Num quadro de 334 mortes pela Covid-19 desde o início da pandemia no ano passado, e cerca de 100 casos diários, a Prefeitura de Vitória da Conquista (mais de 300 mil habitantes), através do seu secretário de Administração, Kairan Rocha Figueiredo, continua a contestar o Governo do Estado com relação ao isolamento social, o toque de recolher e o chamado lochdown.

Como se não bastasse essa tamanha insensibilidade do Comitê Gestor de Crise, nesta quarta-feira, o governo estadual cortou a remessa de vacinas para Conquista e outras cidades que não cumpriram a meta de imunizar, pelo menos, 85% das doses recebidas. Segundo o poder público, esse percentual foi logo corrigido (não dá para entender a rapidez), o que torna o município apto a ser beneficiário.

TRANSPARÊNCIA

Uma vergonha que isso aconteça, para não se dizer incompetência na questão de transparência dos dados, visto que também os critérios adotados de vacinação são confusos, deixando pessoas mais prioritárias nas filas de espera. Qualquer pessoa que trabalha numa empresa da área de saúde, mesmo sendo do setor administrativo e almoxarifado, está sendo vacinado.

Ora, se for levar em conta esse critério de profissional, os comerciários que estão mais em contato diário com os consumidores, são mais prioritários e mereciam ser antecipados no processo de imunização. Isso vai também deixando idosos com mais de 60 anos na incerteza de quando vão ser vacinados, visto que os lotes vêm aos “tiquinhos” e ainda existe ameaça de não receber por não ser ágil no acompanhamento das metas.

Esses equívocos da administração municipal, como condenar o isolamento social e outras medidas restritivas adotadas pelo Governo do Estado só têm penalizado os conquistenses. Aliás, com essa posição, a prefeita em exercício também está condenando seu prefeito aliado de Salvador, o qual está trabalhando em sintonia com o governador.

Outro absurdo que continua sendo repetido, é alegar que a maioria dos pacientes internados é de outros municípios da região. É uma atitude xenófoba e até desumana. Além do mais, o sistema do SUS é público e tem o dever de receber outros doentes que não sejam da cidade. A não ser o Esaú Mattos, Conquista não conta com um hospital municipal, como existe em Guanambi e até Brumado. Com sua representatividade política, o prefeito de Guanambi conseguiu implantar mais 30 leitos na cidade. E Conquista? O que vem fazendo para minorar a situação? Está realizando algumas ações de limpeza nos bairros, como se faz em Salvador?

Todas atividades econômicas de Conquista, especialmente comércio e serviços, são sustentadas pela região que abrange cerca de 80 municípios. Portanto, Conquista deve muito a essa gente que vem de fora e deixa seu dinheiro aqui. É mais que justo que esse povo se sirva dos hospitais públicos quando precisa. Falar que a maioria dos pacientes é de fora é até vergonhoso, e uma alegação sem sentido e nexo.

Esse fator é mais um motivo para que a prefeitura adote medidas restritivas para até desafogar a ocupação (mais de 80%) dos hospitais, sobrando mais leitos para os doentes locais e da região. O secretário esqueceu de dizer que o prefeito está há quase três meses internado em São Paulo, no Sírio Libanês. Quem está custeando suas despesas? E os que estão aqui no sufoco, sem ar, esperando uma vaga num leito?

Gostaria de saber o que o secretário e a prefeita em exercício fariam se tivessem um parente de Covid-19 em algum município da região, necessitando de um atendimento urgente de UTI? Cuidado secretário e senhora prefeita com o que falam! Melhor atuar com mais rigor na fiscalização, para manter o distanciamento social, do qual defendem, e atualizar os números da vacinação para que Conquista não passe vergonha.