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:: 19/mar/2021 . 22:52

“UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO”

OS COMERCIANTES E AS RELIGIÕES”

É uma obra do historiador acadêmico britânico Geoffrey Blainey que vale a pena ser lida pela sua didática e fácil compreensão sobre as origens humanas, as subidas das águas dos oceanos, as viagens dos povos entre os continentes, suas evoluções, as tribos nômades, as religiões, os grandes impérios, entre outros temas de importância para o conhecimento geral.

Nessa nossa coluna semanal de “Encontro com os Livros”, vamos aqui focar o capítulo “O Trio Triunfante” que prefiro intitular de “Os Comerciantes e as Religiões”. Nele o autor destaca que num período de tempo pouco superior a mil anos surgiram Buda, Cristo e Maomé, três religiões universais (o judaísmo em parte era também universal) que cruzaram fronteiras para converter uma grande variedade de terras e povos.

A TRANSIÇÃO DO MEDO

Essas religiões refletiam uma transição de que Deus era um símbolo do medo (assim era visto pelo Antigo Testamento) para uma transição do amor divino. Se formos analisar bem, como assinalou o autor da obra, os comerciantes foram os maiores propagadores dessas religiões. Eles precisavam de um clima de afabilidade onde os acordos pudessem ser honrados.

Os primeiros seguidores de Buda (Sidarta Gautama) eram comerciantes, como o próprio Maomé. Como carpinteiro, Cristo também foi, em parte, um comerciante com seu pai José. O cristianismo foi disseminado pelos judeus comerciantes longe de casa. Além dos negociantes, dois grandes imperadores, Asoka, da Índia, e Constantino, de Roma, foram fundamentais parra o sucesso do budismo e do cristianismo.

Por volta dos anos 900, essas três religiões alcançaram a maior parte do mundo. A mais nova, o islã, muito dependeu dos comerciantes árabes. A mais antiga, o budismo, teve sua maior força na população chinesa. Os monges atravessaram fronteiras da Índia até a Coreia, Japão e a Indochina.

O cristianismo contava mais com o nordeste da África e da Ásia Menor. Somente na Europa ele passou a ser dominante da Irlanda até a Grécia.  Fazendo seus negócios, os comerciantes espalhavam as palavras e preparavam os caminhos para os missionários.

No capítulo sobre a Polinésia, o autor fala da Europa e da China que formavam grandes mundos com o tráfego fluindo entre si, enquanto outros povos viviam isolados, principalmente quando eram separados pelo mar. De acordo com ele, em toda história humana houve somente três grandes momentos em que viajantes cruzaram os mares para povoar terras desabitadas.

Um foi há mais de 50 mil anos, da Ásia para a Nova Guiné e Austrália. Outro foi a migração da Ásia para o Alasca, há mais de 20 mil anos, com a lenta ocupação do continente americano devido a obstáculos geográficos. O terceiro momento foi a migração dos povos da Polinésia para uma extensa faixa de ilhas do Oceano Pacífico e Índico.

A CHINA E SEUS INFORTÚNIOS

Quanto as potencialidades da China, que terminou por não aproveitar seus conhecimentos como devia, o historiador destaca a arte da comunicação com a invenção do papel manufaturado e a arte da imprensa, usando sinais gravados em blocos de madeira. Foi o acontecimento mais memorável desde a invenção da escrita.

O livro mais antigo data de 868, o qual serviu para difundir a mensagem do budismo e os preceitos de Confúcio. Todos os candidatos ao serviço público tinham que conhecer. Em 1273 imprimiu-se um livreto para fazendeiros e cultivadores de seda natural. A China possuía os fazendeiros mais capacitados do mundo.

Os chineses eram mestres em projetos de vias marítimas, enquanto os romanos especialistas do aqueduto. A China foi exímia na construção dos canais de embarcações (O Grande Canal da China). Com o enxofre, o salitre e o carvão, descobriu a pólvora, e dominava as técnicas de navegação e construção de navios. Na medicina e na saúde, os chineses foram vigorosos em experimentar novas soluções.

Diz o professor que o maior infortúnio foi que eles, por muito tempo, foram quentes, frios, criativos e letárgicos. Mesmo tendo inventado a bússola, fracassaram no mar porque não tinham o desejo de descobrir o desconhecido. Eram bons cartógrafos, mas seus mapas se resumiam aos seus distritos agrícolas. Os cientistas acreditavam que a terra era plana. Quando eles saiam ao mar, longe de casa, só visitavam portos conhecidos da Ásia e do Oceano Índico.

NOS TAPETES E OUTRAS ARTES NA LUTA PARA VENCER O DESEMPREGO E A COVID

Por cerca de três anos desempregada quando teve seu contrato cancelado pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, a professora Vandilza Gonçalves viveu momentos de apreensão à procura de outro trabalho, mas deu a volta por cima e ocupou seu tempo na aprendizagem de uma arte que ocupasse seu tempo e lhe proporcionasse alguma renda.

No início, atuou com coadores de papel de café (a arte da borra do café), pintando paredes, decorando jarros, garrafas e outros objetos que encontrasse, com uma técnica toda especial. Não deu muito certo como geração de alguma renda para, pelo menos, suprir seu desemprego e ganhar algum dinheiro. Então, partiu para realizar alguns cursos de croché, rendas e outras especialidades que dessem mais resultado comercial.

UMA VOLTA POR CIMA

Não é fácil ficar parado sem uma atividade remunerável. O tempo corre e a angústia vai invadindo sua mente por falta de um emprego. Em seu caso, o sentimento de ausência numa sala de aula entre alunos batia forte, mas tinha que vencer mais um obstáculo em sua vida. Foi aí que surgiu a ideia de confeccionar tapetes, souplasts (jogo americano), toalhas e outras utilidades do lar, de forma artesanal com fios e cordões de algodão que são encontrados em armarinhos.

É uma técnica milenar que exige muita paciência e atenção, mas a coisa foi dando certo. Primeiro Vandilza foi anunciando e mostrando, na base do boca-a-boca, seus trabalhos para amigas e parentes. Sua maior surpresa foi a aceitação positiva, com a venda de algumas peças coloridas bordadas. Começou, então, a receber encomendas de outras pessoas de fora.

Seu maior resultado veio quando resolveu colocar suas artes nas redes sociais através do Zap e do Instagram. Surgiram muitos pedidos de conhecidos e outros interessados que se encantaram com os tapetes quando viram suas obras na internet. Nada de emprego como professora, mas suas vendas vão aos poucos suprindo suas necessidades, principalmente nesses tempos de pandemia

O negócio deu tão certo que Vandilza resolveu fazer seu MEI de microempresária no Sebrae, para formalizar seu trabalho como autônoma, pagar seu INSS e ter sua nota fiscal no caso da exigência dela por parte de algum cliente. Com o agravamento da pandemia, seus pedidos caíram, mas a professora não desistiu e continua armando seus tapetes e aproveitando o tempo em que fica em casa se protegendo desse vírus matador.

Como a iniciativa evoluiu, Vandilza está agora programando criar sua própria página na internet para a venda direta por meio do cartão de crédito e até pelo PIX. Tudo está dependendo de uma trégua dessa pandemia, para evoluir seu projeto, mas, enquanto isso, ela não para de confeccionar seus tapetes.

A ARTE DA “BORRA DO CAFÉ”

Outra arte interessante de Vandilza é o aproveitamento de coadores de café, inclusive com o fornecimento do material por outras pessoas amigas. É a chamada arte da “Borra do Café”, que utiliza colas e exige um cuidado para que a montagem não tenha falhas.

Como complemento, ela criou umas pinturas em torno dos coadores que lembram formas rupestres e indígenas dos nossos antepassados. As pessoas sempre se encantam quando se deparam com esses desenhos nas paredes e, dificilmente, conseguem decifrar que elas são feitas da borra do café.

Com esses papéis que são reciclados e até contribui para preservação, do meio ambiente, a professora já pintou várias paredes de cor amarronzada com aparência de pedras montadas umas nas outras. Além disso, os coadores são aproveitados para cobertura de jarros, garrafas e outros objetos. Seu contato pode ser obtido através do Zap 77 99121-7795.

Alguns dos seus produtos podem ser também encontrados no Cesol de Conquista, uma entidade do Governo do Estado, voltada para a economia solidária. O Cesol está localizado no Bairro São Vicente e lá são encontrados trabalhos artesanais de artistas de vários municípios da região.

 

 

 





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