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:: 25/set/2020 . 1:28

UMA AVE RARA E SÁBIA

Dizem que a coruja simboliza sabedoria, talvez por isso seja uma ave rara e difícil de ser encontrada em nossa natureza e no reino animal. Quando vista em algum lugar, bate logo aquela vontade de dela se fazer uma imagem como recordação, mais ainda quando se está com uma máquina ao lado. Não é fácil chegar perto, sem antes bater suas asas para outro ponto distante. Tive sorte dela se deixar ser fotografada pelas minhas lentes, mesmo com seu jeito cismado do tipo sertanejo matuto que demora para confiar no estranho. Além de ser uma curiosidade, a coruja não é muito de se enturmar e se relacionar com outras espécies. Não é de muito ajuntamento e aglomeração, como nos tempos atuais de pandemia. Pelo menos neste aspecto temporário, devemos seguir seu exemplo e sermos  sábios como a coruja, para evitar ser contaminado pelo vírus e passar para outros.  Em seu próprio habitat, e quando está sozinha, ela nos passa uma importante lição, de que sejamos observadores com o que acontece em nosso entorno. De qualquer forma, é um predicado de sabedoria. Apesar de chamar a atenção quando é vista em algum lugar, ela nem está ai para bonitezas onde faz seus descansos meditativos sobre o tempo, tanto que existe aquele ditado de que “quem gaba o toco é a coruja”. A coruja nos passa introspecção e nos faz pensar na vida, nos deixando mais leve e relaxado. Ao vê-la quieta, fico imaginando o que ela está pensando em fazer.

TAPA NA CARA

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Deixaram o corpo estirado na maca,

No corredor de um sujo hospital,

Não ganhou nem o seu funeral,

E eu, nem ao menos protestei,

Por nos tratar como bruaca.

 

Fizeram esculacho da nossa lei,

Escarraram em minha cara,

Nos surraram com reio e caiçara,

Na carne tremida pelo frio vento,

Da urina fedida do cru cimento,

E mais uma vez com tudo me calei.

 

A noite pode até ser uma menina,

Mas o dia é uma ave de rapina,

Entre chibatas nos espinhaços,

E rações nos tachos de melaços,

Lembram as épocas da coivara,

Que se acordava com tapa na cara.

 

O tempo que amacia e suaviza,

Também alisa e retalha a pele,

Penetra e endurece as juntas,

Torce e retorce o seu corpo,

E nos faz andar lentamente,

Até nos deixar seco indiferente.

 

 

 

 





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