Ao invés de combater as causas, ou atacar a raiz do problema, todas as vezes que a Amazônia e o Pantanal ardem em chamas, o cara do governo e seus seguidores mandam a marinha e o exército para a linha de frente apagar o fogo, como forma de maquiar uma agenda voltada para a destruição do meio ambiente. O certo não seria primeiro evitar os desmatamentos através do cumprimento das leis?

Essa é uma forma de tentar confundir a opinião pública brasileira e, ao mesmo tempo, enganar os grandes investidores nacionais e internacionais de que o governo federal está comprometido em preservar a natureza. No entanto, suas ações de abrandar a legislação ambiental entram em completa contradição.

“Fiscalização não é prioridade”

A primeira atitude do capitão ao assumir a Presidência da República foi dizer que a fiscalização contra os desmatamentos não era sua prioridade e, para comprovar isso, logo providenciou desmontar as estruturas do Ibama, do Instituto Chico Mendes e da Funai, como forma de passar a “boiada” dos regramentos, conforme ficou explícito na fala do ministro do Meio Ambiente, que está mais para predador.

Não dá para entender como um governo faz acordos com garimpeiros ilegais e alguns índios manipulados por criminosos, para interromper uma fiscalização num local onde a terra que antes era coberta por árvores, protegendo a flora e a fauna, virou escombros, sem contar a contaminação dos rios por produtos venenosos. Como entender um governo que exonera diretores e pune fiscais do Ibama porque foram rigorosos contra os grileiros e garimpeiros, queimando maquinários?

O ministro da Economia é outro que procura jogar o lixo debaixo do tapete ao justificar o aumento das queimadas brasileiras, consequência dos desmatamentos por parte de grileiros e produtores rurais, lembrando aos estrangeiros que eles no passado devastaram as florestas da Europa, o Velho Mundo, através das guerras sangrentas e do uso das terras para criação e produção de alimentos. Ainda pede que eles sejam gentis como nós somos.

Senhor ministro, primeiro um erro não justifica outro, e segundo, ao longo dos últimos 60 ou 70 anos, os governos europeus trabalharam para corrigir os grandes desastres cometidos contra o meio ambiente, fazendo a cobertura vegetal do solo através do reflorestamento de quase metade de seus territórios e despoluindo muitos rios! Foi como se dissesse: Se vocês desmataram, agora é a nossa vez, quando o caminho não é por aí.

O vice-presidente da República e agora presidente de um Conselho da Amazônia (só deles) reconhece que houve aumento do desmatamento, mas, do outro lado, nega os dados do Instituto Nacional de Pesquisas. É assim que eles querem convencer os investidores de que estão zelando por nossa casa? É subestimar a inteligência dos outros!

As senhas da destruição e do ódio

Todas essas práticas nefastas contra o meio ambiente soam como se o governo estivesse abrindo a senha para a entrada franca dos predadores, numa quebra das regras. É como se dissesse que esse governo não veio para construir, mas para destruir.

O sinal não foi aberto somente para os destruidores do meio ambiente, mas também para os racistas, nazifascistas, misóginos, os negacionistas da ciência, os defensores de uma intervenção militar e para os homofóbicos saírem de suas tocas para destilar seu veneno do ódio e da intolerância, daí o aumento dos feminicídios, dos ataques aos negros, aos homossexuais e outras categorias que não comungam com suas ideias antidemocráticas.

Como se estivéssemos nos tempos da ditadura, o Ministério da Justiça montou um dossiê para acompanhar, retaliar e inquerir contra movimentos antifascistas, inclusive professores, considerados opositores e inimigos de uma agenda autoritária e discriminatória que se instalou no governo atual sob o comando do capitão-presidente e seus generais de plantão.