Amigo mano, sem essa de ano novo

Mesmo assim te desejo um novo ano

Na Sofia nada se cria, tudo se copia.

 

As luzes se apagaram, o show acabou

Você continua sendo escravo do patrão

O sinal indica não entrar na contramão

E o pássaro astronauta levanta seu voo.

 

O pobre continua sendo um estorvo

Meu camarada, não existe ano novo

No castelo assombrado pia o corvo

E o ano conta os meses e os santos dias

No calendário freguês das companhias.

 

Nas noites vagam as tristezas e alegrias

Os amores começam e se vão pelas vias

Ninguém mais aprecia noite de lua cheia

Preferem mesas suculentas da santa ceia

 

No sertão só vingam cacto e o mandacaru

E o homem labuta na terra o ano inteiro

Ronda no céu pela carniça o tenaz urubu

E nas cidades, só se vê retirante estradeiro.

 

Mano véio, sem essa de ano novo

Mesmo assim te desejo um novo ano

Seja bonito, corcunda ou como for

Siga o mais velho, amando a sua flor.