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:: 3/nov/2020 . 1:20

AS CULTURAS DOMESTICADAS E AS LÍNGUAS ANCESTRAIS DA ÁFRICA

De acordo com o pesquisador Jared Diamond, as culturas da África Ocidental foram domesticadas primeiro. Depois vieram as da Indonésia e, por último, as dos europeus. O historiador Christopher Ehret empregou a abordagem linguística para determinar a sequência em que as plantas e animais domesticados foram utilizados pelos povos de cada família linguística africana.

Em sua dedução científica, Diamond escreve em seu livro “Armas, Germes e Aços”, que os povos que estavam domesticando sorgo e milhete no Saara milhares de anos atrás, falavam as línguas ancestrais das línguas Nilo-saarianas modernas. As evidências permitem ter uma ideia da existência de três línguas, como a Nilo-saariana, nigero-congolês e afro-asiática. A África abriga hoje 1.500 línguas, incluindo a língua austronésia de Madagascar.

ÍNDIA E EGITO à COSTA DA ÁFRICA

Há milhares de anos, segundo um observador comerciante, existia um próspero comércio marítimo que ligava a Índia e o Egito à costa da África Oriental. Com a expansão do Islã, depois de 800, o comércio no Oceano Índico passa a ser arqueologicamente bem documentado por grandes quantidades de produtos como cerâmica, vidros e porcelana do Oriente Médio e da China, encontrados em povoações no litoral da África Oriental

Quando o navegante português Vasco da Gama, tornou-se o primeiro europeu a contornar o cabo sul da África, alcançando a costa do Quênia, em 1498, encontrou povoações swahilis dedicadas ao comércio, e levou um timoneiro para guiá-lo naquela rota direta para a Índia. Havia um comércio intenso entre a Índia e a Indonésia.

A África Subsaariana nem sempre foi um continente negro, como pensamos hoje. Os pigmeus espalhavam-se pela floresta tropical da África Central, enquanto os coissãs se localizavam nas áreas secas da África Subequatorial. Em Zâmbia, no norte da zona ocupada pelos coissãs, os arqueólogos acharam crânios de humanos semelhantes aos coissãs modernos, assim como ferramentas de pedra parecidas com aquelas que eles ainda estavam fazendo a época em que os europeus chegaram à África Meridional.

A OCUPAÇÃO DOS BANTOS

Como os bantos tomaram o lugar dos coissãs do norte, indícios sugerem que a expansão dos ancestrais dos agricultores desse povo das savanas no interior da África Ocidental para o sul, em sua floresta litorânea mais úmida, pode ter começado por volta de 3.000 a.C. Os bantos criavam gado e mantinham culturas, como o inhame. Não conheciam o metal e ainda se dedicavam muito à caça, à pesca e à coleta. Á medida que os bantos se espalhavam pela zona da floresta equatorial da bacia do Congo, faziam hortas e aumentavam em quantidade. Começaram a subjugar os pigmeus caçadores-coletores.

Na África Oriental, os bantos obtiveram o milhete e o sorgo, bem como o gado bovino de seus vizinhos nilo-saarianos e afro-asiáticos. Os historiadores quase sempre acharam que o conhecimento da metalurgia chegou à África Subsaariana a partir do norte. Por outro lado, a fundição do cobre já era feita no Saara e no Sael, desde 2.000 a.C.

Os ferreiros africanos descobriram como conseguir temperaturas nos fornos de suas aldeias e fabricar aço mais de 2000 antes dos fornos do inventor inglês Henry Bessemer, no século XIX, na Europa e na América. Quando aprenderam a usar o metal, os bantos formaram um pacote militar-industrial insuperável na África subequatorial.

Em poucos séculos, num dos avanços mais rápidos da pré-história, os agricultores bantos tinham limpado todo caminho até Natal na costa oriental da África do Sul. Segundo o pesquisador, certamente foram estabelecidas relações comerciais e de casamento entre os coissãs e os agricultores bantos. No entanto, sempre os bantos ocuparam a maior parte do espaço anterior dos coissãs.

Os povos bantos do extremo sul, os xosas, foram até o Rio do Peixe, na costa sul da África do Sul, 800 quilômetros a leste da cidade do Cabo. Em 1652, ano em que os holandeses chegaram à cidade do Cabo, trazendo suas culturas adequadas às chuvas de inverno originárias do Oriente Próximo, os xosas ainda não haviam ultrapassado o Rio do Peixe.

OS BRANCOS E OS XOSAS

Depois que os brancos sul-africanos mataram, contaminaram ou expulsaram as populações coissãs do Cabo, eles podiam alegar que haviam ocupado o Cabo antes dos bantos, e assim reivindicar direitos anteriores. Embora os europeus pudessem abastecer suas tropas através do Cabo, foram necessárias nove guerras e 175 anos para que seus exércitos subjugassem os xosas.

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