Neste domingo (dia 15/11), Dia da República, vamos ter eleições municipais em 5.569 cidades brasileiras para prefeito e vereadores. Sem uma reforma política ampla, não teremos muitas mudanças no quadro, como aconteceu com a proclamação da República, em 1889, quando a oligarquia do império continuou no poder e, com mais força, oprimindo os mais pobres e as classes trabalhadoras.

Em todas as eleições fazem uns remendos no sistema, e aí aparecem os tais “cientistas políticos” para dizer que o pleito ficou mais igualitário entre os candidatos. Tudo conversa para “boi dormir”, ou “conversa fiada”, pois as regras continuam desiguais na concorrência entre aqueles que disputam uma reeleição e os novos que não contam com a máquina do poder.

Nas prefeituras e nas câmaras

Nas prefeituras em geral, a corrida está polarizada entre a reeleição do atual executivo e o outro que é ex-prefeito, como ocorre aqui em Vitória da Conquista. A pergunta é sobre qual a mudança que irá acontecer, seja qual for o resultado do eleito? Portanto, tudo permanece com dantes na Casa de Abrantes, meu amigo “cientista político”. Ainda temos uma democracia mambembe, do tipo tupiniquim. Vai permanecer a hegemonia dos clãs.

Para a Câmara de Vereadores, o quadro ainda é pior, pois quando muito há uma mudança em torno de 30 a 40%. A maioria se mentem no cargo, tendo em vista que quase todos são candidatos à reeleição, contando com a vantagem da máquina que já exerce em relação aos que pretendem a vereança pela primeira vez. A concorrência é desleal.

Aqui em Vitória da Conquista são 21 vereadores (podia ser em torno de 15) e somente dois ou três não estão na disputa pela reeleição (um saiu como candidato a prefeito). Existem candidatos que já estão na Câmara há mais de 30 anos (transformaram a política numa carreira profissional), e estes já têm sua cadeira cativa com os mesmos eleitores de sempre.

A eleição no Brasil é como uma roda presa, com pouca velocidade. É uma matraca velha que precisa ser totalmente reformada, ou mudar para uma nova, de modo que o sistema seja destravado. Esses tapa-buracos de que falam os “cientistas políticos”, só servem para enganar a nossa democracia. É como um barco velho onde se veda um buraco ali e aparece outro acolá, para entrar água.

A nossa República (coisa pública) de 131 anos já nasceu velha, e foi decretada por um marechal num cavalo, com o simples gesto de desembainhar a espada por pressão de uma classe burguesa que se sentia ameaçada em perder alguns de seus privilégios e mordomias. De lá para cá, o país continuou sendo governado por uma aristocracia, por uma elite, ou por uma plutocracia que se recusa a fazer uma divisão social das riquezas.

De lá para cá já tivemos diversas ditaduras, alguns movimentos de libertação por justiça social e levantes de uma ou outra categoria, mas a desigualdade só fez se agravar. Já tivemos o café com leite, o gaúcho fazendeiro, um cigano que fez Brasília, generais, um operário, uma mulher e agora um bárbaro que veio com a intenção de destruir o pouco que se tinha conquistado de bom.

Quer sentir como anda o nível educacional e cultural do nosso brasileiro? Então perguntem aos eleitores sobre o feriado do dia 15 de novembro e o que significa para o Brasil. Com certeza, poucos saberão responder sobre sua história, e o que entendem por governo republicano, seu papel e sua representação na sociedade.