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:: 7/maio/2020 . 22:28

SEQUIDÃO

Foto e escultura do jornalista Jeremias Macário

Não sou escultor, mas um atrevido que procura retratar a vida, principalmente do nosso Nordeste, procurando mostrar suas belezas e também as mazelas de um povo sofrido e com sede de justiça social. Esta é a minha quarta escultura, se assim me permite denominá-la, feita de cipó, que vou aproveitando aqui no muro do outro lado do meu quintal. Resolvi chamá-la de “Sequidão” por representar o mandacaru sobrevivente da seca, como é a nossa mente inteligente que usa a fé e a ciência para continuar a viver. Minha intenção foi retratar o Nordeste que ora é verde, ora é cinzento. Uma é vida e a outra é sinal da morte nas lavouras, nas plantas e animais que têm que enfrentar a sequidão até as próximas águas molharem o chão.

EXISTE E NÃO EXISTE

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Ainda existe

Processo sem prisão,

A tortura sem história,

Corrupção com vitória,

O crime que compensa,

A manipulação da imprensa,

O sonho feito de cristais,

Como promessas sagradas

Dos amantes e dos casais.

 

Ainda existe,

A vergonha da esmola,

A escola sem lição,

País sem educação,

Criança sem livro,

Rei fajuto de camisola,

A justiça da pistola,

O cruel capital,

O empreiteiro pardal,

O ladrão de gravata

O coronel da chibata,

O amolador de navalha,

O ferreiro do fole

E o político canalha.

 

Não existe,

Relógio sem hora,

Piora sem melhora,

Cordel sem rima,

Cantador sem viola,

Presente sem passado,

Chato que não amola,

Sandália sem poeira,

Cavalo sem crina,

Cidade sem feira,

País sem hino,

Nem vida sem sina,

Romaria sem peregrino,

E criatura sem destino.

NEM ESTÃO AI PARA A COVID-19 E FAZEM PROPAGANDA DO ENEM

O governo federal está mais preocupado em podar a liberdade de expressão e atacar os veículos de comunicação do que com as mais de oito mil mortes da Covid-19. Prossegue com sua linha fascista do tipo Mussolini, quando a Itália estava devastada pela Primeira Guerra Mundial e pregava o combate ao anarquismo e ao comunismo.

O Ministério da Educação, com um chefe da pasta de nome impronunciável, está fazendo propaganda da realização do Enem para novembro, enquanto milhares de brasileiros morrem, e seus familiares choram a perda de seus entes queridos nas portas dos hospitais, sem contar as pás que não param de jogar terra nos caixões dos cemitérios lotados.

A propaganda, com o dinheiro do contribuinte, manda que os jovens estudem em casa para o Enem do final do ano. Sabemos que o ensino no país já é precário. Imagine agora quando as escolas e os cursinhos estão fechados! É uma tremenda insensatez em meio a todo esse caos do coronavírus, quando não se sabe o que pode acontecer até lá. Como estes alunos vão fazer as provas?

A Justiça Eleitoral, também com dinheiro público, faz sua propaganda em nome da democracia, enquanto milhões dormem nas filas desumanas das agências da Caixa Econômica Federal para sacar um auxílio social e matar a fome. Milhares não conseguem e entram em desespero, de barriga vazia. Prefeitos, como o de Vitória da Conquista, tocam obras eleitoreiras em plena pandemia.

A Justiça deveria baixar uma liminar proibindo qualquer governo de fazer propagandas pagas enquanto perdurar essa crise do coronavírus, por considerar uma insensatez, um gesto de indiferença e deboche para com a população. Toda essa montanha de verba jogada em publicidade deveria estar sendo investida na saúde, podendo, inclusive, ser utilizada para campanhas institucionais relacionadas a orientações e informações sobre esse vírus mortal.





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