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:: 16/jan/2020 . 0:40

A EXTINÇÃO DOS JEGUES EM QUATRO ANOS

Com a liberação do abate pelos frigoríficos (três na Bahia), os jumentos, jegues ou asnos, parte da cultura e da história nordestina, estarão extintos dentro de mais quatro anos, conforme avaliação feita pela Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, composta por organizações de proteção dos animais.

Os governos estadual e federal resolveram liberar o abate para os estabelecimentos localizados em Itapetinga, no sudoeste, Amargosa e Simões Filho, que comercializam a carne e a pele para os chineses, utilizados na culinária e para obter o Ejiao, produto que serve para tratar de problemas de anemia, insônia e impotência sexual, segundo a medicina chinesa.

Como explicou a coordenadora do movimento da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, Gislene Brandão, “a gente tem uma tradição de cuidar desses animais, pois eles são como membros das famílias em muitos lugares. Temos lutado contra a escravização deles e defendido a criação de um santuário. No entanto, para nossa surpresa, em vez do santuário, o governo fez foi autorizar o abate”.

Argumento de empregos

O capital mesquinho e a pequena geração de empregos estão acima da sobrevivência desses animais, que são símbolos do Nordeste. Foram trazidos pelos portugueses para o Brasil há 500 anos e se adaptaram muito bem na região seca onde, com suas cangalhas, são utilizados para o transporte de cargas.

Com esse argumento fajuto, insensível e desumano, o diretor geral da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Maurício Bacelar, defende a comercialização. De uma forma contraditória, diz que a intenção é preservar a espécie, mas não podemos nos dar ao luxo de perder cerca de 250 empregos que um frigorífico proporciona.

Além do mais, de acordo com ele, o país não pode abrir mão de uma receita de exportação, que deve ser uma quantia insignificante diante do montante que o país vende em forma de matérias-primas para o exterior.

Aliás, o Brasil continua sendo um país de economia atrasada e arcaica que, praticamente, só exporta produtos primários, como grãos, ferro, petróleo cru e carnes, incluindo agora no pacote a dos jegues.  Isso denota insensibilidade, fraqueza e ganância exagerada por parte dos governos e dos empresários. Muitos afirmam ainda que esta carne de jumento é dada aos chineses como brinde para atrair novos investimento.

O diretor da Adab, um órgão do governo estadual do PT, dito de esquerda, declarou ainda que está estudando junto ao Ministério da Agricultura (governo de extrema-direita), uma portaria para regulamentação do abate desses animais para que possamos tomar todos os cuidados para o seu bem-estar. Irônico que esse bem-estar de que ele fala é justamente matar e exterminar de vez os pobres e inocentes jumentos.





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