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:: 14/set/2020 . 23:42

A RELIGIÃO OFICIALIZADA E O SURGIMENTO DOS ESTADOS OPRESSORES

OS SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO, AS FUSÕES E A DENSIDADE POPULACIONAL

Assinala o cientista Jared Diamond em sua obra “Armas, Germes e Aço”, que a tribo centralizada normalmente tem uma ideologia, precursora de uma religião institucionalizada, que sustenta a autoridade do chefe. Quanto aos Estados, afirma que surgiram por volta de 3.700 a. C. na Mesopotâmia, 3000 na Mesoamérica, mais de dois mil anos atrás nos Andes e na China, no sudeste da Ásia e, ao mesmo tempo, na África ocidental, tudo a partir das tribos centralizadas. A escravidão nasceu delas.

Os antigos Estados tinham um líder hereditário, com o título de rei como chefe supremo, que exercia um monopólio maior na tomada de decisões e poder. Um exemplo foi o início do Estado romano que se tornou império através da conquista de outras tribos pela força, cujos capturados se tornavam escravos. O maior número de guerras resultava em mais cativos.

AS TRIBOS CENTRALIZADAS

Estados nativos em contato com os europeus surgiram nos últimos três séculos a partir das tribos centralizadas em Madagascar, Havaí, Taiti, em muitas regiões da Áfricas, no sudeste da América do Norte, noroeste do Pacífico, na Amazônia e na Polinésia

Durante os últimos 13 mil anos, a tendência na sociedade humana foi a substituição de unidades menores e menos complexas por outras maiores e mais complexas. Essas grandes unidades podem se desintegrar, como aconteceu como a União Soviética, a Iugoslávia e a Tchecoslováquia.

No Estado, a especialização econômica é mais acentuada. Quando um governo desmorona, é catastrófico, como aconteceu na Inglaterra na retirada das tropas romanas. Quando Alexandre, o Grande morreu, houve uma divisão do reino, espalhando guerras entre os ambiciosos generais assessores do imperador. Os reis sempre foram os chefes da religião oficial, ou então tinham sumos sacerdotes distintos.

CONDIÇÃO NATURAL

Aristóteles considerava os Estados uma condição natural da sociedade humana que dispensa explicações. Para o autor, o erro dele é compreensível porque as sociedades gregas do século IV a.C. eram Estados. No entanto, sabemos que até 1492 grande parte do mundo era organizado em tribos centralizadas, acéfalas e bandos.

Jean-Jacques Rousseau achava que os Estados são formados por meio de um contrato social, uma decisão racional quando as pessoas pensam em seus interesses próprios. “Mas, a observação e os registros históricos não descobriram um só caso de Estado formado nessa atmosfera etérea de perspicácia imparcial.

Existe ainda a teoria de que na Mesopotâmia, na China e no México, os grandes sistemas de irrigação começaram a ser construídos na época em que os Estados começaram a surgir. Qualquer grande complexo de irrigação requer uma burocracia centralizada para construí-lo e mantê-lo. Pouco se fala sobre a progressão dos bandos para tribos acéfalas e destas para as centralizadas durante os milênios que antecederam a ideia de irrigação em grande escala.

Os iluminados decidiram fundir suas tribos em um Estado capaz de recompensá-los com a irrigação maior. Ressalta o autor, porém, que na Mesopotâmia, na China e no México, os sistemas de irrigação em pequena escala já existiam antes do surgimento dos Estados. Na Mesoamérica, o sistema sempre foi pequeno dentro da capacidade de construir e manter a irrigação.

Na visão de Diamond, o tamanho populacional regional muito contou na construção do Estado. Cita que as tribos centralizadas, com grandes populações, são as mais estratificadas e complexas. Algumas sociedades de caçadores-coletores chegaram a ser tribos centralizadas, mas nenhuma a ser Estado.

QUEM VEIO PRIMEIRO E OS CONFLITOS

Sobre a as relações causais entre a produção de alimentos, variáveis populacionais e complexidade social, ele coloca aquela questão de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha. Para ele, todos os recursos das sociedades centralizadas intensificaram a produção de alimentos e, consequentemente, o crescimento populacional ao longo da história. A produção de alimentos permite que se adote um sistema de vida sedentário, pré-requisito para se acumular bens, construir obras e desenvolver tecnologias.

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