As aglomerações, as baladas dos inconsequentes, as praias, as viagens nos feriadões, um governo carniceiro que chama os brasileiros de “maricas” e as eleições municipais fizeram voltar uma nova onda de pandemia da Covid-19, com muitas UTIs de hospitais lotadas. Logo vão aparecer o derramamento de lágrimas e os apelos desesperadores, clamando por uma vaga nas unidades de saúde.

Dá para entender o comportamento desse povo quando o Brasil acaba de registrar mais de 170 mil mortos? Milhares de vidas poderiam ter sido preservadas se houvesse mais respeito pelo ser humano, mas o que existe é falta de isolamento e distanciamento. Diante das imagens diárias de irresponsabilidades, já era previsto este novo pico. Os infectologistas e epidemiologistas já vinham alertando para a questão, mas a insensatez fala mais alto.

Para completar o caos na saúde pública, temos um governo que nega a ciência; não está em sintonia com os governadores e prefeitos; desestimula a aprovação de vacinas; e tem um Ministério da Saúde que segue na contramão do combate ao vírus para salvar vidas, dizendo, e daí! Mais de seis milhões já foram infectados, e os números só tendem a crescer porque a maioria acha que tudo acabou.

A mídia faz a festa das vacinas que estariam logo chegando para atender a população, mas tudo é obscuro e confuso porque não existe planejamento, e as informações são desencontradas. O povo se ilude e abre a guarda, achando que a vacina é só questão de dias, quando não é verdade. Ainda vai demorar, e quando ela chegar, a distribuição vai ser uma “guerra”. Estamos num país desgovernado, esperando a contar bater 200 mil almas vítimas da doença.

O vírus da barbárie e da brutalidade

Não temos somente o vírus da Covid-19, mas outros que assolam o nosso pobre país, quais sejam da ignorância, da corrupção que nunca se acaba, da ganância capitalista que oprime e escraviza o trabalhador, da violência policial, do racismo, da homofobia e o da brutalidade entre brasileiros, como o visto no final de semana contra um negro no supermercado Carrefour, em Porto Alegre.

Diante de todos esses acontecimentos bárbaros, que faz rasgar de piedade o coração do mais ímpio e empedernido, ainda tem muita gente que enche a boca para dizer que vivemos num mundo civilizado, só porque exibe a “merda” de um celular na mão, pronto para fazer um PIX, um DOC, um E-Título, um E-Comércio, um bate-papo de boatos falsos e destilar ódio e intolerância contra os outros que não concordam com sua posição.

A questão é que o ser humano perdeu a razão para essa tecnologia que reduziu a capacidade do pensar e do refletir. O homem está cada vez mais ficando isolado, como o homo office que se tranca num apartamento diante de um computador para fazer as tarefas que o patrão ordena.

Tudo isso é muito bom para o capital que reduz seus custos, não se preocupando com o grau de desumanização que provoca. O trabalhador perde o contato pessoal (calor humano) com seus colegas de serviços; deixa de trocar ideias; de se relaxar; e vai entrando em estresse até estourar os nervos. Ele vai ficando tenso com as cobranças diárias, e num dia qualquer sofre um enfarto fulminante. Quem importa p