “A guerra acabou. Sobrevivemos. Tivemos sorte. Case comigo”. Eu queria chorar”.

É um dos trechos comoventes do livro, que a editora diz ser impressionante, de uma história pouco conhecida, contada com minucias pelas próprias personagens, incríveis soldadas soviéticas que lutaram com violência, mas sem perder a ternura. Trata-se de “um capítulo obscuro que agora ganha luz do dia e promete trazer novo entendimento sobre um dos eventos mais trágicos da história humana”.

Numa conversa entre a escritora e um historiador, este cita que no século IV a.C, em Atenas e em Esparta, havia mulheres lutando nas tropas gregas. Depois elas participaram das campanhas de Alexandre, o Grande. Segundo o historiador russo Nikolai Karamzin, as eslavas iam para a guerra com seus pais e maridos… no cerco a Constantinopla, em 626.

Na Inglaterra, nos anos de 1560 a 1650, começaram a se formar hospitais militares em que mulheres-soldados serviam. Na I Guerra Mundial, a Inglaterra já aceitava mulheres na Força Aérea Real. Na II Guerra, em muitos países, as mulheres serviam em todas as forças armadas. Nas tropas inglesas eram 225 mil, nas americanas, 450 mil e nas alemãs, 500 mil.

A obra traz narrações de mulheres que prendem o leitor do início ao fim dos depoimentos, como “eu era tão pequena quando fui para o front que, durante a guerra, até cresci um pouco”. “Para nós, a dor é uma arte. Quase do outro lado de lá… Não há por que enganar os outros e enganar a si mesmas”.

Do diário do livro, a escritora afirma que o ser humano é maior que a guerra. Ela mesma diz que não escreveu sobre a guerra, mas sobre o ser humano na guerra, “Não estou escrevendo a história de uma guerra, mas a história dos sentimentos, Construo templos a partir de nossos sentimentos… De nossos desejos, decepções. Sonhos. Não se pode arrancar uma flor sem motivos”.

“Os homens se escondem atrás da história, dos fatos, a guerra os encanta como ação e oposição de ideias, diferentes interesses, mas as mulheres são envolvidas pelos sentimentos”. “A guerra delas tem cheiro, cor, o mundo detalhado da existência. E é ainda mais insuportável e angustiante matar, porque a mulher dá a vida”.

Svetlana ressalta em seu livro que “penso no sofrimento como o grau mais alto da informação, diretamente conectado ao mistério da vida. Toda a literatura russa fala disso. Nela se escreveu mais sobre o sofrimento do que sobre o amor. E é a respeito disso que mais me contam… – destaca.

Em uma de suas entrevistas, a autora ouviu de uma ucraniana a respeito da terrível fome: Já não encontravam nem sapos, nem ratos. Tinham comido tudo. Metade das pessoas do povoado dela tinha morrido. Da família, somente ela sobreviveu porque à noite roubava estrume de cavalo do estábulo do colcoz e comia. Melhor congelado, tem cheiro de feno. Quente não entra.

Para editar o livro, ela confessa que passou dois anos recebendo recusas das editoras. “Procuro pelo pequeno grande ser humano”. A escritora descreve sobre o que a censura cortou da sua obra, mas foi mantido na publicação. Narra sobre a conversa que teve com o censor.

Sobre a Grande Guerra, Svetlana fala de situações chocantes e até dos prisioneiros condenados a trabalhos forçados pelo regime sangrento de Stalin, como nesse trecho: “Quando fugiam do campo de trabalho, eles levavam um jovem para isso… A carne humana é comestível… Era assim que se salvavam…

Existia um decreto que dizia que os soldados soviéticos não se rendiam ao inimigo. Como disse o camarada Stalin, não temos prisioneiros, temos traidores. Os rapazes levaram a mão à pistola… O instrutor político ordenou que os jovens ficassem vivos, e ele mesmo se matou com um tiro. São revelações da autora do livro que deveria ficar de fora.

Em 1943, Svetlana narra de uma testemunha que, quando o exército estava avançando pela Bielorrússia, um menino apareceu de algum lugar gritando: Matem minha mãe… Ela amava um alemão. No começo, os alemães desfizeram os colcozes (cooperativas coletivas), deram as terras para as pessoas.

UMA PROFISSÃO QUE AINDA RESISTE

Em meio ao avanço da revolução industrial do século XVIII, da evolução das civilizações, da tecnologia da informação e do mundo virtual, muitas profissões milenares ainda resistem a todas essas mudanças e insistem em continuar vivas. Elas tiveram suas origens em nossos antepassados, cujos netos e bisnetos agora tentam, com dificuldade, transmitir aos seus filhos, mas somente alguns abraçam a atividade. A grande maioria dos jovens parte para outras carreiras que dão mais dinheiro e visibilidade no mercado. São as chamadas profissões em extinção, e a de alfaiate, entre tantas como a de relojoeiro, serralheiro, sapateiro, ferreiro, amolador de tesouras e facas, é uma delas que ainda é procurada em pleno século XXI.

Como em todas outras grandes cidades, em Vitória da Conquista os alfaiates são contados a dedo, como respondeu Divanei “Sansão”, de 53 anos, que desde os treze anos aprendeu a costurar com seu pai Ausírio Correia da Silva, um dos mais antigos que já faleceu. Seu filho Hélio Correia da Silva, de 70 anos, também fez a mesma caminhada do irmão, mas sua irmã tomou outro rumo. Divanei disse que sua mãe também era costureira. Coisa de família, de pai para filho. Há quanto tempo ainda vamos encontrar um alfaiate no comércio para fazer um terno, uma calça, uma camisa, uma jaqueta ou consertar uma peça que não se ajustou no corpo? Essa pergunta é difícil de responder porque essas profissões estão ficando cada vez mais escassas.

Além da anunciada extinção do alfaiate e outras profissões, a sociedade e o mercado em geral não dão mais valor para elas, e a mídia raramente levanta uma matéria sobre este assunto. Só lembramos do alfaiate, por exemplo, quando precisamos de fazer um conserto ou correção numa peça comprada numa loja. Atualmente, poucas pessoas, somente as mais idosas, compram uma “fazenda”, como se falava antigamente, para mandar o seu alfaiate costurar uma calça, um paletó ou uma camisa. Em tempos passados, quando se encontrava muitos deles espalhados pelas cidades, se dizia “o meu alfaiate é muito bom”, e recomendava o profissional para um amigo. Hoje a pergunta é se ainda existe alfaiate, e aonde encontrar um.

 

 

POEMA DE AMOR

Poema de autoria do escritor e jornalista Jeremias Macário

Você sempre me pede,

Para fazer um poema de amor,

Mas minha veia é nordestina,

De sangue catingueiro da sina,

Que tenta tecer os fios do amor.

 

Você sempre me pede,

Para fazer um poema de amor,

E eu já te amo do jeito que sou,

Seco como pedregulho sertanejo,

Te vejo no meu eu interior,

Com o coração que ainda tem dor.

 

Você sempre me pede,

Para fazer um poema de amor,

E eu sigo como um viajante,

Errante nas asas do Condor,

Não sou do tipo romântico,

Sou mais fechado lacônico,

Mas também fonte de calor.

 

Você sempre me pede,

Para fazer um poema de amor,

Perdão, não sei fazer poema de amor,

Só sei falar dessa injustiça social,

De tanta gente viver desigual,

Na cidade e no sertão sem cor.

 

Você sempre me pede,

Para fazer um poema de amor,

E peço que não me leve a mal,

Sou assim meio bruto e rude,

Talvez seja um sujeito anormal,

Nascido em outro planeta sideral,

Mas que procura cativar sua flor.

 

 





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