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:: 8/set/2020 . 23:38

BANDOS, TRIBOS ACÉFALAS, AS CENTRALIZADAS E A CRIAÇÃO DO ESTADO

A LUTA DE CLASSES NAS TRIBOS CENTRALIZADAS E NO ESTADO

No capítulo “Do Igualitarismo à Cleptocracia”, em seu livro “Armas, Germes e Aço”, o cientista Jared Diamond faz uma viagem na história da humanidade há 40 mil anos, descrevendo a vida do homem em bandos, nas tribos acéfalas, nas centralizada onde já aparece a estrutura social e política de organização até a criação do Estado com suas leis, ordens e punições aos cidadãos que cometem delitos.

Primeiro, ele começa citando os bandos nômades da Nova Guiné onde fez suas pesquisas, chamados de fayus. Eles viviam como famílias solitárias, espalhadas pelo pântano e se reuniam uma, ou duas vezes ao ano para negociar a troca de noivas. São formados por cerca de 400 caçadores-coletores, divididos em quatro clãs. Seu número foi reduzido por causa dos assassinatos cometidos entre eles.

MISSIONÁRIOS E PROFESSORES

A incorporação dos bandos e das tribos à sociedade moderna muito se deveu ao trabalho dos missionários, professores, médicos, burocratas e aos soldados colonizadores. “ A disseminação dos governos e da religião sempre esteve interligada ao longo da história que está registrada, quer a disseminação fosse pacífica, como dos fayus, ou pela força.

Como exemplo de bandos, que ainda vivem de modo autônomo confinados, o autor da obra cita os da Nova Guiné e os da Amazônia, mas existem outros que se submeteram ao controle do Estado e até foram exterminados. Entre eles estão a maioria dos pigmeus africanos caçadores-coletores, os aborígines australianos, os esquimós e os índios das Américas.

Todos, de acordo com Diamond, foram caçadores-coletores em vez de produtores de alimentos estabelecidos. Esses humanos viviam, provavelmente, em bandos até pelo menos 40 mil anos atrás. Praticamente, o bando não tem liderança formal, conquista por qualidades, força, inteligência e uso da luta. O “líder” do bando é chamado de o “homem-grande”, como qualquer outro do grupo, sem nenhum privilégio de vida.

Na Nova Guiné, por exemplo, o bando é nômade porque tem que se mudar quando já cortaram os sagueiros maduros em uma área. Lembra o autor do livro que os gorilas, chimpanzés e os macacos bonobos africanos também viviam em bandos. “O bando é a organização política, econômica e social que herdamos de nossos milhões de anos de história evolutiva”.

“A organização tribal é bem representada pelos habitantes das regiões montanhosas da Nova Guiné, cuja unidade política antes da chegada do governo colonial, era uma aldeia, ou grupo de aldeias de pessoas com relações de parentesco”. O pesquisador aponta, como exemplo, os forés com os quais trabalhou, em 1964, com a mesma língua e a mesma cultura.

Em sua opinião, essa organização tribal começou a surgir por volta de 13 mil anos atrás no Crescente Fértil e depois em algumas outras áreas. Além de deferir do bando, em virtude da residência fixa e do maior número de membros, a tribo também é constituída de mais de um grupo de afinidade, denominada de clã.

Na estrutura tribal centralizada em sociedades, as soluções quanto às questões de conflitos entre estranhos são mais complicadas em grupos maiores. Numa tribo acéfala, quase todos são parentes consanguíneos, ou por afinidade. Mesmo assim, ela preserva um sistema de governo informal e igualitário. No bando, o poder do “homem-grande” é limitado.

Nas tribos, nenhum membro, ou bando tradicional, pode enriquecer mais do que os outros pelos próprios esforços, pois cada indivíduo tem deveres e obrigações para com os outros. Como nos bandos, as tribos não têm força policial, burocracia e impostos. Todos os adultos capazes participam do cultivo, da coleta ou da caça dos alimentos.

DESAPARECIMENTO DAS TRIBOS CENTRALIZADAS

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