Poema mais recente do jornalista e escritor Jeremias Macário

Como um navegante solitário,

Nesse cenário controverso,

Vou viajando em meu universo,

No galope do meu cavalo,

Como um vassalo do vento,

Sem pensar no senhor rei tempo,

Com meu jeito estúpido de amar,

Roendo a corda e consumindo alento,

Sem acreditar que existe outro lar.

 

Nem imagino para aonde vou,

Cantando pneus entre as curvas,

Vou pegando as enfadonhas retas,

Até o infinito monte do horizonte,

Na ânsia de alcançar as tais metas,

Mesmo quando as vistas ficam turvas,

Nesta comichão de tantos insumos,

De juras entre os diabos e os deuses,

Nas encruzilhadas de vários rumos,

Ouvindo a viola do cancioneiro poeta,

Que em seu peito rasga o verso profeta,

Sobre a vida nesse capital de esmola.

 

Vou viajando por aí sem destino,

Como mais um retirante nordestino,

Na busca da verdade e da razão,

No conflito teórico da classe marxista,

Entre o ateu da direita ao esquerdista,

Entre a ciência e a fé na religião,

Vou indo como chama da liberdade,

Outras vezes como tocha apagada,

Como um todo, como um nada,

Nesse deserto do camelo beduíno,

Com minhas lembranças de menino.

 

Para aonde mesmo eu vou?

Não importa, se tiver uma porta,

Para sacodir a sujeira da poeira,

Dessa breve vida incerta estradeira.