Poema mais recente de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Meu chapéu de couro,

Pra casa não leva desaforo,

É como minha viola estradeira,

Que já comeu muita poeira.

 

Meu chapéu de couro,

É marca do vaqueiro catingueiro,

Das brenhas do espinho quebrador,

Do sertão valente do Nosso Senhor,

Que derruba touro brabo fugidor.

 

Meu chapéu de couro,

É símbolo desse engaço nordestino,

Do cangaceiro e do pistoleiro,

Cravejado como do Virgolino Lampião,

É o mesmo que com a mão implora,

E aos céus ergue a sua oração,

Pai Nosso, Ave Maria, Nossa Senhora,

Abençoai seu filho e proteja seu destino.

 

O meu chapéu de couro,

Aguenta chuva, sol e sequidão,

Não é de ouro, é da cor do agreste,

É como o do Gonzaga, rei do baião,

Nasceu da labuta dessa mãe terra,

Da chibata do coronel do reio cru,

Mas foi louvado por nossa gente,

No rodeio e no canto do repente,

Resistente como o nosso Nordeste,

E imponente como o pé do mandacaru.