setembro 2020
D S T Q Q S S
« ago   out »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930  

:: 29/set/2020 . 0:42

CALDEIRÕES DE RAÇAS COM EXCEÇÃO DA CHINA QUE TEVE UNIFICAÇÃO PRECOCE

As seis nações mais populosas do mundo, com exceção da China, são caldeirões de raças que conquistaram a unificação política, e que ainda mantém centenas de línguas e grupos étnicos. A Rússia, um país eslavo, nem mesmo havia começado sua expansão além dos Montes Urais até 1582 – ressalta o cientista Jared Diamond, em seu livro “Armas, Germes e Aço”.

Índia, Indonésia e Brasil também são criações políticas, abrigando cerca de 850, 670 e 210 línguas, respectivamente. Somente a China revela-se política, cultural e linguisticamente monolítica. Foi unificada politicamente em 210 a.C. Ela só teve um sistema de escrita, ao passo que a Europa utiliza vários alfabetos modificados. Com mais de 1 bilhão de habitantes, mais de 800 milhões falam o mandarim, e outros 300 milhões sete outros dialetos.

CHINESES DIFERENTES

É bem verdade, que os chineses do norte e os do sul são geneticamente e fisicamente diferentes. Os do norte (mais altos, mais pesados, mais pálidos e olhos menores) são parecidos com os tibetanos e os nepaleses, enquanto os do sul, mais semelhantes aos vietnamitas e aos filipinos.

A Europa ocidental absorveu cerca de 40 idiomas só no período de seis a oito mil anos desde a chegada das línguas indo-europeias, como o inglês, o finlandês e o russo. A China tem também mais de 130 pequenas línguas, faladas apenas para alguns milhares. Por exemplo, os falantes do miao-iao (Cerca de 100 mil) são refugiados do Vietnã e levaram essa família de língua para os Estados Unidos, onde são conhecidos pelo nome de hmong.

Outro grupo é a austro-asiática que está espalhada pelo leste do Vietnã à península malaia e ao sul da Índia setentrional. Boa parte dessa fragmentação ocorreu nos últimos 2.500 anos e “está bem documentado historicamente”. Outros grupos étnicos chineses eram menosprezados e considerados como primitivos. A história da dinastia Zhou, de 1100 a 210 a.C. descreve a conquista e a absorção da maioria da população de línguas não-chinesas pelos Estados de falantes do chinês.

A China setentrional era originalmente ocupada por falantes do chinês e de outras línguas sino-tibetanas. Diz o autor do livro, que um motim linguístico deve ter passado sobre o sudeste da Ásia para o sul da China (Tailândia, Miamar, Camboja, Vietnã e Malásia).

Sabemos que o inglês não substituía a língua dos índios. Para acontecer isso, os imigrantes que falavam o inglês mataram a maioria dos índios por meio da guerra, homicídios e introduzindo doenças, sendo os sobreviventes obrigados a adotar o inglês,

PRIMEIROS CENTROS

A China foi um dos primeiros centros mundiais de domesticação de plantas e animais. As culturas mais identificadas eram o milhete ao norte, e arroz ao sul. Os sítios chineses pesquisados também continham ossos de porcos e galinhas. O búfalo-da-índia, o bicho-da-seda, os patos e gansos eram importantes. Os produtos posteriores incluem feijão, soja, cânhamo, frutas cítricas, chá, damascos, pêssegos e peras.  As contribuições ocidentais mais significativas para a China foram o trigo, a cevada, vacas, cavalos e cabras.

A tradição chinesa da metalurgia do bronze teve suas origens no terceiro milênio a.C., e acabou resultando na mais antiga produção de ferro no mundo, por volta de 500 a.C. Nos 1500 anos seguintes houve uma grande proliferação de invenções tecnológicas, como o papel, a bússola e a pólvora. Surgiram cidades fortificadas no terceiro milênio a.C., com cemitérios simples e suntuosos, mostrando as diferenças de classe.

A imensas muralhas urbanas de defesa, palácios e o Grande Canal comprovam que existiram governantes com mobilidades de forças populares. Relatos escritos das primeiras dinastias, remontando a Xia, também indicaram o grande potencial chinês, por volta de 2000 a.C.  Textos europeus dos tempos romanos e medievais descrevem a chegada da peste bubônica e da varíola, de modo que esses germes podiam ser de origem asiática oriental. A gripe dos porcos deve ter aparecido na China.

Os extensos rios que atravessam a China (O Amarelo e o Yang-tsé) facilitaram a difusão de culturas agrícolas e de tecnologia entre a costa e o interior. Todos esses fatores geográficos contribuíram para a unificação cultural e política precoce na China, ao passo que a Europa, com terreno mais acidentado, resistiu à unificação. A China desenvolveu um único sistema de escrita, ao contrário de outras civilizações.

As três primeiras dinastias Xia, Shang e Zhou surgiram na China setentrional no segundo milênio a.C. Escritas preservadas do primeiro milênio a.C. mostram que o chinês étnico já se sentia culturalmente superior aos “bárbaros” não-chineses. Os do norte costumavam considerar “bárbaros” até mesmo os chineses do sul.

Os Estados organizados pela dinastia Zhou do norte espalharam-se para o sul durante o primeiro milénio a.C., culminando na unificação política, em 210 a.C. O primeiro imperador Qin condenou todos os livros históricos por considerá-los inúteis e ordenou que fossem queimados. As históricas expansões para o sul dos birmaneses e laosianos completaram a sinificação do sudeste tropical da Ásia.

Até mesmo a Coréia e o Japão foram influenciados pela China, embora o isolamento geográfico garantiu que não perderiam seu idioma, ou a distinção física e genética, como aconteceu no sudeste tropical da Ásia. A Coréia e o Japão adotaram o arroz da China, o trigo, a cevada, a metalurgia do bronze e a escrita entre o segundo e o primeiro milênio a.C. “O prestígio da cultura chinesa ainda é tão grande na Coréia e no Japão que este país nem pensa em descarta seu sistema de escrita derivado do chinês”.

 





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia