Poema mais recente de autoria do jornalista Jeremias Macário

Seu canto é também canção de amor,

De cisco riscado no chão reprodutor.

 

O galo professou e me ensinou

A ser semente levada pelo vento,

Louvar a vida, desencantar a morte,

E sempre ter a mente firme e forte.

 

Sem o relógio para o tempo anotar,

O sono leve vigia no silêncio da noite,

O sinal do galo no açoite da madruga,

Que está na hora da tropa se levantar.

 

O galo galante no terreiro é bem visto;

Foi testemunho da antiga divina profecia;

Cantou três vezes após Pedro negar Cristo,

Ao dizer que o seu mestre não o conhecia.

 

O galo professou pegar no pasto os jumentos,

No orvalho do sertão pra na feira mascatear

Os mantimentos lavrados na enxada do torrão,

E na baixada deu pressa antes do dia clarear.

 

O galo professou na curva ainda meio turva.

Que a aurora com seu esplendor logo ia raiar;

Professou que com o trabalho a dor se cura,

E o vade nos guiou até à cidade a carga arriar.