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:: 20/out/2020 . 23:07

NINGUÉM QUER SABER DE FAZER UMA REFORMA POLÍTICA PARA MUDAR O BRASIL

“NÊGO” CORRE DA REFORMA POLÍTICA, “COMO O CÃO CORRE DA CRUZ”.

É até uma contradição e um absurdo, mas no Brasil é a política que emperra o nosso progresso, quando deveria ser a salvação para que o nosso país tomasse outro rumo desenvolvimentista. Com esse sistema arcaico e coronelista, a política tornou-se um ciclo vicioso de perpetuação no poder, de canal para a corrupção, de voto de cabresto, de mentiras e práticas antiéticas.

Por mais paradoxal que seja, a política é o calcanhar de Aquiles do Brasil. As eleições não são uma festa democrática, como deveria. É uma festa caquética e puída que cheira a mofo. É uma carneirada que se dirige à boca de uma urna para votar nos mesmos de sempre, e até em aventureiros da pátria que se cobrem com a pele de falso moralista e nacionalista. Com essa democracia tupiniquim, a eleição nunca vai ser instrumento de mudança.

A MAIS IMPRESCINDÍVEL

Mais do que as reformas administrativas, previdenciárias, tributárias e outras, a da política, não esses remendos que fazem aí, é a mais imprescindível de todas, mas ninguém quer saber de mudar porque tudo concorre para que os mesmos continuem sendo reeleitos e não haja mudanças com pessoas bem-intencionadas.

Do jeito que está, sempre favorecendo os que têm mais “bala na agulha”, essa política sempre vai ser vista como suja, que não vale a pena nela entrar, embora os eleitores se viciaram com essa velha cultura atrasada e tiram também o seu proveito através de seus pedidos de favores, cargos e até de dinheiro.

Vá falar numa reforma política onde se reduza o número de parlamentares no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais que todos partidos dão um “berro” e se unem – esquerda, direita, centro, extrema-direita, conservadores e ultraconservadores – na mesma panela para derrubar a ideia, com argumentos oportunistas que não convencem.

E a escandalosa figura do senador biônico, que persiste até hoje como herança da ditadura? O cara se candidata a senador e escolhe como seu suplente o filho, a mulher, a amante e até a empregada doméstica. Quando ele é morto ou afastado, como o que foi pego agora com dinheiro na cueca, entra o suplente que nunca recebeu nenhum voto. Não é mais uma excrescência?

Vá falar em cortar gastos, indenizações de verbas, emendas parlamentares e limitar o tempo de reeleição para o legislativo em apenas duas vezes no máximo que os políticos no poder fazem um barulho danado para defender que tudo fique como está, sem mudanças. Na verdade, ninguém, ou quase ninguém, pensa no bem do Brasil, mas em si mesmo próprio, e em continuar mamando nas tetas do povo que, infelizmente, aceita o sistema.

Existe deputado e vereador que já está no cargo há mais de 30 anos, e até 40, sendo reeleito em todas as eleições, não por mérito ou capacidade, mas porque usa a máquina, o assistencialismo e o dinheiro como moedas de troca para impedir que um novo candidato entre e tome o seu lugar.

É UMA DISPUTA COVARDE

A concorrência com quem já está lá é desleal, e é até uma covardia a disputa entre o novo e o velho. Para ser justo, as condições teriam que ser iguais em todos os níveis. A maioria dos deputados e vereadores usa os próprios funcionários de suas casas legislativas, de seus gabinetes, para fazerem campanhas. E quem não tem recursos? A verba do Fundo Partidário e Eleitoral fica para os mesmos donos e mandantes dos diretórios nacionais (muitos embolsam a grana), e os regionais recebem uma merreca para fazer uns “santinhos”.

Por sua vez, tem o eleitor que vota no mesmo candidato há 40 anos, como ocorre a olhos vistos em Vitória da Conquista. A política, do jeito que ela é feita, tornou-se uma carreira profissional, e o povo, com toda sua grande mediocridade e pobreza, tem sua parcela de culpa nessa história macabra.

O sistema, no fundo, continua coronelista através da compra do voto, com outros métodos pouco mais sofisticados. Por que a nossa Câmara de Conquista continua pouco representativa, de baixa produtividade, de raros projetos de lei, baixo conteúdo legislativo e muito amém ao poder executivo? Para que 21 vereadores? Conquista não tem uma Câmara à altura da sua cidade, a terceira maior da Bahia com mais de 300 mil habitantes!

Passa eleição e entra eleição, e nada de reforma política para mudar esse quadro vicioso, primitivista e permissivo para a sociedade. Para enganar os bestas e otários, vez por outra fazem umas emendas aqui e acolá, que só fazem proteger a eles mesmos. O velho coronel continua lá sentado em seu trono apodrecido e fedorento, com seu cajado da oligarquia, da plutocracia e da burguesia, desde os tempos do início da República que já começou anciã.

Por que, mesmo correndo risco de vida por causa da pandemia da Covid-19, uma multidão de eleitores se aglomera nas praças para participar e levantar as bandeiras do seu candidato, com tanto fervor, não importando se ele é ladrão e mau gestor?

Há anos, e até séculos, eles (eleitores) foram talhados culturalmente pelo sistema perverso para assim procederem como robôs. Cada vez mais cortam a educação e o saber para que a grande maioria da população continue analfabeta, inculta e ignorante, para que ela vote nos mesmos de sempre. Como diz o ditado, “nêgo” corre da reforma política, “como o cão corre da cruz”.

 

 

 

 

“COMO A ÁFRICA TORNOU-SE NEGRA”

Os negros são os únicos africanos nativos que a maioria dos americanos conhece, porque eles foram levados em grandes quantidades como escravos para os Estados Unidos. A afirmação é do cientista Jared Diamond, em seu livro “Armas, Germes e Aço”, mas ele deixou de citar o Brasil que também recebeu levas de africanos.

Ele destaca que, mesmo antes da chegada dos colonizadores brancos, a África já não abrigava só negros, mas cinco das seis principais divisões da humanidade, e três delas restringem-se aos nativos da África. Um quarto das línguas do mundo é falado apenas neste continente. Nenhum outro tem esta diversidade.

GEOGRAFIA VARIADA

Em sua pesquisa concluiu que essa diversidade resultou de sua geografia variada e de sua longa pré-história. É o único continente que se estende da zona temperada do norte à do sul. Abrange alguns dos desertos mais secos do mundo (já foi fértil) e tem as maiores florestas tropicais, e as montanhas equatoriais mais altas.

Era habitada por humanos muito antes do que qualquer outro lugar, isto há sete milhões de anos. O Homo Sapiens pode ter surgido lá, onde aconteceu a expansão dos bantos e a colonização indonésia de Madagascar. Até hoje, sua pré-história continua um enigma.

Por volta do ano 1000, a África já abrigava os negros, brancos, pigmeus africanos, coissãs e asiáticos. Uma quantidade maior de brancos e asiáticos vive fora da África. Segundo o autor, juntar pessoas tão diferentes como os zulus, somalis e ibos, sob a classificação única de negros, é ignorar as diferenças entre eles.

A partir de 1400, os negros ocuparam o Saara, a maior área da África meridional e subsaariana. Enquanto os negros americanos de ascendência africana originaram-se, principalmente, da zona litorânea ocidental da África, povos semelhantes ocupavam a África Oriental, ao norte do Sudão e em torno da África do Sul.

Os brancos, entre egípcios, líbios e marroquinos se localizavam na zona litorânea norte da África e o norte do Saara. A maioria dos negros e brancos dependia das atividades agrícolas e pastoris para sobreviver. Os pigmeus são, principalmente, caçadores-coletores que vivem em grupos espalhados pela floresta tropical da África Central, comerciando com agricultores negros vizinhos, ou trabalhando para eles.

Os europeus dizimaram

Dentre os grupos, os dos khois ficaram reduzidos pelos colonos europeus que os dizimaram, expulsaram e infestaram as populações com suas doenças. A maioria dos sobreviventes misturou-se com os europeus, gerando as várias populações conhecidas na África do Sul como de cor mestiça. Os sans também foram mortos, expulsos e infectados, mas uma pequena quantidade preservou suas características em áreas desertas da Namíbia, impróprias para a agricultura, como foi mostrado no filme “Os Deuses Devem Estar Loucos”.

A atual fragmentação dos pigmeus, em torno de 200 mil, espalhados entre 120 milhões de negros, sugere que os caçadores viveram espalhados pelas florestas equatoriais até serem expulsos e isolados com a chegada dos agricultores negros. A grande ilha de Madagascar fica a pouco mais de 400 quilômetros da costa africana oriental, muito mais para a África do que qualquer outro continente, e separada da Ásia e da Austrália por toda a extensão do Oceano Índico.

A língua falada por toda gente de Madagascar – asiáticos, negros e mestiços – é austronésia, muito parecida com a da ilha de Bornéu, a quase sete mil quilômetros de distância. Estes austronésios já estavam estabelecidos em Madagascar quando os europeus chegaram ali, em 1500. “É o fato mais surpreendente da geografia humana do mundo inteiro”.

De acordo com Diamond, a complexidade intrigante das 1.500 línguas da África foi estabelecida pelo linguista Joseph Greenberg, que reconheceu que todas essas línguas se encaixam apenas em cinco famílias. Os que falam línguas afro-asiáticas, na maioria, são aqueles que estariam classificados como brancos ou negros, os falantes dos grupos Nilo-saariano e nigero-congolês são negros, falantes do coissã, e os falantes do austronésio, indonésios.

Aprendemos que a civilização ocidental se originou no Oriente Próximo, Foi levada ao apogeu na Europa pelos gregos e romanos, e gerou três das grandes religiões do mundo, como o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. Essas religiões surgiram entre povos que falavam três línguas afins, chamadas semíticas, como o aramaico (cristão), o hebraico e o árabe, respectivamente.

A própria subfamília semítica é africana, pois 12 de suas 19 línguas sobreviventes estão restritas à Etiópia. Segundo o autor, talvez tenham surgido na África as línguas faladas pelos autores do Velho e do Novo Testamento e do Alcorão, os pilares maiores da civilização ocidental. Entre os cinco grupos de povos africanos (negros, brancos, pigmeus, coissãs e indonésios), apenas os pigmeus não têm línguas distintas. Existem indícios de que o local de origem dos pigmeus foi tomado por agricultores negros invasores, como os bantos. Também, que os Nilo-saarianos foram subjugados por falantes afro-asiáticos ou nigero-congoleses.

 





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