Mais um ministro da Saúde (é o quarto) e mais dúvidas e incertezas de como ele vai se comportar diante do negacionismo da ciência do governo federal. Será que ele vai recomendar o isolamento social, e dizer que a cloroquina é ineficaz como tratamento precoce? Será que ele vai agilizar a vacinação no país, com mais compras de doses dos laboratórios?

Estamos no auge da pandemia, com os hospitais colapsados e milhares esperando uma vaga de leito. Milhares estão morrendo em casa e perdendo seus parentes porque vivemos num país sem comando onde cada governante toma suas próprias decisões, muitas das quais sem muito efeito, como esse toque de recolher e fechamento do comércio em finais de semana.

UMA NAÇÃO PERDIDA

Aos olhos do mundo, somos uma nação perdida, que leva risco a outros países. Na minha modéstia visão, tudo passa pela política e pelo social, num pacto nacional pela vida. Somos carentes de um grande líder estadista que convocasse toda nação a se unir nessa hora, onde os mais poderosos cedessem seus anéis em favor dos mais fracos, em favor da vida.

A solidariedade brasileira tem uma face falsa. Precisamos de um presidente que apele aos três poderes, aos grandes empresários e a todas as instituições no sentido de somar esforços para enfrentar esse vírus. Se estamos num cenário de guerra, como se diz, o Congresso Nacional, as Assembleias e as câmaras de vereadores deveriam cortar metade de seus salários e das verbas indenizatórias dos políticos, para minorar o sofrimento social de milhões que passam fome.

Os poderes judiciário e executivo, onde milhares ganham entre 50 a 100 mil reais por mês, poderiam também fazer o mesmo. Os grandes empresários e as grandes lojas têm lastro suficiente para dar férias remuneradas por pelo menos três meses, contribuindo para o isolamento. Como os banqueiros, já ganharam muito dinheiro nesse país, e seus donos possuem patrimônio e investimentos de sobra para bancar seus empregados, sem demiti-los.

Quem não têm condições são os médios, pequenos e os informais que continuariam funcionando, para não fecharem seus negócios. Isso reduziria, consideravelmente, a massa de gente nas ruas se aglomerando e se contaminando. Os setores essenciais continuariam suas atividades, e o governo federal faria também a sua parte com auxílios emergenciais, sem muito comprometimento fiscal.

No entanto, isso tudo é em vão e são palavras que se perdem no ar, como a minha proposta de não ter realizado eleições no ano passado. Deu no que deu. Por acaso, eles querem ceder alguma parte de seus bens para salvar vidas e colocar a economia do Brasil nos trilhos? Claro que não. São egoístas que colocam o material acima da vida. Eles foram criados nesse capitalismo selvagem onde só os fortes sobrevivem. Falam de solidariedade da boca para fora.

Você já viu grande empresário ou dirigente de entidade empresarial ir para as portas das prefeituras, ou para as ruas protestar contra as medidas de restrição? Quem estão lá na linha de frente são os pequenos e os informais que entram em falência se fecharem suas portas. Vão passar fome se fizerem isso. As grandes lojas e empresas não se abalam, e podem atravessar períodos difíceis.

Não temos um estadista sério, coerente e sensato que fale à nação com firmeza e seja respeitado. Não temos um primeiro-ministro, como o Winston Churchill, da Inglaterra, que uniu toda nação quando esta era diariamente bombardeada pelos alemães, e tantos outros que foram para as trincheiras da resistência.

Todos os dias, somos bombardeados pela Covid-19, e o que temos é um presidente que debocha do vírus, dos brasileiros, chamando-os de maricas; anda sem máscara; promove aglomerações; e nega a ciência. O que temos como resultado disso, é uma total balbúrdia onde idiotas ainda ficam discutindo partidos, se é de direita, de centro ou esquerda. O Brasil não deveria estar passando por esse sufoco, intubado numa UTI.