Tem muito pré-candidato às eleições municipais   que já está fazendo campanhas nas zonas rurais e urbanas, provocando aglomerações em plena pandemia do coronavírus, ainda em alta no Brasil, colocando em risco o próprio pretendente e a outras pessoas em seu entorno. Estão acontecendo casos de ajuntamentos através de reuniões com comunidades.

Ainda como pré-candidato a vereador pelo PSB a uma cadeira para a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista considero uma atitude antiética, mesmo antes de ser eleito. Quem acredita que, acima de tudo está a vida, o pré-candidato que assim procede, não resta dúvida, que está sendo contraditório consigo mesmo e não leal com o eleitor.

Em minha opinião particular, como simples cidadão, sou a favor de que estas eleições deveriam ser prorrogadas para o próximo ano, elevando os mandatos dos atuais políticos em exercícios por mais um ano, tendo em vista que se trata de um caso excepcional onde a vida deve estar acima de tudo.

Sei que muitos não concordam com esta medida, mas sempre procurei me pautar pela ética, sensatez e honestidade, e não é agora que vou violar meus princípios, começando a disputar um cargo na Câmara adotando uma prática na qual avalio como errada. Não vou me expor diante da atual situação de gravidade, e entendo que o eleitor consciente deve ficar de olho em quem não está respeitando e preservando a vida.

Como não existem sinais de que o pleito deste ano seja adiando para o próximo ano, em outras ocasiões, comentei aqui que estas eleições serão bem diferenciadas em termos de campanha, concentrando-se basicamente através das redes sociais, televisão, carros de som, cartazes, folhetos e pouco contato com as pessoas. Ainda coloco aqui a questão financeira da escassez de recursos que vão marcar estas eleições, mais ainda que a passada.

Talvez esteja sendo radical, mas, em minha visão, 2020 é um ano praticamente perdido para o Brasil, e devemos encarar esta realidade porque não temos nenhuma certeza que esta pandemia vá logo passar, pelo menos a custo prazo até dezembro, visto que já estamos no meado de agosto e o número de mortes e infectados continua entre a estabilidade e alta, salvo alguns estados que oscilam de um dia para o outro.

A esta altura, nem é mais necessário falar que, por diversos fatores de precariedades nas áreas da saúde, da educação, do saneamento e das desigualdades sociais (muita pobreza), o nosso país vai ainda demorar um pouco para controlar e reduzir de vez a contaminação por esse vírus tão mortal.

Por essas e outras é que não acho nada prudente a volta às aulas nessa época do ano, o início do campeonato brasileiro de futebol (muitos atletas estão testando positivo) e a realização das eleições municipais. Não se trata de pessimismo, embora alguns possam assim me julgar. A minha posição é mais de eleitor e cidadão, do que de um pré-candidato a vereador.