janeiro 2020
D S T Q Q S S
« dez   fev »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

:: 31/jan/2020 . 0:28

AS CORES DA FEIRA

Desde menino, quando vendia farinha com meu paia, a feira sempre me fascinou pelas suas cores e pelos bons papos que ouvia entre os compadres da roça e os doutores da cidade. Nela existe muita sabedoria popular, vendo as mulheres debulhar o feijão, o andu e os mais velhos a contarem os seus causos. Tem fuxico, tem verduras, carne, abóbora, limão, melancia, quiabo, cenoura e todo tipo de frutas e cereais. Não é como nos supermercados fechados cheios de pratilheiras onde não se pode pechinchar. Sempre quando posso lá estou eu na Feirinha do domingo, em Vitória da Conquista, registrando as belas imagens com a minha máquina, como esta. Na Feirinha sinto falta de um cantinho para se divulgar a cultura, com cantorias, declamações de poemas, contação de causos, apresentar  a literatura regional e seus autores,  e muita viola para bater as canções populares. Cadê a Secretaria da Cultura que ainda não criou este cantinho cultural para os artistas da terra mostrarem seus trabalhos? Vamos lá gente, montar este espaço!

NO MEU EU SOLITÁRIO

Poema mais novo do jornalista Jeremias Macário, nas asas da inspiração.

Estava eu em minha solitária cabana;

Lá fora, como coiote o vento uivava;

E trava o diálogo entre o Pai e o Filho,

Sobre esta humanidade tirana e sacana.

 

Corri brenhas do Nordeste cangaceiro;

Na sina assassina do jumento tropeiro,

E vaguei pelo mundo do mano cigano,

Perambulando errante de norte ao sul,

Como nas mensagens do poeta Raul.

 

No meu eu solitário, com meu ideário,

Encarei que já estamos no juízo final

Da terra revolta no aquecimento global

Pela insana ganância da perversa criatura,

Que sempre tentou devorar a sua natura.

 

Vaguei no imaginário do meu solitário;

Das flores que um dia cobriam a colina,

E entrou a bela morena na minha retina;

Encarnada em mim como um relicário,

Numa doce mistura de apego e chamego.

 

Nas contas do meu eu solitário rosário,

Contei moinhos de tristezas e alegrias,

Umas de marcas e outras vivas sangrias,

Tempo, vida e morte correndo estações,

Fumaças malucas em noites de visões.

 

Cada um faz sua passageira travessia,

No seu eu, traçando a sua própria via,

Não importa qual o seu tipo de oração,

Se tem medo da chuva, ou da solidão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia