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:: 15/maio/2020 . 22:34

“A VIDA SECRETA DE FIDEL – AS REVELAÇÕES DE SEU GUARDA-COSTAS PESSOAL” (I)

Ao estilo tirânico estalinista, Fidel Castro entrou triunfal, em Havana, em primeiro de janeiro de 1959. Assumiu o poder com mão de ferro e sempre eliminava qualquer um que atravessasse seu caminho, por mais próximo que fosse. Apropriou-se de muitos imóveis, casas de luxo, de uma ilha, iates e outros bens do Estado para viver suas mordomias.

Uma revista norte-americana citava ele como dono de uma das maiores fortunas do mundo. Sempre negou, mas ostentava vida de um rico milionário, cercado de mulheres (machista) e outras regalias. Foi um grande general estrategista que tentou exportar sua revolução para outros países da África e da América Latina, com alguns sucessos. Montou uma estrutura de segurança pessoal invejável e impenetrável que nem os cubanos sabiam de sua vida particular, nem o que acontecia nos bastidores. Sua vida sempre foi um mistério a desvendar.

Essas e outras narrações da sua vida íntima e pública, como a administração no papel de el comandante no comércio clandestino de armas, drogas e outros produtos para o exterior, principalmente em momentos de maior crise econômica e social da ilha, para manter viva a revolução, estão no livro de Juan Reinaldo Sánchez, “A Vida Secreta de Fidel – as revelações de seu guarda-costas pessoal”.

“Traidor da Pátria”

O autor foi preso como “traidor da pátria” e depois de solto fugiu para a Flórida, nos Estados Unidos, onde publicou a obra. Juan qualifica seu chefe como dissimulado, cínico, maquiavélico e um drácula. Todas suas acusações, verdadeiras ou não, são de sua responsabilidade, mas confessa que viu tudo de perto. Acreditava piamente na revolução e era um fiel escudeiro do comandante.

Em dezembro de 1991, Cuba mergulhou na pior crise econômica de sua existência, e Fidel decretou o “período especial em tempos de paz”, permitindo a particulares abrir paladares (restaurantes em domicílio). Não foi suficiente como a crise dos balseiros, em 1994, quando 30 mil cubanos fugiram em suas balsas para Miami.

Fui promovido a Chefe da Avanzada (preparava as viagens do el comandante para as províncias, ou exterior), como a posse de Fernando Collor de Mello, em 1990, para a Cúpula Ibero-Americana, em Guadalajara (México), em julho de 1991 e para Espanha. Era o melhor atirador de Cuba.

Nesse tempo, escolhi esquecer o “Caso Arnaldo Ochoa” (fuzilado) e o expurgo de altos escalões, que desestabilizaram o Ministério do Interior, comandado pelo general Abelardo Colomé Ibarra. O chefe da escolta do comandante estava a cargo de José Delgado.

Os ventos começaram a soprar contra mim a partir de 1994. Minha filha Aliette casou-se com um venezuelano e foi para Caracas. Meu irmão, cozinheiro do Conselho de Estado, fugiu para Flórida. Desde 1968 prestava serviços ao comandante, sendo dezessete na escolta, a partir de 1977 – conta Juan Sánchez.

Com 45 anos, em 1994 dispensaram meus trabalhos na escolta e, então, pedi minha aposentadoria através de uma carta à segurança social. O general Humberto Francis, chefe da Segurança Pessoal (departamento encarregado da proteção de todos altos dirigentes) não aceitou. Exigi passar por um conducto reglamentário (recurso que permite dirigir-se a um superior).

Torturas na cela

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