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:: 4/jun/2020 . 0:23

PRECÁRIO E EM DESARMONIA SOCIAL

DIZ O DITADO QUE “BRASILEIRO SÓ FECHA A PORTA DEPOIS DE ROUBADO”

O Brasil de hoje é um dos únicos países do mundo mais desarrumado e vulnerável no combate à pandemia do coronavírus. Sem uma coordenação central de firme liderança nacional, num país onde tudo é precário e confuso, estamos vivendo uma desarmonia social, com extermínio em massa da pobreza e da miséria, que pode ter os números de vítimas mortais do vírus mais que dobrados dos atuais existentes (mais de 30 mil e quase 600 mil infectados).

Não quero ser nenhuma ave agourenta como o corvo ou a cauã que farejam cadáveres, mas o quadro caótico brasileiro no âmbito político, social e econômico que vivenciamos hoje, dá muito medo e pavor, em meio a todo esse panorama apocalíptico global. Vivemos aqui uma desarrumação única no planeta nas tomadas de decisões, quando deveria ser o momento de maior ordenamento, união e planejamento científico, visando a destruição do maior inimigo de todos.

AMBIENTE PROPÍCIO

Com um capitão-presidente que, ao invés de somar, desagrega com suas psicopatias e tendências genocidas, essa Covid-19 letal encontrou aqui no Brasil um ambiente propício e um terreno “fértil” para a sua propagação. Basta acompanhar os noticiários e tudo estampa confuso, turvo e gerador de pânico em nossas mentes, porque as medidas são feitas de forma experimental de toques de recolher, feriados antecipados, fechamentos e aberturas, sem uma disciplina correta e certeira. As imagens não negam.

Em minha opinião, esse negócio de abrir o comércio por setores e em horários diferenciados em quase nada influencia a contenção no surgimento de mais vítimas do vírus, pois as pessoas vão para as ruas como se tudo estivesse acabado. A maioria das cidades ainda está com índices alarmantes de duplicação e até triplicação de casos, quando não devia optar pela abertura.

Como o Brasil adora em tudo imitar os países ricos e desenvolvidos, até no modo de se vestir, comer e gastar, só imagino que seja mais uma cultura da imitação e do complexo de superioridade. Acontece que na Europa e na Ásia, o coronavírus chegou mais cedo, junto com o isolamento social que é levado a sério nesses continentes, porque a mentalidade da população em seguir normas é bem diferente da nossa, sem contar que são sociedades mais organizadas e conscientes.

PRECÁRIO EM TODOS OS SETORES

Quando falo precário, me refiro a todos setores da vida brasileira, especialmente no âmbito da saúde onde unidades hospitalares de muitos estados entraram em colapso, e muitas pessoas estão morrendo por falta de infraestrutura e recursos humanos para o devido atendimento no momento necessário.

Precário na economia que já vinha há muitos anos em estado de recessão, com o desemprego de mais de 13 milhões de pessoas e mais outros milhões vivendo na informalidade. Com a chegada do vírus, veio o caos social, piorando mais ainda a pobreza e levando um grande contingente a morar nas ruas. Isso significa que milhões estão passando fome e, sem alimentação adequada, o organismo fica sem anticorpos para lutar contra o vírus.

Precário na educação e, consequentemente, na cultura. Sem educação e cultura, as pessoas são desprovidas de consciência no devido tratamento da higiene e na prevenção de não deixarem ser contaminados e nem contaminar os outros. Culturalmente, o brasileiro é indisciplinado e não tolera seguir normas, ao contrário dos povos europeus e orientais asiáticos.

O Brasil é precário no saneamento básico onde mais da metade da população não possuem serviços de esgotamento sanitário e moram em casebres e favelas apertadas, expostas a todo tipo de doenças. Precário nos transportes coletivos nas médias e grandes cidades onde ônibus e metrôs circulam lotados, num espaço favorável à expansão do vírus.

CALÇAS CURTAS

Por tudo isso e muito mais de precariedades e deficiências, sem falar de um governo sem Ministério da Saúde (a pasta é comandada por um general) e que contraria as recomendações científicas (muitos sentem orgulho da ignorância), criando um clima de desarmonia e incertezas, o distanciamento e o isolamento social no Brasil são como calças curtas abaixo dos 50% do seu tamanho, ou bermudas pela metade.

Nesse momento mais difícil da nação, quando todos deveriam estar irmanados para vencer o inimigo comum, grupos de extrema-direita (nazifascistas) vão para as ruas pedir ditadura militar, e o presidente destrambelhado e desembestado participa da insensatez e apoia o trancamento do Congresso Nacional e do Tribunal Superior Federal. Para se vingar, veta uma verba de oito bilhões de reais para estados e municípios estruturarem o setor da saúde.

Diante de todo esse quadro aterrador, não é preciso ser especialista em infectologia ou na medicina, para se prever que a tendência é crescente de muito mais mortes e de casos de contaminação. Oxalá minha visão esteja equivocada, mas, infelizmente, vamos ver mais sofrimentos, mais perdas de vidas, mais covas se abrirem nos cemitérios e mais choros e lágrimas nessa pátria tão maltratada, vilipendiada e precária.





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