Quem não se lembra dos tempos Colonial e Imperial no Brasil onde o bispo, o prefeito e o juiz eram as três autoridades máximas da cidade? Pois é, mas depois da  República, com uma nova Constituição, se não me engano em 1891, essa máxima  foi desfeita, pelo menos teoricamente, mas isso ainda está arraigado na cultura popular. Ainda existe até hoje aquele ditado de “vá reclamar ao bispo” quando alguém não consegue resolver um problema no judiciário, no legislativo ou no executivo. Aqui em Vitória da Conquista (foto de Jeremias Macário), a Prefeitura está ao lado da Igreja Católica, e lá “mora” o bispo. O Fórum de Conquista está mais distante, mas em outras cidades essa localização se repete, e o juiz faz parte desse conjunto arquitetônico, geralmente numa praça. No campo espiritual de hoje, quando o Brasil passou a ser “laico”, a autoridade está dividida entre o padre, o bispo, o pastor ou seu pai-de-santo, dependendo de cada religião. No aspecto civil, o juiz e o prefeito permanecem autoridades mais importantes da cidade. Quando nada é resolvido, se diz para se apelar ao papa. Como sabemos, em muitos casos, o nosso país não é totalmente laico. Em nossas cabeças, o prefeito, o padre e o juiz continuam sendo autoridades principais que são mais recorridos. Os vestígios da nossa cultura, por mais que os tempos mudem, permanecem enraizados em nós.