Durante a Idade Média, as epidemias da peste bubônica, varíola, tifo e outras doenças devastaram as grandes cidades da Europa. O primeiro passo para o controle foi o saneamento e a higienização, vindo em seguida a vacinação em massa do povo. Os recursos da medicina ainda eram precários.

As primeiras inoculações de vacinas só vieram acontecer por volta de 1796 pelo inglês ruralista Edward Jenner, o inventor da vacina contra a varíola (pústula), que foi erradicada em 1980, ou seja, 184 anos depois. Ainda estudante, em 1771, Jenner observou que a mulheres que ordenhavam as vacas contraiam a doença, daí a palavra vacina de o latim ser derivada vacca.

LÍQUIDO DAS BOLHAS

Em 1796, o cientista recolheu um líquido das bolhas das mãos das leiteiras e introduziu na pele de um rapaz voluntário que ficou imune à doença. Em 1885, o francês Louis Pasteur, o gênio das vacinas por ter aperfeiçoado outras, em parceria com o patologista alemão Robert Koch, criou a vacina contra a raiva, transmitida ao homem pela mordedura de um animal infectado. Conta que em vida ele frequentava o campo para tratar de doenças de animais e orientar os agricultores de como se proteger delas.

Somente pela metade do século XX se descobriu que as doenças infecciosas eram em decorrência dos germes e não do ar impuro como se pensava, isso graças aos estudos de Pasteur. Através de muitas pesquisas, se concluiu ser possível preparar vacinas através das culturas de microrganismos mortíferos.

Ainda no início do século passado, a partir da década de 20, se assistiu o desenvolvimento de vacinas contra a tuberculose, difteria, tétano, tifo, cólera e a febre amarela. Essas doenças sempre atingiram os países mais pobres dos continentes africano e as Américas do Sul e Central, caso mais específico da poliomielite e do sarampo. Muitas nações ainda não colheram os avanços da ciência nesse campo por descrença na ciência ou por falta de recursos financeiros.

Em 1888, Pierre Paul Émile, colega de Pasteur, demonstrou que é uma toxina produzida pela bactéria da difteria que provoca os sintomas graves. Em 1890/91, Emil Adolf e Kitasato conseguiram criar as antitoxinas contra a difteria e o tétano. A vacina da difteria só veio a ser comercializada em 1892. Esperou-se mais 40 anos até que fosse preparada uma vacina que protegesse as crianças saudáveis.

No final do século XIX e início do XX, era generalizada na Europa e América do Norte a contração da tuberculose durante a infância. A primeira vacina contra a tuberculose só veio em 1906 por Léon Calmette e Camille Guérin, investigadores do Instituto Pasteur, para ser utilizada em gado. Foi aplicada pela primeira vez em crianças, na França, no ano de 1922.

VACINAÇÃO CONTRA A VARÍOLA

Uma das grandes vitórias da ciência foi a vacinação contra a varíola. No século XVIII praticamente todas as crianças contraiam a varíola, com mortandade de cerca de 30% das atingidas. A vacinação só ocorreu em princípios do século XIX na Europa Ocidental. Ela, no entanto, permaneceu endêmica na África e na Ásia, até depois da II Guerra Mundial, tendo a Índia e a Indonésia sofrido surtos maciços.

Na década de 50, a poliomielite era a mais temida. A primeira vacina foi preparada pelo médico Jonas Salk, de Pittsburgh, e utilizada em 1954. Ela continha o vírus da pólio. Três anos depois, o virologista Albert Bruce Sabin deu início à vacinação com o vírus vivo da pólio.

 Em 1960, Jonh Enders produziu a vacina contra o sarampo que ainda permanece na África, Ásia e nas Américas. Em 1962, o médico Thomas Weller produziu a vacina contra a rubéola destinada às mulheres. Em 1970, inicia-se a vacinação em massa em crianças contra a difteria, pólio, tosse convulsa, tuberculose, sarampo, tétano e outras doenças.

A Organização Mundial da Saúde promoveu uma campanha forte nas décadas de 60 e 70 visando erradicar a varíola através da vacinação em massa no mundo. Em 1978, uma fotógrafa britânica contraiu a doença através do laboratório onde trabalhava, vindo a falecer, mas um parente seu que se contaminou, se recuperou.

PASTEUR E SEUS TRABALHOS

Os trabalhos de Pasteur revolucionaram a arte da cura, apesar de não ser médico. Nasceu, em Dole, na França, em 1822, e cresceu em Arbois. Faleceu em setembro de 1895. Os hospitais têm pisos de cerâmica, paredes de azulejos e camas pintadas de branco graças aos ensinamentos de higienização do cientista. Ele criou a microbiologia

Certa vez ele disse “se eu tivesse a honra de ser cirurgião, só usaria gaze, bandagens e esponjas submetidas previamente a uma temperatura de 130º a 150º C”. Pasteur sempre foi um homem da terra. Aos 20 anos, se interessou pelas aulas de química do professor Jean Dumas, de quem se tornou ajudante e formou-se nessa profissão.

Aos domingos, o estudioso utilizava o laboratório do mestre. Em 1884 se tornou professor da universidade de Estrasburgo, e era muito exigente e rígido com os alunos, tanto que teve muitos embates e intrigas entre eles. Viveu quatro anos ao lado do Rio Reno. Em 1952, fundou a Faculdade de Lile, e abriu as portas da escola para pesquisas nas ruas, no campo e para as fábricas. Criou vários laboratórios nesses locais.

Com o bom senso que parece ter herdado de seus avós camponeses, pôs fim aos problemas na fermentação do vinho, da cerveja, as doenças do bicho-da-seda e do gado. Assim chegou aos grandes temas da saúde humana. Ele inventou o método da pasteurização, desenvolvendo a teoria da geração espontânea.

INSALUBRIDADE NA AGRICULTURA

Em 1864, proferiu uma palestra na Sorbone diante de várias personalidades, inclusive do presidente francês, e ao final foi ovacionado por toda Paris. Católico conservador, seu campo de trabalho se baseava na ordem, no método e na limpeza. Em 1868, sofreu seu primeiro ataque de apoplexia e ficou com o lado esquerdo paralisado, mas não parou com suas atividades como cientista, resolvendo problemas de insalubridade na agricultura.

Em sua lida, incentivou a aplicação de vacinas em galinhas e ovelhas. Em 1881, demonstrou a eficácia da vacina contra o carbúnculo. Mediante sua ação, em 1885, 350 pessoas receberam tratamento contra a raiva. Em sua homenagem, foi inaugurado, em 1888, o Instituto Pasteur, que cuida até hoje da produção de vacinas contra a raiva e outras doenças infecciosas.

Em 1921, os cientistas Calmette e Camille desenvolveram, no Instituto, suas vacinas contra a tuberculose. Em 1923, Gaston Léon Ramon criou a vacina contra a difteria, além do soro antitetânico. Existem hoje pelo mundo cerca de 30 dessa instituição em vários países.