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:: 21/jan/2020 . 22:24

NA CAPITAL DOS QUEBRA-MOLAS

Muito bom e bem fundamentado o comentário do meu amigo e companheiro jornalista, Carlos Gonzalez, no blog aestrada, (o Bozó quer extinguir a profissão) sobre a avalanche de quebra-molas espalhados por toda cidade, nos becos, esquinas, ruas, avenidas, cruzamentos, nos semáforos, em alguns lugares numa distância de 40 a 50 metros um do outro, (muitos sem sinalização), atanazando a vida dos motoristas e provocando prejuízos.

Não vou aqui me estender muito no assunto, mesmo porque Gonzalez dessecou tudo sobre o tema, citando, inclusive, normas do Código Nacional de Trânsito e as consequências deles para os veículos, como problemas na embreagem, câmbio, desgaste nos motores, nas suspensões e mais gastos de combustível (tão caro) pela redução forçada das marchas.

Conquista já é conhecida como a capital das flores, do frio e até está sendo chamada de suíça baiana (menos com o exagero), mas o título de capital dos quebra-molas não é nada bom. É negativo. A onda dos quebra-molas, minimizado para redutores de velocidade e outros nomes (tudo dá no mesmo) começou nos governos do PT e se expandiu agora no atual mandato de Hérzem Gusmão.

Cada dia e cada semana, você se depara com os monstrengos de concreto em bairros e ruas desconhecidas, basta um acidente no local, acompanhado do pedido dos moradores e logo aparece mais um. Se os condutores conquistenses são pegos de surpresa e se arrebentam neles, agora imagina os visitantes, principalmente à noite (muitos estão apagados e sem sinalização).

A verdade é que eles viraram pragas em Conquista, de tamanhos variados para todos os gostos – tem até o maior do mundo conhecido como o bigode de Pedral – e em locais sem nenhuma necessidade e justificativa onde já existem placas de Pare, Preferencial, de Proibição de entradas à direita, à esquerda e semáforos. Existem no mundo de hoje tantos recursos tecnológicos, como câmaras, radares móveis e imóveis, sem falar nas sinalizações de trânsito, que eles são dispensados, sem contar que são anacrônicos, infernais e estúpidos.

Cabe ao motorista se educar e respeitar os indicadores, e quem ultrapassar e cometer acidentes, mesmo com atropelamento (pedestres também têm grande parcela de culpa), que arque com as consequências financeiras e as devidas penalidades da lei.

No entanto, neste Brasil (a Bahia e Conquista não estão fora) sempre se opta pelo atalho bruto e pelo mais fácil. A repressão militar pesada e truculenta está aí como exemplo, mas a violência e a bandidagem continuam em plena ascensão. Os governos preferem este método mais fácil que investir pesado no campo social, para reduzir as desigualdades e a exclusão. Descriminalizar as drogas é um palavrão neste país atrasado onde insiste alimentar o erro, mas sabemos muito bem os motivos escusos e os interesses que estão por detrás dessas incoerências.

Voltando à questão dos quebra-molas, senhor prefeito, dê um basta neste monte de concretos elevados, verdadeiras arapucas que tomaram conta da cidade, principalmente no bairro Brasil (avenidas Maranhão, Pará, frei Benjamim, Integração) e na Juracy Magalhães! Temos aqui a fábrica dos quebra-molas.

Nossos carros viraram carroças, de no máximo 20 a 30 quilômetros por hora. É desgastante e irritante! Isso não é política de mobilidade urbana. Estamos nos tempos modernos e não no início do século passado das fóbicas. Nossa cidade é bonita e não merece esse amontoado de quebra-molas que enfeiam as ruas e avenidas.

UMA CULTURA “PATRIÓTICA E IMPERATIVA, OU NÃO SERÁ NADA”

Longe de mim querer ser o dono da razão, mas contra fatos não existem argumentos. Eles estão aí bem escancarados e são assustadores. Só não ver quem não quer. A impressão é que, de um instante para o outro, a nação ficou muda, surda e cega. Não estou aqui com o propósito de mudar a cabeça de ninguém, mas as coisas estão bem claras. Só o ódio e a intolerância nos levam à cegueira e ao precipício mediante a perda da liberdade de expressão.

É muito triste, mas fico aqui em meu canto solitário a imaginar que o nosso país está anestesiado, como um robô teleguiado, sem oposição e sem reagir contra uma frente que intenciona destruir por completo a nossa luta democrática e a nossa pluralidade de pensamento, para seguir a uma só “verdade” imposta por um governo lunático, como tantos outros que aconteceram na história da humanidade.

SEM A OPOSIÇÃO

Estou me reportando, de forma constrangedora, ao caso do nazifascista, o ex-secretário da Cultura, o Roberto Alvim que, despois de defender o discurso plagiado de Joseph Goebbels, o chefe de Propaganda de Adolf Hitler, só foi demitido do cargo depois da forte reação dos judeus e da direita. No cenário macabro, de cabelos alisados, até a ópera de Wagner entrou como música de fundo. Só faltou aparecer a suástica. Pelo que acompanhei, não houve protesto das ditas esquerdas de oposição. Todos dormem o longo sono da inércia. O Alvim poderia até ser criminalizado pela sua fala de apologia ao nazismo, mas ficou por isso mesmo.

O seu chefe, que lhe serve de espelho e dita as ordens, ainda tentou manter o cara, dizendo se tratar de coisa da esquerda comunista. Em sua cabeça cheia de discriminação, de preconceitos e destruição da diversidade humana, disfarçado de democrata, esquerda para ele virou uma psicose doentia. Vamos renascer a cultura que não existe há décadas no Brasil – disse – como se alguém a tivesse matado.

A estratégia de uma arte nacional patriótica e imperativa, ou não será nada”, trata-se de uma condução para impor uma só “verdade”, como foi feito no nazismo e no stalinismo do “realismo socialista”, onde a cultura tinha que seguir os ditames de seus regimes de domínio, inclusive com a queima de livros e banimento completo de artistas e intelectuais que discordavam deles.

Um desastre, deslizes, burrice, ou ações premeditadas de um grupo fascista de extrema que ocupou por pouco tempo a Secretaria da Cultura (o Ministério foi extinto) que, entre outras barbaridades, saiu espalhando que a terra é plana, o rock é um ritmo satânico da prostituição, do aborto e das drogas, e ainda que não houve escravidão no Brasil. O fundamentalismo e o radicalismo vão ser a marca deste governo despreparado. Não se enganem!

Agora entra a atriz Regina Duarte que comunga dos mesmos princípios, para conduzir a cultura. Qual seu preparo para o cargo, e como vai ser esse Prêmio Nacional das Artes? Pelo que está estampado, será um concurso que terá que seguir as diretrizes conservadoras de uma só “verdade” cristã de tradição, pátria e família. Uma só cultura, sem contraponto, sem divergências e sem ser imaginativa e criativa. Uma arte, sem arte e sem ser transgressora na essência da sua palavra. Apologia a que heróis e personagens? Que tipo de moral e bons costumes?

Fico mais com a intenção estratégica, unilateral, pois o chefe maluco vem há um ano dando sua senha de negação da história; de que não houve ditadura e tortura; agride a imprensa e os jornalistas; e não prioriza a preservação do meio ambiente mediante a fiscalização. Por estar em conformidade com sua política de retrocessos, ele resistiu, a princípio, à exoneração do seu secretário.

Não se pode cobrar muito de um povo inculto e analfabeto a quem por anos e até séculos foram negados a educação, o conhecimento, a instrução e o saber. Temos uma população sem massa crítica para reagir, criticar e se indignar com o que vem ocorrendo no Brasil. Um povo submisso que aceita tantos disparates e barbaridades, sem entender que estamos sendo levados para um futuro perigoso de um passado medieval e inquisitório.

No entanto, confesso que fico horrorizado, estarrecido e morto por dentro ao ver pessoas de nível bem mais elevado, como intelectuais e professores universitários apoiar e relativizar tais ideias nazifascistas, negando estudos científicos e chamando de “bosta e merda” grandes institutos de pesquisas, como o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais), por exemplo. Afirmar que eles estão cheios de esquerdistas comunistas, como diz o chefe eleito. Falar até que os órgãos da ONU estão ocupados por comunistas. Contemporizar que o ex-secretário foi apenas burro e infeliz.

É muito decepcionante quando ouço dessa gente “privilegiada”, que se diz acadêmica em mestrado e doutorado, negar todos os discursos misóginos, racistas, homofóbicos e xenófobos que o capitão-presidente proferiu na Câmara quando era deputado. Rasteiramente indagar, cadê as provas? Comparar as queimadas da Amazônia com as da Austrália. Concordar de que os índios não precisam de terra e que devem ir morar nas cidades. Proferir absurdos de que a mídia divulga mentiras, faz estardalhaços e sensacionalismos, e que jornalistas devem mesmo desaparecer.

 

 





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