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:: 4/nov/2020 . 22:25

POR UMA CÂMARA MAIS FORTE

Volto a insistir que Vitória da Conquista, com cerca de 350 mil habitantes e a terceira maior cidade da Bahia, merece ter uma Câmara de Vereadores (21 parlamentares) mais forte, mais preparada, representativa e não tão submissa ao poder executivo como é atualmente. Como ela hoje está composta, é uma vergonha em se tratando da importância e do tamanho do município no contexto do estado, do Nordeste e até a nível nacional.

Para haver uma mudança nesse quadro, que considero negativo, não basta que haja uma renovação acentuada de seus membros, mas que se eleja candidatos imbuídos do seu papel como legisladores e fiscalizadores do prefeito, e não que simplesmente digam amém porque é do mesmo partido. O parlamentar tem que entender que ele foi eleito pelo povo e só ao povo tem que dar satisfação.

UMA CÂMARA FRACA

Além do número exagerado por conta do sistema arcaico político brasileiro, a Câmara de Conquista é fraca em todos os sentidos, e isso é uma constatação geral da população que quer ver mais atuação em termos de criação de projetos de lei, e representantes com melhor nível de instrução. Não se trata de discriminação com relação a “A” ou a “B”, mas de se cobrar do vereador, assim como do deputado, que ele tenha uma formação razoável de conhecimento intelectual.

Não queremos um legislativo municipal apenas para formular indicações, defender seus lotes, ou redutos eleitorais, como nos velhos tempos do coronelismo, e fazer moções de aplausos, muitas das quais desmerecidas, com cunho de bajulação. Carecemos de uma Câmara que pense mais alto em termos coletivos, e tenha mais conteúdo para propor leis e aprovar, ou desaprovar projetos, mesmo que contrarie o executivo de seu partido.

Temos uma Casa que há anos é viciada no assistencialismo (nem todos), cujos representantes estão lá por quase 40 anos, num sistema por demais atrasado, onde o seu eleitor se tornou um escravo do voto por causa de todo tipo de favor e ajuda que recebe do “seu vereador”. É um tipo de servidão que se repete de quatro em quatro anos, e isso vai passando de geração em geração.

BAIXO NÍVEL DE EDUCAÇÃO

Infelizmente, essa situação calamitosa tem muito a ver com o baixo nível de educação e de cultura do nosso eleitor em geral, e isso não acontece somente em Vitória da Conquista, mas em todo Brasil. As profundas desigualdades sociais também contribuem para que esse esquema se perdure.

No geral, a nossa gente tem dado pouco valor para o papel da Câmara em sua cidade e termina elegendo pessoas despreparadas (até analfabetas), só porque o cara é seu amigo, compadre, “gente boa”, “bom de papo”, ou que um dia lhe fez um favor, e não analisa o outro lado, se ele tem condições, ou não, de exercer a função de um vereador.

Portanto, qualifique mais seu vota na hora de votar em seu vereador que irá lhe representar e ser a sua voz no legislativo. Durante a campanha eleitoral, como agora, muitos apresentam propostas genéricas, muitas das quais de competência do prefeito, numa inversão clara de valores. A maioria não tem foco.

Claro que a ética, a seriedade e a honestidade contam bastante no candidato, mas, além desses requisitos prioritários, ele tem que ser uma pessoa com um bom currículo em sua vida, inclusive no sentido escolar. É lamentável, mas esses pontos não têm sido considerados na hora do voto porque temos um eleitorado que deixa muito a desejar em termos de instrução e conscientização política.

OS BÁRBAROS DA CULTURA E DO MEIO AMBIENTE

Eles estão avançando e destruindo nossa cultura, nossas florestas, nossos campos, nossos rios, nossos animais, nossos lares, nossa liberdade, nossos centros de pesquisas e nada fazemos para impedir toda essa insanidade. A história um dia vai nos julgar e nos condenar como cúmplices desses crimes de lesa-humanidade.

Rasga em meu peito a dor de ver a nossa cultura e o meio ambiente sendo tratados em meu país como quinquilharias que não têm muita serventia para o ser humano. Como lixos descartáveis, um está sendo visto como instrumento perigoso, coisa de esquerdista comunista, e o outro como meio que pode ser desmatado e queimado para virar lucro para os capitalistas. Este cenário de retrocesso entristece o cidadão, e faz perder o orgulho pelo seu Brasil.

Rasga em meu peito a dor em ver o nosso patrimônio material e imaterial sendo aos poucos destruído por um governo de bárbaros que abrem a boca para falar em “Deus, Pátria e Família”, mas pisoteiam a nossa cultura, envergonham o nosso país lá fora, com imagem de atrasados, e tomam atitudes de intolerância contra homossexuais, negros e outras categorias excluídas há séculos, negando a própria existência de um Supremo uno para todos.

QUAIS VALORES?

Que valor de pátria é esse em que ela está sendo humilhada e submissa por uma potência em decadência? Tudo isso só pode ser psicopatia! De que família eles estão falando? Da rosa e da azul? Da família que é desajustada se nela houver um filho gay? Que cultura esses bárbaros querem nos impor e implantar em nossas cabeças? A do preconceito e a da discriminação? De quais valores eles estão falando?

Rasga em meu peito a dor em ver a nossa cinemateca, o orgulho nacional da história do nosso cinema e da nossa gente, sendo abandonada como um depósito de tralhas velhas que podem ser jogadas na fogueira do ódio. Seus arquivos estão sendo consumidos pelas traças e os cupins. Pelo desleixo e irresponsabilidade, há pouco tempo foi-se o nosso Museu Nacional, riqueza cultural de uma nação, destruído pelas labaredas do fogo.

Rasga em meu peito a dor em ver livros sendo queimados porque seus autores se tornaram críticos do governo bárbaro neofascista, ou porque seus escritos, na concepção dos negacionistas da ciência e da vida, são “imorais” e não devem ser lidos porque expressam ideologias diferentes. Doe muito ver a propaganda do desestímulo à leitura, e o menosprezo pelo conhecimento e pelo saber.

Em toda a minha vida, nunca imaginaria ver as linguagens artísticas e os artistas de um modo geral, almas de qualquer nação, sendo apagados pela borracha maldita da ignorância, sem o devido apoio para seus trabalhos. Um teatro, um cinema, um espaço cultura, uma biblioteca ou uma livraria que fecha sua porta é como mais uma luz que se apaga e nos leva à escuridão. Representa a volta para um período medieval.

Doe muito um casarão antigo ruir pelo desgaste do tempo e, em seu lugar, erguer um templo do capital. As pessoas parecem que estão anestesiadas pelo invento da tecnologia das redes sociais e perderam o sentimento pela cultura. Não mais importam que suas liberdades de expressão sejam ameaçadas pelos bárbaros que invadiram as nossas casas, para enaltecer a homofobia, o racismo e a violência.

Primeiro castraram a educação para que o povo ficasse inculto e a viver no limbo da ignorância. Assim é bem mais fácil ser manipulado e usado como inocente útil, como massa de manobra. Poucos ainda estão posicionados na trincheira da resistência para que a nossa cultura não seja sepultada no cemitério dos esquecidos. Os que ainda lutam, são isolados e discriminados como doentes infecciosos, ou malucos que devem ser internados num manicômio.

O MEIO AMBIENTE ARDE

Assim como a cultura, rasga em meu peito a dor de ver o intestino, as tripas e todos os órgãos do nosso meio ambiente sendo extirpados pela ação dos bárbaros, que querem arar mais terras para nelas expandir suas plantações de grãos e fazer mais pastos para criação de gado. Tudo vale para vender mais soja e carne para o exterior.

Rasga em meu peito a dor de ver o Pantanal e a Amazônia arderem em chamas até serem transformarem num deserto seco, como o Saara africano que há milhares de anos era uma terra produtora de alimentos e abundante em água e animais. Querem tornar o Pantanal num Iraque desértico de hoje onde há 8.000 anos a.C. foi a Mesopotâmia do Crescente Fértil, celeiro agrícola dos sumérios e dos babilônios para todo o mundo.

Rasga em meu peito a dor de tanto ver todos os dias animais silvestres sendo sapecados pelas labaredas assassinas dos homens incendiários da natureza, com o intuito de ganhar mais dinheiro. Os bárbaros pretendem ainda acabar com as restingas e os manguezais para neles montarem suas fazendas de peixes, ou construírem seus balneários.

Com suas máquinas destruidoras, suas metralhadoras e seus fuzis, os bárbaros expulsam os índios de suas reservas para nelas extrair metais com o veneno do mercúrio e outros produtos tóxicos que matam e secam os rios das florestas. Temos hoje uma nação de olhos omissos que se fazem de cegos e não reagem contra a barbárie de um governo que não veio para construir, mas para destruir.

Diante de toda essa barbaridade, ainda saem pregando por aí o lema de “Deus, Pátria e Família”, como se fosse uma boa nova de salvação contra o que eles chamam de “comunistas traidores”. Para os bárbaros, os demais são os “inimigos da fé”, por não concordarem com lunáticos do fanatismo religioso moralista, que escondem suas sujeiras em quatro paredes.

 

 

 

 





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