outubro 2020
D S T Q Q S S
« set   nov »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

:: 2/out/2020 . 22:38

LULA À DIREITA NA RENDA CIDADÃ E A CORRUPÇÃO DE VENTO EM POPA

Sempre se ouve por aí que política é pura sujeira e costumam incluir todos no mesmo saco dos corruptos e oportunistas, sem caráter, princípios e ética, mas quando começam as eleições, todos, por interesses particulares, caem dentro como porcos em lavagem, cada um para defender seu ladrão. Nós brasileiros, nos alimentamos da incoerência e seguimos aquela cultura secular do assistencialismo, para permanecermos no país da pobreza e da miséria.

Mesmo no curso da pandemia, as imagens das aglomerações nas campanhas pelo interior a fora não negam. Até mesmo antes da corrida oficial, todos estão lá no ajuntamento, pulando, soltando fogos e fazendo suas zoeiras na torcida pelos seus candidatos, tudo por um lugar ao sol, ou à doce sombra na sua Prefeitura e na Câmara. Definitivamente, não existe essa de ideologia. Fazemos de conta que a briga é por um país melhor e sem injustiças sociais. O negócio mesmo é mamar nas tetas da nação.

UMA VERSÃO MELHORADA

No embalo da festa, que muitos “entendidos do riscado” chamam de cívica e democrática, o Bozó, lá do alto do seu trono, resolveu, que ele também não é besta, dar uma de Lula à direita, anunciando seu Renda Cidadã, uma versão melhorada do Bolsa Família, com mais “dindim”, para cair mais votos nas urnas a seu favor e levantar sua popularidade de “mãe dos pobres”.

Para justificar os fins e sobrar uma grana para seu populismo, o governo federal falou em tirar recursos do Ministério da Educação e em dar um calote nas dívidas dos precatórios. Afinal de contas, para que educação e cultura nesse país onde os próprios brasileiros preferem sepultar o conhecimento e sair por aí proferindo um monte de besteiras nos botecos da vida, desde que tenham um dinheirinho no bolso para tomar umas geladas e comprar um carrinho e um celular.

A briga agora é entre os ministros fura-tetos e os contra. Lembra aquele animal que popularmente é conhecido como furão. Enquanto isso, cada semana sai mais um retrocesso contra as conquistas da sociedade. Do lado do Ministério do Meio Ambiente retira-se a proteção às áreas de restingas e manguezais. Por sua vez, o Ministério da Educação, chefiado por um homofóbico, baixa um decreto excluindo as pessoas com deficiência a frequentarem escolas do ensino normal, ou inclusivas.

O saber dá muita canseira e queima os neurônios. O conhecer é coisa de esquerda comunista metido a intelectual. Melhor mesmo é ser teleguiado, sem consciência política e massa de manobra, mas com uma renda esmola. Para que progredir na vida com seu próprio esforço e trabalho, se ela é mesmo passageira? Vamos mesmo no varejo, na mesma toada de sempre, tocando a mula ao estilo brasileiro, ou dançando conforme a música, sem pressa de avançar! Melhor ficar na roça no cabo da enxada, do que ir para escola aprender a lição!

QUEREM  É QUEIMAR O FILME DELE

Diante de tudo isso, campeia, ou navega a corrupção em mar aberto, de vento em popa, sem mais essa de investigações dessa Força Tarefa da Lava Jato. Deixa os meninos curtirem suas estripulias de pestinhas danados e ficarem bem escolados nas roubalheiras! O povo já se acostumou com esse jogo, e até gosta da brincadeira! Acha divertida a competição cheia de truques, tramas e golpes de mestre, como acontece num filme de efeitos especiais.

Os esquemas de estratégias de roubo têm audiências garantidas com milhões de visualizações para os mais espertos que conseguem sair do fogo cruzado. No final, os arquivos vão ser mesmo arquivados! Tudo começa novamente, e todos serão felizes para sempre! Agora, a tática política é inocentar Lula de todos os processos para queimar de vez o filme do ex-juiz Sérgio Moro, e eliminar suas pretensões de se candidatar a presidente da República. Quem é seu maior desafeto, depois de ter sido endeusado?

:: LEIA MAIS »

NO PAÍS DA IMPUNIDADE

Carlos González – jornalista

Dissimulados, embiocados, camuflados e submetidos a cirurgias plásticas faciais; morando em luxuosas mansões, apartamentos e em fazendas-modelo; levando uma vida de nababo; evitando os olhares curiosos dos vizinhos e o assédio da imprensa; fazem voto de silêncio, Assim vive uma casta de brasileiros. Investigados por crimes contra o erário público, – raros são os que passam alguns dias numa cela – porque logo são transferidos para o regime da prisão domiciliar. Eles têm consciência de que vivem no país da impunidade.

Nessa lista de privilegiados figuram presidentes, governadores e prefeitos, seus ministros e secretários, políticos, diretores de estatais, assessores parlamentares, empresários, magistrados, funcionários públicos do alto escalão, lideranças neopentecostais e dirigentes esportivos. A maioria continua a receber gordas aposentadorias.

Alguns desses endinheirados cidadãos contaram na sua vitoriosa carreira criminosa com fieis auxiliares, os chamados testas-de-ferro, também apelidados de “laranjas”. O silêncio é a arma de defesa dos acusados. Denunciar (ou ameaçar) quem está por detrás dos desvios de verbas públicas e de lavagem de dinheiro pode significar a morte.

Dessa extensa lista lembro os nomes dos ex-policiais Ronnie Lessa e Elcio Queiroz, genuínos bodes expiatórios, acusados de autoria dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes; vítima de “queima de arquivo”, capitão PM Adriano Nóbrega, morto em Esplanada, na Bahia, antes de revelar uma suposta ligação dos Bolsonaro com a milícia carioca; sequestro e morte, em janeiro de 2002, do prefeito Celso Daniel, de Santo André (SP), crime praticamente insolúvel, que colocou o PT como suspeito.

PC e Fabrício

Tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Mello às eleições presidências de 1989, o empresário PC Farias exorbitou de suas funções na captação de recursos. Após a posse de Collor, a  sede de poder do assessor e amigo se estendeu por toda a cadeia governamental, envolvendo o presidente, que passou a ser alvo de protestos populares, estimulados pela delação do irmão Pedro Collor. Pressionado, renunciou em 29 de dezembro de 1992, horas antes de o Congresso aprovar o impeachment.

Acusado de extorsão e formação de quadrilha, PC fugiu do país. Preso em novembro de 93, em Bangcoc, na Tailândia, foi condenado a sete anos de prisão; em dezembro de 95 ganhou a liberdade condicional; em 23 de junho de 96 foi morto, junto com a namorada Suzana Marcolino. Suicídio, crime passional, duplo homicídio. A dúvida perdura até hoje. Quatro dos seus seguranças foram indiciados como autores, mas, posteriormente, absolvidos por um júri popular.

Muito se discute a semelhança entre os dois “tesoureiros” Além da calvície e da estatura mediana, Fabrício Queiroz e PC Farias  estiveram e estão ligados ao poder central. O alagoano foi, de fato, o principal assessor de Fernando Collor, que não vê analogia nos dois casos; Fabrício goza da confiança do clã Bolsonaro, haja vista que fez do silêncio um juramento, mesmo tendo experimentado por quase dois meses a dura vida numa prisão.

Fabrício e a mulher Márcia Aguiar (levou um período foragida) cumprem prisão domiciliar, concedida pelo ministro Gilmar Mendes, da STF, e sob  a proteção do advogado bolsonarista Frederico Wassef, o Anjo, numa rua discreta em Jacarepaguá.

Segurança e motorista dos Bolsonaro desde 1984, o ex-PM foi acusado de operar a “rachadinha” (apropriação de parte dos salários dos funcionários do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, hoje ocupando uma cadeira no Senado).

O dinheiro arrecadado entre os assessores parlamentares, incluindo suas duas filhas, apontadas como “laranjas” do esquema criminoso, era “lavado” no mercado imobiliário ou repassado para diversas contas bancárias. Uma delas, pertencente a Michelle Bolsonaro, recebeu cheques no valor total de R$ 89 mil. Essa transação inspirou o roqueiro Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, a compor a música “Micheque”.

Dizendo-se vítima de ofensa, calúnia, injúria e difamação, Michelle procurou a Delegacia de Crimes Eletrônicos, de São Paulo, solicitando que a obra satírica seja retirada das plataformas digitais e que se proíba sua execução em locais públicos e privados.

Antes de se refazer de uma contrariedade, a primeira-dama volta às páginas dos jornais. Segundo o noticiário dessa quinta-feira, os R$ 7,5 milhões doados pelo frigorífico Marfrig para a realização de 100 mil testes rápidos da Covid 19, foram desviados para o programa “Pátria Voluntária”, administrado por Michelle, e repassados pela ministra Damares Alves, a que encontrou Jesus no alto da goiabeira, para distribuição, sem concorrência, entre instituições evangélicas.

 

 

NA ESPERA DE NOVOS PROJETOS

Fotos de Jeremias Macário

Estamos na corrida eleitoral para vereadores e para prefeito, que irão comandar por mais quatro anos os destinos da terceira maior cidade da Bahia. E o que Vitória da Conquista mais espera dos candidatos eleitos? Diria que mais projetos de infraestrutura que estejam à altura do tamanho da nossa cidade. Um dos primeiros é a questão da água através da construção de uma nova barragem, cujo empreendimento caiu no esquecimento depois que São Pedro mandou chuvas mais constantes para o município. É bom lembrar que se trata de uma promessa política de mais de 20 anos, passando pelos governos do PT. Outro problema sério é quanto à mobilidade urbana onde o transporte coletivo é um caos, e o povo sofre com falência de empresas e ônibus lotados caindo aos pedaços. Conquista necessita de inovações com outros meios de deslocamento, como BRT e VLT. Mesmo com algumas mudanças (novos semáforos, aberturas de algumas ruas e outras sinalizações), o trânsito continua travado, e não é a tal reforma do apertado Terminal de Lauro de Freitas que vai desafogar as ruas e avenidas. Locais de lazer e entretenimento  são outras urgências para que a nossa cidade se torne mais humana, com melhor qualidade de vida. Não basta urbanizar algumas praças e avenidas. A Lagoa das Bateias continua abandonada, suja e sendo local de despejo de esgotos. Nada se fez nos últimos oito anos para que o local passasse a ser atração de todos moradores em finais de semana. Outra carência é a falta de uma política cultural que contemple todas as linguagens artísticas, como artes plásticas, literatura, teatro, dança, música e demais expressões. A cultura tem sido tratada como um objeto de decoração na mesa do prefeito. Como prioridade de tudo isso, está a educação que precisa ser bem mais valorizada, tanto o corpo docente como discente. Pelo seu porte, Conquista espera por obras de grande porte e de uma Câmara autêntica, competente e fiscalizadora, que não passe todo o tempo dizendo amém para o poder executivo, aprovando moções de aplausos e fazendo assistencialismo. Por fim, vamos elaborar um novo plano diretor urbano, para o seu ordenamento.

BIOMAS EM CHAMAS

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Esses malditos agro-capitais,

Querem é derrubar e queimar,

Nossas milenares florestas tropicais.

 

Bendito é o rio que corre livre das chamas!

Louvado o canto divino do sabiá nordestino,

Que roga ao Norte a se unir ao pampa sulino,

Para defender proteger nossos ricos biomas.

 

Em meus olhos desse Supremo Criador,

Oh quanta tristeza ver essa beleza em chamas!

Pelo cruel homem destruidor dos biomas,

Na ganância do sempre ter mais riqueza

 

As araras da caatinga presas em suas garras,

O tuiuiú pantaneiro voa na fumaça da secura,

Nas selvas raras reina a canção do uirapuru,

Os nativos em seus ritos benzem seus biomas,

Para que a mãe terra pare de arder em chamas.

 

No enlace sacro das águas com as divindades,

Da foz que se enrosca com o balanço do mar,

No namoro eterno que nasce do vento com o ar,

Cada ronco do motosserra é um gemido vil,

Da morte animal nas chamas do nosso Brasil.

 

No árido deserto das fornalhas de carvão,

Sumiram a rolinha ”fogo pagou” e o gavião,

No cerrado granado só a soja para a China,

Não mais o pequi e o esvoaçar da campina,

 

Sai o madeireiro e entra o mercúrio garimpeiro,

E a vida ora em memória da fauna e da flora,

Do Saci e do Curupira banidos da nossa cultura,

E nada cura essa ira de um futuro de chamas,

Ao dele fazer um monturo de nossos biomas.

 

No Brasil de nossas eras destas bestas feras,

De ratos em suas farras a esporrar suas taras,

O cara acusa o índio-caboclo de incendiários,

Assim fez Nero com os cristãos na Roma real,

E nele se encarnou do seu mal lá do seu altar,

Para varrer da Amazônia, os donos do seu lar.

 

Esses malditos agro-capitais,

Querem é derrubar e queimar,

Nossas milenares florestas tropicais.

 

 





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia