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:: 6/out/2020 . 0:04

UMA COMPARAÇÃO ENTRE AS SOCIEDADES EURASIANAS E AMERÍNDIAS A PARTIR DE 1492

No capítulo “A Colisão dos Hemisférios”, o cientista e pesquisador Jared Diamond, em seu livro “Armas, Germes e Aço”, fala do encontro dos povos ameríndios e eurasianos, dizendo que tudo começou quando o exército de Pizarro capturou o imperador inca Ataualpa, governante absoluto do maior, mais rico, mais populoso e avançado Estado americano nativo.

Destaca que a diferença mais marcante entre a produção de alimentos americana e a eurasiana eram as espécies de grandes mamíferos domésticos. Até que as rodas hidráulicas e os cataventos começassem a substituir os mamíferos da Eurásia na época medieval, esses grandes animais também foram fonte principal da força industrial, movendo os moinhos e puxando água.

A LHAMA/ALPACA

Quanto as Américas, só existia a Lhama/Alpaca numa pequena área dos Andes. Embora sua carne e lã fossem aproveitados e utilizadas para o transporte de mercadorias, nunca produziu leite para o consumo humano, não carregava o nativo, não puxava arado, nem servia como fonte de energia.

De acordo com Jared, existem muitas diferenças entre os ameríndios e os eurasianos, em parte causada pela extinção da maioria das espécies da América do Norte e do Sul. Não fosse isso, a história moderna poderia ter tomado outro rumo. Quando Cortez desembarcou na costa mexicana, em 1519, poderia ter sido mandado de volta ao mar pelos milhares de nativos montados em seus cavalos.

“Essas extinções acabaram deixando a Eurásia com muito mais candidatos selvagens à domesticação do que as Américas. Os dois hemisférios haviam domesticado pequenos mamíferos. O peru, porquinho-da-índia, o pato-do mato e o cão nas Américas. Galinhas, gansos, patos, gatos, cães, abelhas e bichos-da-seda na Eurásia.

O autor da obra conta que, em 1492, a agricultura estava difundida na Eurásia. Entre os caçadores-coletores estavam os ainos do norte do Japão, as sociedades siberianas sem renas e os pequenos grupos espalhados pelas florestas da Índia e do sudeste da Ásia, comerciando com vizinhos. A agricultura também estava nas Américas, mas os caçadores ocupavam espaços maiores do que na Eurásia.

A América do Sul, as planícies canadenses e parte setentrional da América do Norte não tinham produção de alimentos. Depois da chegada dos europeus, essas partes passaram a ser produtivas, inclusive o trigo no Canadá, na Argentina e no Chile na zona temperada. A inexistência na produção de alimentos era em razão da escassez de animais, de plantas domésticas e as barreiras geográficas e ecológicas nas Américas.

Essas terras tornaram-se produtivas para os colonos europeus e também para ameríndios, assim que os invasores introduziram culturas agrícolas e animais domésticos. Nas regiões das Américas, a agricultura era refreada por desvantagens em face da lavoura eurasiana. O milho das Américas tinha baixo teor proteico, em vez dos cereais da Eurásia. Contava ainda o trabalho manual individual, em vez de amplas semeaduras com o arado.

MAIS CALORIAS

“Essas diferenças sugerem que a agricultura eurasiana, a partir de 1492, deve ter produzido, na média, mais calorias e proteínas por homem/hora trabalhada do que a ameríndia. Essas diferenças representam causa importante e decisiva das desigualdades entre as duas sociedades”. Entre os fatores imediatos por trás das conquistas, o mais importante incluía diferenças nos germes, na tecnologia, organização política e na escrita. Os germes foram os que mais pesaram.

Contra os germes, como a gripe, varíola, sarampo, peste bubônica, tuberculose, tifo, cólera e malárias, os eurasianos desenvolveram resistência. Foram os maiores assassinos da história que contaminaram os ameríndios, os quais contraíram poucos micróbios porque as aldeias só surgiram milhares de anos depois de seu aparecimento na Eurásia.

Outro motivo dos ameríndios serem livres dessas doenças é que as regiões dos Andes, a Mesoamérica e o sudeste dos Estados Unidos não eram ligadas entre si por um comércio volumoso como o que levou a peste, a gripe e a varíola da Ásia para a Europa.

As diferenças tecnológicas entre um hemisfério e outro estavam na história mais longa da Eurásia com sociedades populosas, economicamente especializadas, politicamente centralizada, baseada na produção de alimentos, interagindo e competindo entre si.

CINCO ÁREAS DA TECNOLOGIA

Nesse aspecto, o autor destaca cinco áreas da tecnologia, como os metais (cobre, bronze e o ferro), que eram usados para fabricar ferramentas nas sociedades eurasianas complexas a partir de 1492. Nos Andes ainda se usava a pedra, a madeira e o osso. O cobre era limitado.

Outra questão de superioridade era a tecnologia militar. As armas europeias eram espadas de aço, lanças, punhais, de fogo e artilharia, enquanto os ameríndios utilizavam bastões e machados de pedra e madeira, fundas, arcos, flechas e armaduras acolchoadas.

Em terceiro lugar, os eurasianos tinham uma vantagem, imensa nas suas fontes de energia para operar as máquinas. Outro avanço era o uso de animais (cavalos e burros), para puxar arados e girar as rodas para moer grãos, irrigar e drenar os campos.

Uma revolução industrial, baseada na força da água e do vento, já havia começado na era medieval, bem antes da utilização do vapor como energia no século XVIII, na Inglaterra. Ainda na área da tecnologia, Jared cita o transporte marítimo. Muitas sociedades eurasianas criaram grandes embarcações, capazes de navegar contra o vento e cruzar o oceano, bem equipadas (bússolas, lemes de poupa e canhões).

As duas sociedades eram diferentes no que tange à organização política. No final da Idade Média, a maior parte da Eurásia já era governada por Estados organizados, como dos Habsburgo, otomano, chineses, mogol  na Índia e o mongol em seu auge no século XIII.

 

 

 





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