A capital Brasília, de acordo com pesquisas feitas pelo IBGE, apresenta o maior poder aquisitivo do país, que influi, de certa forma, positivamente na qualidade de vida dos cidadãos. Essa constatação vem seguida de uma pergunta sobre o que produz Brasília para alcançar esse nível de destaque, tendo em vista não ser centro industrial e financeiro, sobressaindo mais na área de serviços.

A resposta está nos altos e supersalários dos três poderes executivo, judiciário e legislativo, que mamam, diuturnamente, nas tetas dos contribuintes, isto é, sugam todo nosso dinheiro público. Seu poder aquisitivo não advém do setor privado, e nem a São Paulo industrial, que é o carro-chefe da economia, consegue superar os valores salariais de Brasília.

Inchaço e péssimos serviços públicos

Este é um dos grandes paradoxos do nosso rico-pobre Brasil que contribui para os rombos fiscais e a crescente dívida pública com a emissão de mais e mais títulos para cobrir os déficits. Além dos altos salários, existe o inchaço do quadro de pessoal, feito por indicações políticas em todos os poderes. Como resultado, a prestação de serviços é péssima, deixando muito a desejar em termos de qualidade e produtividade.

É um paradoxo entranhado no outro. Mesmo contrariando a lei, os supersalários de magistrados, funcionários públicos que acumulam uma série de benefícios em suas caixas receptoras, deputados e outros cargos vão além do teto estabelecido e tolerado dos ministros do Supremo Tribunal Federal, de pouco mais de 40 mil reais mensais. Milhares ganham mais de 100 mil reais por mês.

É uma verdadeira farra, e ninguém quer abrir mão de suas mordomias, mesmo num estado de guerra sanitária. Estou falando de supersalários, mas ainda existem as benesses por fora nos três poderes. Cinicamente, ficam lá, vez por outra, “defendendo” dar mais umas migalhas para o povo, como forma de cala boca.

Portanto, Brasília é o monstro sugador do Brasil, um país rico, mas, paradoxalmente, pobre com a pior desigualdade social do mundo. A capital não produz praticamente nada, mas tem o maior poder aquisitivo. Vá explicar isso para um estrangeiro! Interessante que um bando de políticos cobra menos gasto público, justamente montado num Congresso mais caro do mundo. É muita hipocrisia, incoerência e insensatez!

É, minha gente, o Brasil é um poço de paradoxos e, se fosse listá-los aqui, passaria um mês escrevendo e não se esgotariam! Um dos mais escancarados e recentes está vindo do governo fascista e retrógrado que retira dinheiro do orçamento da educação e da saúde para botar na compra de armamentos para as forças armadas.

Lembra do menestrel Juca Chaves quando fala que o Brasil vai à guerra, comprou navios, torpedos, submarinos e vai ser uma potência nuclear? Aprovam arrojados projetos de saneamento básico (mais da metade da população não tem serviços de esgoto); reforçam o Fundeb (ensino básica) com mais recursos e, ao mesmo tempo, o governo corta verbas da educação. Será que alguém aí pode me explicar? Só queria entender!

Na verdade, esses programas ficam no meio do caminho por falhas de gestão (incompetentes ganham supersalários) e por roubo e corrupção mesmo. A estratégia do Bozó e de sua turma agora é superar o Bolsa Família do PT com a tal Renda Brasil, para comprar mais votos e popularidade política, principalmente dos nordestinos. Lula já está sendo esquecido como “pai dos pobres”. Vai só ficar na lembrança como a “mãe dos ricos”. Aliás, seus processos estão sendo arquivados. Por que será?

ELEIÇÕES, EDUCAÇÃO E RECADASTRAMENTOS

Vamos para outros paradoxos berrantes e gritantes da nossa encantadora nação brasileira, de belas paisagens. A mais recente e próxima são as eleições deste ano em plena pandemia do coronavírus. Sem começar oficialmente a campanha, os pré-candidatos antiéticos já estão fazendo aglomerações. O povo que sempre xinga os políticos, vai cair dentro da festança, não importando se vai ser ou não contaminado. Durante e depois do pleito haverá uma explosão da Covid-19. Oxalá esta previsão esteja errada!

Outra situação que não dá para entender é a intenção do retorno às aulas em pleno final de ano. Como a educação e a cultura foram jogados na cesta de lixo, o Ministério da Educação (uma babel) vai dizer que cumpriu o ano letivo de 200 horas e passar todo mundo de ano. A ideia maligna é engrossar o caldo dos analfabetos, para o povo ficar cada vez mais ignorante. As poucas aulas virtuais foram um fiasco num país ainda sem a universalização da internet.

Um Bolsa Família, ou Renda Brasil, dão uma falsa sensação estatística de redução das desigualdades sociais, que não se sustenta por muito tempo. Só a educação de qualidade, com mais empregos e acesso às tecnologias modernas podem tirar o nosso Brasil dessa vergonhosa e triste situação de pobreza e miséria da nossa população, fácil de ser manipulada, subjugada, oprimida e comprada pelo voto “democrático” por parte de políticos inescrupulosos e oportunistas.

Como se não bastasse a maldade do recadastramento biométrico eleitoral, com filas torturantes, que agora não será mais usado por causa do vírus, o governo decidiu obrigar os pacientes condenados do SUS a outro tipo de tortura.

Em plena pandemia de filas extensas nas agências bancárias para tirar um auxílio emergencial, mais uma vai se juntar ao rosário de sofrimento, principalmente dos idosos. Estão exigindo um novo recadastramento do SUS. Para não falar outro termo, é muita sacanagem, sem contar a tal prova de vida. Oh, Senhor, rogai por nós!