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:: 22/jun/2020 . 23:57

“CIGANOS NO BRASIL – UMA BREVE HISTÓRIA” (PARTE III)

UM CIGANO NA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

O Brasil já teve presidentes nordestino (pau-de-arara), gaúcho fazendeiro, mineiros, paulistas, marechal das Alagoas, generais da ditadura civil-militar, agora um sádico capitão, mas poucos sabem de um presidente-cigano, Juscelino Kubitschek que construiu Brasília, que virou um covil de ladrões, mas não por culpa da nação cigana.

Quem revelou esta curiosidade, que eu nem sabia, foi o autor do livro “Ciganos no Brasil – Uma Breve História”, de Rodrigo Corrêa Teixeira. Já vimos que os Calon, ou Kalé, vieram da Península Ibérica e aqui se aportaram desde o início do século XVI.

O grupo Rom, ou Roma

No entanto, na primeira metade do século XIX, o Brasil recebeu o grupo Rom, ou Roma, da Europa do Leste, com suas famílias. De acordo com informações, o Rom que mais cedo chegou ao território mineiro foi Jan Nepomuscky Kubitschek, que trabalhou comO marceneiro no Serro e em Diamantina.

Sua alcunha era “João Alemão”, um imigrante vindo da Boêmia, parte do Império Austro-Húngaro, que deve ter entrado no Brasil, segundo Teixeira, por volta de 1830-1835, casando-se pouco depois com a brasileira Teresa Maria de Jesus, que teve dois filhos, João Nepomuceno Kubitschek, um destacado político (chegou a ser senador). O segundo filho foi Augusto Elias Kubitschek, um comerciante com escassos recursos que viveu toda sua vida em Diamantina.

Augusto foi primeiro suplente de subdelegado de polícia em 1889 e teve uma filha de nome Júlia Kubitschek, que viria a ser a mãe de Juscelino Kubitschek (1902-1976) e se tornou presidente da República no período de 1956 a 1960, com o apelido de JK. Com sua boemia e veia artística, foi um cigano, ou descendente de ciganos Rom.

O fato é que a partir de 1865, quando foi abolida a escravidão cigana na atual Romênia, na década de 30, “havia entrado em Minas Gerais um cigano Rom”. Os historiadores não citam essa passagem de que Juscelino era um cigano imigrante do Leste Europeu.

De acordo com o autor da obra, somente a partir da segunda metade do século XIX, os Rom vieram em número significativo para o Brasil, provenientes da Itália, Alemanha, dos Balcãs e da Europa Central. O escritor James W. Wells, em seu livro publicado, em 1886, identifica como sendo romenos (Rom) os ciganos de Contendas, que entraram em 1873. Aponta ainda que em maio de 1899, chegou à cidade de Palmyra um bando de cerca de 40 ciganos, composto de indivíduos de nacionalidade italiana e grega.

Acredita-se que esses Rom vieram em maior quantidade no final do século XIX, juntamente com a primeira onda migratória de italianos, alemães, poloneses, russos e gregos, apesar da polícia portuária ter proibido o desembarque de ciganos em território brasileiro. Eles se disfarçavam e entravam como imigrantes, com nomes diferentes.

Saltimbancos e criminosos

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