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A PRIMEIRA LIVE DO SARAU A ESTRADA

Realizamos no último sábado (dia 29/08) a primeira Live do Sarau A Estrada com a participação de José Carlos (coordenação), professor Itamar Aguiar, Edna Brito, Alex Baducha, Regina Chaves, Jeremias Macário e Vandilza Gonçalves. Não foi o ideal em termos de quantidade de pessoas (faltou mais divulgação), mas foi total sucesso no sentido de interação, empatia e quanto aos temas debatidos, com um bom conteúdo e aproveitamento.

Essa foi uma Live para matar a saudade dos nossos eventos presenciais costumeiros que estão sem ser realizados há sete meses (o último foi no início de fevereiro) por causa da pandemia que não vai acabar com o nosso Sarau. A Live de três horas, das oito e meia da noite até por volta de onze e meia do sábado, foi muito prazerosa e até diria emocional, num papo bastante descontraído e informal.

NAÇÃO CIGANA

Durante os debates falamos de muitos assuntos importantes, principalmente na área social e cultural. Discutimos um pouco sobre a tecnologia e suas influências na história da humanidade, moradores de rua, mas o principal assunto que rolou foi sobre as nações ciganas, povo sem pátria, e que sempre foram excluídas das nossas sociedades.

Para completar e temperar ainda mais a Live, ainda sobrou espaço para declamação de poemas, e o músico e cantor Alex Baducha nos animou apresentando várias canções ao som do violão. Podemos dizer que foi uma noite inspirada de muita troca de informações, conhecimentos e aprendizagem, mantendo o mesmo formato do Sarau presencial. Pretendemos fazer outra Live ainda neste mês de setembro com mais participantes. Em breve comunicaremos ao grupo o dia e hora do evento.

Sobre as nações ciganas, o jornalista Jeremias Macário fez um resumo histórico desse povo que tem várias origens, mais precisamente vindos da Ásia, e que depois adentraram na Europa.  Os Calons e os Rum foram os grupos que mais se destacaram. Os primeiros, que viviam mais na Península Ibérica, vieram para o Brasil entre os séculos XVII, XVIII e XIX como degredados, mais por perseguições, exclusão e discriminação do que por crimes cometidos.

O rei D, João V, de Portugal foi um dos maiores perseguidores da nação Calon, também chamados de Kalé, mas no Brasil foram acolhidos até na corte de D. João VI, com apresentações artísticas durante saraus da família real. Como bons empreendedores, tudo fizeram na vida para sobreviver e manter unidos seus grupos, desde a venda de cavalos, consertos de caldeiras nos engenhos de cana, panelas, leitura das mãos pelas mulheres, venda de arreios e até de escravos de segunda mão para pequenos produtores rurais. No Rio de Janeiro, por muito tempo, viveram no Campo de Santana e dali sobressaíram homens ricos. Muitos foram tocados para o interior, para povoar o sertão – conforme ressaltou Itamar.

De acordo com Jeremias, no país por onde andavam sempre foram discriminados e perseguidos, e viviam em correrias tangidos pela polícia de um canto para outro, vistos como trapaceiros, preguiçosos, sujos, arruaceiros e até como bandidos. Quanto aos Rum, mais artísticos e circenses, esse povo chegou ao Brasil no final do século XIX com a leva de imigrantes estrangeiros, como italianos, alemães, poloneses e russos.

Como eram tão discriminados, eles davam nomes diferentes na alfândega. Uma curiosidade que poucos conhecem é que essa gente também tinha uma inclinação para política e, da sua descendência, saiu o primeiro presidente cigano brasileiro que foi Juscelino Kubitschek, neto de um cigano Rum legítimo de Diamantina. Portanto, já tivemos de tudo como presidente da República.

O professor Itamar Aguiar também fez algumas pinceladas sobre o tema, como todos os outros participantes, e até declamou um poema cigano. Logo, por acaso, enveredamos na questão dos moradores de rua através de um poema “No Olho da Rua”, de autoria de Jeremias Macário, declamado por ele mesmo.

Regina pediu a colaboração de todos do grupo para que contribuam com seu artigo que está elaborando para seu curso, falando da importância do Sarau A Estrada, que está completando dez anos de existência. No final da Live, cada um fez suas considerações finais e todos se despediram com emoção, com o gosto de mais outro evento virtual. É bom lembrar que durante essa pandemia, o Sarau vem produzindo uma série de vídeos, culminando numa curta-metragem colaborativa de 22 minutos que está sendo distribuída.

AS TRANSFERÊNCIAS TECNOLÓGICAS E AS QUESTÕES GEOGRÁFICAS E ECOLÓGICAS

Houve transferência de técnicas chinesas de fabricação de papel para o Islã quando o exército árabe derrotou o chinês na batalha do rio Talas. O Islã encontrou alguns artífices entre os prisioneiros de guerra e os levou com a intenção de montar uma fábrica de papel. Existia difusão de ideias proteladas, como foi o caso da porcelana inventada na China por volta do século VII. Chegou à Europa pela Rota da Seda no século XIV.

A narração consta do livro “Armas, Germes e Aço”, do cientista Jared Diamond, no capítulo que trata de “A Mãe da Necessidade”, destacando as questões das transferências tecnológicas e as interferências geográficas e ecológicas na difusão das ideias.

AS INVENÇÕES E LOCALIZAÇÕES GEOGRÁFICAS

Só em 1707 o alquimista Johann Bottger, depois de demoradas experiências, encontrou a solução e iniciou a fabricação das famosas porcelanas de Meissen. Do mesmo modo, os oleiros europeus tiveram que reinventar os métodos chineses de fabricação, por conta própria.

No caso da difusão, de acordo com Diamond, as sociedades diferem na rapidez com que recebem a tecnologia de outras comunidades, dependendo da localização geográfica. Os povos mais isolados da Terra na história recente eram os aborígines tasmanianos, que viviam em embarcações para atravessar oceanos em uma ilha a cerca de 160 quilômetros da Austrália, o continente mais isolado. Durante dez mil anos, os tasmanianos não tiveram nenhum contato com outras sociedades e não adquiriram nenhuma tecnologia diferente.

As sociedades localizadas nos principais continentes evoluíram a tecnologia mais depressa porque acumulavam suas próprias invenções e as de outras comunidades. O Islã medieval, localizada na Eurásia, absorveu invenções da Índia, da China e ainda herdou a cultura grega.

As tecnologias úteis persistem até serem substituídas por outras melhores. Qualquer sociedade passa por movimentos sociais, ou por modismos onde coisas economicamente inúteis se tornam valorizadas, e as úteis perdem, temporariamente, sua importância. Hoje quando todas sociedades estão conectadas umas às outras, não podemos imaginar que um modismo se perca ao ponto de uma tecnologia fundamental ser descartada.

Um exemplo foi o abandono de armas pelo Japão quando elas chegaram em 1543 por dois aventureiros portugueses com arcabuzes. Os japoneses ficaram impressionados e deram início a uma produção, aperfeiçoando a tecnologia. Por volta de 1600 possuíam armas melhores e em maior quantidade que qualquer outro país.

No entanto, existiam fatores contra a aceitação de armas, como a numerosa classe de guerreiros samurais para quem as espadas eram símbolos de status e consideradas obras de arte. A guerra japonesa envolvia combates isolados entre samurais que se orgulhavam de lutar elegantemente. Soldados camponeses atiravam deselegantemente. Além disso, as armas eram invenção estrangeira e passaram a ser menosprezadas. O governo começou a limitar a produção de armas através de uma licença para fabricação. Depois limitou a licença só para armas produzidas para o governo. Esse processo só terminou em 1853 quando uma frota americana cheia de canhões convenceu o Japão da necessidade de retomar a fabricação de armas.

Outros retrocessos desse tipo ocorreram na pré-história, como no caso dos aborígines tasmanianos que abandonaram até as ferramentas feitas de osso. A cerâmica foi abandonada em toda Polinésia. A maioria deixou de usar arcos e flechas na guerra.

A DIFUSÃO DA INVENÇÃO

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A INTENÇÃO É FATURAR MESMO!

A QUESTÃO DO LIMITE

Sou a favor dos radares eletrônicos nas principais vias da cidade e da retirada imediata dos quebra-molas, ou quebra-carros. No entanto, como cidadão, com livre direito de se expressar, não concordo com o limite “maluco” da quilometragem, principalmente nas avenidas Luis Eduardo Magalhães, Juracy Magalhães e na Via Perimetral, entre 50 e 60 quilômetros.

Não me venham com esse papo de reduzir os acidentes porque é subestimar a inteligência dos outros, tentar enganar, como sempre fazem nas propagandas institucionais. Vamos no popular: A intenção é faturar mesmo! Colocar 50 quilômetros na Luis Eduardo é deixar o motorista irritado, sendo obrigado a manter o veículo na terceira, forçando a marcha. Ele vai ter que segurar nos 40 para o ponteiro não ir para os 50 e exceder.

O propósito é provocar o condutor para o ponteiro chegar aos 55 quilômetros. Nessa via, poderia colocar o limite de até 80, sem problemas de acidente, mas aí vai ter menos flagrantes de velocidade e menor faturamento. Esse limite imposto pela prefeitura com seu consórcio pode até provocar batida e lentidão demasiada no trânsito.

Nessas condições, melhor evitar passar pela Luis Eduardo e pela Via Perimetral. Nas subidas e descidas, o motorista vai ter que se segurar na terceira, com mais gasto de combustível. Esse limite obrigatório é um absurdo, feito para faturar mais. O resto é moralismo barato que se ouve todos os dias neste país do Deus verá, do sempre foi assim que Ele quis.

Tem gente que não se sente bem contestar certos tipos de coisa como essa, com medo de ser discriminado, visto como vilão e transgressor das leis e das normas, mas a verdade tem que ser dita. Vamos rodar no compasso tartaruga. Quem mora nessas bandas da Juracy Magalhães e precisa ir às imediações da Olívia Flores e Centro de Cultura, melhor ir mesmo por baixo, pegando o “Gancho” e a Otávio Santos, porque chega mais rápido e não vai passar tanta raiava.

O critério principal nessas mudanças tecnológicas no trânsito, bem-vindas e necessárias, diga-se de passagem, é ganhar dinheiro e menos preservar acidentes e vidas. Fala mais alto a grana que vai cair nos cofres. O resto é enrolação e ôba-ôba. Nas outras avenidas, o limite já é controlado por causa do movimento intenso do dia a dia, a não ser na madrugada quando aparecem uns malucos dirigindo em alta velocidade. Vamos ver no que vai dar!

Já que está se optando pelos meios tecnológicos no controle do trânsito, o que é o correto e veio tarde na terceira maior cidade da Bahia, esperamos que o poder público retire de vez metade dos quebra-molas da cidade que, além de ser um atraso, servem para quebra veículos, gastar mais gasolina e deixar o motorista nervoso e estressado. Vamos deixar de ser a capital do quebra-molas. Assim esperamos que aconteça.

O RELAXAMENTO DA COVID-19

Mudando de assunto, ontem à tarde (sexta-feira), fiquei assustado quando tive que sair da minha casa e ir a um mercadinho na Avenida Filipinas. De cara vi muita gente andando sem máscaras, inclusive dentro dos carros. No mercado me senti mais ainda horrorizado quando me deparei com funcionários e clientes sem proteção. Uma senhora idosa berrava aos gritos com a criança (filho ou neto), expondo gotículas de cuspe no ar.

No caixa do estabelecimento, só a menina usava máscara e, em torno dela, pessoas sem nenhuma proteção contra o vírus. Voltei apressado e percebi que muita gente transitava normalmente, inclusive dentro de uma lanchonete, num açougue e numa borracharia. Foi aí que cai na dura realidade de que as pessoas estão achando que tudo passou como se fosse uma “gripezinha” do Bozó presidente.

A recomendação, ou o protocolo (termo mais repetido nesses tempos de pandemia), é que o uso de máscaras é obrigatório nos supermercados e casas comerciais, mas pelo visto isso só é seguido no centro da cidade. Nos bairros existe um relaxamento, propagando a contaminação, mesmo porque a fiscalização municipal não dá conta de cobrir outras áreas mais distantes. A população está baixando a guarda e é aí que corre o perigo.

A PANDEMIA E OS LIVROS

Fotos do jornalista Jeremias Macário

Tem muita gente que nesta pandemia, que já ceifou a vida de quase 120 mil pessoas no Brasil, entrou em estado de medo, pânico e ansiedade. Aqueles que se confinaram, partiu para usar mais ainda a tecnologia do celular, se internando nas redes sociais, ou nos programas de televisão durante todo o dia. Outros, com maior poder aquisitivo, passaram até a comer muito mais, engrossando os grupos da obesidade, adquirindo outras doenças. Aos mais pobres, faltou  alimentos na mesa, e as preocupações aumentaram para se manterem vivos nessa onda viral. Adolescentes e jovens, muitos deles, caíram nas festas de paredões, contaminando mais gente e até pais e parentes. Tudo isso poderia ser amenizado se o nosso país tivesse o hábito da leitura, de viajar nas histórias dos livros. Um bom livro faz a alma continuar viva, mais forte e resistente, jogando para bem longe as ansiedades e a depressão. Infelizmente, ainda somos uma nação com baixo índice de leitura, mesmo em comparação a muitos dos nossos países vizinhos, como Argentina, Uruguai, Colômbia e outros. Não vou aqui nem listar os países da Europa porque seria um disparate. Como se não bastasse essa deficiência na leitura de livros, em decorrência de uma educação que deixa a desejar, temos agora um governo autoritário e fascista que está acabando com a nossa cultura, que despreza o conhecimento intelectual e até nega a ciência. Não adianta em nada falar em futuro melhor, se não tivermos uma boa educação e um nível cultural elevado. Não valorizamos nosso patrimônio cultural e artístico. Ao contrário, vandalizamos nossos monumentos e personagens da nossa história. Cure sua ansiedade e se livre da depressão com um livro na mão. Não dê desculpas para si mesmo, de que não tem tempo quando ele está sendo mais ocupado na internet, muitas vezes destilando ódio e intolerância nas redes sociais, ou acompanhando e vendo coisas fúteis.

“NO OLHO DA RUA”

O mais recente poema do jornalista Jeremias Macário, que aborda a situação dos moradores de rua

Foto de Jeremias Macário

Sentado aqui neste banco de jardim,

Vejo carros a passar entre mortos-vivos,

Mergulho nesse faminto doer em mim,

Do amor que se quebrou em desencanto,

Sonhos partidos de desalento e pranto,

Que um dia foram parar no olho da rua.

 

Oh quão desigual essa tirana divisão social!

De andantes invisíveis desse algoz capital,

De olhos vagos rasgados latinos franzinos,

Como dos meninos, filhos dessa droga diária,

Fuzilados na sangria matança da Candelária,

Quando a noite se silencia no olho da rua.

 

Da pandemia viral que mais trabalho cortou,

Como o cachorro que o dono o escorraçou,

O casal se refugia na procura da cura da dor,

Em cada marquise, em cada esquina e viaduto,

Tem a marca concreta desumana do produto,

Da crua realidade de ir morar no olho da rua.

 

Livre das amarras do sistema tempo e hora,

Sua coberta de papelão pode arder em fogo,

Nas labaredas intestinais roendo em fome,

E em cada ser existe uma história para contar,

Tem quem chora e quem apaga da memória,

Sua vida que lhe levou a cair no olho da rua.

 

O POLÍTICO É PRODUTO DO POVO

Por que o povo tolera a transferência do fruto do seu trabalho árduo para os cleptocratas? A pergunta, levantada por teóricos de Platão a Marx, é feita pelo cientista Jared Diamond em seu livro “Armas, Germes e Aço”. Nos tempos modernos, essa questão é comentada por muitos eleitores em todas as eleições.

No panorama atual brasileiro, diria que um dos motivos é porque os políticos que se desviam de suas funções e enveredam pelo caminho da corrupção, são produtos do povo que os elege. Aqui em nosso país, as cleptocracias não correm o risco de serem destituídas pelo povo oprimido, mas substituídas por novos ricos que buscam apoio público com promessas de proporções maiores de serviços em relação aos frutos roubados. Infelizmente, são atendidos e mantidos pelo voto.

Para conquistar apoio popular, os ricos recorrem a uma mistura de quatro soluções, conforme analisa o cientista. Dentre elas, desarmar a população e armar mais ainda a elite, como vem ocorrendo há séculos em nosso Brasil.

Outra é fazer a massa feliz, redistribuindo boa parte do produto recebido em coisas de apelo popular. A terceira solução é usar o monopólio da força e, por último, elaborar uma ideologia, ou uma religião (em nosso caso os evangélicos) que justifique o governo dos ricos e burgueses capitalistas.

Milhares de anos antes de Cristo, os bandos e as tribos tinham suas crenças sobrenaturais, assim como as religiões modernas. No entanto, as crenças nos bandos não serviam para justificar a autoridade central. Nas tribos centralizadas e no Estado, as crenças foram institucionalizadas e ganharam a função de religião. A partir daí os chefes passaram a ter uma ascendência divina, numa linha direta com os deuses. Eles, então, começaram a alegar que serviam o povo, intercedendo junto aos deuses.

Vivemos numa democracia cleptocrata onde os ricos são substituídos por outros, ou os eleitos governam voltados para as elites, com a promessa de fazer redistribuição de renda e reduzir as profundas desigualdades sociais, mas acabam praticando o populismo assistencialista através de esmolas que atraem o voto popular. O povo atende ao apelo do produto.

Em nossa história eleitoral, o político, que se apropria do fruto do nosso trabalho, tem sido um produto do povo, como o capitão-presidente que atenta contra nossa democracia; chama jornalistas de homossexuais e de bundões; apoia uma intervenção militar e; por outras atitudes, já deveria ter sido guilhotinado pelo impeachment. Por muito menos, Fernando Collor e Dilma foram cassados por uma camada da cleptocracia insatisfeita.

 

 

OS POLÍTICOS, O POVO E OS “BUNDÕES”

Quem é mesmo o “bundão” que chama os jornalistas de “bundões” e de quebra envolve os mais de 115 mil mortos pelo coronavírus no país? Claro que só pode ser o próprio presidente sem compostura, que envergonha toda nação e no exterior, com seus rompantes descontrolados, que age como se fosse um psicopata.

É muito triste e doe muito ver isso sair da boca de um presidente que foi eleito pelo voto popular de uma democracia ainda cambaleante. Se fosse de um ditador, num regime de golpe sem o sacramento de uma eleição, até que seria compreensível e não causaria tanto estarrecimento. A pergunta que fica é que democracia é essa em que vivemos?

Encher a boca de soco

Como se não bastasse, esse mesmo capitão-presidente que, compulsivamente, insiste em dizer que é um atleta e continua a fazer propaganda da cloroquina, indo de encontro à ciência, ameaça encher a boca de um jornalista de soco e porrada, tão somente porque fez uma pergunta que não foi do seu agrado.

Sua atitude é de um ditador, de um autoritário e grosso sem nenhum preparo para ser um presidente da República, mesmo que ela seja chamada de banana. Na verdade, o soco que ele disse que queria dar bateu de cheio na boca da democracia. Se fosse um democrata, simplesmente ficaria calado e não responderia (seu direito), ou daria explicações ao povo que lhe elegeu.

Por falar em povo, boa parte, infelizmente, esculhamba com os políticos xingando-os de sujos, corruptos, ladrões, manipuladores, safados, mentirosos e outras coisas horríveis, mas é só se aproximar a temporada das eleições para cair dentro da campanha, como moscas em visgos. São oportunistas, com comportamentos de mau caráter, bem pior que os políticos com desvios de conduta. Essa banda é farinha do mesmo saco.

As imagens dos pré-candidatos fazendo aglomerações de campanhas antecipadas pelo interior, em plena pandemia, não negam que boa parte dessa população é podre e hipócrita, e só quer se aproveitar, não importando a preservação da vida nesses tempos de vírus mortal.

Os que estão ali compactuando com o político antiético, antes mesmo de ser eleito, são interesseiros que vivem às custas do dinheiro público da prefeitura, ou têm familiares em funções desnecessárias, mamando nas tetas do contribuinte. Muitos são até “funcionários” fantasmas, ou recebem favores e benesses do prefeito à reeleição, ou do vereador.

É lamentável ter que dizer isso, mas o mesmo povo que se enoja da política brasileira, como ela é praticada, sem seriedade e respeito às normas e leis, é o mesmo que se aglomera nas praças e ruas para defender o político transgressor quando chegam as eleições, e ainda sai na porrada e na violência contra adversários. Verdadeiramente, poucos têm consciência política e moral para criticar os políticos como estes que estão fazendo campanha aberta em plena pandemia e ainda fora de época.

Diante dos fatos e imagens que presenciamos, como do presidente “bundão” e das aglomerações do povo na torcida pelo candidato inescrupuloso, como ter esperança e acreditar num Brasil melhor, num futuro promissor de igualdade, honestidade e caráter? Como se orgulhar do seu país? Quem faz o bom, ou o mau político é o próprio povo que vende sua alma para o diabo.

 

 

AS INVENÇÕES E SUAS NECESSIDADES

Em “Armas, Germes e Aço – os destinos das sociedades humanas”, o cientista e autor do livro, Jared Diamond, no capítulo “A Mãe da Necessidade”, fala das grandes invenções, principalmente no século XIX, e explica que o invento é mais a mãe da necessidade do que o contrário. A grande maioria dos inventores toma emprestado a tecnologia de outros para concretizar suas ideias.

A difusão, segundo ele, depende muito das condições geográficas e ecológicas entre as sociedades, bem como das dimensões populacionais entre os continentes.  Ele cita o “Disco de Festos”, na ilha de Creta, por volta de 1700 a. C , como primeiro documento silabário impresso mais antigo do mundo. Os sinais do disco foram gravados na argila temperada por carimbos que tinham um sinal em baixo relevo, mas não foi propagado como a impressão de Gutemberg em razão de diversos fatores desfavoráveis.

A CONQUISTA ATRAVÉS DA TECNOLOGIA

Sobre a tecnologia, destaca o autor da obra, que na forma de armas e transporte, ela proporciona os meios diretos pelos quais certos povos ampliaram seus reinos e conquistaram outros povos. Quem fica para trás e rejeita as invenções termina sendo subjugado por outras sociedades inovadoras.

Para ele, os avanços tecnológicos parecem vir, de modo desproporcional, de alguns gênios especiais, como Johannes Gutemberg, James Watt, Thomas Edison e os irmãos Wright. Eles eram europeus ou descentes de emigrantes na América. Existem os casos de Arquimedes e outros gênios raros dos tempos antigos, mas não é somente o intelecto que conta na criação.

Muitas sociedades, principalmente as mais conservadoras, demoram para assimilar e aceitar as invenções. A sua pergunta é do porquê a tecnologia se desenvolveu em ritmos diferentes nos vários continentes. Existe a ideia comum de que a necessidade é a mãe da invenção, mas o cientista também entra pela vertente da premissa contrária.

No entanto, muitas invenções, de acordo com o biólogo e fisiologista, encaixam nessa visão da necessidade como a mãe. Como exemplo, cita o Projeto Manhattan, do governo norte-americano, em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial. O objetivo foi o de construir uma bomba atômica antes que a Alemanha nazista fizesse. Em três anos foi concluído a um custo de dois bilhões de dólares (hoje mais de 20 bilhões).

Outros exemplos dessa necessidade foi o descaroçador de algodão, inventado por Eli Whitney, em 1794, para substituir o trabalho demorado e cansativo de limpeza do produto. Outro caso foi a máquina a vapor, concebida por James Watt, em 1769, para solucionar o problema de bombear a água para fora das minas de carvão britânicas. Assim, em sua opinião, a invenção é quase sempre a mãe da necessidade.

Um exemplo claro é a história do fonógrafo de Thomas Edison, “a criação mais original do maior inventor dos tempos modernos”. Quando ele fez o fonógrafo, em 1877, publicou um artigo sugerindo dez utilizações possíveis, entre elas preservar as últimas palavras de pessoas no leito de morte e gravar livros para deficientes visuais. A gravação de música não estava entre suas prioridades.

Anos depois, Edison passou a vender fonógrafos, para serem usados como máquinas para ditar textos nos escritórios. No entanto, os empresários criaram as vitrolas automáticas. Só depois de 20 anos, o inventor admitiu, com relutância, que a principal utilidade de seu fonógrafo era gravar e tocar música.

Por outro lado, o veículo motorizado não foi inventado para atender a uma demanda. Quando Nikolaus Otto construiu a primeira máquina a gás, em 1866, os cavalos já supriam as necessidades do transporte terrestre há quase seis mil anos. Por ser pesada, com mais de dois metros de altura, a máquina não era mais aceitável que os cavalos. Só depois de 1885, os motores foram aperfeiçoados, levando Gottfried Daimler a instalar um motor na bicicleta, surgindo, então, a motocicleta a gasolina.

O povo continuou satisfeito com os cavalos e as ferrovias até a Primeira Guerra Mundial, quando o exército concluiu que precisava de caminhões. O intenso lobby pós-guerra convenceu o público da necessidade dos caminhões no lugar das carroças puxadas a cavalo.

“As primeiras máquinas fotográficas, de escrever e os aparelhos de televisão eram tão terríveis quanto a medonha máquina a gás de dois metros de Otto. Embora Watt tivesse projetado a máquina a vapor para bombear água para fora das minas, tempos depois a invenção estava fornecendo energia para as fábricas de algodão e impulsionando locomotivas e barcos.

O APERFEIÇOAMENTO DE OUTROS

A famosa invenção da lâmpada incandescente de Edison, em 21 de outubro de 1879, era um aperfeiçoamento de muitas outras lâmpadas patenteado por outros inventores entre 1841 e 1878. Do mesmo modo, o avião tripulado dos irmãos Wright foi precedido pelos planadores de Otto Lilienthal e a máquina voadora de Samuel Lasngley. O telégrafo de Samuel Morse foi precedido pelos de Joseph Henry, William Cooke e Charles Wheatstone. O descaroçador de Eli Whitney foi aperfeiçoamento de outras máquinas

Para Diamond, a tecnologia evolui de modo cumulativo, não em atos heroicos, e que a descoberta da maioria das utilidades de uma invenção ´é feita depois, e não sempre antes para satisfazer uma necessidade prevista.

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A POLÍTICA COMO A ARTE E A ALMA DO BEM GOVERNAR E DO LEGISLAR

Quando me lancei a pré-candidato pelo PSB a vereador a uma cadeira no legislativo de Vitória da Conquista recebi de imediato dois tipos de reações dos amigos, colegas e conhecidos de longas datas que conhecem minha trajetória de vida e como tenho me comportado dentro dos meus princípios de primar pelo caráter.

Uma delas foi de apoio integral por merecimento, competência e pelo que tenho feito e representado para a cidade ao longo desses 30 anos, principalmente no âmbito do jornalismo, da cultura e da arte. Depois do meu trabalho à frente da “Sucursal do Jornal A Tarde”, continuei fazendo e divulgando a cultura, sempre me posicionando como jornalista e cidadão sobre as questões envolvendo a cidade de Conquista.

A outra reação não nega a primeira, mas foi no sentido de que não entrasse nessa por ser muito sério, responsável e ético, pois a política no Brasil não passa de uma lama, uma sujeira e um meio de oportunistas se aproveitarem dos eleitores. Confesso que estou a refletir sobre tudo isso, ainda mais numa eleição em plena pandemia no Brasil que, em minha opinião, deveria ser prorrogada pelo Congresso através de uma PEC.

A politicagem sem escrúpulos

Sou sabedor e convivo com os dos dois lados, e me entristece o segundo que se bandeou para a politicagem de agrupamentos sem escrúpulos que deturparam o verdadeiro valor da política na sociedade como a arte e a alma do bem governar e legislar em benefício do povo, como era praticado na Grécia antiga e ensinada pelos filósofos Aristóteles, Platão, Sócrates e outros.

Infelizmente, no Brasil ela é tripudiada, desacreditada e rejeitada porque há séculos foi sendo e ainda está recheada de manhas, treitas e malandragens, se valendo da pobreza física e espiritual de educação e conhecimento das pessoas, que os nossos governantes lhes negaram, para fazer assistencialismo coronelista, sem falar na corrupção.

Dentro dessa panela indigesta, a política brasileira deixou de ser a arte do bem governar e legislar, para se deitar no coito sujo e doentio dos germes da enganação de promessas. da enrolação, da mentira e até da compra de votos com dinheiro e através de favores, refugiando-se na criminalidade e formação de quadrilhas.

No papel de executivo, o candidato, e até mesmo depois de eleito (nem todos), passou a prometer coisas que não são da sua alçada e da sua esfera como parlamentar. Muitos trocaram o legislar e o fiscalizar o poder público pelo fazer calçamentos porque o povo foi se acostumando nisso, e dá mais votos falar em obras do que ser o que deve ser dentro da sua função específica.

A inversão de valores

Na verdade, houve ao longo desses anos, uma inversão dos valores, onde o executivo passa o tempo legislando para “governar” e manter o poder, e o vereador, ou deputado, se ocupa de mostrar obras e benfeitorias através de indicações e emendas de verbas parlamentares. Nesse jogo, entram os conchavos que ele mesmo criou no seu cio legislativo.

Essa distorção foi tão aculturada e enraizada na nossa população que o eleitor, na grande maioria dos casos, quando se encontra com seu candidato, ou vai ao seu gabinete, procura-o mais para cobrar e pedir dele que faça uma obra, uma construção qualquer, uma ligação elétrica e de água em seu bairro, povoado ou distrito. Dificilmente reivindica leis em prol da sua comunidade, ou que ele investigue ou fiscalize as ações do prefeito.

A política, então, passou a ser a arte dos conluios, do troca-troca, do dá lá e do dá cá, das negociatas de aprovação de leis para ganhar cargos e recursos financeiros, dos favores a terceiros para faturar e superfaturar obras para ficar com uma parte, da sem-vergonhice, do meu pirão primeiro, da manipulação do eleitor, do palavreado rebuscado, da negação da sua função como legislador e da adoção do assistencialismo.

Diante de tudo isso, é que muitas pessoas me recomendaram a não ser pré-candidato, e outros me incentivaram para, se eleito, exercer o real papel de vereador e cumprir com o dever de defender os interesses coletivos da população em geral através de leis.

No geral, o político de hoje está mais preocupado em atender ao seu grupo que faz parte do seu lote, ou reduto eleitoral. Como nos tempos do coronel, a divisão é feita por lotes, por áreas demarcadas e se esquece do coletivo, daí o surgimento das diversas bancadas, menos a bancada do povo.

POR UM AUXÍLIO

E continuam as intermináveis filas nas agências da Caixa Econômica, como na foto do jornalista Jeremias Macário, tudo por um auxílio emergencial do governo federal que está usando o momento para fazer seu populismo com o dinheiro do próprio brasileiro trabalhador, desempregado e desamparado. Os milhões de invisíveis apareceram. É muito sofrimento e humilhação que não tem fim neste país, passando de governo a governo, que utiliza desse expediente de esmolas para se perpetuar no poder. Infelizmente, a maioria do nosso povo é inculta e sem consciência política para entender que os políticos se apropriam desse ponto fraco para manipular o eleitor nos momentos mais difíceis, como o que o Brasil está atravessando. O pior é que a nossa nação continua sendo massa de manobra por falta de educação, que eles próprios negam de propósito. Podem me chamar de pessimista, mas não acredito num futuro melhor enquanto permanecer essa política de deixar a população na miséria para dela se aproveitar.  Mesmo diante das dificuldades com o emaranhado burocrático (muitos passam o dia numa fila e voltam pra casa sem nada), esse povo acha o governo”bonzinho” e “caridoso”. É o mesmo que dar esmolas com o chapéu dos outros. É a tática de piorar mais ainda, negando o vírus e a ciência, receitando cloroquina e nem dando a mínima para as mais de 100 mil mortes, para capitalizar simpatia e aprovação com o auxílio emergencial. Não se enganem! Até quando vão abusar da nossa paciência?





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