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:: 3/mar/2021 . 23:35

PRESIDENTE, PONHA A MÁSCARA!

 

 

Carlos Albán González – jornalista

​Presidente, por favor, coloque a máscara”. Na imaginação dos leitores, o pedido feito com polidez por três policiais militares,  foi dirigido a Jair Messias Bolsonaro, flagrado centenas de vezes desrespeitando decretos de prefeitos e do governador do Distrito Federal, que obrigam o uso da máscara, o mais seguro meio de proteção à contaminação pelo covid-19. O infrator está sujeito a uma punição: o pagamento de uma multa que pode chegar a R$ 2 mil.

Engana-se, prezado leitor. Ninguém neste país teve o atrevimento de chamar a atenção do capitão que deixou o Exército pela portas dos fundos; líder do negacionismo, uma prática altamente perigosa, cujos adeptos, instalados no Palácio do Planalto, espalham o ódio e as notícias falsas através das redes sociais. O sujeito advertido pelos policiais foi Paulo Carneiro, presidente do Vitória, que assistia a um jogo do seu time nas arquibancadas do Estádio Antônio Carneiro, em Alagoinhas. Figura polêmica nos meios esportivos, bolsonarista de carteirinha, Carneiro recentemente esteve em Brasília para entregar uma camisa do clube rubro-negro ao seu “mito”.

No meio do recrudescimento da doença, onde os hospitais, na falta de leitos, são forçados a escolher quem vai viver e quem vai morrer, Bolsonaro chama de “politicalha” as medidas adotadas por governadores e prefeitos, assumindo uma responsabilidade que deveria ser do governo federal; e apresenta dados distorcidos sobre o repasse de verbas para estados e municípios. Precisamos tirar esse cara”, diz o veterano senador Tasso Jeressatti (PSDB-CE), defendendo a criação da CPI da Covid. Omisso e catastrófico, Bolsonaro viu aumentar dez vezes os 30 mil brasileiros que, na sua presunção, deveriam morrer no período da ditadura militar.

Os brasileiros devem assistir – o vídeo pode ser acessado na internet – uma reportagem do Fantástico sobre Wuhan, o primeiro epicentro da Covid-9. Graças a consciência do seu povo, a eficiência dos seus governantes (os omissos foram demitidos…ou fuzilados), e as medidas adotadas (construção em 11 dias de um hospital com mil leitos), lockdown de 76 dias para todos, a cidade chinesa de 11 milhões de habitantes desde maio está livre do vírus, mas a máscara, que não é mais obrigatória, continua sendo usada por todos. Brasileiros moradores de Wuhan, abordados pela reportagem, só tiveram palavras de elogio às autoridades do país que foi eleito como o inimigo número um da política externa do governo bolsonarista.

Em vez de empunhar a bandeira da Cruz Vermelha (não confundam com a estrela vermelha do PT), Bolsonaro ainda insiste em prescrever medicamentos sem eficácia comprovada, recusados até pelas emas do Palácio da Alvorada, cuja reação foi bicar o presidente e o ministro da Economia, Paulo Guedes. O capitão vai mandar uma comitiva a Israel com a missão de trazer um novo remédio milagroso, mesmo sabendo que um dos seus gurus, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, debocha dos negacionistas e convoca o povo israelense a se vacinar.

Um dos primeiros brasileiros a se engajar no time da cloroquina, o prefeito licenciado Herzem Gusmão viajou para Brasília, onde esperava se reunir com o intendente Eduardo Pazuello, que interpreta o papel de ministro da Saúde nessa crise sanitária sem precedentes. Seu interlocutor no ministério foi um assessor de nome Cascavel, que atendeu prontamente o pedido do gestor baiano. Depois de dois meses num dos melhores hospitais do país, sob os cuidados de uma excelente equipe médica, Herzem já deve ter concluído pela inutilidade da cloroquina e hidroxicloroquina.

Dos 417 municípios baianos apenas quatro (Teixeira de Freitas, Luiz Eduardo Magalhães, Buerarema e Itapetinga) deram a vitória a Bolsonaro. Com uma diferença de menos de 1%, Teixeira de Freitas, governada pelo médico Marcelo Belitardo (DEM), assumiu a condição de baluarte do bolsonarismo em território baiano, rompendo decretos do Estado, o que se constitui em desobediência civil. Mensagens postas nas redes sociais ameaçam linchar o governador Rui Costa em praça pública. O teixeirense não está só. Porto Seguro e Itamaraju, também no Extremo Sul, têm revelado desprezo pela vida humana.

Impedir a realização, com muito barulho e bla-bla-blá, da missa do meio-dia na catedral repercutiu muito mal junto à comunidade católica de Vitória da Conquista. Um grupo de donos de academias (lembro que nas lutas de judô sobre o tatami não há distanciamento) e lojistas fizeram na última segunda-feira (dia 1) um protesto em frente à prefeitura. Pediam a desobediência ao lockdown de 48 horas, o que se caracteriza num crime contra a saúde. Incluindo moradores de outros municípios, Conquista soma 715 vítimas da covid-19. Entre os presentes ao ato, admiradores das oradoras e o pastor David Salomão, nomeado recentemente assessor parlamentar, e, provavelmente, visando as eleições do próximo ano.

 

 

 

 





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